Canto do Vladimir


Acalanto, Acalentar, Acariciar, Bajoujar

Há uma música não muito conhecida, cantada por Zeca Pagodinho e Beth Carvalho, cujo delicioso refrão é o seguinte:

Vem pros meus braços
Meu amor, meu acalanto
Leva esse pranto
Pra bem longe de nós dois
Não deixe nada pra depois
É a saudade que me diz
Que ainda é tempo de ser feliz

Pois na minha lista de palavras mais bonitas da língua há a bela Acalanto, incluindo suas variações acalento, acalantar, acalentar. Folheando o meu livrão Houaiss, olhem só a principal definição de Acalentar:

Acalentar. vtd. Aquecer nos braços, aconchegando ao peito e cantando em surdina; embalar, adormecer ou fazer adormecer ao som de cantilenas ou cantigas de ninar.

Humm, dá pra entender por que eu adoro essa palavra, né, só de conter na definição “aquecer nos braços”,  “aconchego ao peito” e “cantilenas  ou cantigas de ninar”, na mesma frase, tinha de ser linda mesmo...

O curioso é que a origem de Acalentar é controversa: uns acham que vem do latim calente (quente,  de onde tem-se o espanhol caliente), pelo fato de significar “aquecer nos braços”. Outros acham que vem de “calar” somado a “lento”, significando algo como “lentamente fazer dormir”.

De Acalentar, fui passear no Houaiss pela definição de Acariciar, cujos sinônimos achei bem peculiares, um monte de palavras que eu nunca tinha ouvido falar, vejam:

Acariciar
Sinônimos:
Acarinhar, acocar, acocorar, acofiar, afagar, agalimar, alisar, ameigar, amimar, anediar, apanicar, bajoujar, cofiar, embalar, encolar, mimar, rafiar, roçar

Mimar e acarinhar eu já conhecia, claro, palavras tão gostosas...
Acocorar? Agalimar? Apanicar?  Que horror!
E ameigar e encolar, que vêm de meigo e colo? Não conhecia essas variações...

Mas adorei mesmo foi Bajoujar. Bonitinha e boa de falar: bajoujar, bajoujar, bajoujar...



 Escrito por Vladimir às 07h14
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E os meus ouvidos ficam sorrindo...

 

A primeira vez que ouvi a música Carinhoso, de Braguinha e Pixinguinha, foi na propaganda do Chambinho, o queijinho do coração. Na minha pequenice já me admirei com a beleza da letra, e achei genial a solução visual para o verso “e os meus olhos ficam sorrindo”, com a criancinha desembaçando a janela e seus verdes olhos radiantes iluminando a cena. Percebi que era possível aos olhos também sorrirem. E aos ouvidos, é possivel sorrir? Braguinha e James Brown provaram que sim.

Aprendi a gostar de James Brown lendo o livro The Commitments, que deu origem ao filme de mesmo nome, que por sua vez está no meu Top20 de todos os tempos. Lá era explicado a soul music como vinda justamente da "alma" da classe trabalhadora, que também tem direito à alegria, por que não? De longe, as músicas de Brown parecem iguais: ele canta um verso, quase falado, e os metais (instrumentos de sopro) respondem com um toque. Mais um verso, mais um toque, embalados sempre por uma guitarrinha dedilhada:

Say it loud! Parararam
I’m black and proud! Parararam

Quando percebemos, há uma linha rítmica e melódica evoluindo. O ritmo era valorizado como nunca havia sido visto. Era o funk que nascia, pai da Disco, do rap, do hip hop, de Jorge Ben e todo o samba-rock, do Miami Bass (funk carioca), do mangue-beat, do rap-rock... James Brown nos ensinou que o ritmo às vezes é tão importante quanto os versos ou a melodia, desde que tenha uma linha contagiante. Além disso, o funk de Brown é pai da Timbalada e outras batidas (as de raiz) da Axé Music.

Braguinha também influenciou a Axé Music. Ele não foi o inventor das marchinhas de carnaval, mas foi o maior expoente. As marchinhas consolidaram a tradição do samba de roda e do samba duro, esses sim pais do melhor do pagode baiano. Além de influenciarem o frevo, o samba-enredo e o próprio samba de raiz, como o partido alto, entre outros.

Tanto James Brown quanto Braguinha fizeram sucesso com letras às vezes ingênuas, às vezes engajadas, mas sobretudo com muito ritmo e alegria. E estão aí para provar que os ritmos populares, tão criticados, podem ter origem nobres, de dois reis da música moderna que morreram deixando nossos ouvidos sorrindo de orelha a orelha.



 Escrito por Vladimir às 08h28
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Um conto de Natal

A manhã de Natal brilhava e aquele homem estava sentado num banco do calçadão de Copacabana pensando que felicidade poder curtir a sua velhice naquela praia, naquela cidade maravilhosa. Nos finais de ano, ele sempre ficava nostálgico, mas também procurando apreciar a sua longa vida. Ele não era carioca, na verdade nem se lembrava como um dia fora parar no Rio, mas agora era sua cidade, onde morreria feliz. Foi quando ele viu se aproximar aquela viúva miudinha, vaidosa e enxuta, no alto dos seus... setenta anos, talvez? Apesar dos movimentos lentos e do corpo encurvado da senhora, podia-se notar vestígios de uma mulher charmosa que já deve ter arrasado muitos corações. O senhor teve a impressão que já tê-la visto, será que se conheciam?, como ele sabia que ela era viúva, diabos, sua cabeça velha estava cada dia pior, e ficou na dúvida se a cumprimentava ou não.

- Bom dia, Seu Iuri, feliz Natal! - disse ela surpreendentemente, de uma maneira amável.
- Bom dia, como vai? Feliz Natal pra senhora também, Dona Cláudia - ele respondeu de pronto, e assustou-se com as próprias palavras.

Claro!, que tolice, Seu Iuri conhecia sim sua velha amiga, Dona Cláudia, aquele sol devia estar fritando seus miolos. Aliás, que linda, né, ele ficou reparando na beleza daquela senhora, olhava meticulosamente para cada gesto, cada sorriso, como se fosse uma criança admirando uma imagem do menino Jesus no presépio, atentando-se aos detalhes e enchendo-se de um espírito de total deleite.

Quando ela se sentou ao seu lado, Seu Iuri ficou todo atrapalhado. Os olhos umedeceram e ele respirou fundo duas vezes pela boca, sem fôlego, o que era aquilo? Seu Iuri sentiu algo que há muito tempo não sentia, se é que algum dia já tivera isso: um vazio no estômago, o sangue acelerando. Um simples resvalo das pontas dos dedos de Dona Cláudia em seu ombro fê-lo arrepiar inteiro. Será que ele estava apaixonado a aquela altura da vida? Será que a ele ainda era permitido o amor, a paixão? Num estalo, em pleno dia de Natal, aquela pequena mulher de olhos encantadores tinha se tornado a razão de sua vida, linda, cativante e "jovem". Será que ele deveria falar alguma coisa? Ah, maldita timidez, nem tão perto da morte ela tirava sua sombra sobre Seu Iuri! Então, ele percebeu que Dona Cláudia também aprisionava palavras por muito tempo, pois ela despejou, como um alívio, quase uma bronca:

- Olha, meu velho amigo, eu vou ter de falar, já que o senhor não fala nunca e mais um ano está terminando. Nós nos conhecemos há tanto tempo, eu sei que o senhor tem o maior apreço pela minha pessoa, nossas famílias estão formadas, com a graça de Deus, e... - hesitou por um longo minuto, durante o qual ambos pareciam que não respiravam, e subitamente completou - Ah, meu velho, o fato é que... eu te amo! Entendeu? Eu-te-a-mo, com toda a minha alma!!

Aquelas palavras saíram daquela boca enrugadinha e charmosa como um raio para Seu Iuri. Ele nem deixou ela falar mais, reuniu toda a coragem de sua longa vida, colocou seus dedos delicadamente sob o queixo dela e o conduziu para si. Deram um selinho demorado, perfumado. Para o coração de Seu Iuri, era como se ele fosse um adolescente se desvirginando; ficou encantado, nervoso, feliz, muito feliz. Feliz por estar ao lado daquela mulher linda, feliz por estar no Rio de Janeiro naquele Natal inesquecível, feliz pelo fato de que, apesar de toda a dificuldade dos velhinhos no Brasil, a sua vida ali parecia era um sonho e...

- Acorda, Noel, acorda! - cutucou um bem-humorado duende, despertando o bom velhinho - Sonhando de novo? Fica aí lendo esses guias turísticos do Brasil, é isso que dá. Estamos atrasados com a fabricação dos brinquedos...

Papai Noel colocou seus óculos, olhou ao seu redor e teve um arrepio com o gelo que era a sua solidão polar. Mas, pelo menos, era mais um dia que ele acordava com aquele sorrisinho estranho nos lábios.



 Escrito por Vladimir às 08h36
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Uma personagem que nunca aparece

Sempre acho interessante quando ouvimos a voz de um personagem na TV ou no cinema, mas nunca o vemos. Tal como o chefe de George Constanza em Seinfeld ou os adultos de Snoopy, que, além de não aparecerem, só balbuciam algo como pópópó-pópópó.

No curioso Por um fio, o vilão no telefone quase comete a proeza de não aparecer o filme todo. Infelizmente, vemos no final que se trata do Jack Bauer, provavelmente cansado de tanto exigir de Chloe “Preciso que me conecte com o presidente, and I need it NOW!”

Em sua obra-prima Amor à flor da pele (In the mood for love), Wong Kar Wai nunca mostra o marido da Maggie Cheung e a mulher do Tony Leung. Solução genial para nos fazer identificar com aquele estranho mundo à parte do casal de protagonistas.

Mas acho que o melhor personagem que nunca se revela está no filme de François Truffaut  "O Homem que amava as mulheres", diversos episódios sobre as mulheres da vida de um galante protagonista. Entre uma mulher e outra, ele recebe todos os dias às 7hs o telefonema do disk-despertador. Acaba simpatizando com a voz de uma das telefonistas. A cada chamada, ele vai puxando conversa, flertando com ela. Atribui-lhe o nome de "Aurora", por sempre ligar ao amanhecer.

Ela não diz seu nome real, nem lhe dá nenhum dado seu. Mas é carinhosa, chama-o de preguiçosinho: "Acorda, Preguicosinho!". Um dia, ela liga às 7 e ele nem tinha ido dormir e os dois conversam de maneira amigável. Outro dia, ela liga às 3 da manhã, dizendo que já são 7hs. Esclarecida a brincadeira, ela revela que fez isso porque "se sentiu sozinha". Outro dia, ela conta que sabe o endereço dele e um monte de outros dados. Até diz que "a quantidade de moças diferentes que entram na sua casa a cada semana é um escandalo!". Aurora é fascinante: ao mesmo tempo que nunca se revela, vai dando corda, despertando o interesse, se envolvendo de formas inesperadas. Ele, então, a intima a terem um encontro em um café. Ela reluta mas aceita e o homem fica bem entusiasmado. Porém, nesse mesmo dia, ele acha um bilhete em seu carro: "Preguiçosinho, não vai dar para haver o encontro, Beijos, Aurora". E assim, o episódio dos dois acaba.

Nunca ficamos sabemos se ela era tímida ou se estava brincando com ele; se ela estava controlando a situação ou estava perdendo o controle, ou tudo-ao-mesmo-tempo-agora. Pensando bem, esse mistério acontece com as melhores mulheres. Como na Catherine de Jules e Jim, Truffaut usa Aurora, uma personagem que nunca aparece, como mais uma metáfora do que se passa na cabeça das mulheres, esse sim o grande mistério que nunca é desvendado.



 Escrito por Vladimir às 18h17
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Lista de Presentes que eu gostaria de ganhar

CD Moptop – Moptop
CD Christina Aguilera – Back to Basics
CD Zeca Pagodinho – Acústico II Gafieira
CD Maria Bethânia – Pirata
CD Maria Bethânia – Mar de Sophia
CD Wolfmother - Wolfmother
CD Edu Krieger - Edu Krieger

     

   

 

DVD Make it Funky – Os Ritmos de New Orleans
Box DVD – Jazz –Um filme de Ken Burns
Box DVD – As Aventuras do Super Homem – 1.a Temporada Completa
Box DVD - 24horas - 1.a Temporada
Box DVD - Coleção Spaghetti Western - Sergio Leone

 

   

Livro – Décima Segunda Noite – Luiz Fernando Veríssimo
Livro – Plano de Ataque – Ivan Sant’Anna
Livro – Teatro em Versos – Vinícius de Moraes

   



 Escrito por Vladimir às 14h02
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Uma canção para despertar

O Almodóvar é craque em criar situações em tese condenáveis, mas nos fazer achá-las normal. Em Fale com Ela, o enfermeiro cuida com afinco da bailarina, por quem sempre teve um intenso amor platônico e que está em coma há anos. Ele exercita o corpo da moça, cuida de sua aparência, conta-lhe os filmes que assiste. Até que a paciente engravida e se descobre que ele próprio havia cometido a atrocidade de ter feito sexo com ela naquele estado. O que acontece a seguir é irônico: o ato de dar a luz dá um choque no organismo dela que faz com que acorde do longo coma. Isso não é irreal, houve um caso verdadeiro de uma mulher que ficou em coma grávida e despertou ao dar a luz (o que inspirou Almodóvar). Além disso, no filme, o fato do cara ter exercitado o corpo dela durante o coma faz com que a moça volte a ser bailarina normalmente. Ele cometeu o mais deplorável dos crimes mas devolveu a vida a ela, em um truque genial de roteiro do cineasta.

Lembrei disso porque li ontem uma notícia emocionante no Terra. Uma senhora chinesa entrou em coma em 1996, e o marido, de 75 anos, casado há 50, resolve aprender a tocar teclado e começa a compor canções para ela. Por longos dez anos, todos os dias ele vai lá mostrar seu aprendizado, tocar e cantar para ela. Até que, na semana passada, enquanto ele está cantando uma música que fez para sua amada, ela desperta do coma e diz o nome do marido querido. Emocionante, né?

Por minha conta, imaginei um floreio para essa história. Ele vai compondo várias músicas, mas trabalha especialmente nA canção especial, aquela “perfeita” para a sua amada. Ele sente que essa música existe e tenta captá-la no ar, na alma, nas memórias dos dois. Por uma década, evolui devagarinho, muda os versos, troca palavras, muda o tom, começa tudo de novo. Fica obcecado pela música, briga com toda a família e amigos, com Deus, e até com ela. Até que um dia lembra alguma palavrinha que ela havia dito en-passant, ou um assovio distraído de sua mulher, e acha a chave para finalizar a canção. Ele passa a cantá-la para ela, mas nada acontece. Ele insiste por dias, meses, até que um dia... o milagre acontece...

Poxa, aqui realmente cabe a famosa expressão “daria um belo filme”, né?



 Escrito por Vladimir às 07h32
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Paixão é bom ou é ruim?

Maracujá em inglês é passion fruit, assim como a flor do maracujá é chamada de passion flower. Para ela em português também existe flor-da-paixão. Mas os românticos sempre se decepcionam quando descobrem que ela tem esse nome por ter o formato da cruz, lembrando a Paixão de Cristo

Lembrei disso, ao rever na TV cenas de A Paixão de Cristo do Mel Gibson, filme que pode concorrer com Jogos Mortais e O Albergue na categoria “Litros de Sangue”. O fato é que, no livrão Houaiss, a palavra paixão na maioria das acepções vem justamente do martírio de Jesus, e evoluiu para sofrimento, hábito ou “vício dominador”, até chegar ao sentimento amoroso “que ofusca a razão”. Curioso que na variação “apaixonar” o sentido é bem mais positivo, diz-se que é inspirar ou sentir “amor intenso”. Paixão é negativo, mas apaixonar-se é positivo? Acho que isso diz muito sobre a ambigüidade desse sentimento. É bom, mas dói. Quando eu era criança pequena lá em Anápolis, eu já achava estranho durante os eventos da semana santa que aquele calvário de Jesus fosse chamado de “paixão”. Mas acho que no fundo eu até compreendia, pois desde essa época eu já tinha lá minhas paixõezinhas platônicas e sofria um pequeno martírio pelas Lúcias da minha infância.



 Escrito por Vladimir às 07h27
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Gestos românticos

Num certo momento da série Sex and the City, o público se lamentava que Carrie e Aidam haviam se separado e ainda estava com raiva do Mr. Big por tudo que ele havia aprontado para ela. Em um episódio emblemático, Big está de mudança e, ao ajeitar seus LPs antigos, ensina Carrie a gostar de Henry Mancini, autor de trilhas maravilhosas como Moon River, de Bonequinha de Luxo (Breakfast at Tiffany’s), da Audrey Hepburn. Os dois dançam. No final, o eterno par de Carrie se vai e deixa para ela uma vitrola tocando um LP de Mancini e uma passagem de ida e volta, com o bilhete: “para quando se sentir só”. Pela primeira vez, gostei de Big e de seu gesto romântico.

Imagino o quão complicado é para os roteiristas de séries e novelas mudarem a impressão impregnada do público sobre um personagem. O personagem tem de caprichar para ganhar os pontos perdidos em tanto tempo.

Essa semana teve mais uma dessas. Na nova temporada em Gilmore Girls, com todo mundo na eterna torcida por Lorelai e Luke, os roteiristas tiveram que criar um clima convicente entre ela e o pai de Rory, Chris. E eles conseguem. Chris promete um programa legal para Lorelai, os dois saem num antigo carro conversível e param no meio do mato, em frente a um celeiro. De repente - depois de um monte de piadas de Lorelai tentando adivinhar qual a surpresa -  começa a ser projetado um filme na parede do celeiro: o belo musical clássico Cinderela em Paris (Funny Face), com Fred Astaire e... Audrey Hepburn! (de novo ela? será essa a chave?). Chris saca de um isopor milk-shake e pipocas, e os dois assistem juntos do carro como se fosse um antigo drive-in. Lorelai fica encantada e eu também fiquei.

Taí, os roteiristas do Chris capricharam, os do Luke que se cuidem para superar essa!



 Escrito por Vladimir às 07h58
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Amarula

Alguém já provou um bombom com recheio de licor Amarula? É uma delícia! Aliás, quando estive na África do Sul, fiquei com vontade de trazer bastantes desses licores, originários de lá.

Eu tinha um amigo que contava a estória que a exótica fruta marula, da qual se faz o licor, era retirada, pasmem, das fezes do elefante! Isso porque nos excrementos, a fruta já viria fermentada, algo assim. Ainda acho divertido assustar os mais sensíveis mostrando no rótulo do licor aquele paquidermão, mandando-os imaginar o trabalho dos colhedores de marula, literalmente colocando a mão na “massa” defecada pelo bicho.

Uma vez resolvi pesquisar na internet, e essa história das fezes não se confirmou, que pena, rs. Mas a estória não se mostra tão sem sentido assim porque diz que, na África, os elefantes chacoalham as ávores para as marulas caírem, as frutas ficam no chão por um tempo realmente fermentando, dando um sabor mais doce e, inclusive, um conteúdo ligeiramente alcóolico. Só aí eles as consomem. Aliás, por causa dessa propriedade inebriante, os animais da savana fazem qualquer coisa para comer essa frutinha do chão. Os elefantes ficam lá doidões o dia todo à sombra da copa da árvore.

 

E não são só os elefantes que ficam beirando o pé de marula. Os povos dessas regiões africanas acreditam nas supostas qualidades curativas e afrodisíacas da iguaria, o que faz com que, por simbolismo, vários romances e casamentos sejam celebrados embaixo da copa frondosa da árvore. Romântico, não?



 Escrito por Vladimir às 07h35
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Canto do Vladimir

Perfil
Nome: Vladimir Batista
Idade: 37
Nasceu: Goiás
Mora: Rio de Janeiro
email: vladimir.batista@gmail.com

Conteúdo
Blog de Vladimir Batista, 37, sobre cinema, curiosidades (etimologia (origem das palavras), dicionário, cultura inútil, rankings (top10, top5,...)), música, TV, literatura, minhas criações (letras, poemas, contos, romances, novelas, roteiros de cinema, argumentos), atualidades, minha vida, etc...


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