Canto do Vladimir


Estômago


Finalmente um candidato ao meu Top10 de melhor filme de 2008. Gostei muito do brasileiro Estômago, sobre um simplório migrante nordestino com talento na cozinha. Deu gosto ver um roteiro onde as cenas são sempre importantes: cada diálogo, cada detalhe da tem sua relevância, como conferimos no final. E a alternância entre dois tempos (antes e depois) também é bem feita. Ficamos curiosos o tempo todo para saber o que acontecerá nos dois finais (do passado e do futuro), que são surpreendentes e explicam tudo. Além disso, o script tem uma qualidade de mestres como Almodóvar e o brasileiro Jorge Furtado: a gente se pega torcendo pelo bandido...
 
Um problema, como já mencionei aqui, é o excesso de palavrões. Mas é pouco, perto dos pontos positivos. Além do roteiro, também estão muito bem: as interpretações, em especial a do protagonista João Miguel, as piadas do constraste entre a alta gastronomia e o baixo nível dos personagens, o humor negro por vezes violento (que, aliás, não é para todos os gostos), a personagem que associa o tempo todo comida e prazer... E, por que não, a gastronomia, que nos deixa na maior fome depois do filme!

Recomendo. De preferência, antes do almoço!



 Escrito por Vladimir às 20h51
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Palavras de Alto Calão

Eu lembrava que uma das críticas que se tem a filmes brasileiros desde que me entendo por gente é o excesso de palavrões. Eu tinha a teoria que o pessoal do audio-visual se sentia podado pela censura da TV a esses termos e aproveitava para carregar no cinema. Os atores falavam até com um gosto especial, eu achava hilário. Hoje eu já acho mais natural, até essencial em obras como Tropa de Elite (até para contrastar com pérolas como “O senhor é um fanfarrão!”) e Cidade de Deus (como na frase mais célebre do cinema brasileiro: “Dadinho é o c..., meu nome é Zé Pequeno, p...!") . Mas achei exagerado, por exemplo, no ótimo filme Estômago, que poderia abrir mão de tantas palavras de baixo calão.

Aliás, fiquei curioso sobre esse termo: Baixo Calão. Existe Alto Calão? Se sim, seria o contrário, uma palavra elegante, ou seria um palavrão ainda mais devastador? Ou os dois ao mesmo tempo? E Baixo Calinho, existe? Seria um palavrão mais suave, do tipo “Feio! Bobo!”?

Do Houaiss, vi que Calão veio de Caló, um rude jeito de falar dos ciganos. E que, curiosamente, Baixo Calão é uma redundância, pois Calão já carrega o sentido de linguajar grosseiro, baixo. Isso significa que o certo seria dizer simplesmente “Durante a discussão, Fulano usou de calão”. Mas o próprio Houaiss reconhece que Baixo Calão já tem seu uso consagrado.

Palavrão quando bem usado é uma arte. O que seria do meu filme favorito Pulp Fiction sem o bom e velho “muthafucka”?

Lembro também que quando eu morei na Alemanha, eu e o Pauli, um amigo finlandês, ficávamos ensinando um ao outro palavrões nas respectivas línguas pátrias. E depois saíamos gritando na madrugada da pequena cidade de Aachen, completamente borrachos. Bonito, heim? Era divertido ver ele bradando, cheio de sotaque, palavras que, modéstia deste professor à parte, eram de altíssimo calão!



 Escrito por Vladimir às 08h31
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Um Beijo Roubado

Em ambas minhas listas de expectativas nos inícios de 2007 e 2008 apareceu My Blueberry Nights. Finalmente estreou o última filme de Wong Kar Wai, cineasta da Amor à Flor da Pele, obra-prima do romantismo “inatingível”. O Beijo Roubado (título brasileiro) é mais light, mas muitas das marcas do chinês estão lá, como as cores e os desencontros. Se Wong Kar Wai exagerou no loop infinito das histórias em 2046, dessa vez, acho que simplificou um pouco demais, mas também sem perder o encanto.

Norah Jones (sim, a cantora) faz uma desiludida que tem uma ligação de amizade com um dono de um bar (Jude Law) e que embarca numa viagem pelos Estados Unidos, onde encontra muita gente carente. Um problema é que seu olhar distanciado, sem se envolver, acaba tornando os conflitos um tanto distantes do expectador também.

O mais interessante é o relacionamento dela com o personagem de Jude Law. Infelizmente, aparece pouco demais, mas ali temos de volta os famosos encontros rotineiros e intocados de um casal. Em Amores Expressos, há o Guarda Noturno com a Moça Desiludida e em Amor à Flor da Pele há o Moço Traído com a Moça Traída. Agora é o Barman e mais uma Moça Desiludida, dessa vez regados a tortas de blueberry e pontuados por molhos de chaves. Nesses encontros, nada parece acontecer e ao mesmo tempo o clima é inegável. Quer dizer, nesse filme, acontece sim um discretíssimo e belo beijo, retratado acima, que valeu o bom título brasileiro.

Só essas sequências valeram o ingresso e a esperança de que Wong Kar Wai, um dos melhores cineastas da atualidade, nos brinde com obras ainda mais belas no futuro.



 Escrito por Vladimir às 22h20
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Um Poeminha no nosso “Pré-Aniversário”

Como definimos o casório para 24 de janeiro de 2009, eu e a Viviane temos comemorado o nosso “Pré-Aniversário” todo mês, no dia 24, pode ser? Pois então, pra celebrar o “Pré-Aniversário V&V de 9 Meses”, segue um poema simplezinho que acabei de escrevinhar, sobre a saudade que sinto quando ela está longe, em Jundiaí.
Feliz Pré-Aniversário, minha noivinha!

Lonjura
(Vladimir – 24/Abr/2008)

Meu docinho
Vem pra cá pro nosso ninho
Vem pra perto, vem e se aconche

Minha flor
Ah, se eu pego quem inventou
Esse troço de estar longe

É que dói
O meu peito onde rói
O bichinho da saudade

Que maltrata
Me inunda, me arrebata
Essa lonjura é uma maldade

Ai, essa saudade que me assalta
Ai, essa vontade que me toma
Fico contando quanto tempo falta
Pra sentir de novo teu aroma

Minha porcelana,
Quando fico por semanas
Sem o teu amor presente 

Meio que morro
Um pouquinho sem o socorro
De sentir tua pele quente

A falta tua
Vem me arrasando até a lua,
A próxima lua, tão bem-vinda

Que quando vem
Corro ao ouvido de meu bem
Pra cochichar o quanto és linda

Ai, essa saudade que me assalta
Ai, essa vontade que me toma
Fico contando quanto tempo falta
Pra sentir de novo teu aroma

Ai, essa vontade de te ter
Ai, a saudade de teu calor
Vou definhando todo o meu ser
Pra enfim transbordar de amor



 Escrito por Vladimir às 21h54
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Os Produtores


Por falar em lembrança afetiva, eu e a Viviane assistimos ao musical Os Produtores (The Producers) aqui no Rio. Tirando a péssima acústica do Vivo Rio, que nos fez deixar de entender metade das falas, até que nos divertimos bastante. Miguel Falabella é ótimo nas improvisações, e o Vladimir Brichta e a Juliana Paes também estão bem, foi ótimo!

Tinha assitido ao filme antigo, do Mel Brooks, chamado Primavera para Hitler. É uma história de uma piada só, dos produtores que montam uma peça objetivando o fracasso para fugir com os investimentos. Mais recentemente, fizeram o musical de sucesso na Broadway e uma refilmagem, não vi nenhum desses. Mas, pela versão brasileira do musical, as sequências não mudaram muito, exceto que prolongaram um pouco o final.

Mas o que que eu queria dizer é que tive mais uma lembrança da minha infância: eu, assistindo o filme original na TV com meus pais, no final dos anos 70. No momento em que a peça dá errado (ou melhor, inesperadamente dá certo), entrou o comercial. Meus pais riam tanto, mas tanto, que passaram o intervalo inteiro gargalhando. Acho que foi a vez que vi meus pais mais rindo na minha vida.

Isso sim é uma bela lembrança afetiva.



 Escrito por Vladimir às 11h34
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Músicas Havaianas

Ultimamente, eu ando fuçando na web sobre música havaiana instrumental. Me deu a vontade de comprar CDs com melodias típicas do Havaí, com aquelas guitarras molengas (ukulele ou slack key guitar). Até o toque do meu celular é uma musiquinha dessas, justamente uma das mais conhecidas, Aloha Oe.

Em especial, eu andei procurando aquele som que tocava no desenho da Disney, onde Minnie e Donald dançavam o hula-hula. Lembrava que eles cantarolavam no final: “...na praia de Waikiki...”. Pois é isso mesmo, descobri, a música se chama On the Beach at Waikiki, santo google!

Outro dia pensei que esse meu interesse pode vir de uma lembrança infantil. É que na casa da minha avó tinha uma caixa de LPs dessa música havaiana. Ê nostalgia...

Próximo passo: comprar uns dois CDs com o melhor desse som. Tem coisa mais zen do que ficar ouvindo essas melodiazinhas?



 Escrito por Vladimir às 09h01
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Cadê a rima?

Outro dia eu estava vendo a Pitty na TV. Ela tem um som tão legal que é uma pena cometer, na minha opinião, o maior pecado dos compositores de hoje em dia: a ausência de rimas. Por que os artistas de hoje em dia acham que a rima é desnecessária? NXZero fez um dos maiores sucessos do ano passsado com os seguintes versos:

Entre razões e emoções a saída
É fazer valer a pena
Se não agora depois, não importa
Por você posso esperar

Cadê a rima, sô? O mesmo fenômeno acomete outros artistas de vários estilos, rock, axé, pagode, MPB, tudo! Legião Urbana carregava os chamados “versos brancos”, herança do modernismo, como um trunfo:

Sei rimar romã
Com travesseiro

Acho que isso contaminou alguns artistas dessa década. O problema é que poucos são geniais como Renato Russo.

Os Los Hermanos, principalmente nas composições de Marcelo Camelo, nos trouxeram rimas interessantes, como:

Olha lá
Quem vem do lado oposto
E vem sem gosto
De viver
Olha lá
Que os bravos são escravos
Sãos e salvos
De sofrer

Mas depois, adotaram um estilo totalmente livre, e meio que esqueceram das rimas:

Me diz o que é o sufoco que eu te mostro alguém
Afim de te acompanhar
E se o caso for de ir a praia
Eu levo essa casa numa sacola.

Hã?? Tem gente que venera, mas eu não. Aliás, foi por isso, não curti tanto o último CD dos Hermanos. Em matéria de rima, Chico Buarque é o mestre:

Meu caro amigo eu bem queria lhe escrever
Mas o correio andou arisco
Se permitem, vou tentar lhe remeter
Notícias frescas nesse disco

Chico sempre toma um cuidado especial com as rimas e as construções das estrofes, como em Mulheres de Atenas, que desfila dezenas de rimas coerentes para Atenas: cadenas, penas, morenas, etc, genial!

Mas não precisa ser da nata da MPB, como provavam alguns rappers, como Gabriel O Pensador e os ótimos Racionais MC’s:

Equilibrado num barranco incômodo, mal acabado e sujo,
Porém, seu único lar, seu bem e seu refúgio.
Um cheiro horrível de esgoto no quintal,
Por cima ou por baixo, se chover será fatal

Os Raimundos, inspiradores das bandas de rock brasileiras de hoje em dia, mandavam umas rimas bem legais, principalmente no início:

Que lhe peça pra limpar do mal
Que a tanto tempo assola a Terra,
Pra saber só quem erra
Que sangra o pé na subida da serra

Hoje em dia, que compositor trabalha com cuidado as rimas, seguindo a carpintaria de Chico? Acho que Edu Krieger é uma boa aposta. Olha só as rimas de Novo Amor, com o final do verso rimando com meio do verso seguinte:

A luz apaga porque já raiou o dia
E a fantasia vai voltar pro barracão
Outra ilusão desaparece quarta-feira
Queira ou não queira terminou o carnaval (...)



 Escrito por Vladimir às 17h15
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Lânguida

Uma palavra que eu adoro e esqueci de incluir na lista das preferidas é lânguida. Vejo nos dicionários que a palavra infelizmente tem sua origem com uma conotação bem negativa: “em estado de abatimento, de fraqueza física e psicológica, doente, mórbida”.

Mas, graças aos deuses da lingüística, depois evoluiu para um sentido mais positivo, como "com doce melancolia", "terno, doce, suave”, ou ainda “langorosa, preguiçosa". Finalmente, intensificou seu significado também para "sensual, voluptuosa". Hummm...

E descobri que pode aceitar o trema, adotando opcionalmente a pronúncia do u, assim: lângüida. Que bonitinho.



 Escrito por Vladimir às 08h37
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As Melhores Séries de Todos os Tempos

A revista Monet fez uma lista Top100 de melhores séries. Gostei de ver programas que eu gostava, como Profissão Perigo (MacGyver, n.o 39 no ranking), Jeannie é um Gênio (n.o 19), Married with Children (Um Amor de Família) (n.o 34), Batman (a série brega dos anos 60, n.o 16) e Casal 20 (na lanterna, n.o 100).

Séries mais modernas que eu me amarro não foram esquecidas, como CSI (n.o 17), ER (n.o 28), Gilmore Girls (n.o 53), Scrubs (n.o 95) e Nip-Tuck (n.o 58). A lista também incluiu séries brasileiras legais, como Os Normais (n.o 36), O Bem Amado (n.o 98) e A Grande Família (n.o 40).

Mas senti falta dos clássicos Ally McBeal e O Incrível Hulk. Esqueceram também de Smallville, Alias; e de algumas com as quais tive ligação afetiva, como Veronica’s Closet, Spin City, Poirot de Agatha Christie e Remington Steele (alguém se lembra? Era uma imitação de A Gata e o Rato, dos anos 80, com o Pierce Brosnan...).

Veja o Top10 da revista (com os meus comentários):

Top10 Monet:

 

1. Seinfeld (Concordo plenamente! É certamente a melhor série de todos os tempos. Assisto e reassisto com prazer!)
2. Lost (De fato, muito legal, mas foi muito melhor na primeira temporada, depois caiu um pouco. O mesmo diria para Heroes, n.o 23, e Desperate Housewives, n.o 43.)
3. Twin Peaks (só assisti o primeiro episódio, assim mesmo cheio de cenas cortadas pela Globo. Lembro que não entendi nada, mas vale uma revisita...)
4. Friends (Concordo que merece estar entre as melhores. Mas acho que deveria ter acabado três temporadas antes, no final estava bem caricaturesca.)
5. Família Soprano (Só estou assistindo agora, em DVD. Estou gostando, mas  estou no início da terceira temporada, então ainda não dá pra me apaixonar como a maioria.)
 

6. Sex and the City (Gostei muito, vale a posição no ranking.)
7. 24 Horas (Adorei, certamente é uma de minhas favoritas.)
8. House (É a série que mais gosto hoje em dia!)
9. Os Simpsons (Muito bom! E no último ano tenho gostado ainda mais, por causa da vegetariana Lisa, que me faz lembrar minha noivinha Viviane.)
10. Agente 86 (Eu adorava quando era criança, mas acho que envelheceu.)

Então, deixa eu fazer a minha lista, posso eu? A lista da Monet incluiu programas que eu era apaixonado como o humorístico TV Pirata (n.o 70) e o desenho Beavis and Butthead (n.o 50), mas não concordo que essas sejam “séries”, então não incluo na minha lista. Segue meu Top10:

Top10 Vladimir

 

1. Seinfeld (n.o 1 também na Monet, realmente um classicaço! Jerry, George, Krammer & Elaine rule!)
2. 24 Horas (n.o 7 na Monet, um primor de roteiro e emoção. Algumas temporadas, como a segunda, terceira e quinta foram memoráveis!)
3. Ally McBeal (lamentável não estar no Top100 da Monet. Comédia, romance, casos criativos de tribunal, cinismo, música boa e personagens bizarros. Muito bom!)
4. House (O Sherlock Holmes da medicina, consegue melhorar a cada episódio, com humor negro impagável e roteiros que são uma obra-prima!)
5. A Gata e o Rato (n.o 30 na Monet, um marco das séries, uma das primeiras a incluir diálogos rápidos e afiados, que são um padrão até hoje.)

 
6. O Incrível Hulk (outra ausência que senti na lista da Monet. Inesquecíveis as cenas do gigante verde botando pra quebrar e de David Banner e sua mochila pedindo carona no final, ao som daquela musiquinha triste...)
7. Monk (n.o 68 na Monet. Mais um estilo Sherlock Holmes, mais com um toque de comédia devido às manias obsessivas do protagonista.)
8. Arquivo X (n.o 13 na Monet. A química entre os protagonistas é a melhor de todos os tempos, e os roteiros de mistérios permeando as temporadas anteciparam as melhores séries de hoje em dia.)
9. Terra de Gigantes (n.o 41 na Monet. Simplesmente inesquecíveis os “pequeninos” subindo nas mesas gigantes com alfinete e linha!)
10. Chaves (Isso, isso, isso! Com essa, fecho com “chaves” de ouro (ugh!) a minha lista. Logicamente, passou longe da lista da Monet. Mas fazer o quê, se eu me amarro nessa coisa tosca?)



 Escrito por Vladimir às 08h49
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Canto do Vladimir

Perfil
Nome: Vladimir Batista
Idade: 37
Nasceu: Goiás
Mora: Rio de Janeiro
email: vladimir.batista@gmail.com

Conteúdo
Blog de Vladimir Batista, 37, sobre cinema, curiosidades (etimologia (origem das palavras), dicionário, cultura inútil, rankings (top10, top5,...)), música, TV, literatura, minhas criações (letras, poemas, contos, romances, novelas, roteiros de cinema, argumentos), atualidades, minha vida, etc...


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