Canto do Vladimir


Top5 – Meus doces favoritos:

     

1. Doce de Leite com Queijo Minas
2. Brigadeiro de Colher
3. Torta Holandesa
4. Petit Gateau
5. Pavê de Chocolate
5. Bolo de Coco com Leite Condensado da mamãe

           



 Escrito por Vladimir às 08h53
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Nomes de Cores

Sou daltônico, portanto uma nulidade para opinar sobre cores. Vou comentar então sobre os nomes delas, das cores, pode ser? Adoro o nome gris, ou o exótico fúcsia, o carmesim, ou ainda o terracota, que me rememora aqueles lápis de cor faber castel da infância.

Mas mais curiosos são aquelas denominações de catálogos de tintas, já viram? O cara tem de estar bem doidão pra inventar certos nomes, vejam alguns exemplos:

Há desde qualificação pitorescas para cores padrão:

Azul Fantasma
Preto Floresta
Branco Antigo
Rosa Renascentista
Vermelho Blefe
Púrpura Meditação
Bronze Antílope
Vermelho Vitoriano
Branco Ostra
Azul Blazer
Marrom Burguês
Cinza Alpino
Bege Cevada
Roxo Alegoria

Nomes relacionados a lugares os quais provavelmente o autor nunca viu:

Noite Ártica
Mar dos Balcãs
Expresso do Oriente
Brilho de Paris
Céu Californiano
Himalaia
Fernando de Noronha
Sorriso Jamaicano
Malabar
Castelo do Deserto

Há os nomes com frutas (ou outros alimentos):

Maçã Inglesa
Abacaxi Maduro
Mamão Cristalizado
Festa da Uva
Pitanga Gelada
Framboesa Radical
Compota de Goiaba
Geléia de Ameixa
Hortelã Intensa
Leite com Baunilha
Recheio de Torta
Berinjela Profundo
Melancia Doce

Nomes de coisinhas cujas cores são, no mínimo, indefinidas:

Brilho de Vela
Papel Reciclado
Escultura em Madeira
Mogno Velho
Flauta de Madeira
Grinalda Dourada
Brisa das Ondas
Gotas do Mar
Bonsai
Escultura em Pedra
Gaita Francesa

Alguns nomes chegam a ser etéreos:

Crescente Cósmico
Alucinação
Explosão de Estrela
Canto de Sereia
Lagoa de Lírios
Deus Sol
Linha do Horizonte
Sombra Mística
Ondas da Lua

Por fim, cores com nomes ainda mais nada-a-ver:

Frio Súbito
Bate Coração
Planetário
Navios ao Mar
Luzes Teatrais
Sopro de Neve
Parada de Trem
Navegação Tranqüila
Era dos Jatos
Conto Nostálgico
Dias de Preguiça
Primeiro Rubor
Baile de Máscaras
Caminho de Aceráceas
Pelicano
Chama Antiga
Outono Quente
Casamento Memorável

Adorei!



 Escrito por Vladimir às 09h29
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Uma Luz para Dona Preta

Outro dia, ouvi um caso curioso sobre uma experiência de “quase-morte”. Sou cético, mas essas estórias dão boas tramas e tive uma idéia para um curta-metragem, daqueles que vão e voltam, alternando um dia no tempo. O filme seria sobre uma senhora cega que sonha enxergar de novo e... Bem, vejam a sinopse do filme:

Escaleta para um roteiro de curta-metragem
Título: Uma Luz para Dona Preta
Autor: Vladimir Batista

Cena (1) Numa manhã dos anos 60, Dona Preta, viúva dos seus 40, 45 anos, rica e cega, adentra um consultório médico. Ela parece radiante, em estado de graça, pede desculpas pela reação do dia anterior e marca sua cirurgia para aquela mesma noite. O médico, Doutor Jonas, fica surpreso com seu estado de espírito. Ela, no entanto diz que tem uma condição para se submeter à operação...

Cena (2) Um dia antes, Dona Preta está no mesmo consultório, contando ao Dr. Jonas um sonho que teve, no qual um anjo de voz rouca lhe conta que ela vai voltar a enxergar. Ela não acredita em anjos, mas se diz otimista para saber se o procedimento é possível ou não. Doutor Jonas, no entanto, não tem boas notícias. O procedimento para recuperar a visão é impossível. Ainda por cima, foi detectado um aneurisma fatal. Sua expectativa de vida é de poucos dias e, apesar da chance de menos de 1%, ela deve se submeter a uma cirurgia imediatamente. Preta fica arrasada e agressiva e diz que prefere morrer em casa com seus filhos do que na sala de operação.

Cena (3) Voltando ao dia seguinte, Preta arruma seus três filhos pequenos com um devotado zelo e uma euforia contida. Maria, a babá, se aproxima com cuidado, estranhando toda a arrumação. Preta se joga aos pés da babá implorando desculpas e lhe pede para cuidar de seus filhos como se fossem dela. Maria, a princípio não perdoa, mas logo chora e abraça Dona Preta.

Cena (4) Voltando ao dia anterior, Preta, disfarçando seu abatimento, conta a Maria sobre o aneurisma e sua morte iminente. Maria se emociona mas Preta diz que não quer compaixão. Maria não se segura e desaba chorando e dizendo que vai cuidar dos filhos de Preta como se fossem seus. Preta fica furiosa acusando Maria de querer roubar seus filhos. Ela agride a babá, ameaçando-a com uma faca, chegando a lhe causar um pequeno corte. José, o velho caseiro, intervém e todos choram.

Cena (5) Voltando à tarde do dia seguinte, Dona Preta, Maria, José e as crianças estão na clínica com Doutor Jonas e outros funcionários. O médico comenta que ele conseguiu a aprovação das condições de Preta. José coloca no chão uma caixa de papelão cheia de fotos, com algumas rasgadas. São fotos de Dona Preta e as crianças, em casa ou em lugares turísticos. O grupo começa a recuperar as fotos rasgadas, colando-as de volta, em ritmo de mutirão. Quando prontas, as fotos são levadas para uma sala de cirurgia e são coladas nas paredes. Mais uma vez, Dona Preta parece estranhamente feliz.

Cena (6) Retrocedendo à alta noite do dia anterior (madrugada já desse dia), Dona Preta está ranzinza em casa procurando nos armários sua caixa de fotos. Ela resmunga com José que montou uma coleção de imagens de vários momentos de sua vida e de seus filhos para que, quando recuperasse a visão, pudesse ver se esses registros correspondiam ao que ela imaginara. Com o auxílio de José, ela acha a caixa e, de repente, começa a rasgar as fotos revoltada. José toma-as de suas mãos e ela desaba no choro. De repente, ela sente uma grande dor de cabeça e ele a conduz dizendo que vai levá-la para a clínica

Cena (7) Saltando para aquela noite, a cirurgia já vai começar. A sala está cheia de fotos coladas na parede e no chão. Dona Preta pergunta onde estão seus filhos. Maria os traz para a sala de operação. Ela pede para, por alguns segundos, eles ficarem próximos de seu rosto em silêncio. Ela sente o calor de suas respirações. Depois, Maria os leva para um canto e Preta é anestesiada.

Cena (8) Voltando àquela manhã, José está com Preta na Sala de Espera da clínica. Ela lamenta que sente que vai morrer, maldiz os céus e pede para voltar para casa, que não quer ser operada. José explica que ela só vai consultar o médico por causa da dor. Ele deixa Preta sozinha por alguns momentos. Uma Paciente puxa conversa com Preta contando que seu pai era cego. Dona Preta fica incomodada e se vira para o outro lado. A Paciente comenta que aconteceu com seu pai uma experiência inacreditável. Conta que ele foi se operar de apendicite, a cirurgia se complicou e ele quase morreu...

Cena (9) Voltando para a noite, a operação de Dona Preta se complica. Ela vai perdendo a vida. De repente, a alma de Dona Preta começa a sair de seu corpo.

Cena (10) Na manhã, a Paciente continua contando que no momento de “quase morte”, seu pai enxergou pela primeira vez na vida! Viu os médicos, a sala de cirurgia, a si mesmo. Dona Preta leva um susto e fica interessada.

Cena (11) À noite, a alma de Dona Preta se vê na sala de cirurgia, sem que ninguém a enxergue. Preta vê seus filhos adormecidos, observa os detalhes de cada um, faz que toca suas feições, mira cada uma das fotos, vê Maria angustiada. Os médicos estão tentando reanimar o corpo de Dona Preta que não reage. Mas sua alma levita feliz e curiosa pela sala.

Cena (12) Antes, na manhã, a Paciente continua a sua história. Ela conta que seu pai sobreviveu para contar a experiência. Ela explica que a alma, mesmo a do cegos, pode enxergar. E que seu pai se sentiu o homem mais feliz do mundo no momento em que viu aquelas cenas simples do local onde foi operado. Os médicos não souberam explicar como ele descreveria depois vários detalhes da sala. A Paciente solta um pigarro e reclama da voz rouca. Dona Preta fica extasiada e ofegante. José chega mas não há mais ninguém ao lado de Dona Preta. Ele estranha seu jeito pergunta se ela está bem. Ela se diz ótima! A Assistente chama Dona Preta para o consultório de Doutor Jonas. Ela se dirige radiante para lá, voltando ao início da Cena (1).

Cena (13) À noite, Dona Preta morre, mas sua alma se eleva em direção a um túnel de luz, com seus olhos em estado de graça.



 Escrito por Vladimir às 09h02
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Krapula

Quando eu estava na Alemanha, fiz um amigo finlandês, o Pauli. Entre nossas bebedeiras (os finlandeses são experts na arte), descobri algo pitoresco. A palavra para Ressaca em finlandês é Krapula. É, assim mesmo, da mesma forma que pronunciamos o nosso Crápula, que usamos no sentido de canalha, mau-caráter.

Será que têm a mesma origem? Fucei na web e, sim, está lá, a palavra finlandesa vem do latim Crapula, assim como o verbete em português. Mas no Houaiss tive uma surpresa: o sentido escandinavo está mais próximo da origem que o nosso. Em latim, crapula significa justamente embriaguez, pois a palavra derivou de uma certa resina que se misturava ao vinho.

Pior, mesmo em português, o sentido inicial da palavra é o de excesso de bebida! Daí, passou a desregramento, devassidão, e finalmente, chegou à acepção de pessoa inescrupulosa, vil. Assim mesmo, o dicionário considera isso como um regionalismo do Brasil. Como assim, não há crápulas em Portugal?

Sou mais o sentido finlandês. Dos tempos que eu acordava no dia seguinte na Alemanha, me queixando:

- Ai, ai, this bloody Krapula!



 Escrito por Vladimir às 08h31
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Top 10 Mais Belos Nomes de Flor-de-Alguma-Coisa

Falando nisso, dei uma olhada no Houaiss nos nomes de flores-de-alguma-coisa. Vejam só que variedade.

Há flores com nomes de bichos:
Flor-de-Pavão
Flor-de-Passarinho
Flor-de-Vaca (!)

Com nomes de tecidos:
Flor-de-cetim
Flor-de-seda
Flor-de-Lã

De sentimentos:
Flor-da-Esperança
Flor-de-Amores
Flor-da-Paixão

De datas:
Flor-de-Abril
Flor-de-Maio
Flor-de-Natal

De elementos da natureza:
Flor-de-Gelo
Flor-de-Madeira
Flor-de-Enxofre

De coisas transcendentais:
Flor-da-Redenção
Flor-das-Almas
Flor-de-Babado-de-Nossa-Senhora

Segue então, o meu Top10 de nomes mais belos de flor-de-alguma-coisa:

    

1. Flor-de-Amores (1ª foto)
2. Flor-de-Cetim (2ª foto)
3. Flor-da-Paixão
4. Flor-de-Noiva
(3ª foto)
5. Flor-de-Anjinho
6. Flor-de-Lis
7. Flor-da-Abissínia
(4ª foto)
8. Flor-da-Noite
9. Flor-de-Pérolas
10. Flor-de-Sangue
(5ª foto)



 Escrito por Vladimir às 08h36
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Flor-de-Minha-Amada

          

Uma flor ajudou minha noiva Viviane e eu a nos reencontrarmos, após 15 anos. Neste mesmo Canto, num post de dezembro de 2006, escrevinhei sobre a flor de maracujá e a ambiguidade da palavra paixão. A Vivi me deixou um comentário com um "lembra de mim?" e, após trocas de emails, nos vimos. Convidei-a para um almoço e, então, brotou mais um símbolo florido do amor que desabrochava. É que, antes desse almoço, passei na floricultura e escolhi meio sem pensar uma planta que eu não conhecia mas que achei bem bonitinha. E não é que acabei escolhendo a flor favorita dela, a Gérbera?

Apesar de sua beleza, não acho que o nome dessa flor, gérbera, soa bem, né? O Houaiss diz se baseou no sobrenome do naturalista Traugott Gerber. Francamente, se eu descobrisse uma flor nova, não ia chamá-la de Batista, meu sobrenome. Acho que a chamaria “flor-de-alguma-coisa”, como a de maracujá que é a Flor-da-Paixão. Eu me amarro nessas designações, fico sempre pensando de onde tiraram cada uma.

Hum, taí, se eu descobrisse uma flor, homenagearia a minha amada, chamando-a de Flor-de-Iaiá! Ou simplesmente, Flor-de-Minha-Amada, pode ser?



 Escrito por Vladimir às 14h29
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Filhos de “Brilho Eterno...”

Na minha lista de melhores filmes de todos os tempos, certamente está Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças, de 2004. Um primor em tudo, dos protagonistas Kate Winslet e Jim Carrey a sua direção envolvente e seu roteiro genial. Pois, justamente, tanto o diretor Michel Gondry quanto o roteirista Charles Kaufman assinam, solos, roteiro e direção de bons filmes apresentados no Festival do Rio: Rebobine, Por Favor, de Gondry, e Sinédoque – Nova York, de Kaufman.

 

Em Rebobine, por favor, dois caras acidentalmente apagam todas as fitas VHS da locadora de um senhor e começam a filmar versões caseiras para sucessos como Robocop e Caça-Fantasmas. O filme começa meio bobo, uma espécie de comédia de absurdo, mas do meio para o final Gondry mostra sua arte de nos envolver emocionalmente com toques cinéfilos dignos de Cinema Paradiso. De Brilho Eterno, vemos principalmente o seu estilo artesanal, com efeitos especiais propositadamente toscos e personagens carismáticos, como o de Jack Black.

 

Sinédoque – Nova York, bem mais denso, também deslancha do meio para o final. No início, parece um filme surrealista de doença, se é que existe isso, mas ali no miolo a linha do drama fica mais firme e fascinante. É sobre um dramaturgo em crise (Philip Seymour Hoffman, de Capote) que resolve montar uma peça monumental e interminável, reproduzindo Nova York num galpão, com centenas, milhares de personagens. A metalinguagem vai dando nó na nossa cabeça, há um ator que representa o dramaturgo; logo há outro ator para representar o ator que representa o dramaturgo e assim por diante. Ele vai reproduzindo as cenas de sua vida, e os toques surrealistas não param. De Brilho Eterno, vemos a confusão entre o que é real ou não, a investigação íntima do eu, e belas sacadas aproveitando todas as deixas das situações.

Ambos os filmes são ótimos, mas Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças continua no meu olimpo. No ponto certo, é mais denso que Rebobine e mais leve que Sinédoque, e ainda carrega um belo toque romântico meio ausente nesses dois filmes. Quem sabe Michel Gondry e Charles Kaufman um dia não se unam novamente para nos encher os olhos com suas genialidades, balanceadas e complementares?



 Escrito por Vladimir às 09h20
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Suzanne Vega e Cesário Verde

Ganhei da Viviane um livro da minha ídola, a cantora Suzanne Vega, com poemas, letras e outros escritos. Estou lendo sua fase de descrição realista do cotidiano, como ela faz em Tom’s Diner, aquele do cantarolar (ta-ta-ta-ra ta-ta-ta-ra):

Tom's Diner

 

I am sitting in the morning
At the diner on the corner
I am waiting at the counter
For the man to pour the coffee

(…)

 

Oh, this rain it will continue
Through the morning as I'm listening
To the bells of the cathedral
I am thinking of your voice...

 

And of the midnight picnic
Once upon a time
Before the rain began...

 

And I finish up my coffee
It's time to catch the train

Tatatara- tatatara...

Lanchonete do Tom (Tradução):

 

Estou sentada pela manhã
Na lanchonete da esquina
Esperando no balcão
Que o rapaz ponha café

(...)

 

Ah, essa chuva continua
Pela manhã enquanto ouço
Os sinos da catedral
Vou lembrando de sua voz...

 

E do piquenique noturno
Há muito tempo atrás
Antes da chuva cair...

 

Eu termino o meu café
E já vou pegar o trem

Tatatara- tatatara...

Fiquei pensando se ela já teria lido Cesário Verde, poeta português do século XIX. Vejam que estilos parecidos! Primeiro, um trecho da canção Ironbound, da Suzanne:

Ironbound

 

In the Ironbound section
Near Avenue L
Where the Portuguese women
Come to see what you sell
The clouds so low
The morning so slow
As the wires cut through the sky

 

The beams and bridges
Cut the light on the ground
Into little triangles
And the rails run round
through the rust and the heat
the light and sweet
Coffee color of her skin
(...)

Ironbound (Tradução):

 

No bairro Ironbound,
Perto da Avenida L
Onde as mulheres portuguesas
Vêm para ver o que você vende
As nuvens tão baixas
As manhãs tão lentas
Com os fios atravessando o céu

 

Vigas e pontes
Cortam a luz no chão
Em pequenos triângulos
Com os trilhos ao redor
Da ferrugem e do calor
Surge a leve e doce
Cor café de sua pele
(...)

Agora o poema Num bairro moderno de Cesário:

Num bairro moderno

Dez horas da manhã; os transparentes

Matizam uma casa apalaçada;

Pelos jardins estancam-se os nascentes,

E fere a vista, com brancuras quentes,

A larga rua macadamizada.

(...)

E rota, pequenina, azafamada,

Notei de costas uma rapariga,

Que no xadrez marmóreo duma escada,

Como um retalho de horta aglomerada,

Pousara, ajoelhando, a sua giga.

(...)

      

O curioso é que além de descrever o cotidiano, ambos enxergam pistas da crueza do ser humano nas ruas. Ainda em Ironbound, Suzanne lê, irônica, uma placa do mercado:

 (…)
Fancy poultry parts sold here.
Breasts and thighs and hearts.
Backs are cheap
And wings are nearly free.
Nearly free*

(...)
Belas peças de frango vendidas aqui
Peitos e coxas e corações.
Partes Traseiras estão baratas
E asas estão quase de graça (ou livres)
Quase livres * 

* trocadilho difícil de traduzir: free pode ser grátis ou livre

Já Cesário, em O Sentimento dum Ocidental, localiza a dor em meio aos prédios:

O Sentimento dum Ocidental

 (...)

E, enorme, nesta massa irregular

De prédios sepulcrais, com dimensões de montes,

A dor humana busca os amplos horizontes,

E tem marés, de fel, como um sinistro mar!

É, quem diria que a Portugal do século XIX teria relações com a Nova York do século XX...



 Escrito por Vladimir às 16h20
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Festival do Rio

Já vi quatro comédias no Festival do Rio 2008, gostei de todas. Seguem as primeiras três:

Rock n’Rolla - A Grande Roubada – Acharam, no meu escritório, que eu ia assistir um filme pornô, mas esse longa na verdade é uma comédia de erros de gangsteres, da mesma linha dos outros ótimos do mesmo Guy Ritchie (Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes e Snatch – Porcos e Diamantes). Estes dois são melhores, mas Rock n’Rolla não nega fogo também.

Queime depois de ler – Também é uma comédia de erros com humor negro, essa dos Irmãos Coen, que voltam ao estilo de Fargo depois dos Oscars por Onde os Fracos não tem vez. As situações inusitadas e os personagens curiosos, transitando ao redor de uma suposta intriga de espiões, são mais uma vez os pontos fortes do filme, com ótimas atuações do George Clooney e Brad Pitt.

O Bom, O Mau e o Bizarro – Os caras do meu escritório não andam acreditando nos títulos que eu estou vendo no Festival, mas quem tem um pouco de cultura cinéfila sabe que se trata de uma referência ao clássico western Três Homens em Conflito (The good, the bad and the ugly), com o Clint Eastwood. É uma espécie de versão coreana desse filmão do Sergio Leone, no caso sobre vários personagens perseguindo um mapa do tesouro. Apesar de “faroeste coreano” não parecer promissor, O Bom, o Mau e o Bizarro é incrivelmente bom, bem produzido (até caro), divertido, e com longas e criativas cenas de ação. Pra quem gosta, como eu, é um prato cheio!

Ontem assisti o que mais gostei até agora, Rebobine, por favor, do Michel Gondry, depois eu comento. Hoje verei uma versão para O Fantasma da Ópera do mestre do terror italiano Dario Argento, e estrelado pela filha dele, a bela Asia Argento. Amanhã verei Sinédoque, Nova York, a estréia na direção do ótimo roteirista Charles Kaufmann. Como vou viajar no sábado, infelizmente meu Festival terminará mais cedo. Mas desde já, valeu a pena!



 Escrito por Vladimir às 09h25
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Canto do Vladimir

Perfil
Nome: Vladimir Batista
Idade: 37
Nasceu: Goiás
Mora: Rio de Janeiro
email: vladimir.batista@gmail.com

Conteúdo
Blog de Vladimir Batista, 37, sobre cinema, curiosidades (etimologia (origem das palavras), dicionário, cultura inútil, rankings (top10, top5,...)), música, TV, literatura, minhas criações (letras, poemas, contos, romances, novelas, roteiros de cinema, argumentos), atualidades, minha vida, etc...


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