Canto do Vladimir


Crepúsculo

A palavra mais feia da língua portuguesa, segundo o ranking que criei num post de 12 de março de 2008, é inescrupuloso. Uma quase anagrama dela é crepúsculo, também bem feinha, né? Tem um encontro consonantal logo no início, uma pronúncia cheia de obstáculos, sílabas feias (como o “pús” tônico)... Well, mas bem que o verbete fez sucesso no título do livro e filme de vampiros teen...

Vi no Houaiss que as etimologias de crepúsculo e escrúpulo têm em comum somente o sufixo ulo, que indica diminutivo. Mas suas origens mais remotas do latim não são tão diferentes (crepusculum = pequena incerteza (da luz) , scrupulum = pequena pedra (ou pequena hesitação)).

Temos o hábito de associar crepúsculo ao final de tarde; eu mesmo só descobri agora, lendo Borges, que se refere tanto à luz vã do entardecer como à da alvorada. Mas então por que referimos a crepúsculo como declínio, decadência, associando ao ocaso (olha eu com o pôr do sol de novo!); sendo que também poderia significar iniciação, ascensão; remetendo à aurora?

Talvez seja pela tendência pessimista de enxergarmos sempre o copo meio vazio em vez de meio cheio. Se abrimos a janela e vemos um lusco-fusco, preferimos concluir resignados que o dia está acabando a revigorar-se com o iminente surgimento da manhã.

Ou então, as pessoas - como eu - acham a proparoxítona crepúsculo feia pra dedéu mesmo.



 Escrito por Vladimir às 15h48
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Poesia e Letra de Música

 

Vi no cinema e gostei do documentário Palavra (En)cantada, sobre a relação entre a poesia e a letra de música no Brasil. Através de depoimentos de gente como Chico Buarque e Maria Bethânia, conta desde a origem dos trovadores na Europa, mostra altas poesias que foram musicadas com sucesso na MPB, como Morte e Vida Severina, chegando até o rap e sua relação com o repente.

Conta, por exemplo, que os primeiros compositores de samba dos anos 20 e 30, como Cartola, não tinham acesso à onda modernista da época, e por isso criavam letras com algumas palavras rebuscadas, inspiradas em poetas clássicos que aprendiam na escola, como Olavo Bilac. Ainda bem, né, nada mais charmoso que a conjunção do morro com palavrinhas sofisticadas.

Achei que o documentário poderia ter mais didatismo, dando mais exemplos de diferenças entre letras e poemas. Chico até mostrou como certas letras dele só funcionam com música, mas poderia ter mais. Senti falta também do Vinícius de Moraes, que ganha um ligeiro comentário mas, como poeta e letrista, deveria ter um belo destaque. Poderiam, por exemplo, mostrar e comparar suas poesias formais com suas letrinhas geniais.

Os melhores depoimentos vieram do cantor e compositor Lenine. Tem uma hora muito legal que ele lista três motivos porque a Língua Portuguesa Brasileira é tão musical, vejam:

- Tem oxítonas, paroxítonas e proparoxítonas. Quando a posição da sílaba tônica varia de palavra em palavra, há uma musicalidade natural;
- Tem sete vogais: aí ele contou E e O abertos e fechados.
- Tem sons nasais: am, em, om... “É um charme!” – comenta.

Concordo plenamente!



 Escrito por Vladimir às 08h21
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À procura da guloseima perfeita

  

Eu gosto de comer pipoca no cinema, em especial meia salgada meia doce, embora ultimamente as bombonieres das salas nunca tenham pipocas quentinhas, daquelas que acabaram de saltar da panela. Por isso e pelo fato de eu pegar horários depois do almoço, eu não tenho consumido pipocas, que caem melhor nas sessões do final da tarde. Costumava buscar incessantemente as melhores opções entre jujubas, sorvetes mini-eskibons ou M&Ms...

Mas descobri a fórmula perfeita para o cinema: aqueles cones de castanhas glaceadas do Nutty Bavarian (em especial as de castanhas de caju e as de avelãs com licor) acompanhando um milk-shake de banana caramelada crocante, uma novidade recente do Bob´s. Desde que experimentei a primeira vez essa combinação, nunca mais quis outra coisa. Às vezes dá trabalho: ontem eu passei no Bob´s, desci quatro andares do Shopping Botafogo, parei no Nutty Bavarian, desci mais três andares, saí do shopping, andei duas quadras e meia sob o sol, tudo isso só pra poder me deliciar da guloseima no Cine Espaço de Cinema, na Voluntários da Pátria. Hummmm, estava ótimo, valeu a pena!

E ainda, com o aroma das castanhas glaceadas, matei de inveja todo mundo na sala escura!



 Escrito por Vladimir às 18h08
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Mais Pôres do Sol

Se eu não sei nem como escrever pôr do sol de acordo com a reforma ortográfica, é muita ousadia colocar no plural no título acima, né não? É que eu queria complementar a estória da foto do post anterior.

Bem, o nosso quarto de hotel na Jamaica, para onde fomos de lua-de-mel há quase dois meses, dava vista para um belo poente. E virou mania da Viviane tirar fotos de todos os entardeceres. Olha só um deles que bonito:

Daí, há umas duas semanas, ela me perguntou qual era o pôr do sol mais belo do Rio. Eu nunca tinha visto, mas sabia por fama que era o do Arpoador. E lá fomos nós para esse belo e romântico programa, registrado do post anterior.

Mas eu me lembrei também foi de um pôr do sol famoso da minha terra, o do Rio Araguaia. Por ser um rio que corre de sul a norte entre Goiás e Mato Grosso, a vista a leste (ou seja, do lado de Goiás) é sempre do Sol mergulhando no caudaloso rio das araras vermelhas (araguaia em tupi).

Quando eu era criança pequena lá em Anápolis, havia uma propaganda na TV, todo fim de tarde, mostrando o sol se pondo no Araguaia, uma musiquinha meio triste e a locução solene: “Você nunca mais vai ver o dia de hoje”. Hoje me soa meio macabro, mas eu me amarrava na mensagem, do estilo carpe diem, "aproveite o dia de hoje!".

Segue então uma imagem do famoso pôr do sol no Araguaia:



 Escrito por Vladimir às 17h06
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No Arpoador

Outro dia, eu e a Viviane tiramos essa foto do ocaso no Arpoador. Foi muito gostoso, havia vários casais lá nas pedras namorandinhos, curtindo o momento. Ah, o Rio....

Disse aqui “ocaso” porque na hora de postar a foto, fiquei na dúvida: quem poderia me ajudar a esclarecer qual seria o correto, de acordo com a reforma ortográfica?

(a) Por do Sol no Arpoador
(b) Pôr do Sol no Arpoador
(c) Por-do-Sol no Arpoador
(d) Pôr-do-Sol no Arpoador
(e) Por-do-Sol-no-Arpoa-dor
(f) Pordossol no Arpoador
(g) a (k) As mesmas de (a) a (e), com a palavra sol com s minúsculo.
(l) Se chegou a esse item ao invés de admirar a foto, francamente, calce o seu chinelo e vá pra fora de casa ver o Sol!



 Escrito por Vladimir às 08h56
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Arlequim, Colombina e Pierrô

Outro dia, fiquei curioso para saber qual a origem das figuras Arlequim, Colombina e Pierrô, que eram personagens comuns no carnaval brasileiro, mas que hoje em dia infelizmente andam esquecidos.

Descobri que eles vieram da commedia dell’arte, um teatro improvisado da renascença italiana. Havia vários personagens, alguns “patrões” e outros “criados”. Esses últimos eram os preferidos do público, e dentre eles o mais popular era o Arlecchino, palhaço espertalhão vestido com retalhos multicoloridos. Havia também sua namorada, a Colombina, uma serva de saia rodada, também espertinha, e o Pedrolino, outro palhaço, este ingênuo e leal, geralmente vítima de piadas físicas. Depois, esses personagens foram para o teatro de mímicas francês (pantomima) e Pedrolino virou Pierrot (de Pierre). Numa das estórias improvisadas desses teatros, a mais famosa por aqui, o Pierrot sofria de amores por Colombina que o desprezava, por ela ser amante do Arlequim. Olha essas imagens de cartões franceses antigos com o Pierrot entregando o coração para a Colombina, que o humilha:

Acho que por causa desse aspecto platônico, quando os personagens vieram ao Brasil como fantasias de carnaval, o Pierrô (com circunflexo em português) ficou mais famoso que o Arlequim. O triste palhaço com sua gola franzida tem até, em algumas versões, uma poética lágrima no rosto.

Fiz uma pequena pesquisa e encontrei de tudo em letras de músicas. Além dos sambas de enredo que mencionam esses personagens como fantasias de carnaval, a maior parte mostra o lado platônico e desiludido do Pierrô.

Seja de forma melancólica:

    Pierrot (Marcelo Camelo) - Los Hermanos
    O Pierrot só queria amar
    E dar um basta a esta dor já sem fim
    Mas Colombina trocou seu amor por Arlequim
    E o Pierrot, chora!

Ou com toques de humor:

    Pierrô Apaixonado  (Noel Rosa - Heitor dos Prazeres)
    Um pierrô apaixonado
    Que vivia só cantando
    Por causa de uma colombina
    Acabou chorando, acabou chorando
    (...)
    Levando esse grande chute
    Foi tomar vermute
    Com amendoim

Alguns Pierrôs querem ser Arlequim:

    Colombina (Ed Motta)
    Se você voltar pra mim,
    Juro para sempre ser arlequim
    (...)
    Sou um triste pierrot mal-amado
    Mestre-sala desacompanhado
    Um bufão no salão a cantar...

Já nesse sucesso de Carmen Miranda, a Colombina ganha voz:

    Ô (Assis Valente) – Carmen Miranda
    Foi na hora do aperto
    Que eu perdi o meu amor
    Perdi o meu amor, mas foi melhor assim
    Meu amor era um Pierrô e eu gosto mais de um Arlequim

E nesse do Chico, o Pierrô flerta com a Colombina:

    Noite dos Mascarados (Chico Buarque)
    - Eu sou tão menina,
    - Meu tempo passou
    - Eu sou colombina,
    - Eu sou pierrô

O Pierrô de Lalá, mesmo em 1934, propõe uma solução “moderninha”:

    Ride Palhaço (Lamartine Babo)
    Eu sou o teu Pierrô
    Colombina, Colombina
    Reparte esse amor
    Metade pra mim
    Metade pro teu Arlequim

Achei também uma música bizarra:

    Pô, Christina! (Thiago Melo) - 1/2 Dúzia de 3 ou 4
    Amanhã é quarta-feira de cinzas, Christina.
    O Carnaval já passou
    E o Pierrot não rangou a Colombina
    Que hipocrisia, Christina!
    Não destes para mim
    E preferistes prevaricar com o Arlequim.

E outra da era da internet:

    Os Rouxinóis 2000 (João Carlos Da Nova) - Escola de Samba Os Rouxinóis, de Uruguaiana-RS
    Pra buscar a sua Colombina
    Pierrot vai ao computador
    (...)
    Mas o Arlequim estremeceu este romance
    Emitindo um vírus pra quebrar
    A ilusão de um sonho tão distante

Por fim, depois de tanto sofrimento, o Pierrô se vinga. Na clássica Máscara Negra, os papéis se invertem:

    Máscara Negra (Zé Keti - Pereira Mattos)
    Arlequim está chorando pelo amor da Colombina
    No meio da multidão
    (...)
    Eu sou aquele Pierrô
    Que te abraçou, que te beijou meu amor

É, esse Pierrô se dá bem, encerrando a canção com uma classe que não vemos mais nos carnavais:

    (...)
    Vou beijar-te agora
    Não me leve a mal
    Hoje é carnaval



 Escrito por Vladimir às 21h52
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Fica Pepsi Twist Light!

     

A Pepsi Twist Light é um dos produtos praticamente insubstituíveis pelo qual sou viciado (ao lado do biscoito Amandita e do sabonete Dove). Eu sofro com a péssima distribuição desse refrigerante, como é difícil achá-lo! E agora está pior ainda, pois desconfio que estão querendo substituí-lo pelo lado sombrio da força, uma tal de Pepsi Twist 3, novidade que não achei tão saborosa.

Lembro que eu era um consumidor assíduo do Lux Skincare, um lançamento do início dos anos 90 que unia sabonete a hidratante. Quando surgiu o Dove, não o achava tão bom, mas aconteceu o que eu temia: a marca já consagrada nos EUA tomou lugar daquele Lux com hidratante, que foi descontinuado. Acabei me resignando e hoje não vivo sem o Dove, até levo para as minhas viagens.

Da mesma forma, não sei quem falou para a Pepsi que a Twist Light poderia ter as tais “3 calorias do limão” pra ficar mais saborosa. A Pepsi Twist 3 não é ruim (é ainda melhor que os produtos zero da Coca-Cola) porém ainda prefiro a boa e (não tão) velha Twist Light. Mas quem sou eu, né? Se for isso mesmo, o mercado é quem manda, e lá vou eu me resignar e me acostumar com o produto novo.

Agora, se inventarem alguma coisa pra substituir a Amandita, aí sai de baixo! grrr



 Escrito por Vladimir às 09h06
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Quaresmeira

Assim como temos nossa flor (Gérbera) e nossa música (Cheek to cheek), eu e a Viviane temos uma candidata à nossa árvore (concorrendo com o olmo, mas isso é outra história): estou falando da brasileiríssima Quaresmeira (em inglês, veja só, glory tree ou princess flower, cool!). No último fim de semana, a minha amada não cansou de me mostrar essas belas árvores floridas pelas estradas de São Paulo.

A quaresmeira entrou na nossa pequena história, numa troca de emails, quando ainda estávamos nos conhecendo, mas já apaixonadinhos, em janeiro de 2007, veja só:

Viviane:
“Na minha cara está estampado o quanto sou feliz, ou melhor, o quanto você me faz sentir feliz e especial. Uma sensação tão boa que faz com que o dia cinzento aqui de SP se torne lindo e colorido! As flores estão tão lindas! Aqui em Jundiaí, as quaresmeiras estão florindo! Isso é meio ilógico pois, como seu nome diz, deveriam florir em março... Parece que até a natureza está dando as boas vindas ao nosso amor!”

Vladimir
“Demorei alguns segundos para entender por que as quaresmeiras deveriam florescer em março... Bem, como eu nasci em março, então já me considero, pretensioso, a sua quaresmeira, pois flori antes do tempo no jardim do seu coração, para dar boas vindas à namorada mais maravilhosa do mundo!...”



 Escrito por Vladimir às 09h08
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Dois corações

Achei a notícia do homem com dois corações a mais fascinante dos últimos tempos. Ainda mais sabendo que a situação não é inédita. Me deu umas ideias para roteiros ou contos... Tomara que corra tudo bem com ele.

Aaahhh, eu também queria ter dois corações! Um só não aguenta o tamanho do amor que eu tenho pela minha esposinha!

 



 Escrito por Vladimir às 19h31
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Meus pequenos catulos

Outro dia, uma amiga se incomodou de eu chamar o seu shih-tzu de “cachorro”. Era o “bebê” dela, não era um “cachorro”, ora essa! Infelizmente, a sociedade tratou de associar os verbetes cão e cachorro, com significados pejorativos, como “diabo” e “mau caráter”, respectivamente. Pois aos meus ouvidos, cachorro e cão são coisa boa, sempre me lembram um animalzinho nobre, inteligente, fiel e especial. Dá pra gente melhorar essa injustiça?

Fucei que cachorro vem do latim catulus, “filhote de cão”. No Brasil, cachorro se popularizou como “cão de qualquer idade” justamente para não se falar cão, que era muito associado ao belzebu, que lástima.

Está na hora então de criar outra expressão que não caia em significados ruins, né? Se tiraram a palavra cachorro de um termo que quer dizer “pequeno cão”, existem também outros verbetes para isso em português como cãozito, canito e canicho. Gostei de canicho, lembra bicho, rabicho... Hummm, que mais?

Há também, para “cão pequeno”, a palavra cátulo, da mesma origem de cachorro (ou seja, do latim catulus). Cátulo é meio estranho, mas catulo, paroxítona, é mais legal. Há aquele compositor de Luar do Sertão, com o nome mais bonito da MPB, o Catulo da Paixão Cearense. E vi que existiu um orador romano também, chamado Catulo.

Pois então, decreto que passemos a chamar o bichinho mais nobre, inteligente, fiel e especial do planeta com a palavra catulo, pode ser? Ou preferem canicho?

Enfim... tudo isso é pra falar: que saudades dos meus pequenos catulos, a Meg e o Sambinha (fotos abaixo)...

         



 Escrito por Vladimir às 19h16
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Top5 Estrelas de Cinema do Século XX

    

1. Ginger Rogers (simplesmente fico hipnotizado ao vê-la bailando com Fred Astaire)
2. Grace Kelly (a mais completamente linda)
3. Brigitte Bardot (a mais sensual)
4. Lillian Gish (me fez me amarrar em filmes mudos da década de 10 e 20)
5. Rita Hayworth (a mais deslumbrante)



 Escrito por Vladimir às 08h54
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Canto do Vladimir

Perfil
Nome: Vladimir Batista
Idade: 37
Nasceu: Goiás
Mora: Rio de Janeiro
email: vladimir.batista@gmail.com

Conteúdo
Blog de Vladimir Batista, 37, sobre cinema, curiosidades (etimologia (origem das palavras), dicionário, cultura inútil, rankings (top10, top5,...)), música, TV, literatura, minhas criações (letras, poemas, contos, romances, novelas, roteiros de cinema, argumentos), atualidades, minha vida, etc...


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