Canto do Vladimir


Up - Altas Aventuras vence meu Top10 Cinema 2009!



2009 foi um dos melhores para animações, e o velhinho de Up - Altas Aventuras me surpreendeu e me emocionou levando como meu filme preferido do ano. Bateu o também ótimo Avatar (que é quase uma animação também, né, considerando que grande parte das cenas só envolvem personagens virtuais). Mas também foi um bom ano para o cinema nacional popular, com ótimas comédias, como o independente Apenas o Fim e o sucesso Se eu Fosse Você 2.

Seguem então alguns rankings secundários dos meus favoritos de 2009 e o meu tradicional Top10 final.

Top5 Cinema 2009 – Animação
1. Up – Altas Aventuras
2. Monstros vs. Alienígenas
3. Planeta 51
4. Bolt – O Supercão
5. A Era do Gelo 3

Top5 Cinema 2009 - Nacional
1. Apenas o fim
2. A Era do Gelo 3
3. Se eu fosse você 2
4. A Mulher Invisível
5. É Proibido Proibir

Top5 Cinema 2009 – Oscars (2009 e 2010)
1. O Curioso Caso de Benjamin Button
2. Abraços Partidos
3. Bastardos Inglórios
4. Guerra ao Terror
5. O Leitor
6. Quem quer ser Milionário

Top5 Cinema 2009 - Desconhecidos
1. Apenas o fim
2. Rumba
3. Sinédoque – Nova York
4. Distrito 9
5. Os Invencíveis (O Bom, o Mau e o Bizarro)


E finalmente:

Top10 Cinema 2009 Final
1. Up – Altas Aventuras
(A Pixar conseguiu de novo)
2. Avatar  (Magnífico)
3. Monstros vs. Alienígenas (Finalmente a Dreamworks chegou ao nível da Pixar)
4. Apenas o fim (como fazer uma comédia romântica pop nacional com R$10 mil)
5. Rumba (Humor negro e colorido ao mesmo tempo)
6. O Curioso Caso de Benjamin Button (boas sacadas ainda dão bons filmes)
7. Sinédoque – Nova York (labirinto do eu)
8. Star Trek (o melhor filme-pipoca do verão americano)
9. 2012 (cinema catástrofe pra quem gosta de cinema catástrofe)
10. (500) dias com ela (como fazer uma comédia romântica pop e indie)

A partir do próximo post, vou para os meus Top10 dos anos 00.



 Escrito por Vladimir às 15h01
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Meus últimos filmes da década

Pois bem, terminei de assistir os últimos filmes com possibilidade de entrar nos meus rankings de favoritos da década de 00 (segundo a convenção popular). Vamos aos comentários:

A Princesa e o Sapo
Essa versão para o conto de fadas tem um bom roteiro, para crianças e adultos. Há muita música, é praticamente um musical com o melodioso estilo de New Orleans, só que aí é melhor pegar a sessão legendada, pois as músicas dubladas nunca terão a mesma qualidade. Gostei, mas confesso que não chegou a me surpreender. Acho que, pra compensar o fato de ser 2D, poderia caprichar mais nas imagens, dar um aspecto de obra de arte mesmo. Espero que Rapunzel, do ano que vem, traga essa magnificência.

Avatar
Já Avatar, a mega ficção científica sobre um planeta com seres azuis e natureza luminescente, cumpre e até surpreeende na promessa de trazer essa beleza suntuosa. Tudo bem que o roteiro é um clichezão de Sessão da Tarde (do estilo de Dança com Lobos, ou Spirit – O Corcel Indomável). Mas é um clichê bem contado, com romance, aventura, ação, seres bizarros, para agradar a família toda. O ator principal Sam Worthington está muito bem, mas o destaque vai para o coronel vilão (Stephen Lang, que dá muito ódio) e principalmente a mocinha nativa, cuja imagem digital foi capturada de Zoe Saldaña. Ela é apaixonante.

E as imagens em 3D (e ainda por cima vi no IMAX), caramba, são...  Magníficas, é a palavra. Filmes como esse que me fazem compreender a tal magia de se ver cinema. Quero ver de novo!

Guerra ao Terror
Esse filme, que se tornou um dos favoritos ao Oscar, e lamentavelmente saiu direto em DVD no Brasil, é sobre um esquadrão anti-bombas no Iraque. Pensem assim: cenas de especialistas desarmando bombas, quando bem feitas, sempre são carregadas de suspense. Agora imaginem um filme inteiro com várias cenas de desarmes de bombas. A gente fica tenso o tempo todo! Soma-se a isso bons personagens e ambientação e temos um belo thriller de guerra. Merece todo o auê que estão fazendo nessa fase pré-Oscar.

Bom, com isso eu encerro os meus filmes do ano e, a partir do próximo post, vou elencar meus vários rankings do ano de 2009 e da década de 00. No final, postarei o meu esperado Top10 dos anos 00. Já adianto o campeão da década, ninguém tasca: Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças.



 Escrito por Vladimir às 08h57
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Amigo X

Acho Amigo Secreto uma bela invenção do Natal, diverte, integra e ainda saímos com um presente. Tudo bem que já vi amigos ganharem 1 (um) sabonete ou o CD da Simone, mas continuo achando que o que vale é o evento. Aqui no Rio, chamam de Amigo Oculto... meio esotérico, não acham? No Fantástico, ontem, falaram que em alguns lugares do Brasil (onde?) se diz Amigo X. Gostei mais desse, lembra Arquivo X, dando um ar de ficção científica (ou um ar nerd mesmo).

É impressão minha, ou esse costume está menos comum? Na empresa em que eu trabalho não fazem há anos! Será que as pessoas estão ficando mais isoladas ou será que andam evitando para não rolar a famosa saia justa das descrições “criativas” para adivinharem quem é o amigo? De fato, sempre tinha um sem-noção que, em nome do “bom humor”, desancava o pobre colega de trabalho. Sem contar que ninguém mais escondia quem tirou quem, ao ponto de uma pessoa (geralmente um coitado de um estagiário) ficar designado para comprar presente para vários amigos secretos; até para si mesmo!

Vi na Wikipédia que nos países de idioma espanhol também se diz Amigo Secreto ou, mais comum, Amigo Invisible. Outros adeptos da ficção cientítica...

Já nos EUA e Reino Unido chama-se Secret Santa ("Papai Noel Secreto"). Poderíamos dizer que enquanto os ibéricos remetem à amizade, os anglo-saxões vão logo ao símbolo comercial do Natal. Mas aí vemos que, em inglês também há Kris Kringle ou Chris Kindle, que vem do alemão Christ Kindl, "Cristo Menino". Ao menos, lembram de onde vem o Natal!

Porém, na própria Alemanha o termo para Amigo Secreto é Wichteln, derivado da palavra para “duende”. Mais uma alusão exotérica ou estão se referindo aos ajudantes do Papai Noel? Por fim, na Filadélfia, nos EUA, chamam o presente de amigo secreto de Pollyanna, isso mesmo, homenagem àquela personagem felizinha da literatura. Fofo.

Tudo isso é pra dizer que nesse ano, devo participar de dois Amigos X, um dos voluntários do abrigo de cães carentes e outro do grupo de leitura de roteiros. Legal! Só espero que o CD da Simone esteja em falta nas prateleiras.



 Escrito por Vladimir às 15h52
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Meu primeiro presépio

Já falei aqui que me amarro em presépios. Outro dia, comentei isso com meu colega Sandro, que estranhou como pode um ateu gostar da cena do nascimento de Jesus. Respondi: "da mesma maneira que um católico admiraria as Mesquitas de Istambul ou os templos budistas do Tibet, pode ser?"

Mas tenho dois motivos adicionais. Primeiro é que é, mesmo que tenha sido inventada, é uma bela cena, com a criança abençoada nascendo em um lugar precário, em meio aos animais do estábulo, com pastores e os Reis Magos. Carrega um espírito plácido, zen, e tem sido preterido pelos símbolos mais modernos e divertidos, como a Árvore de Natal, os presentes e o Papai Noel. Até acho que pode haver os dois lados, mas não só o lado comercial, né? O segundo motivo é afetivo, é que era sagrado para a minha avó Nice sempre fazer seu presépio no final do ano. Chegou a fazer montagens ricas, ocupando metade da sala de estar, mas no final da vida, tadinha, fazia um modestinho no canto mesmo.

Fuçando na web, descobri que a primeira representação do nascimento do menino Jesus é creditada a São Francisco de Assis, sempre ele, bom garoto. A palavra vem do verbete para "curral" em latim. Ainda bem que arranjaram o termo presépio, porque se chamasse curral, seria péssimo, né? Curiosas são as traduções para outros idiomas. Enquanto que em italiano é o análogo Presepe, em inglês é o insípido Nativity Scene (Cena da Natividade). Em Francês é melhor, Crèche de Noël. Creche? Isso! É que "crèche" originalmente significa "manjedoura". Seria então Manjedoura de Natal. Já em espanhol, segundo a wikipedia, dependendo do país tem vários nomes. O mais comum é Belén, mas também há Nacimiento, Pesebre, Portal ou Pasitos. Pasitos? Será que é em referência aos primeiros passos do menino Jesus? Enfim, puxando sardinha, acho que o melhor mesmo é o nosso Presépio.

Tudo isso foi pra dizer que ganhei de presente da minha esposinha Viviane, belas imagens de presépio, com figuras fofinhas, adorei! Comprei um pequeno estábulo e, nesse fim de semana, montamos na nossa sala de estar. Veja a foto a seguir, como ficou. Vovó Nice ficaria orgulhosa?



 Escrito por Vladimir às 09h25
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Reta final do cinema 2009

Ainda não dá pra fechar meu Top10 de 2009 no cinema, na verdade nem arrisco o ranking da Década de 00. Afinal, a megaprodução Avatar, do James Cameron (de Titanic) vem aí (18-Dez) criando tanta expectativa que já estou até com um pé atrás. Além disso, em dezembro, há A Princesa e o Sapo, da Disney, em um belo ano para as animações. Uma pena que escorregaram para 2010: Sherlock Holmes (8-Jan), Alice no País das Maravilhas (5-Mar) e Um Olhar no Paraíso (The Lovely Bones, drama do Peter Jackson, 22-Jan). Segundo os meus rígidos critérios, vão ter de concorrer, lá em 2019, aos meus favoritos da Década de 10!

Por enquanto, seguem os melhores filmes que vi nos últimos meses, que certamente estarão presentes no Top10 de 2009:

(500) dias com ela
Quando parecia impossível fazer comédias românticas originais, cometeram essa, divertida, romântica e sem final esperado. O título é auto-explicativo: são 500 dias de um romance indo e voltando no tempo, de forma criativa. Com direito a menções à cultura pop, lembrando um pouco Alta Fidelidade ou o recente Apenas o Fim.
2012
Ao contrário da maioria, eu me amarrei nesse petardo sobre o fim do mundo. Tirando a decepção da cena do Rio ser só um flash, achei o filme de tirar o fôlego. Muita gente reclamou das mentiradas, do roteiro, da inverossimilhança... ah, gente, como eu disse no twitter, é cinema catástrofe pra quem gosta de cinema catástrofe. Deixei o cérebro em casa e fui ao cinema me divertir.
A Criada
Infelizmente, essa excelente comédia chilena de humor negro, sobre uma empregada que se sente da família, não tem previsão de estreia no Brasil. Vai escorregar também no meu ranking. Pra mim, foi o melhor filme do Festival do Rio. É incrível como em menos de duas horas a atriz, vencedora de Sundance, inspira de ódio a simpatia.

Fora isso, vi e gostei de À procura de Eric, comédia dramática sobre fã do time de Manchester, que passa a ter visões do ídolo Eric Cantona lhe dando conselhos. Tem um clima parecido com Ou Tudo Ou Nada. Com relação a Bastardos Inglórios, sobre assassinos de nazistas, achei a história meio previsível, não gostei tanto quanto a maioria. Mas Tarantino ainda cria ótimos climas com longos diálogos, e sequências de encher os olhos, como o clímax explosivo. E há um vilão nazista (o ator é um tal de Christoph Waltz) cuja atuação vale o filme. Vale a menção também de dois filmes eletrizantes: Distrito 9, ficção científica sul-africana violenta e original sobre extra-terrestres que vivem num gueto e O Caçador, sobre um serial-killer, uma espécie de Seven coreano, muito bom. Por fim, ontem vi mais uma animação impecável: Planeta 51, sobre terráqueo que pousa em outro planeta. Certamente, foi a mais engraçada do ano, ri muito.

Outros do Festival do Rio, que ainda não estrearam por aqui e que valeram a pena: Mother é mais um da Coréia do Sul, sobre uma mãe que tenta provar a inocência do filho de um crime. Esse seria um... CSI coreano, pode ser? Muito bem urdido. Hachiko, a dog´s story, (que vai se chamar Sempre ao seu lado)  sobre um cão fiel ao dono até o fim. Quando estrear, levem o lenço!

E para Abraços Partidos, do Almodóvar, tenho um comentário quase idêntico ao de Bastardos Inglórios: para um autor que prima por roteiros ótimos, achei esse, sobre o envolvimento de um cineasta com uma atriz (Penélope Cruz), meio manjado. Mas o espanhol também cria grandes climas, hitchcokianos até, e cenas memoráveis, como a da leitora de lábios contratada para espionar a atriz.

Finalmente, algumas decepções. Besouro, filme de artes marciais sobre um capoeirista, tem cenas demais de paisagens e pouca ação. Ao menos abriu um filão, espero que venham produções mais empolgantes. E Anticristo, filme bizarríssimo feito pra chocar, mas que achei chato. Se bem que agora, dando distanciamento, até passei a gostar mais.

Ufa, teve mais, mas chega por hoje. Isso é que dá ficar sem postar por muito tempo, né?



 Escrito por Vladimir às 08h43
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Década de 00

Está chegando a hora de eu me juntar às revistas com pautas “criativas” e escrever meus próprios rankings Top10 de 2009. Tenho tido trabalho, afinal se em cinema eu sempre estive razoavelmente por dentro, o mesmo não posso dizer da música. Foi-se o tempo que eu assinava a Bizz e sacava todas as tendências. Agora, acontece como nesse ano: eu descobri músicas muito legais, como Gronlandic Edit da banda indie Of Montreal  e Don’t Wait Too Long, de Madeleine Peyroux. Queria colocá-las no Top10 de 2009, mas aí soube que a primeira é de 2007 e a da cantora de jazz é de, pasmem, 2004. Tô por fora mesmo. O jeito é eu ir direto para o Top10 da Década, que também já estou preparando.

Aliás, estou me acostumando a falar Década de 10 para os anos que vêm aí. Temos que mudar nossa cabeça para, ao mencionar isso, não nos remeter ao início do século passado, né? Lembrei que outro dia eu estava lendo algum conto antigo que mencionava “década de 80”. Eu estranhei, pensei: "nossa, esse texto é moderno?", até me dar conta que ele se referia aos anos de 1880. É isso, a cada século temos de mudar nossas referências.

O mais engraçado é falar da década que está acabando agora. Se aprendemos a abreviar as décadas pela dezena, essa seria a Década de 00? Bom, o pessoal tem usado Década de 2000, mas até que Década de 00 ficou surreal, né, uma coisa meio carro-do-dick-vigarista-&-mutley, vou adotar!

Por falar em referências, se o Papa Gregório XIII nos prestou um imenso favor em organizar o calendário como o conhecemos hoje, ele criou uma convenção impopular: as que as décadas, os séculos e os milênios começam no ano xxx1 e não no ano xxx0. Ou seja, muita gente comemorou o final do milênio entre 1999 e 2000, mas na verdade ele virou entre 2000 e 2001. O mesmo acontece com a década de 00, que só termina no início de 2011. Podiam mudar isso, né? Hey, Bento XVI, taí uma medida que aumentaria sua popularidade, heim? #ficadica

Enquanto isso, pra todos os efeitos, esse blog já adotou as duas convenções: vem aí, para os favoritos entre 2000 e 2009, os meus Rankings Top10 da Década de 00!



 Escrito por Vladimir às 09h16
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A melhor coxinha do mundo

Há mais de vinte anos, estávamos a família toda indo a Fortaleza em um pequeno avião e pousamos para abastecer em Juazeiro-BA. Ou seria Petrolina-PE? Não me lembro, mas duas coisas nunca me esqueci: a magnífica vista da hidrelétrica de Sobradinho e a coxinha desse pequeno aeroporto. Isso mesmo, sem medo de ser feliz, devorei duas belas coxinhas que, além de serem carnudas e saborosas, tinham uma camada a mais, algo como uma casquinha crocante, uma delícia! Até hoje digo que foi a melhor coxinha da minha vida.

Pois no Dicionário Hoauiss encontrei tudo quanto é salgadinho, especialmente se o nome veio do exterior: croquete (do francês croquette), empada (do português antigo empanada), pastel (do francês antigo pastel), esfirra (de um dialeto árabe sírio-libanês, algo como sfiha),  rissole (e não risoles, como eu achava, do francês rissole). Além disso, achei o enroladinho, de origem óbvia (cuja versão enroladinho de queijo de Goiás eu e a Viviane temos saudades). No entanto, não há a brasileira coxinha no Houaiss! Por que será, né? Na wikipedia diz que existe coxinha até em Portugal, então não tem a desculpa de ser regional demais. É até notório fora do Brasil, lembro que conheci um gringo na Alemanha que, quando eu disse que era do Brasil, ele suspirou com sotaque: “Humm, côuxina!” Houaaiss, heloooo!

Tudo isso foi pra dizer que após vinte anos, achei um forte concorrente para a coxinha de Petrolina (ou será de Juazeiro?). Trata-se da coxinha do Pedro’s Bar, no Mercadão em frente à casa da minha sogra em Jundiaí. Delícia! Gosto tanto que, pra me agradar, a Viviane às vezes traz de avião aqui para o Rio quando vem de lá. Amanhã, acho que tem! E o melhor: é o único que faz uma versão só com catupiry, sem frango, que atende à minha esposa vegetariana! Perfeito, como ninguém mais pensa nisso, né?



 Escrito por Vladimir às 17h10
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Olhos de Mel

Sabe aquela ideia que você tem, não faz nada com ela e quando vê, alguém tem a mesma sacada e ganha uma grana? Já aconteceu comigo, principalmente com estórias ou roteiros. Na verdade, nem ligo muito, minhas ideias são meio clichês mesmo, e até fico satisfeito em saber que era algo viável.

É que está estreando na TV a nova série americana Lie to me, na qual o personagem principal tem o poder de sempre detectar quando uma pessoa está mentindo, e ajuda nas investigações policiais. Exatamente como a adolescente Mel, a protagonista de um pequeno romance que eu comecei a escrever há alguns anos e parei no meio. Ela usava esse poder para descobrir um mistério de um serial killer e também aproveitava no dia-a-dia. A diferença é que, na série o cientista detecta através de micro-expressões e gestos, enquanto que a minha Mel lia nos olhos da pessoa, de uma forma mais paranornal.

E olha essa: na prévia que li de Lie to me, o cientista pergunta ao vendedor de hot-dog se "a salsicha é de hoje", mas quando este responde que sim, o herói percebe que é uma mentira. No meu projeto, chamado Olhos de Mel, a babá da menina sempre a leva à feira para detectar quando o vendedor pode dar mais descontos.

Outras ideias que tive: a menina, ainda bem criança nos anos 70, vê o ministro dizendo na TV que a inflação vai baixar mas já detecta que ele está deliberadamente mentindo. Ou quando vê, na telenovela, a personagem de Glória Pires dizendo ao de Fábio Júnior que o ama, Mel comenta que curiosamente aquilo era uma verdade. Depois revelar-se ia que os dois atores estavam tendo um romance na vida real.

Num momento dramático do meu romance, um homem acusado de ser o serial killer é linchado e morre aos berros de que é inocente. Depois, Mel vê o corpo ainda de olhos abertos e detecta, mesmo após a sua morte, que a última coisa que o homem falou vivo era uma verdade. Ou seja, ele era realmente inocente.

Por ver todas as mentiras das pessoas, inclusive as dos próprios pais, a minha heroína desde cedo se desilude da humanidade e se isola. Aí que eu introduzo outro personagem fantástico, um garoto que nunca mente (uma espécie de Super-Sincero, aquele personagem do Luiz Fernando Guimarães no Fantástico, taí outra ideia "copiada"). Mel então vive um conflito interno, pois ao mesmo tempo que se encanta com a única pessoa do mundo de quem não vê mentiras, ela se choca com a extrema franqueza dele, que vive a ofendendo.

No final, eu engano o leitor. Durante a investigação, Mel chega a perguntar a um outro suspeito se ele era o assassino procurado e, como ela detecta uma verdade em sua negativa, levo o leitor a descartá-lo. O problema é que ele tinha um distúrbio de dupla personalidade e realmente acreditava que o serial killer era seu irmão, falecido, quando que na verdade era ele mesmo.

A minha ideia era criar uma série. Agora não precisa mais, já "plagiaram" em Lie To me, cujo primeiro capítulo verei nesse domingo, na Fox. Vamos ver, ao menos, se essa "cópia" presta!



 Escrito por Vladimir às 08h52
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Palavras nas quais eu me amarro - Gamar

Mandei hoje o cartão virtual acima para a Viviane por conta dos nossos oito meses de casados. Parabéns para nós! Lembrei-lhe, no texto, que a última frase que proferi na apática Era A.P. (Antes da Pulguinha) da minha vida foi parecida. Foi quando nos reencontramos em 2006 no bar Bon Rini, depois de quase quinze anos e, lá pelas dez da noite, eu comentei galanteador:  “Sabia que eu era gamadinho por você na época da faculdade?” Ela se desarmou e o beijo aconteceu. A partir daí, como escrevi hoje no cartão, “minha vida floresceu e a felicidade pousou indelével na minha alma.”

O que eu queria falar aqui é que eu me amaro nas palavras gamado ou gamada, do verbo gamar, segundo o Houaiss: “ficar encantado, apaixonar-se, vidrar”. Decepcionei-me ao ver que o livrão considera a origem obscura. Googlando, achei umas teorias: gama seria uma denominação para ladrão no Iêmen. Será que, daí, teria passado a surrupiador de coração? Isso bate com uma outra acepção para gamar no Houaiss: “furtar sem ser percebido, com sutileza”. Acho que a gamação tem sim a ver com isso, quando a gente percebe, tá gamadinho!

Outra alternativa aventada na minha googlada é que o verbete viria da letra gama, do alfabeto grego, símbolo do campo magnético terrestre. Ou seja, teria a ver com atração magnética... Humm, boa! Fui voltar ao Houaiss, e me deparei com outra acepção para gama: é a fêmea do gamo, um “cervídeo com chifres em forma de galhada!” Ops! Espero que não tenha vindo daí!.

Mas posso eu também criar a minha teoria? Gamar poderia vir de gomar, ou seja, “colar com goma”. É que, após oito meses de casado, eu continuo gamadão pela minha esposinha, o que, para mim, é o mesmo que estar o tempo todo com vontade de ficar coladinho a ela! Feliz Oito Meses, Iaiá!



 Escrito por Vladimir às 10h16
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Up, e as altas aventuras de uma vida a dois

Muitas vezes, fico preocupado de não estar programando muitas coisas novas pra fazer com a minha esposinha Viviane. Mas será que a gente precisa inventar modas para a nossa vida a dois ser uma aventura inesquecível? Obtive essa resposta no cinema, nesse fim de semana, com um filme do qual não esperava muito.

Já comentei aqui que as animações têm roubado a cena do cinema em 2009. Achei Bolt, Monstros vs Alienígenas e Era do Gelo 3 bem melhores que, por exemplo, X-Men - Wolverine, Watchmen e Exterminador do Futuro 4. E, na minha opinião, o melhor filme do ano até agora é justamente a animação Up – Altas Aventuras.

Que obras cinematográficas hoje em dia desenvolvem personagens tão bem que já nos emocionam às lágrimas nos primeiros cinco minutos? E, dentre estes, quais conseguem fazer isso sem que o personagem principal diga uma fala sequer nesse tempo? A Pixar já tinha perpetrado, com Wall-E, a ousadia de quarenta minutos iniciais sem um só diálogo. E agora eles contam, em cinco minutos e sem texto, setenta emocionantes anos da vida de um casal. Quem conta essa estória são a casa, as mãos cobertas de tintas se unindo, a expressividade dos personagens e até as nuvens do céu. É genial e, se o filme acabasse ali, já teria valido a pena.

Mas as aventuras do velhinho ranzinza que resolve viajar com balões são um deleite só. O roteiro bem montado (que brinca de transformar heróis em vilões e vice-versa), as cenas de ação tomando proveito de toda a morfologia dos cenários e recursos, as boas piadas, as belas paisagens e a química entre o velhinho e um escoteiro japinha têm, como sempre, um padrão de qualidade que só a Pixar tem conseguido imprimir. Só torci o nariz para invencionices, como aviões pilotados por cachorros e coleiras falantes. Mas só o fato da Pixar se arriscar em soluções menos manjadas, me fez relevar e até admirá-la.

No final, as lágrimas voltaram à minha face com a surpreendente mensagem. A de que as aventuras de nossas vidas dependem mais do nosso coração do que de mirabolâncias. Olhei para a minha esposinha que também se debulhava em prantos, e agradeci silenciosamente pelo prazer que está sendo viver com ela, inventando ou não "altas aventuras" para os nossos dias.



 Escrito por Vladimir às 10h35
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Mr. Pixar, cineasta autoral

Muito se fala da expressão “cinema autoral”, mas não achei muitas definições satisfatórias na web. A mais aceita se refere a quando o cineasta produz, escreve e dirige os seus próprios filmes, como faziam François Truffaut, Federico Fellini e Charles Chaplin. Isso em oposição àqueles filmes “encomendados”, com roteiristas e diretores contratados, como Transformers, etc. Mas essa definição não é unânime: Alfred Hitchcock, por exemplo, é considerado autoral mas não escrevia os roteiros de seus filmes. No entanto, ele cuidava de suas obras com muito carinho, para que tivessem sua marca, fossem absolutamente “suas”.

Outra característica dos cineastas autorais é a originalidade. Poucas vezes um auteur (como Truffaut convencionou em chamá-los) ancora-se em continuações ou adaptações de obras ou personagens consagrados. Isso os torna uma raridade, mas também um risco aos estúdios de hoje em dia, que preferem apostar em referências conhecidas.

Na minha opinião, há poucos cineastas autorais em atividade que estão mantendo a qualidade dos suas melhores obras: Pedro Almodóvar nunca mais fez um Fale com Ela (a ver Abraços Partidos, no Festival do Rio); Wong Kar Wai não igualou Amor à flor da pele; Lars Von Trier parou em Dogville (Anticristo foi chocante, que é diferente de surpreendente), Quentin Tarantino fez o seu melhor em Pulp Fiction (também no Festival, verei Bastardos Inglórios, quem sabe?) e os últimos surtos de originalidade de M. Night Shyamalan não sobrevivem à comparação com O Sexto Sentido. Um diretor mais recente, o coreano Park Chan-wook, considero “sob vigilância”, pois a sua obra recente (I’m a cyborg, but that’s OK) até tem qualidade, mas não a do excelente Oldboy. Espero que seu Sede de Sangue esteja também no Festival do Rio, pra eu matar essa dúvida.

Pensei em três cineastas que têm mantido uma qualidade compatível com seus melhores filmes. Woody Allen impressiona pela sua prolificidade, todo ano tem filme dele que, se não é sempre genial, é bem melhor que a média de mercado. Fernando Meirelles é outro que continua sendo um prazer ver, mesmo não tendo feito um novo Cidade de Deus. E o último do mexicano Alejandro Iñárritu, Babel, eu adorei ainda mais que Amores Brutos. Vamos ver como ele se sairá  sem o seu roteirista tradicional, Guillermo Arriaga. Poderia citar também a dupla Michel Gondry (diretor) e Charles Kaufman (roteirista), que cometeram o melhor filme da década, Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças e, depois, partiram em carreiras solo autorais interessantes, mas sem o mesmo... brilho.

Tudo isso foi pra dizer que o cinema de auteur da atualidade que mais se destaca pela originalidade e qualidade que se superam a cada filme é o feito pelo estúdio de animação Pixar da Disney. Eu sei que não se trata de um cineasta, mas até parece que existe um Mr. Pixar: seus fundadores, em especial o chefão John Lasseter, esmeram-se com carinho para que todos os filmes tenham um roteiro bem urdido, um mundo novo, um encantamento especial. Enfim, uma marca autoral. Além disso, não se baseiam em personagens ou obras conhecidas, tiram todas aquelas preciosidades da cartola. Como eles conseguem? Quando achamos que Toy Story foi ótimo, vem a obra-prima Procurando Nemo. Se consideramos Nemo o ápice, vêm Ratatouille (uau!), Wall-E (uôu!)...  E esse ano, juro que não botava fé no tal velhinho voando com balões de Up – Altas Aventuras. Mas a Pixar conseguiu de novo! Fez outra obra-prima, criativa e encantadora, que nos emociona do início ao fim.

Como esse texto ficou longo, vou comentar o filme propriamente dito em outro post. Mas não esperem, vão logo ver mais essa jóia do melhor cineasta autoral da atualidade... Grande Mr. Pixar!



 Escrito por Vladimir às 15h03
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Um pequeno conto meu

Dupla Invencível

Naquela cidadela do interior, o garoto Azulão e sua colega Marina não se desgrudavam na sala de aula. Estudavam juntos, jogavam xadrez, duelavam naquele jogo de tabuleiros Scotland Yard, faziam planos de se tornarem agentes do Arquivo X do FBI quando crescessem...

Numa tarde, a turma de meninos “Gangue da Moagem” - uma espécie de Clube do Bolinha da cidade - decidiu por executar a tal invasão investigativa ao famoso casarão abandonado da Rua de Baixo, que todos sabiam ser mal-assombrado. Os meninos já tinham uns onze, doze anos, e essa missão era considerada a última da Gangue, pois muitos iam estudar na capital no ano seguinte. Azulão, Stanislau e os outros quatro, olhavam com interesse para o casarão. Não era só uma construção monstruosa condenada e invadida pelo mato; era um símbolo, talvez um epílogo de todas as aventuras que aquele honorável clube de meninos fizera até ali. Subir na enorme caixa-d’água da cidade, roubar jambo do Seu Juca, atravessar o cemitério à meia-noite; tudo isso era planejado e realizado sempre com aquele gostinho de “um dia a gente vai é entrar no Castelo Mal-Assombrado da Rua de Baixo”. O casarão era realmente imenso, um labirinto provavelmente cheio de passagens secretas, e era conhecido por reunir os fantasmas e bruxas de toda a região, numa espécie de convenção de almas penadas. Os meninos olhavam excitados.

De repente, Azulão sugeriu distraído:

- Vou chamar a Marina pra participar da missão, eu posso, né?

Foi como um pequeno choque. A despeito da tarde calmíssima, sem ventos, aos poucos cobrindo a mansão gigante de penumbra, um rebuliço invadiu a cabeça dos garotos. Fecharam a cara para a singela sugestão. Azulão está louco? Qual é a dele? Era uma quebra de tradição grave incluir uma garota nas aventuras. Um teve vontade de cancelar toda a empreitada ali mesmo. Outro pensou em abrir votação para a expulsão de Azulão da Gangue. Um até chegou a suar e fechar a mão instintivamente. Só ele, Azulão, encarava a sua sugestão como a mais natural do mundo. Não era de hoje que ele estava mais afastado da turma. Quer dizer, a turma toda andava meio ausente, mas Azulão estava realmente diferente.

No entanto, talvez pela petulante naturalidade de Azulão, um minuto passava, dois, e nenhum dos outros tomava coragem de negar o pedido explicitamente. A questão começou a chocar ainda mais justamente por não causar estranhamento. Os garotos reconheciam que as habilidades investigativas de Marina seriam excelentes para a aventura. Mas eles se assustaram foi com uma certa consciência coletiva pairando sobre as alminhas de que a imagem do final da infância não era um clímax emocionante da invasão da mansão, e sim o anticlímax de uma sugestão inocente. Aquela frase antecipou-se à mansão em pôr termo à turma, à infância deles. Azulão era o primeiro que já estava traçando um futuro, arranjando uma namoradinha, uma pessoa que combinava tanto com ele... Que inveja, que admiração, que vontade de ter um caminho também, de formar uma dupla unida e invencível como a de Azulão e Marina... Uma melancolia começou a se derramar pelos meninos, um até se segurou para não chorar; fungou fingindo um resfriado. Azulão continuou tranquilo, brincando com um graveto. O silêncio imperou pelos longos minutos do crepúsculo.

Mas logo essa tristeza se fragmentou. É que Stanislau, um dos garotos, ganhou forças, levantou a cabeça e, com a complacência de todos, anuiu:

- Pode chamar sim, Azulão. Ela é legal...



 Escrito por Vladimir às 09h32
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São Vladimir

 

Meu pai me contou de uma catedral em Kiev, Ucrânia, em homenagem a um certo São Vladimir, vejam acima as imagens dela, que bonita. Fuçando, vi que esse santo ortodoxo na verdade foi o Príncipe Vladimir, o Grande (ou ainda, Vladimir I, de Kiev), que comandou o Reino de Kiev (que abrangia partes da Ucrânia, Rússia e Bielorússia de hoje) há exatos mil anos atrás (do ano 980 a 1015). Foi quem cristianizou a região, se tornando uma figura muito querida, conhecido pelo codinome de Sol Justo. Recentemente, fizeram até um longa de animação com a história dele, vejam o poster abaixo:

Há controvérsias sobre o significado do nome. Diz-se que vladi é “reger, governar” e mir “fama, glória”, então seria algo como “Governar com Glória”. Porém a palavra mir tem outros significados nas línguas eslavas: “paz”, “povo” e “mundo”, então há quem diga que seria “Governar com Paz” ou “Governar o Mundo”, ou ainda, como popularmente mencionado na Rússia, “Mestre do Universo”. Humm, menas, né?

Enfim, é por causa desse nobre de Kiev que Vladimir se tornou popular no mundo eslavo, de lá para o resto do mundo, sendo, portanto, por sua causa que eu mesmo tenho esse nome. Tirando o fato de ter sempre sido um dos últimos na chamada na escola, o nome sempre me agradou, por ter ares elegantes e não ser tão repetido.

Sendo um dos nomes mais comuns entre os eslavos, a história traz bastantes exemplos: do revolucionário Lenin ao Conde Vlad, o Impalador (da Transilvânia), do poeta Maiakovski ao político Putim, do escritor Nabokov (de Lolita) ao pianista Horowitz. No Brasil também temos o político Vladimir Palmeira; o jornalista morto pela ditadura Vladimir Herzog; o ator Vladimir Brichta e até um popular lateral esquerdo do Corinthians nos anos 70, Wladimir. Na ficção, além do Conde Drácula, inspirado pelo Conde Vlad, só me lembrei do também vampiro Vladimir Polanski, da novela Vamp, e do  bombeiro garanhão Vladimir, da novela Celebridade. Putz, encerrei bem a lista, heim?

Outras curiosidades são as variações dependendo da língua. Se o mais comum é se escrever como no original, Vladimir, vejam as outras formas:

Em Latim: Vladimirus
Em alemão: Wladimir
Em italiano: Vladimiro
Em ucraniano: Volodymyr
Em bielorruso: Uladzimier
Em polonês: Wlodzimierz

E se na minha vida sempre fui chamado de Vlad (exceto por meus irmãos, a quem sou simplesmente Vla), vejam só essas reduções em outras línguas: Vova, Volodya (essas duas, as mais comuns na Rússia), Vovochka (esse é um personagem infantil de piadas na Rússia, como o Joãozinho no Brasil), Vladim, Vladan, Vlado, Volya, Vovusha (ui!), Vovka (hahaha, parece Vodka!), Vovanych, Vovyan (me amarrei, poderia formar a dupla Vovyan & Vivian com a minha Pulguinha, né?), Vovansky,... Isso porque a web não menciona as formas pelas quais já fui chamado por pessoas mais simples, coisas do tipo: Fladimir, Vradimir, Claudemir, Fradimir, Fredmir, Craudimir, Valdeir, Vardermir (acreditem!)...

Por fim, pra minha surpresa, descobri na web que há também versões no feminino: Vladimira, Vlada, Vladimirka, Vladislava, Vladanka....

Vixe, meu São Vladimir, quanta variação saiu de teu nobre nome, heim?



 Escrito por Vladimir às 11h36
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Lullaby

Eu e a Viviane gostamos de dormir com música. Qualquer uma que nos agrade: instrumentais, Disco, MPB e até hard rock. Mas outro dia comprei um CD chamado Canções de Ninar, do grupo Palavra Cantada. Foi engraçado, achamos numa feirinha da Praça São Salvador e o vendedor falava: “É ótimo pra crianças!” “As crianças adoram.” “Bom principalmente para menores de 3 anos”. A gente ria, mas não dissemos que era pra nós mesmos.

Adoramos! Tem até uma musiquinha que conta carneirinhos, que eu me amarro. A Viviane só reclamou que nunca consegue ouvir mais de uma música, pois antes da segunda... cataploft! já caiu no sono.

Um dos sinônimos para cantiga de ninar é a no. 2 do meu ranking de palavras favoritas em português: acalanto (só perdendo pra saudade). Em inglês, canção de ninar é lullaby, outra palavrinha linda, né? A origem mais aceita para lullaby é que veio do cantarolar la-la-la, com bye no sentido de boa noite. Há outra teoria que veio de Lilith-bye, ou seja, uma maneira das crianças dizerem adeus a Lilith, um certo anjo do mal.

A propósito, acho estranho que muitas cantigas de ninar mencionam monstros, né? As mais populares do Brasil falam do “Boi da cara preta” e da “Cuca” que “vem pegar”. Aliás, fui fuçar a palavra Cuca e descobri outra curiosidade. Seu nome evoluiu de Coca, que por sua vez seria o feminino de Coco, um dos nomes originais para o Bicho Papão. O curioso é que o nome do fruto do coqueiro veio desse Coco folclórico. É que as mães usavam o coco para reperesentar o bicho, como fazem com a abóbora no halloween, e assustar as crianças. E o fruto acabou assumindo o nome do monstro imaginário.

Que maldade, né, prefiro lullabyes que só contem carneirinhos, pode ser?



 Escrito por Vladimir às 09h11
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Bigorna

Achei o filme Arrasta-me para o inferno menos criativo que o clássico trash Uma Noite Alucinante (Evil Dead II) dos anos 80, do mesmo diretor Sam Raimi. Mesmo assim, tem momentos hilariantes, como quando a mocinha está sendo atacada por um ser horripilante e nota que há uma bigorna pendurada no alto, por uma corda. Claro que ela corta a corda e a bigorna tomba na cabeça da besta, fazendo seus olhos saltarem, muito legal. Mas eu me perguntei, o que fazia uma bigorna pendurada? Ou melhor: quem tem uma bigorna em casa? Para que esse bloco de ferro serve a não ser para abalroar o Coiote, no desenho do Papa-léguas?

Pra não dizer que nunca vi esse troço, a gente teve de fabricar umas minibigornas nas aulas de torno do SENAI, no curso de engenharia. Realmente, isso foi muito importante para a minha carreira... Fuçando, vi que a bigorna serve de apoio para forjar metais, mas que caiu em desuso pois hoje há maneiras mais práticas. A palavra vem de bi (dois) + cornu (corno, chifre), por causa das duas pontas. E que é o nome de um dos menores ossos do corpo humano, compondo com o martelo e estribo os ossículos do tímpano. Essa quem se lembrou foi minha esposinha médica.

A Wikipedia menciona as diversas referências de bigorna em desenhos animados. Um deles, Animaniacs, tem até uma Anvilannia (algo como Bigornolândia), uma cidade cuja única atividade econômica é a fabricação de bigornas. Muito útil no mundo dos cartoons, né? Mas a melhor referência é um dos deliciosos diálogos da saudosa série Gilmore Girls, quando Lorelai comenta que, pelas frequentes citações, as bigornas deviam ser comuns antigamente e, como não são mais vistas, conjectura: para onde foram todas as bigornas? Se elas eram feitas justamente para não se derreterem no trabalho de forjar, então, afinal, em que armazém secreto do governo estão todas as bigornas escondidas?

Bom, só espero que nenhuma delas esteja de bobeira acima da minha cabeça, né?



 Escrito por Vladimir às 21h53
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Som & Fúria e Decamerão

Com minha TV a cabo com possibilidade de gravação de programas, finalmente este dorminhoco que vos escreve pode acompanhar com afinco séries e minisséries depois das 23hs. Assisti inteiro Som & Fúria, sobre uma companhia de teatro, adorei! Além da raridade de ver Shakespeare na TV, ainda teve performances impagáveis, como a da Andréa Beltrão, do Dan Stulbach e, principalmente, do Felipe Camargo, de quem eu nunca gostei muito, mas que parece ter encontrado o papel perfeito como um maluco beleza. O diretor Fernando Meirelles mandou bem, tomara que vire série regular!

Falando em Shakespeare, agora tenho me amarrado em Decamerão, A Comédia do Sexo. Assim como nas peças do bardo, o diálogo é todo rimado, o que faz com que o texto dê dois prazeres: entender os vaivéns das hilárias intrigas de traição e ficar tentando adivinhar como as rimas serão resolvidas. As tramas lembram os melhores momentos dos autores, o Guel Arraes e o Jorge Furtado, como em O Auto da Compadecida e Caramuru. E os atores, como a Drica Moraes e Matheus Nachtergale, estão como sempre ótimos. E o Lázaro Ramos dando uma de voyeur com a Leandra Leal no último episódio me remeteu a um dos meus filmes favoritos, O Homem que copiava, também do Jorge Furtado.

Tomara que mantenham o padrão, pois o meu gravador de programas não vai deixar eu perder nenhum episódio!



 Escrito por Vladimir às 11h26
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Seguindo o delinear das coisas

Uma coluna recente do Arthur Dapieve cita até Sartre para falar do lado existencialista do crepúsculo, do entardecer. À medida que as coisas vão desaparecendo com a chegada da noite, emerge a dúvida: se a gente não pode vê-las, elas existem? Elas precisam da gente pra existir?

Lendo isso, lembrei de uma música da compositora nova-iorquina Suzanne Vega, chamada Night Vision, na qual ela ensina uma criança a enxergar no escuro, numa metáfora de que não se deve esconder do filho as coisas sombrias do mundo, e sim ajudá-lo a enxergar com olhar crítico. Segue um trecho:

 

Night Vision

(Suzanne Vega)

 

The table. The guitar

The empty glass

All will blend together

When the daylight has passed

 

When the darkness takes you

With her hand across your face

Don't give in too quickly

Find the thing she's erased

 

Find the line, find the shape

Through the grain

Find the outline,

And things will tell you their name

Visão Noturna:

(tradução: Vladimir)

 

A mesa. O violão.

O copo vazio.

Tudo vai se mesclando

Quando o dia fica sombrio

 

Quando o breu te pega

Com a mão sobre tua face

Busque o que ele apaga

Não desista tão fácil

 

Ache a linha, ache a forma

Nos fragmentos

Ache o traçado

E as coisas nomearão seus elementos

 

Li que Suzanne se baseou em um poema chamado Juan Gris, do poeta francês Paul Éluard. Alguns versos são traduções literais, mas o curioso é que Éluard não falava de visão noturna e sim da arte do pintor espanhol Juan Gris, que aliás eu me amarro. Vejam exemplos de suas pinturas:

   

                 

Reparem que a arte do cubista Gris não é sombria, mas o método para decifrar os elementos de sua pintura seria o mesmo. Se olharmos distraídos seus quadros, vemos somente umas colagens sem sentido, com traços quebradiços. Mas se seguirmos uma linha aqui, um delinear ali, enxergaremos seus temas recorrentes: o violão, a mesa, o copo. Como, aliás, é dito na poesia de Éluard, e também na sua bela tradução folk de Suzanne.

Da arte cubista à visão noturna, passando pelo enfrentamento dos perigos da vida: quanta coisa pode sim existir por trás da escuridão advinda do crepúsculo...



 Escrito por Vladimir às 17h06
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Frases em latim

Fiquei matutando se a frase “Quousque tandem, Catilina, abutere patientia nostra?” é mesmo a única que sei em latim. Expressões, ouvimos várias por aí, seja pelas religiões (mea culpa, corpus christi), pelo meio jurídico (habeas corpus, sine qua non), ou até em séries policiais (modus operandi, rigor mortis). Algumas foram incorporadas na língua (carpe diem, a priori, curriculum vitae, fac simile (que literalmente significa “faz igual”), in loco, pro forma, sui generis, vice versa). Aliás, fiquei na dúvida se ad eternum (ou ad aeternum) existe. Achei referências boas só para ad infinitum e ad nauseam...

Enfim, frases com sujeito e predicado mesmo, será que eu conheço mais alguma? “Mens Sana in Corpore Sano”, o mantra da vida saudável, não chega a formar uma oração, assim como “Libertas Quae Sera Tamen”, lema da Inconfidência, inscrito na bandeira de Minas ("Liberdade ainda que tardia").

Lembrei de três frases religiosas: “Fiat Lux” (Faça-se a luz, do Gênesis), “Habemos papam” (popularizada na eleição de Bento XVI) e “Vade Retro Satana” (que proferi contra uma professora carrasca, uma vez, que lástima) e de mais uma romana “Et tu, Brute?” (ou “Até tu, Brutus”) eternizada por Shakespeare em Júlio César. Mas a mais fascinante, é outra que meu pai me ensinou: “Sator Arepo Tenet Opera Rotas”. É que se você colocar na forma de um quadrado, assim...

SATOR
AREPO
TENET
OPERA
ROTAS

... consegue ler a mesma frase na vertical, horizontal, de trás pra frente e de cabeça pra baixo. As traduções não são conclusivas, giram em torno de “Arepo, o Semeador, guia as rodas cuidadosamente”. Mas li que há controvérsias se essa frase existiu mesmo, pois não é do latim erudito. De qualquer forma, em nenhum outro idioma com nosso alfabeto, alguém foi capaz de criar uma frase construída assim, que tenha um mínimo sentido. Então, ficamos com essa mesmo, pode ser?



 Escrito por Vladimir às 20h43
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Quousque tandem, Vossa Excelência?

Fazendo turismo em Roma, há três anos, eu pedi para a Viviane fazer um filmeto no celular com este blogueiro molecamente discursando nas ruínas do Senado Romano. Proferi a única frase que sei em latim, originalmente de um discurso dito há dois mil anos no mesmíssimo sítio:

       Quousque tandem, Catilina, abutere patientia nostra?

Quer dizer: “Até quando, ó Catilina, abusarás da nossa paciência?”. Li que foi um discurso de Cícero contra um outro senador, o rebelde Lúcio Sérgio Catilina, em 63 a.C. Pelo menos, não se chamavam hipocritamente de “Vossa Excelência”, né?

Lembrei disso, ao rir de um tweet do Nelson (do blog Ao Mirante), com a mesma frase, mas substituindo Catilina por CatiLula, referindo-se, lógico, a Lula, quando ele abusou de nossa paciência na defesa do Sarney. Imaginei que fui dos poucos da minha geração que entendeu esse gorjeio, assim mesmo porque foi meu pai quem me ensinou a frase.

Eu me dei conta que sou de uma das primeiras gerações que nunca aprendeu nadica de latim na escola, que pena. Creio que não ensinar uma língua morta foi um passo na direção da modernidade, mas do jeito que gosto das palavrinhas e de etimologia, acho que eu ia gostar de aprender um pouco... Será?



 Escrito por Vladimir às 17h21
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Muitos beijos para a minha Viviane, no dia do seu aniversário!



 Escrito por Vladimir às 17h42
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Um mini-conto meu

No chalé

Madrugada fria no chalé:

Ela: “Não mate o Júlio, por favor!”
Ele: “Mato.”
Ela: “Não... Que crueldade!”
Ele: “Não tem jeito: vou matá-lo!”
Ela, resignada: “Ok, pode matar então... Mas pelo menos deixe o rapaz ver sua amada pela última vez...”
Ele suspira: “Tá! Vamos a esse encontro então.”
Ela volta ao computador e escreve “Capítulo 5”. Ele atiça a lareira, abre mais um vinho e recomeça a ditar:

A réstia de brilho nos olhos de um agonizante Júlio insistia em não se extinguir, pois estava reservada à última visão de sua amada, que se aproximava lentamente do casarão...



 Escrito por Vladimir às 16h53
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Glamour

Fui verificar no Houaiss se o verbete glamour se aportuguesava para glamor ou algo assim (não, senhor!) e descobri algo inusitado. Primeiro, que a origem da palavra é escocesa e não francesa como eu pensava. E mais, glamour foi uma alteração do inglês grammar (“gramática”),  pois associavam a erudição escrita com charme e encantamento.

Pena que glamour se desassociou do mundo das palavrinhas, hoje tem muito mais a ver com a imagem, né? Já pensou se as pessoas se fascinassem tanto com os escritos como com celebridades e coisas afins? Se falassem de um Guimarães Rosa ou de um Vinícius de Moraes assim: “Nossa, essas sim são palavras do mais alto glamour!”



 Escrito por Vladimir às 17h29
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Galalau, Pândego, Pantagruel e Patagão

Hoje, eu estava reclamando de uma mochila pesada e um amigo me reprimiu com uma palavra que há muito não ouvia: “Tamanho galalau!”. Nossa, galalau é das antigas, né? Houaissei (do verbo houaissar, pode ser?) e descobri que se refere a um certo personagem de estatura elevada chamado Galalão (no francês original, Ganelon), de La Chanson de Roland, um poema épico do século XI.

Isso me lembrou de Pantagruel. Quando eu cheguei à puberdade, crescendo desajeitadamente, meu pai brincava me chamando solenemente de “pândego, pantagruel e patagão”. Pândego por ser meio palhação, pantagruel por ser comilão, e patagão por ter pés grandes (com doze anos, já calçava os mesmos 43 de hoje!)

Pois assim como Galalão, Pantagruel também é um personagem da literatura francesa, este criado por François Rabelais no século XVI. Era um gigante boa-vida e glutão, o que gerou o verbete pantagruélico (comilão).

E qual seria a origem de pândego? Segundo o Houaiss, pândego (que significa brincalhão) vem das pândegas, festas com bebidas e comidas e muita farra. Provavelmente, Pantagruel curtia essas festas, né? A origem da palavra pândega, porém, é obscura. Que pena.

E patagão? Literalmente, é somente quem nasce na Patagônia. Mas pesquisando mais, descobri que o nome da região foi criado por Fernão de Magalhães que, ao ver os nativos lá do sul, os chamou de Patagões. Ele teria criado esse nome, que lembra um aumentativo para pata, justamente por achar que eles eram gigantes de pés grandes. Daí, aliás, veio uma das inúmeras lendas do famoso ser mitológico Pé Grande.

Bem, no final das contas, depois que cresci (não tanto quanto esses gigantes), fiquei calçando 43 mesmo; não sou mais o mesmo pândego (brincalhão) de então; nem o pantagruélico, farrista e comilão, que perdurou até a faculdade. Acho que me tornei só um modesto galalau mesmo.



 Escrito por Vladimir às 16h29
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Pequeno samba para Viviane (para celebrarmos seis meses de casados!)

Meu Rubi
(Vladimir Batista – 24/Jul/2009)

O gênio da garrafa
Ficou até com estafa
De tanta magia pra me atender

De um pedido bobo
Ele me trouxe o dobro
De tudo que eu pudesse conceber

Eu queria um chinelo
Um cobertor velho
Algo só pra eu me aquecer

Pois me encheu de encanto
Nem merecia tanto
O gênio veio e me trouxe você

Ganhei na mega-sena com um vintém
Por mil notas de dez, troquei cem
Comprei gata por lebre e me dei bem!

Surgiu então (ô ô ô)
Essa preciosidade (ô ô ô)
Essa beldade (ô ô ô)
De Jundiaí

O meu coração (ô ô ô)
Está que dispara (ô ô ô)
Essa joia rara (ô ô ô)
É meu rubi

Com um alakazam
Abriu um amanhã
Pra findar minha solidão

Você chegou em enlace
Com seu sorriso na face
Brilhou no céu uma constelação

E veio na medida
Certa pra minha vida
Encaixou com meu coração

E esse seu brilho
Fez deste maltrapilho
Um milionário de emoção

Ganhei na mega-sena com um vintém
Por mil notas de dez, troquei cem
Comprei gata por lebre e me dei bem!

Surgiu então (ô ô ô)
Essa preciosidade (ô ô ô)
Essa beldade (ô ô ô)
De Jundiaí

O meu coração (ô ô ô)
Está que dispara (ô ô ô)
Essa joia rara (ô ô ô)
É meu rubi

Feliz seis meses de casados, meu amor!



 Escrito por Vladimir às 09h33
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Lhasa Apsos e Border Collies

O Sambinha, meu cãozinho que mora em Goiás, é da raça Lhasa Apso e a Meg, minha filhota de Jundiaí, é uma vira-latinha mix de Border Collie.  Dei um fuçada na web por referências das duas raças, vamos lá.

O Lhasa Apso é uma raça tibetana, é considerado um cão sagrado lá. Lhasa é a capital do tibet, e Apso significa algo como “lanoso”, por causa de sua pelagem. Li que uma análise de DNA detectou que o Lhasa Apso é uma das 14 raças mais antigas do mundo. Puxa, o meu velho Sambinha tem uma linhagem de longa data, heim?!

Achei poucas referências na cultura pop. Diz que na versão animada de Homem Aranha, a tia May possuía um. Também num episódio dos Simpsons, Homer vira gay e carrega um lhasinha no colo, ui! Mas o mais famoso, que também é do mundo do desenho animado, é o Floquinho, aquele cachorro do Cebolinha do qual a gente não distingue a cauda da cabeça. Eis o Sambinha e o Floquinho lado a lado. Parecem?

 

 

Já o Border Collie é uma raça de pastoreio, originária das fronteiras (por isso, Border) da Inglaterra com a Escócia e o País de Gales. Collie vem de coal, carvão, que era a cor dos primeiros exemplares da raça. Em sua origem, o Border pastoreava renas (!) e foi considerado sob testes uma das raças mais inteligentes do mundo! Se somar a inteligência da raça com a esperteza dos vira-latinhas, temos a fofa da Meg!

Ao contrário da sua raça aparentada Collie (que tem a Lassie como estrela maior), os Border Collies, assim como os Lhasas, não tem muitas referências no mundo pop. Entre curiosidades como um cão que está no Guinness como o “mais rápido abridor de janelas de carro”, achei outro Border que acompanhava um apresentador de um programa infantil na Inglaterra (Blue Peter) que também se chamava Meg! Legal!

Mas os mais famosos mesmo, são o casal de cães de pastoreio Fly e Rex, que adotam Babe, o Porquinho atrapalhado, lembram-se? Olhem só eles e a Meg, lado a lado. Fofos!

 

 



 Escrito por Vladimir às 14h36
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Mamãe

Falando em comemorações, hoje é o aniversário da minha mãe Bernadete, que mora lá em Goiás. Parabéns a ela!!

Engraçado, eu e meus irmãos nunca fomos muito bons para lhe dar presentes nessas ocasiões, mas ela sempre foi grata, entoando o seu indefectível “Mamãe ama!”

Mas me lembro de um causo de quando morávamos aqui no Rio no início dos anos 80. Era uma época difícil, estávamos bem apertados financeiramente. Não me lembro se era dia das mães ou aniversário, mas saímos os quatro irmãos ainda crianças de casa com a missão de comprar algo. Se não me engano, tínhamos tido uma pequena discussão com ela por alguma bobagem, e queríamos nos redimir. Resultado: diante das restrições orçamentárias, chegamos em casa algum tempo depois com o “valoroso” presente em mãos: uma rosa e um churro! Pois acreditam que minha mãe foi às lágrimas, dizendo que foi o melhor presente que ela ganhou na vida?

Então, mãezinha, segue mais uma vez, de coração, um presente virtual do seu filho distante. Filhão também ama!

Feliz aniversário!



 Escrito por Vladimir às 08h21
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5 anos de blog

Hoje faço 5 anos deste blog. É um prazer dedicar alguns minutos das minhas semanas para exercitar aquilo que mais gosto de fazer: escrever. Espero que haja outras pessoas às quais esse meu Canto também dê algum prazer.

Dei uma revisitada em todos os 570 posts e, como esse jurássico blogueiro não usa tags ou counters, fiz na raça algumas pequenas estatísticas.

Percebi que a grande maioria dos posts foi sobre cinema (184), como esperado, com também muitos sobre música (96), estudos da origem das palavras (83), reminiscências & cultura pop (76), TV (59) e coisinhas românticas (48). Há menos que eu esperava posts sobre livros (41), sobre comida (26), rankings do tipo Top10 (41) e os wallpaperzinhos que eu monto com meu tosco paintbrush (36).

Quanto às minhas modestas obras, também achei menos que eu esperava, somente 40 poemas, 18 contos e 13 ideias para roteiros; quero rabiscar mais! E há outros pelos quais sou cobrado de escrever mais, como esportes (17) e notícias (10), mas confesso que são temas que não têm me interessado como antes. Por outro lado, tópicos como cachorros e bichos, que só tiveram 17 posts, tendem a crescer, agora que estou casado com uma orgulhosa engajada nas causas dos animais. Por fim, os comentários até que foram muitos (900), considerando o meu certo isolamento do meio blogueiro. Agradeço de coração aos meus poucos mas fiéis leitores! Em especial, um comentário acabou em casamento: um melancólico post de 2006 comentando sobre as acepções negativas e positivas da palavra paixão acabou impelindo a minha antiga colega de faculdade Viviane, que eu não via há mais de uma década, a deixar um pequeno comentário do tipo "lembra de mim?". Email vai, email vem, papo vai, papo vem, dia 24 comemoramos seis meses de casados! Só por isso, esse meu blog já valeu a pena, né, e como!

Vejam as estatísticas inúteis que colhi:

570 posts
900 comentários
184 posts com mencão a cinema e filmes
96 posts com música
83 posts com estudo de palavras e etimologia (incluindo 37 menções ao Houaiss)
76 posts com reminiscências ou sobre cultura pop
59 posts com menção à programação de TV
48 posts com menção às namoradas e coisas românticas
41 posts com menção a livros
41 posts com rankings Top5, Top10 ou similares
26 posts sobre comida ou bebida
40 posts com poemas ou letras de minha autoria
18 posts com contos de minha autoria
13 posts com ideias para roteiros
31 posts com menção a quadrinhos, desenhos animados e animações
18 posts com menção à solidão, saudade, tristeza e outros temas melancólicos
36 Wallpapers do tipo mosaico, sendo 24 de “musas” da cultura pop e 12 de outros temas
17 posts sobre esporte
10 posts sobre notícias e atualidades
12 posts com menção à Suzanne Vega
33 posts sobre lugares, paisagens, natureza e viagens
10 posts sobre arte em geral
17 posts sobre cachorros e outros bichos

Vida longa ao meu pequeno Canto!



 Escrito por Vladimir às 18h04
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A Mulher Maravilha



 Escrito por Vladimir às 19h00
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Pimenta

Quando criança eu não gostava de algumas iguarias que hoje adoro, principalmente temperos como cebola e mostarda. Pimenta é outro exemplo, odiava. Lembro que a minha mãe, pra gente comer, recorria até ao argumento que se não fosse pela busca do portugueses às especiarias o Brasil não tinha sido descoberto. Mas hoje eu me amarro, costumo ter em casa coleçõezinhas como páprica, mostarda dijon, entre outros. Em especial adoro o ardorzinho da pimenta. A ponto de quando estou em Salvador, ao contrário do senso comum, pedir para a baiana “caprichar na pimenta” do acarajé.

Em outros países, como EUA, América Latina, Europa e todos os orientais, é mais comum gostar de comida picante. A comida mais apimentada que já comi foi de uma salada feita num acampamento na Alemanha. Eu, que me considero forte para isso, tive a boca tão ardida que saí correndo para escovar os dentes duas vezes, mesmo assim não saía o gosto. Já na China, onde morei por três meses, quase deixei de gostar de temperos. É que lá eles os elevam ao nível do enjoativo. No final, eu não aguentava mais o cheiro de condimentos que eu adoro, como o curry. Ainda bem que não cheguei a perder o gosto.

Já aqui no Brasil, com exceção da Bahia, é mais raro encontrar quem goste de pimenta. Talvez as pessoas não tenham experimentado uma receita certa. Há uns dez anos, reuni os meus colegas de trabalho para um almoço com Chili con Carne, com vários caldeirões da receita com feijões mexicanos e carne moída. Minha ex Janaína aplicou metade da porção de pimenta chili prescrita, mesmo assim ficou bem picante. Mas foi uma das melhores refeições da minha vida. Os meus colegas, mesmo os que se diziam radicais não-apreciadores de pimenta, paparam tudo e ainda rasparam as caçarolas com pãezinhos. Ficaram todos bodeados pelos cantos depois. O Fabrício, um dos meus colegas, pediu xerox da receita e faria depois ele mesmo o prato, tamanha a delícia que ficou. Foi um trunfo dessa especiaria, tão desvalorizada na terra descoberta também por sua causa.



 Escrito por Vladimir às 10h32
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Meu rubi

Agora há pouco mandei um torpedinho para a minha esposinha Viviane, dizendo que ela é “meu rubi”. Fiquei pensando, que palavra bonita, né, rubi... Além de ser a joia de que mais gosto! Acho que, por ser daltônico, eu acabo por me encantar com a cor marcante dessa gema.

Fuçando, vi que o verbete rubi tem a mesma origem de várias referências para vermelho, como rubro ou ruivo, e também de rubor. Rubor é outra palavra gostosa, né?

Na cultura pop, achei bastante coisa com o nome de Rubi: um pokemón, uma telenovela mexicana, até uma linguagem de programação chamada Ruby. Mas há também o nome próprio feminino Ruby. A filha de quinze anos (!) da Suzanne Vega, por exemplo, se chama Ruby Froom. E houve até uma elefantinha Ruby que pintava quadros, como o macaco Xico da novela das sete.

Mas a maior referência na cultura pop, são os sapatinhos de rubi da Dorothy em O Mágico de Oz. No final do filme, ela descobre que batendo os calcanhares dos sapatinhos mágicos, e dizendo: “Não há lugar, como o nosso lar” ela se teletransportava para casa.

Acho que é isso que eu quis dizer no torpedo, que a Viviane é meu rubi, minha joia rara e mágica. E não há lugar (ao seu lado) como o nosso lar!



 Escrito por Vladimir às 08h53
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“Parabéns pra você” em português para Suzanne Vega?

Estava fuçando os meus escritos antigos e achei uma musiquinha que escrevinhei ainda nos anos 80 em homenagem à cantora folk Suzanne Vega. Se Michael Jackson foi meu primeiro ícone musical, é inegável que Suzanne é a minha maior ídola até hoje. Eu só não lembrava que eu era um fã também no sentido amoroso, olhem só o naipe dos versos com meu tosco inglês da época:

     Suzanne
     (Vladimir Batista - 1989)

     When I heard your voice, I said “My god she’s so sweet!”
     When you sing I think I listen to my heartbeats

     When I saw you all my body just started to shake
     And I felt like there was an earthquake

     And you’re so cute, and you’re so fine
     And I just can’t stop loving you all the time

Nem vou mostrar tudo, por “vergolha-alheia-de-mim-mesmo” como diz minha esposa. Mas tinha um refrão no qual eu imaginava backing vocals cantando “Suzanne!”:

     Suzanne! I really wanna be with youuuuu
     Suzanne! That’s all I would rather dooooo

“That’s all I would rather do” é dureza, né, hehe. E ainda fiz citações de músicas suas em alguns versos, como essa referência a The Queen and the Soldier:

     You will be my Queen, and I will be your soldier.
     And I’d fight to death if I only could hold ya

Pelo menos a rima (soldier com hold ya) ficou legal, né? rs

Hoje o meu carinho por Suzanne não é mais romântico mas ainda é cheio de admiração. Frequento seu site, sigo seu twitter, leio o seu livro. E adorei, por exemplo, uma música nova dela postada na web com o DJ Danger Mouse, chamada The Man Who Played God.

Enfim, resolvi falar de Suzanne Vega mais uma vez porque depois de amanhã, 11 de julho de 2009, ela faz 50 aninhos! Nossa, como o tempo passa… E que inveja dos portugueses: ela aparece com frequência lá na terrinha, e amanhã (dia 10) tem show dela em Sintra! Isso significa que, a despeito do meu esforço adolescente para homenageá-la em inglês, talvez ela esteja no palco à meia noite e ouça o primeiro Parabéns pra Você dessa sua data especial em português mesmo! Feliz Aniversário minha ídola!!



 Escrito por Vladimir às 15h58
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A Era do Gelo 3

O melhor das animações modernas é a capacidade de criar mundos novos, do nada, porém sempre com criativas associações com o nosso. O mundo dos brinquedos de Toy Story tem hierarquias como um exército; o fundo do mar de Procurando Nemo tem escolinhas; um mundo de automóveis em Carros tem tratores mugindo; e o mundo sem nenhum habitante em Wall-E traz a nostalgia de filmes antigos.

Lembro que Fernando Meirelles, quando Cidade de Deus perdeu vários Oscars para O Senhor dos Anéis, comentou que, se ele fez um bom filme, Peter Jackson criou com habilidade um mundo inteiro à parte, com todos os detalhes e idiossincrasias. Modéstia do brasileiro: Cidade de Deus também é um mundo à parte e, na minha opinião, ainda mais criativo. (aliás, hoje tem estreia da minissérie de Meirelles Som & Fúria, com direito a Shakespeare, promete!)

Tudo isso foi pra dizer que adorei a parte 3 da Era do Gelo, mais até que da parte 2 (ainda que a 1 continue a melhor). Em todos os filmes da série, o diretor Carlos Saldanha criou um mundo à parte, de mamutes, preguiças e tigres dentes de sabre, mas dessa vez ele mandou ainda melhor, caprichando num fictício ambiente subterrâneo cheio de dinossauros onde vão parar nossos heróis. O anfitrião desse parque jurássico, uma doninha chamada Buck, rouba a cena, pilotando pterodáctilos como aviões e desarmando plantas carnívoras como bombas. Cada detalhe é uma sacada genial, um mundo novo com identificação imediata pra gente. E ainda vi com tecnologia: ver em 3D o esquilinho Scrat achando um namorada e abandonando (será?) sua noz (que fica desolada, numa das melhores cenas do filme) é muito mais cool!

Só me fez ficar mais ansioso para o próximo projeto de Saldanha, chamado Rio, acho que pra lá de 2011. Isso mesmo, o diretor brasileiro mais bem sucedido da história de Hollywood, vai fazer uma animação (com lançamento mundial) que se passa aqui na cidade maravilhosa com uma arara azul como protagonista. Mesmo que vá ter aquela visão gringa do nosso carnaval, como ele até adiantou, estou curiosíssimo pra ver que mundo novo ele criará para essa querida cidade onde vivo!



 Escrito por Vladimir às 14h29
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Um morcego de estimação?

A Viviane descobriu um pequeno morcego morando nas árvores em frente ao nosso prédio. Esse mamífero voador horripilante nunca me agradou, na verdade o considero o bicho mais feio da natureza. Mas minha mulher, sempre protetora dos animais, adora, e volta e meia vai à janela para tentar avistá-lo.

Lembrei que tenho uma ligação com os morcegos, pois na minha vida muita gente associou Vladimir com o vampiro-mor da ficção, o Conde Vlad Drácula. Já tive amigos que me chamavam de Conde. Outra amiga, a Carolina, me chama até hoje de Polanski, por causa do Vladimir Polanski, vampiro da novela Vamp. Já a Cláudia descobriu uma coincidência: do meu nome Vladimir Batista, ela passou a me chamar de Vlad Bat, lembrando que bat é morcego em inglês.

Eu, que não sou bobo (ou talvez por ser bobo), já tratei de tomar proveito nos meus namoros, criando um canastrão jogo de sedução de “vampiro dando mordidinhas no pescoço”. Nunca deu muito certo, pra falar a verdade.

Lembrando dessa minha conexão com morcegos, e diante das demonstrações de apreço da minha esposinha, acabei me apegando também ao meu feioso vizinho. É sempre uma alegria quando o vemos da janela do apartamento, como se fosse o nosso primeiro animal de estimação daqui do Rio. Já tem até nome: em homenagem ao alterego do Batman, batizamos o morcego de Bruce, pode ser?



 Escrito por Vladimir às 16h32
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Meus primeiros LPs, Fitas Cassetes, CDs, VHS, DVDs e agora... Blu-Ray Disc!

Comprei um Blu-Ray Player e estou na maior dúvida de qual filme ganhará a honra de ser o primeiro Blu-Ray Disc da minha vida. Com os filmes e músicas todas digitalizadas, acredito que seja a última vez que vou comprar o “primeiro” disco de qualquer-que-seja a tecnologia nova. Daqui pra frente, só deverá haver “arquivos baixados”, e acabar-se-á o romantismo antiquado de pegar um disco com as mãos, ler encartes, etc; que pena, né?

Fiz um exercício de reminiscências para lembrar quais foram os meus primeiros LPs, as fitas cassetes, CDs, VHS e  DVDs. Não foi fácil; minha memória anda precisando de "fosfosol"!

Lembrar do primeiro CD, que deveria ser mais fácil, teve um problema: quando viajei com a minha família para a Europa em 1991, adquiri um CD Player para mim e, aproveitando, comprei logo uns dez CDs. Acredito que esses foram os primeirões. O problema é que não lembro quais foram, os únicos que tenho certeza foram os três álbuns lançados da minha já ídola Suzanne Vega - os quais eu já tinha em vinil. Pra efeito de ranking, acredito que tenha selecionado na prateleira primeiro o Solitude Standing, o mais famoso.

Minha primeira fita cassete eu lembro bem, foi uma dos Beastie Boys, ali por volta de 1989. Eu já havia comprado um LP chamado Hip Hop Hits, em uma época que pouca gente sabia o que era hip hop ou rap. Gostei das faixas dos Beastie Boys e qual foi a minha surpresa de achar um fita deles vendendo à beira da estrada numa viagem de Goiás a São Paulo. Era o álbum Licensed to ill, me amarrei.

O mais difícil de saber foi o primeiro LP. Como meu pai trabalhou na rádio Antena 1 até 1984 e trazia muitas amostras grátis, fica difícil lembrar qual LP realmente eu fui à loja para comprar. Além disso, depois, eu e meus irmãos comprávamos juntos os nossos vinis, como os da Madonna, True Blue e a coletânea You Can Dance de 86 e 87. Acredito que talvez o primeiro LP que eu realmente “chamei de meu”, mesmo tendo comprado com meus irmãos, foi o Bad do Michael Jackson em 1987.

Quanto ao VHS, como todo mundo, eu alugava muito, mas não tenho certeza de qual eu comprei primeiro. Vem na minha cabeça uma coletânea de clipes da Suzanne Vega que comprei novamente na Europa em 1993 e que nunca funcionou aqui no Brasil, por causa do padrão. Deve ter sido esse. Já de filmes, acho que o primeiro foi The Commitments – Loucos pela Fama, de Alan Parker, da mesma época.

Também tive problemas de região com o meu primeiro DVD. É que ganhei um DVD Player importado da minha empresa, mas o mesmo só reproduzia discos da área dos EUA, na época que isso era um problema. Em 2001, para testar, comprei na banca de jornais o DVD do filme de terror B Evil Dead – A Morte do Demônio mas não funcionou. Acabei ficando sem ver esse filme até hoje!

Finalmente, vou comprar o meu primeiro Blu-ray Disc nos próximos dias. Já procurei os meus filmes favoritos, Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças e Pulp Fiction - Tempo de Violência, mas não achei nesse novo formato. Fui à Saraiva agora e vi que há Três Homens em Conflito, western clássico de Sergio Leone, é um bom candidato! Mas vou escolher com cuidado...

Segue o ranking:

Meu primeiro LP (1987): Bad, de Michael Jackson
Minha primeira fita cassete (1989): Licensed to ill, dos Beastie Boys
Meu primeiro CD (1991): Solitude Standing, da Suzanne vega
Meu primeiro VHS (1993): Suzanne Vega, coletânea de clipes
Meu primeiro VHS de filme (1993): The Commitments – Loucos Pela Fama
Meu primeiro DVD (2001): Evil Dead – A Morte do demônio
Meu primeiro Blu-Ray Disc (2009): ?



 Escrito por Vladimir às 13h53
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Michael Jackson na minha vida

Um dia, em 1987, eu estava ouvindo uns discos do Adoniran Barbosa e da Suzanne Vega, e meu pai se disse tocado ao reparar que eu estava criando a minha própria cultura musical. Antes eu simplesmente pegava carona em heranças e modismos, o que me fazia gostar, por exemplo, do Vivaldi, que ele próprio ouvia, e do popularíssimo Michael Jackson. Mas ele não percebeu que eu já me diferenciava da unanimidade, ao estar gostando mais do album Bad, então recém-lançado, que do já clássico Thriller. Eu era um fã de Michael de um jeito só meu, curtindo cada detalhe do som, decorando as letras, os toques dos instrumentos. E, inaugurando o vídeocassete de casa, gravamos um especial da Globo com os principais clipes e, gordinho e desajeitado, aprendi com certa habilidade as coreografias.

Esse fato, por incrível que pareça, foi importante na minha vida. Sempre fui um cara tímido e com poucos amigos. O que me fazia ganhar popularidade era meu humor meio palhaço (que já não carrego há tempos, como comentei aqui na morte do Bussunda), mais recentemente também os meus escritos e, acreditem, também minhas imitações de Michael Jackson nas festas e reuniões! Até hoje são um sucesso: a última, no meu casamento, foi um furor. Essas performances nunca me depreciaram, pelo contrário, as pessoas já sabiam que eu era um cara sério e essa faceta lúdica só me trouxe simpatia e mais amigos. Hoje, os meus colegas até me deram pêsames, meio brincando, mas é verdade que fiquei tocado.

Aliás, ontem foi tão estranho, depois de acompanhar as notícias pelo twitter, eu estava sozinho em casa e começou a tocar Don't Stop til You Get Enough no Multishow. Como sempre faço na frente da TV, comecei a dançar imitando o clipe. Só que normalmente isso é uma dose de alto astral para mim, mas ontem foi uma espécie de alegria com tristeza, fiquei emocionado. 

Lamento que Michael tenha ficado tão perturbado. Assim como os Beatles, a música dele foi genial ao aliar qualidade com pop (apesar de que sua fase brilhante já ter morrido há 20 anos). E assim como Fred Astaire, ele trouxe a dança para o estado da arte e popularizou-a como ninguém. No encarte de Dangerous, ele escreveu uma poesia pouco conhecida de exaltação à dança, que eu adorava ler.

MJ foi de fato meu primeiro e um dos maiores ídolos musicais. Suzanne Vega e todos os outros vieram depois. Ontem, a própria Suzanne comentou en-passant a morte dele no twitter; para mim foi emblemático. Era como se ela estivesse falando comigo: “Vladimir, perdeste o teu primeiro ídolo, mas ainda tens a mim, aos teus outros ídolos, e toda a tua cultura musical que tanto te apaixona e até molda a tua vida.” É isso aí, Suzanne!



 Escrito por Vladimir às 10h24
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Pulguinhas e Pulgões na cultura pop

Já comentei aqui que minha Viviane e eu nos chamamos carinhosamente de Pulguinha e Pulgão. Em homenagem aos nossos cinco meses de casados completados hoje, fiz uma pequena consulta na web sobre pulgas e pulgões na cultura pop.

Com relação aos pulgões, a maior parte das referências diz respeito ao fato deles secretarem um fluido açucarado através de uns chifrinhos na cauda, do qual as formigas se esbaldam. Alguns desenhos mostram as formigas ordenhando os pulgões, veja só:

  

No longa de animação FormiguinhaZ, pulgões se transformam em canecas de cerveja num bar (reparem na mão do formigão na primeira imagem abaixo). O que gera a seguinte piada no filme (juro):
Weaver falar para Z: "Você não vai querer sua cerveja de pulgão?"
Z responde: "Pode me chamar de louco, mas eu tenho um bloqueio contra beber do ânus de outra criatura, pode ser?"

                      

Já na animação Vida de Inseto, a Rainha das formigas tem um cachorrinho-pulgão, chamado Aphie (vem de aphid, pulgão em inglês). Por mim, tudo bem que todos os pulgões da telona têm essa posição submissa, afinal também sou o marido de estimação da minha Viviane! Depois lançaram um livrinho com o Aphie como protagonista procurando um lar, vejam que fofo.

   

E as pulgas? Além do Flea (pulga, em inglês), baixista do Red Hot Chilli Peppers, de quem somos fã,  grande parte das referências na web estão associadas com circos de pulgas, aquela montagem mecânica em miniatura.  No mesmo filme Vida de Inseto, há um cujo dono é a temível figura do P.T. Pulga:

Hum, nada a ver com a minha queridinha. Mais graciosos, descobri alguns desenhos animados das décadas de 40 e 50. Como o The Flea Circus, de 54 e What Price Fleadom, de 47, que contam romances entre pulgas. Ah, o amor... O primeiro é entre um pulga palhaço e uma pulga vedete em Paris; e no segundo, uma pulga-macho é amiguinho do cachorro, muito legal.

  

Por fim, acho que a pulguinha mais famosa (pelo menos em São Paulo) é a que está dançando ié-ié-ié na propaganda dos anos 80 do D.D.Drim.

 

Com a lembrança desse comercial nostálgico, este Pulgão fica por aqui, desejando um FELIZ CINCO MESES pra minha Pulguinha querida!

P.S. Vejam os desenhos no youtube clicando aqui e aqui,e a propaganda do DDDRIM, aqui.



 Escrito por Vladimir às 21h57
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Truques de roteiro

Empolgado pelo filme Apenas o fim, matriculei-me em um curso de roteiro de cinema, da PUC, a partir da semana que vem (se houver quorum) com a duração de um mês e meio. Já fiz dois cursos sobre o assunto antes, mas faz anos que não entro em um.  Eu me amarro!

O problema de gostar de roteiro é que você perde às vezes a visão inocente quando assiste a filmes ou programas de TV. Há umas décadas já havia lido alguém (acho que o Veríssimo) se lamentando que assistia Os Trapalhões e ficava tentando adivinhar o fim da piada ao invés de se deixar surpreender. Isso acontece às vezes comigo; e logo eu que odeio spoilers (revelações de antemão) do que eu assisto.

Ontem, por exemplo, eu estava explicando para a minha esposa Viviane, com o meu parco conhecimento, alguns truques de roteiro na novela Caras e Bocas. Há algumas semanas, a personagem Bianca bola um plano para fazer sua mãe Dafne desistir do casamento, mas o telespectador não ouve o plano. Daí eu disse: “Isso significa que o plano vai dar certo, pois senão eles deixariam a gente ouvir os detalhes. Eles somente serão revelados quando estiverem dando certo, resultando em um efeito melhor.” De fato, o estratagema da mocinha dá certo, com direito a telão com fotos montadas do noivo com outra. Já ontem, acontece o inverso. A vilã Judith explica em detalhes o plano para drogar a mesma Dafne e evitar mais uma vez o seu casamento. Eu logo ratifiquei: “Se ela explicou o plano para o telespectador, quer dizer que não vai dar certo, pois se fosse dar certo, não precisaria dela explicar, a gente veria com nossos olhos”. Dito e feito, outro personagem acaba tomando primeiro a balinha com sonífero, e o plano vai por água abaixo.

E é aí que eu penso: será que não era melhor eu não prestar atenção nessas características do roteiro e me deixar surpreender sempre?



 Escrito por Vladimir às 09h11
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Adorei o filme "Apenas o fim"

Meu filme nacional favorito de 2009 até agora é Apenas o Fim. A rigor, trata-se de um grande diálogo de rompimento e lembranças de um casal de universitários, lembrando Antes do Pôr do Sol (na estrutura "conversa & paisagens") e Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças (nas reminiscências). Aliás, eles até citam a frase “Encontre-me em Montauk!” dessa última obra prima.

Pois bem, achei essa conversa dos jovens personagens de Érika Mader e Gregório Duvivier simplesmente impagável do início ao fim. São tão perfeitas as tiradas e a química entre os dois que não dá pra entender como é que eles estão terminando, sendo essa incongruência o único porém do filme. Até comentei com a minha esposa Viviane que, juro, eu queria ser assim como o personagem dele, com comentários bem-humorados e criativos para tudo.

O filme ganhou o prêmio de público nos últimos Festival do Rio e Mostra São Paulo e já passou em festivais de outros países. E, pasmem, foi um mero trabalho de faculdade do diretor e roteirista, um tal de Matheus Souza, de meros 20 anos! Puxa, já estou fã desse cara, esse era outro sonho meu, escrever um filme descompromissado, como quem não quer nada, e ter uma resposta surpreendente dessa.

O que achei mais legal no filme foram as referências pop da geração do cineasta, citando de Britney Spears a Pokémon, passando por Orkut, Super Mario Bros, Star Wars, Backstreet Boys, Michael Jackson, Ursinhos Carinhosos... Sempre achei curioso por que no Brasil não se fazem citações pop no cinema e nas novelas, como acontece com filmes ou séries americanas como O Balconista, Gilmore Girls ou Os Simpsons. O mais próximo aqui no Brasil eram aqueles desenhos da Mega Liga MTV. Acho que, de tanto medo de fazer merchandising de graça (ou seria de serem processados?), os produtores brasileiros perdem chance de criar um vínculo criativo com o público.

Nesse sentido, o jovem Matheus Souza, mesmo não compartilhando exatamente os mesmos elementos da minha geração, teve sucesso em criar uma identificação imediata comigo, que amei o seu pequeno grande filme. Outro da série: "Vão assistir antes que saia de cartaz!". 



 Escrito por Vladimir às 08h15
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Caminhando em Macaé

Estou em Macaé-RJ, durante toda a semana, a trabalho. Hoje de manhã, estava caminhando na Praia dos Cavaleiros com meu colega Sandro, quando vimos um restaurante chamado Marisco’s. Comentei de uma crônica do Luis Fernando Veríssimo em que ele corrige a mania brasileira de se usar o apóstrofo em nomes de bares, já que ele é originamente usado para indicar posse do estabelecimento. Ou seja, assim como temos o Bar do Zé aqui; nos EUA há o Joe’s Pub, McDonald’s Restaurant e assim por diante. Então, quando o Veríssimo foi ao Speto’s Grill, ele ficou com vontade de solicitar a presença do Senhor Speto. Da mesma maneira fiquei a fim de entrar no Marisco’s e mandar vir o Seu Marisco à mesa.

Logo depois vimos, curiosamente, uma Picanha do Zé! Esse sim, poderia ser Zé’s, e estar mais correto que seu vizinho. Encostado à Picanha do Zé, há outro (esqueci o nome) que se intitula “A melhor picanha da região”. E, também colado a seguir, O Rei da Picanha. Caramba, que concorrência... Mais um pouco adiante há outro restaurante chamado simplesmente de Finalmente. Brincamos que deve ser abreviação de Finalmente-uma-picanha-boa-de-verdade!

Essa caminhada me fez lembrar que uma vez eu estava numa churrascaria rodízio e solicitei ao garçom:

- Por favor, pede para o cupim passar por aqui!

Depois fiquei pensando que daí a pouco ia chegar um cara bem gordo dizendo:

- Eu sou o Cupim. Você me chamou?



 Escrito por Vladimir às 23h02
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A Mulher Invisível

Por ausência de filmes brasileiros empolgantes, foi até difícil preencher meus top5 de favoritos dos últimos anos. Mas em 2009 estou gostando do cinema nacional, aliás, talvez haja mais destaques que o americano (Exterminador do Futuro 4 foi outra decepção).

Depois do hilário Se eu fosse você 2, assisti na semana passada o igualmente divertido A Mulher Invisível, de Cláudio Torres. E, anteontem, uma surpresa ainda melhor: a comédia dramática pop Apenas o Fim, do estreante Matheus Souza, sobre o qual eu comento outro dia.

Sobre A Mulher Invisível, fui assistir com um pé atrás, achando que ia ser o “filme de uma piada só”, a do cara que tem uma namorada imaginária. Mas o roteiro acabou se revelando bem dinâmico, fechando todas as pontas direitinho e com ótimas piadas. Ri muito no cinema!

Selton Mello está ótimo como sempre, há participações irretocáveis da Fernanda Torres (com uma ponta que parece a Vani, de Os Normais) e de uma atriz que eu não conhecia, a bela Maria Manoella. Além, é claro, da Luana Piovani, que manda bem encarnando o eterno fetiche masculino da “vizinha gostosa que aparece na sua porta pra pedir açúcar”.

Gozado, não sei por que, isso nunca aconteceu comigo!



 Escrito por Vladimir às 09h30
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Nomes criativos de ONGs de cachorros e de pet shops

Minha esposa Viviane vive dedicada aos cachorrinhos carentes, sempre apoiando ONGs que protegem animais abandonados e incetivam adoções. Uma ONG lá de Jundiaí, com a qual ela contribui desde o início, tem o nome mais bonito de todos: Focinhos Carentes. Resolvi dar uma fuçada (com a ajuda dela) em outras denominações por aí.

Muitas ONGs, apesar do trabalho caloroso, preferem meras siglas, como as conhecidas SUIPA (Sociedade União Internacional Protetora dos Animais) e SOZED (Sociedade Zoófila Educativa). Outras escolhem nomes auto-explicativos como Pro-Cães, Pet-Lover, SOS Vida Animal, sendo que deste último, tive o privilégio de visitar as feirinhas de adoção no Bairro Peixoto.

Mas há nomes bem criativos de ONGs, alguns até a gente tem de pensar um pouco pra sacar, como o Quintal de São Francisco, Aubrigo e Arca Brasil. Outros são muito fofos, como Vira-Lata é Dez, Clube das Pulgas, Clube das Mordidas, Carrocinha Nunca Mais, 100% SRD (Sem Raça Definida), Patinhas on line e o já mencionado Focinhos Carentes, pra mim o melhor nome (parecido com esse, há também o Focinhos Gelados, muito legal também).

Por fim, algumas pet shops que também primam por nomes bonitinhos, alguns com trocadilhos, como Bouticão, Auquemia, Cãotinho; outros são ideias simples e encantadoras, como Lambe Lambe, Etc e Cão, General Au Au e o ótimo nome Encrenquinhas. Mas, quando eu morava em São Paulo, eu me amarrava era passar na frente de uma pet shop na Avenida Santo Amaro, que tinha o singelo e bem sacado nome de Amaro’s Bichos. Um belo nome e ao mesmo tempo uma ótima mensagem, né?



 Escrito por Vladimir às 19h32
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O dia em que colei no exame médico

Estava contando anteontem para o pessoal do trabalho a história de quando eu e alguns colegas brasileiros e estrangeiros passamos alguns meses na China a trabalho. Um dia, resolveram realizar um exame médico na gente, um check-up básico, um tanto dificultado pelos médicos e enfermeiros chineses falarem um inglês bem fraquinho.

Lá pelas tantas, não sei por que, submeteram-nos a um teste de cores que eu não conhecia. Fucei agora na web e vi que se trata do teste de Ishihara, para determinar daltonismo. O chinês chegou para mim com uns mosaicos coloridos formando algarismos “ocultos” e perguntou que números eram. Eu sequer entendi a pergunta, pois pra mim - que sou de fato daltônico - não passava de pontinhos coloridos. 

Nossa comunicação ficou ainda mais confusa que o normal, até que o Edson, um colega brasileiro ao meu lado, me explicou em português do que se tratava e já me adiantou a resposta: “Seis!”. Repassei ao chinês, que achou que eu não sabia falar inglês e que o brasileiro estava só traduzindo as perguntas. Assim foi, passei no teste com o Edson me soprando todas as respostas. Depois fiquei pensando: e se eu tivesse reprovado, seria expulso da China, sob a alegação que: “Só entra aqui quem identifica muito bem o vermelho!”?

Depois que contei essa história, uma colega minha aqui do trabalho retrucou que pior foi ela, que colou na prova do catecismo! Bom, é verdade, pelo menos eu seria expulso só da China...



 Escrito por Vladimir às 16h34
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Meu paradoxo de estimação

 

Em Lost, o personagem Miles volta a 1977, encontra seu próprio pai e ele mesmo, ou seja, o “Miles” bebê. Hugo, outro personagem que voltou no tempo, até comenta irônico da coincidência do nome, dado em homenagem a Miles Davis. Pensei: e se o pai dele tivesse resolvido dar o nome ao recém-nascido de Miles não por causa do jazzista, mas para homenagear o novo amigo, o próprio Miles adulto? Ou seja, Miles teria ganhado o nome por causa dele mesmo! Nesse caso, de onde teria surgido o nome? Do nada?

Eu me amarro nesses paradoxos, se bem que nunca entendi muito bem as diferenças das figuras de linguagem para ideias contrárias, como contradição (uma ideia negando a outra), paradoxo (raciocínio contrário ao senso comum) e antítese (palavras opostas na mesma frase). Lembrei agora de um colega do colegial, o João Frederico, que costumava citar que "se Deus é onipotente, poderia criar uma pedra tão pesada que nem Ele poderia carregar. Mas se é onipotente, deveria sim poder carregar. E nesse caso, Ele não consegue criar uma pedra assim. Mas como, se Deus pode tudo?" Assim por diante. Eu chamava isso de paradoxo, mas ele classificava como sofisma, um raciocínio enganoso, ou simplesmente um dogma: é assim e acabou.

Terminologia à parte, há um paradoxo que é uma marca registrada minha. É que quando dizem que eu contei uma mentira, eu costumo retrucar meio canastrão:

“Eu nunca minto; e quando minto, desminto logo depois!”

Hoje eu estava raciocinando em cima da frase para a minha esposa Viviane:

(1) "Eu nunca minto..." => isso é verdade.
(2) "...e quando minto..." => se isso fosse verdade, então (1) seria falso. Mas já disse que a parte (1) é verdade, então (2) é uma mentira. Mas se eu nunca digo mentira, então (2) teria de ser uma verdade, o que nos faz criar o loop do meu paradoxo.
(3) "...desminto logo depois". => Essa parte (3) é a salvação do meu paradoxo, pois é a única maneira das partes (1), (2) e (3) serem verdades ao mesmo tempo.

Enfim, juro que a frase é toda verdadeira, afinal... eu nunca minto! E quando minto... bem, melhor parar por aqui.



 Escrito por Vladimir às 20h21
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Lar

Eu e a Viviane moramos cá num flat, com móveis do flat, lencóis do flat, serviço do flat, mas adoramos ficar preguiçosos aqui no nosso pequeno... lar! É, estamos tão bem juntinhos ultimamente, que até o ambiente impessoal de um apart-hotel não hesitamos de chamar de nosso (e só nosso) lar.

Estava pensando nessa palavrinha, lar, que coisa mais charmosa! Como diria a Marisa Monte (na canção do Moraes Moreira, sobre “sim”): “são três letrinhas, todas bonitinhas, fáceis de dizer...”.

Descobri no Houaiss que o verbete tem a mesma origem de lareira; aliás lar, no português antigo, também era um sinônimo de lareira. Ô outra coisa charmosa e aconchegante é a lareira, né? A origem etimológica de ambos vem dos deuses chamados Lares, espíritos das mitologias etruscas e romanas, protetores da família e da casa.

Fuçando mais um pouco, vi que outra palavra com a mesma origem de lar é... larva! Até faz sentido, pensei, não deixa de ser o lar inicial dos insetos. Mas não é por aí, a palavra larva se origina é de máscara (pois estaria mascarando o inseto), que por sua vez derivou de fantasma, e este de demônios... peraí, o que isso teria a ver com lar? É que os mesmos deuses Lares não eram, na origem mais longínqua, espíritos benéficos, e sim demônios infernais que perseguiam os vivos! Céus!

Poxa, ainda bem que esses deuses se regeneraram e se tornaram benéficos, né? Vai ver acharam um flatzinho, casaram-se com suas respectivas divindades adoradas e descobriram que o melhor mesmo é ficarem namorandinhos e apaixonados nos recantos aos quais chamam de... lar!



 Escrito por Vladimir às 08h45
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Lua de São Jorge

Parabéns para mim e para a Viviane pelos nossos quatro meses de casamento! Êêêêê! Estamos em um momento especialmente harmonioso, com nossa lua cada vez mais cheia de mel. E para comemorar, resolvi fuçar uma curiosidade que sempre tive sobre ela, a lua, a soberana dos namorados.

É que desde pequeno eu sempre procurei nas sombras do nosso satélite a imagem de São Jorge e o Dragão, conforme se ouvia. A wikipedia diz que essa ideia veio do candomblé, pois São Jorge era associado no sincretismo a Oxossi, orixá da lua (embora hoje seja mais ligado a Ogum, também guerreiro). Já sua peleja com o dragão veio de lendas medievais europeias, imortalizadas com uma pintura de Rafael.

Pra falar a verdade, eu sempre vi na lua foi a imagem de um coelho, as duas orelhas me pareciam bem claras. Percebi na web que não sou o único, o coelho é a mais comum ilusão da superfície lunar visível, sendo até fonte de um folclore japonês. Veja a lua, como é vista no hemisfério sul, e o coelho que eu enxergo, no meu grosseiro paintbrush:

 

E cadê São Jorge? Bem, se forçarmos um pouquinho a barra, as duas orelhas do coelho poderiam ser o santo guerreiro com o cavalo em pé; e o corpo do roedor, o dragão embaixo. E se o meu coelho ficou grosseiro, o que dizer da minha tentativa de ver São Jorge na lua a seguir?

 

É preciso um pouco de vontade para enxergar, né? Mas vontade e paixão não faltam a este felizardo, que chama a lua para comemorar com a gente quatro meses de uma união que, com a ajuda dos santos e orixás, durará para todo o sempre!



 Escrito por Vladimir às 14h10
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Olhos Cinza?

Como sou daltônico, costumo ignorar o assunto “cores”. Mas outro dia, comentei com a Viviane dos belos olhos cinza da atriz Jennifer Connelly. Minha esposa concordou que são bonitos, mas me esclareceu que eles são verdes e que não existem olhos cinza: quando claros, ou são azuis ou verdes. Fiquei intrigado, pois jurava que já havia lido em livros sobre olhos da cor cinza.

Ontem, lendo um conto de Borges, ele descreve uma mulher assim: “no rosto acobreado (...), os olhos eram desse azul desbotado que os ingleses chamam cinza”. Hum, então deve ter sido nos livros da inglesa Agatha Christie - que eu devorava quando moleque - que eu havia lido sobre olhos cinza.

Well, fui para a wikipedia e descobri que, entre os olhos claros, além de azul e verde, existe mesmo a tonalidade cinza, que seria uma variação mais clara (com menos melanina) dos olhos azuis, veja abaixo:

A wikipedia fala ainda de outras tonalidades de cores de olhos como ambar, vermelho, hazel (cor de avelã). Eu, particularmente (e dentro da minha ignorância daltônica), achei a cor cinza mesmo a mais bonita de todas. Tem um charme meio indefeso mas sedutor, talvez por isso confundi com relação à Jennifer Connelly, pois ela traz esses ares naturalmente.

Mas os olhos mais peculiares (também mui belos) são os violeta, ditos como extremamente raros (embora mencionem que a Liz Taylor os possua). Olha que bonito a imagem que eles mostraram desses olhos:



 Escrito por Vladimir às 19h20
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Entrará a novela Caras e Bocas para o meu Top10 de todos os tempos?

  

Estou assistindo agora a novela das sete, Caras e Bocas, estou adorando! Entre os vários destaques, há a moça cega que acha que o rapaz pobre de quem gosta é rico (como no filme Luzes da Cidade, do Chaplin), a divertida Elizabeth Savalla, a própria história da mulher (Flávia Alessandra) que precisa casar para ganhar uma herança (o que permite boas reviravoltas), o chimpanzé pintor (!) Xico, a paixão platônica do Marcos Pasquim pela Ingrid Guimarães (atriz que, apesar de não conseguir disfarçar a gravidez, é um destaque por si só). Até o Otaviano Costa, aquele ex-apresentador, está engraçado, como um cunhado folgado. Além disso, há o Malvino Salvador que segura bem como protagonista e que - fazer o quê - arranca uns suspiros da minha Viviane, humpf.

Mas o maior destaque pra mim é a personagem adolescente da Isabelle Drummond, aquela menina que fez a Emília no recente Sítio do Picapau Amarelo. Quando ela aparece atrevida, dizendo “É a treva!”, lembra um pouco a própria Emília, roubando a cena. Essa pequena e talentosa atriz, aliás, está num ano e tanto, né, já que havia feito a filha grávida do sucesso Se eu Fosse Você 2.

Caras e Bocas é a primeira telenovela que assisto aqui na sala com a minha esposa, como casadinhos tradicionais mesmo. Achei, depois da fraca Se7e Pecados, que o autor Walcyr Carrasco tinha perdido a mão, mas com essa agora ele prova que continua criativo e divertido. Ele já tinha duas novelas no meu Top10 de todos os tempos, que mostro a seguir. Será que Caras e Bocas também vai entrar para a lista?

Top10 Novelas de Todos os Tempos
1. O Cravo e a Rosa, de Walcyr Carrasco (2000 / 2001)
2. A Próxima Vítima, de Sílvio de Abreu (1995)
3. Vale Tudo, de Gilberto Braga (1988)
4. Xica da Silva, de Walcyr Carrasco (1996 / 1997)
5. Guerra dos Sexos, de Sílvio de Abreu (1983)
6. Cobras e Lagartos, de João Emanuel Carneiro (2006)
7. Ti ti ti, de Cassiano Gabus Mendes (1985 / 1986)
8. Por Amor, de Manoel Carlos (1997 / 1998)
9. Cambalacho, de Sílvio de Abreu (1986)
10. Brega & Chique, de Cassiano Gabus Mendes (1997)



 Escrito por Vladimir às 19h57
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A atriz britânica Rachel Weisz



 Escrito por Vladimir às 20h38
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Kirk e Spock: a dupla do momento

Quando eu era criança, eu tinha uma pequena verruga na parte de cima da orelha direita e uns moleques me chamavam de Spock. Essa era a minha maior proximidade com a série Jornada nas Estrelas. Nunca vi nenhum episódio completo nem nenhum filme (muitas negativas na mesma sentença?). Por isso fui ver o filme Star Trek com um pé atrás. E não é que adorei?

Lamento que o filme esteja perdendo em bilheteria para o Wolverine. Espero que o boca a boca mude isso, pois Star Trek manda bem melhor, e me deixou curioso não só para as suas prováveis sequências, como também para dar uma espiada na série clássica. Aliás, os motes preciosos da série, como o fato do povo do Spock não ter emoção e o teletransporte são explorados com eficiência, assim como o batido, mas sempre instigante, recurso da volta no tempo.

Só as cenas de ação é que não são uma brastemp, mas isso é bem compensado pela construção dos personagens. O Diretor JJ Abrams (de Alias e Lost) criou os jovens Kirk e Spock carismáticos e conflitando um com o outro o tempo todo, bem ao estilo das melhores duplas do cinema, como a de Máquina Mortífera. Kirk é o gênio rebelde e Spock, o CDF em busca de identidade. A estória do nascimento dessa amizade prende a atenção até o final.

Enfim, quando criança, nunca liguei de me chamarem de Spock. E, se fosse hoje, era capaz até de eu gostar!



 Escrito por Vladimir às 21h51
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 Escrito por Vladimir às 19h43
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Canto do Vladimir

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Nome: Vladimir Batista
Idade: 37
Nasceu: Goiás
Mora: Rio de Janeiro
email: vladimir.batista@gmail.com

Conteúdo
Blog de Vladimir Batista, 37, sobre cinema, curiosidades (etimologia (origem das palavras), dicionário, cultura inútil, rankings (top10, top5,...)), música, TV, literatura, minhas criações (letras, poemas, contos, romances, novelas, roteiros de cinema, argumentos), atualidades, minha vida, etc...


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