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Flor da pele

Acho curiosa a expressão flor da pele. De onde ela vem e o que significa? Da expressão nervos à flor da pele, intui-se que quer dizer à superfície, com os nervos expostos. O mesmo com relação a ter sensibilidade à flor da pele, ou seja, emocionar-se com facilidade, ter a emoção na superfície. Mas por que flor teria esse significado, de superfície?
No Houaiss, uma das acepções de flor é “parte exterior do couro”, o que não me parece satisfatório. Acho que há ainda alguma origem diferente por trás dessa expressão, talvez alguma característica de alguma planta, ou algum termo da medicina, ou até um delírio de algum poeta...
Vou às poucas referências que tenho. Um dos meus filmes favoritos, do chinês Wong Kar Wai, teve o título traduzido para Amor à flor da pele, embora o original seja In the mood for love, algo como “Com Disposição para o Amor”. No filme, o amor está subentendido, o que nos faz questionar a idéia de superfície. Mas podemos pensar em flor da pele com um significado mais complexo, como se o amor estivesse já à pele, mas não conseguisse explodir em paixão carnal. A pele seria a barreira final para a expressão do amor, e cada um dos amantes reteriam essa febre para si.
Chico Buarque numa das versões de O que Será, traduz algo assim:
O que será que me dá Que me bole por dentro, será que me dá Que brota à flor da pele, será que me dá E que sobe às faces e me faz corar
Hummm, boa! De uma forma mais singela, Zeca Baleiro descreve gostosamente:
Ando tão à flor da pele que qualquer beijo de novela me faz chorar
É... Flor da pele acaba por se definir por uma sensação que está dentro da gente e que não conseguimos disfarçar, que floresce, ora sutil ora descaradamente, denunciando essa sensibilidade. Pode ser assim?
Escrito por Vladimir às 07h41
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Como Gostais, de Shakespeare

Uma das obras que eu morria de curiosidade por ler era a peça Como Gostais (As you like it) de Shakespeare, principalmente por causa da personagem principal Rosalinda, considerada a melhor personagem feminina do bardo. Não se acham traduções, então tentei ler o original em inglês, mas desanimei. Finalmente achei e comprei o DVD do filme de 1936, com um jovem Laurence Olivier. Adorei!
Num reino antigo, os jovens Rosalinda e Orlando se apaixonam mas acabam, por motivos diferentes, refugiados numa comunidade no bosque onde ela se fantasia de homem (Ganimedes) para dificultar eventuais buscas à sua pessoa. Achei duas coisas apaixonantes na estória. Primeiro, as poesias que Orlando deixa espalhadas na floresta com rimas para sua amada Rosalinda, com direito a incrições do nome dela nos troncos (tem algo mais romântico que isso?).
Mas o melhor é o reencontro dos dois, quando o “rapaz” Ganimedes faz um jogo curioso em que, a título de, digamos, terapia, convence Orlando a cortejá-lo fingindo que ele é uma mulher - a própria Rosalinda que a é na realidade. Ou seja, uma mulher fantasiada de homem fingindo que é uma mulher. Jorge Furtado lembra em Trabalhos de Amor Perdidos que na época de Shakespeare os atores eram todos homens, ocorrendo na encenação, então, um homem fantasiado de mulher, fantasiado de homem, fingindo que é uma mulher. Dá pra entender? A personagem é fascinante mesmo, mas mais ainda é esse jogo misógino.
No entanto, no filme, não há efeito de maquiagem, então está na cara que Ganimedes é uma mulher, o que foi um pouco frustrante para mim. Sei que há uma refilmagem recente de Kenneth Branagh (infelizmente não passou nos cinemas nem há em DVD) com a Bryce Dallas Howard (A Dama da Água) como Rosalinda. Será que ela convence nesse difícil papel?
Fiquei imaginando uma nova refilmagem sob o ponto de vista de Orlando. Ele fascinado com aquele rapaz que finge ser a sua exigente amada. Pensei até em Orlando conseguindo se esquecer de Rosalinda e se angustiando ao descobrir sentimentos impossíveis por Ganimedes, algo como um Riobaldo por Diadorim. Talvez deixando até o público (e o final) em suspense se Ganimedes é ou não é Rosalinda. Seria possível?
Escrito por Vladimir às 07h20
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Novo album da Suzanne Vega!
Depois de seis anos, a minha ídola há vinte anos, a cantora novaiorquina Suzanne Vega vai lançar um CD novo em julho. Olha só a capa, que bonita.

Já tem uma bela música disponível para ouvir no site dela (http://www.suzannevega.com/ ), chamada Frank & Ava, provavelmente se referindo a casal Frank Sinatra e Ava Gardner, né?
Escrito por Vladimir às 08h22
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A minha canção para Iaiá
A canção Iaiá do Cais Dourado, do Martinho da Vila, brinca com o casamento de sonoridade de “Lalaiá” e de “Iaiá”. Segue um poeminha que fiz para a minha Iaiá pegando o mesmo mote. Feliz Aniversário de 4 meses, Iaiá!
Canção para Iaiá (Vladimir – 18/Abr/2007)

Já esperei por quinze anos Para ter essa que eu amo Nos meus braços
Pois basta dessa espera, Nem mais uma primavera Eu passo
Sem minha Iaiá querida, A que salva a minha vida Com um abraço
Iaiá, põe aí no caderno: Já já vamos tornar eterno Nosso laço
Vem pra cá, Iaiá Sem adiar, Iaiá Me guiar, Iaiá Saciar, Iaiá
Vem pra cá, Iaiá Vem miar, Iaiá Assobiar, Iaiá Lalaiá Iaiá
Lalaiá Iaiá Lalaiá Iaiá
Que futuro se delineia Quando chegar a Lua Cheia Na nossa vida
Muito carinho e afeto Recheiam o nosso projeto A nossa lida
Com Aiaiais sutis É a Iaiá quem diz Na medida
Que viveremos delícias De chamegos, de carícias Coloridas
Vem pra cá, Iaiá Sem adiar, Iaiá Me guiar, Iaiá Saciar, Iaiá
Vem pra cá, Iaiá Vem miar, Iaiá Assobiar, Iaiá Lalaiá Iaiá
Lalaiá Iaiá Lalaiá Iaiá
Escrito por Vladimir às 07h07
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Cinema 2007 até agora
Dos 23 filmes que postei em janeiro, como o Top20 dos que eu mais tinha expectativa em ver em 2007, 14 já estrearam no circuito, porém eu vi somente dez. Perdi Fur (A Pele), com a Nicole Kidman; Hollywoodland, com Ben Afleck; Maria Antonieta, com a Kirsten Durnst e Número 23, com Jim Carrey. Seguem alguns comentários dos que vi:
A decepção:
300 – Realmente esperava muito mais dessa experiência visual. As melhores cenas já tinha visto no trailer e o filme não apresentou nada de arrebatador, como eu esperava. Rodrigo Santoro, sorry, está constrangedor.
Os filmes bons, mas que não surpreenderam:

Pecados Íntimos – Embora um tanto longo, tem cenas inesquecíveis, principalmente do ator que faz um pedófilo e a presença magnífica de Kate Winslet que se revela uma das melhores atrizes de nosso tempo.
Dreamgirls – é um bom filme, com boas músicas, mas longe do meu estilo favorito de musical (gosto do estilo Fred Astaire / Ginger Rogers). Jennifer Hudson, ganhadora do Oscar, está realmente bem, mas tem horas que ela grita tanto na música que incomoda.
A Rainha – Talvez o filme seja realmente muito bom para quem é fascinado pelo tema “Família Real / Princesa Diana”. Mas a mim achei somente interessante, e realmente fiquei incomodado com o fato de colocar Tony Blair num pedestal. Depois ele se revelaria um fraco e retrógrado no episódio da Guerra do Iraque.
Apocalypto – Não deixa de ser uma interessante visão da civilização maia; além de uma boa aventura. Mas achei que faltou criatividade nas cenas de ação.
Conquista da Honra – é um filme sobre uma foto, mas definitivamente não é um filme de guerra. Por isso, houve uma quebra de expectativa que não me permitiu gostar tanto desse bom longa.
Cartas de Iwo Jima – Esse sim é um bom filme de guerra, de fato melhor que Conquista da Honra, mas ainda assim, não supera os melhores do gênero.
Os filmes que não estavam na lista de expectativa, mas me amarrei:

Sunshine – Alerta Solar – ficção científica ao estilo de 2001 – Uma odisséia no Espaço. O mais legal do filme é a reverência que ele faz ao Sol, apresentado quase como um personagem, como um deus poderoso.
Scoop – o grande furo. Woody Allen ainda manda muito bem na comédia. E de quebra temos a Scarlett Johansonn.
Os melhores filmes de 2007 que vi até agora:
Babel – eu gostei tanto desse filme sobre várias culturas e com cenas inesquecíveis, que achei que ia ser um favorito inquestionável entre a crítica e público ao Oscar. Não foi nem um pouco essa unanimidade , teve seus defensores e detratores. Eu continuo achando o melhor filme do ano até agora.

Borat – Acho que fazia décadas não ria tanto num filme, se é que já ri tanto assim. Essa pegadinha tamanho família é muito muito engraçada.
O último rei da Escócia – Soberba interpretação de Forrest Whitaker das contradições do ditador Idi Amin Dada. O filme tem também um roteiro encaixando bem os fatos históricos, as lendas e as tramas adaptadas, envolvendo Amin e o rapaz personagem-observador.
Mais Estranho que a Ficção – um dos melhores roteiros metalinguísticos que já vi, muito engraçado e com personagens bem cativantes.
Da minha lista, ainda estou super-curioso (dos que faltam estrear):
Duro de Matar 4 Homem-Aranha 3 My Blueberry Nights GrindHouse Curse of the Golden Flower Bee Movie Os Simpsons, o filme
Escrito por Vladimir às 07h43
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Iaiá

Chamo a minha Viviane de Iaiá, o que me fez investigar melhor essa palavra. Segundo o Houaiss, a teoria mais aceita é que o tratamento senhora transformou-se em sinhá, depois nhá, iá e finalmente duplicando com iaiá. É um tratamento dado às moças e meninas, válido portanto como um toque carinhoso para a minha pequena grande mulher.
Googlando Iaiá, o resultado mais comum é o livro Iaiá Garcia, do Machado de Assis, que ainda não li. Fiquei até curioso para conhecer a Iaiá da literatura.
Há também o termo Iaiá de Ouro, uma feiticeira do folclore brasileiro (!) ou um tecido (uma chita vermelha com bolinhas amarelas), havendo também a Iaiá de Prata, a mesma chita, mas azul com bolinhas brancas. Até imaginei a Viviane em um vestido com um desses tecidos, rsrs.
Músicas com Iaiá, eu me lembrei de quatro:
1) O indefectível “Meu Iaiá, meu Ioiô” do Wando. (aliás, por que “meu” Iaiá e não “minha” Iaiá?)
2) Uma marchinha antiga de carnaval que já havia postado aqui: “Iaiá, cadê o jarro? / O jarro que eu plantei a flor? / Eu vou te contar um caso / Eu quebrei o vaso / E matei a flor”.
3) Os “Quindins de Iaiá”, de Ary Barroso, imortalizada pela Aurora Miranda num filme do Zé Carioca (também já comentei aqui).
4) E uma do Zeca Pagodinho: “Iaiá! (ô, Iaiá!) / Minha preta não sabe o que eu sei / O que vi nos lugares onde andei / Quando eu contar, Iaiá, você vai se pasmar”. Gosto particularmente dessa última porém, apesar do refrão carinhoso, ela é mais realista do que romântica.
Ainda no Google, achei outras canções que eu não conheço, muitas marchas de capoeira, alguns sambas. Destaco:
5) Uma viajante do Los Hermanos “Retrato para Iaiá”. É interessante, mas Iaiá é só a primeira palavra da letra, não é importante.
6) Um samba tradicional, gravado por vários (como Clementina de Jesus e, mais recentemete, Mônica Salmaso): “Eu moro na roça, Iaiá”.
7) Mais uma marchinha do Ary Barroso: “Iaiá Boneca”. Embora o adjetivo boneca hoje tenha ficado meio estranho, essa é a letra que achei que mais faz jus ao tratamento, inclusive brincando com a semelhança de sonoridade entre “Ai,ai” e “Iaiá”: “Dona do meu coração / Ai ai como é bonita / Ai ai como é formosa / Ai ai Iaiá boneca é um botão de rosa / Iaiá me dá uma esmolinha / Dos beijos teus pelo amor de deus”
8) Um samba enredo, Iaiá do Cais Dourado, do Martinho da Vila, também brinca com essa sonoridade: “Ficou com o seu povo a cantar... / Laiá, Laiá, iaiá iaiá”
Acho que é por aí, mas Iaiá, palavrinha com uma sonoridade tão naturalmente contagiante ainda merece uma canção definitiva, né? Hum, posso tentar eu dar pelo menos uma contribuiçãozinha a esse cancioneiro?
Escrito por Vladimir às 07h33
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Dublagens

Por algumas vezes, num mal dublado desenho do Hulk que eu estava assistindo com a Viviane, algum personagem deixa escapar um indefectível: “Oh, sim!” Ficamos nos divertindo com a expressão, comum em inglês (Oh, yeah!) porém pouquíssimo comum no português falado. Deviam ter traduzido para “Ah, é!”, ou algo assim...
Há outras expressões comuns em dublagens mas praticamente inexistentes nas falas reais, como “traseiro” (lembrei-me agora do Fucker and Sucker, “mexa esse traseiro gordo!”).
Falando nisso, “tira” é outro exemplo. Você consegue imaginar um bandido brasileiro, falando: “Ei, acho que esse cara aí é um tira!”.
Ultimamente, ando intrigado com outra expressão comum em dublagens, a locução “por assim dizer”. Pra falar a verdade, nem sei qual o equivalente em inglês, mas acho ninguém mais fala isso, né?
Escrito por Vladimir às 07h44
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Nunca li... Mas me amarro!
Já li todos os contos do precursor da arte da dedução, o detetive C. Auguste Dupin, de Edgar Allan Poe. Li também vários sucessores de Sherlock Holmes, como dezenas de livros (e filmes) com Hercule Poirot e Miss Marple da Agatha Christie. Li também um ou outro Maigret, alguns do brasileiro Detetive Espinoza, o noir Sam Spade, entre outros vários livros policiais...
Vi acho que um só filme com Sherlock há muito tempo, se não contarmos o ótimo e divertido O Enigma da Pirâmide e a razoável paródia Xangô de Baker Street.
Hoje em dia, eu simplesmente me amarro em séries com toques sherlockianos como Monk, CSI, House...
Além disso tudo, vi um documentário sobre a vida do médico que inspirou Sir Arthur Conan Doyle a criar o detetive.
Ah, e acabei de lembrar que até uma musiquinha infantil chamada Sherlock Holmes II eu compus quando eu era criança pequena lá em Anápolis. O refrão era impagável:
Eu sou Sherlock Holmes II Tenho a força de três bois (!) Investigo até o fundo Sou o melhor detetive do mundo
Ai, ai, bons tempos...
Mas tudo isso é pra dizer que, por incrível que pareça, eu NUNCA li um livro ou um conto sequer de Sherlock Holmes! Não sei porque isso aconteceu, mas estou corrigindo essa grave falha agora. Peguei para ler um livro que a Valquíria me deu há um tempo, o primeiro volume de uma série com toda a obra comentada (ou seja, cheio de notas explicativas). Parece ótimo!

Depois de tanto saber sobre o genial detetive, espero que não me decepcione com os livros propriamente ditos, né?
Escrito por Vladimir às 08h24
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Balada balançada

Sensação cool também foi num cruzeiro em um transatlântico que fiz com a minha família em dezembro.
Mais precisamente na Disco do barco, onde eu dançava depois de umas muitas taças de espumante. Ao som alto, às luzes piscando e à tonteira pela bebida, acresceu-se o balanço contínuo e intenso do barco. A cada chacoalhada, todos na pista quase caíam rindo e exclamando “Uôôôôôôôôu!”. De minha parte, quando eu cambaleava, eu nunca sabia se era por causa das taças tomadas ou do balancê mesmo.
Nunca uma balada na disco foi tão divertida!
Escrito por Vladimir às 07h11
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Canto do Vladimir
Perfil
Nome: Vladimir Batista
Idade: 37
Nasceu: Goiás
Mora: Rio de Janeiro
email: vladimir.batista@gmail.com
Conteúdo
Blog de Vladimir Batista, 37, sobre cinema, curiosidades (etimologia (origem das palavras), dicionário, cultura inútil, rankings (top10, top5,...)), música, TV, literatura, minhas criações (letras, poemas, contos, romances, novelas, roteiros de cinema, argumentos), atualidades, minha vida, etc...
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