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Miami Vice
Gostei do filme Miami Vice, todo estiloso, com bom suspense e belas imagens e sons. Eu não assistia ao seriado dos anos 80, mas o longa lembra mais uma série moderna como 24 Horas. Não é uma maravilha: as cenas de ação poderiam ser mais criativas, e os dois atores estão meio canastrões (e não o suficiente para ser divertido).

O grande destaque, na minha opinião, é a linda Gong Li, atriz que eu já conhecia de filmes chineses como Adeus Minha Concubina, 2046 e Eros. Aqui ela é uma empresária latina (!) que financia o crime organizado e acaba tendo um lance com o mocinho Colin Farrell. Acho, sem exagero, que ela mereceria uma indicação ao Oscar, com seu olhar que alterna autoridade e fragilidade, dureza e ternura, vida sofrida e prazer. E está sexy como nunca (ou melhor, como sempre), inclusives em cenas bem calientes. Só por ela, dá vontade de ver o filme de novo.
Escrito por Vladimir às 07h23
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Uma carta com mágoa

Cara ex-amiga,
O que houve para você ter feito o que fez semana passada? Estou arrasado. Ser rejeitado não é fácil. E ainda dessa maneira estranha que você me repudiou, sumariamente, como um decreto real, sem que eu tivesse tido a menor chance de me defender, de sequer aparecer aí direito para você me conhecer melhor. Estou triste, muito triste, encolhido aqui na minha cama fria.
Já não tinha sido fácil antes ter sido ignorado por tanto tempo. Mas finalmente fui aceito entre sua turma, na sua família, mesmo sendo eu tão discreto, na minha. E tendo eu esse jeitinho, com minha aparente frieza, bem diferente dos seus outros colegas, vaidosos, calorosos e exibidos. Mesmo assim, tornei-me presente na sua vida, todo mundo aí sabia que eu existia, que eu era alguém. A gente estava longe um do outro, mas tínhamos uma conexão. Quando eu e você olhávamos para o céu ao mesmo tempo, a gente sentia a presença um do outro.
Ah, foi um tempo bom. O pessoal da sua casa me deu até um apelido carinhoso, acho que de um deus grego, puxa, quem sou eu? As crianças do seu lar sabiam cedo quem era eu, faziam desenhos de toda a turma, onde eu estava sempre ali, no canto, junto de vocês. Soube que deram meu nome até para um simpático cachorro da casa de vocês. Juro que fiquei orgulhoso; eu mesmo tenho o meu bicho de estimação (o Caronte, que está aqui rodando aos meus pés) e sei do carinho que se tem por eles.
É por isso que agora desabei. Excluir-me assim da sua turma foi devastador, ainda mais sem que eu tenha feito nada contra você. Minha auto-estima, que já não era lá essas coisas, ficou menor ainda do que eu mesmo. Pior do que a solidão que vivi a toda a minha existência, é a desesperança. Quando você olhar para o céu, agora, não mais lembrará que eu existo, é como se sempre eu tivesse sido um nada pra você.
Mas deixe estar, amiga ingrata, o mundo dá voltas. Saiba que há uma pequena que mora aqui perto, que eu estou de olho. A Xena é legal, também é baixinha, muito mais a ver comigo. Ou seja, ela é do tipo que nunca será aceita no meio da sua turma de ostentadores. Mas ela nunca há de me enjeitar, e formaremos uma nova turma, que tenho certeza que vai ser muito mais numerosa que a sua.
Adeus para sempre, Terra. Do ex-amigo e ex-planeta, Plutão
Escrito por Vladimir às 07h25
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Não é que já fiz um soneto mais-ou-menos?
Yes! Com direito a rimas dentro dos versos...
Soneto das Lágrimas (Vladimir - 2003)

Bem no momento que me tarda a noite, Vem um lamento que embarga, um açoite. Eu não agüento essa carga, esse coice, Esse ferimento de adaga ou de foice.
É minha bela que distante está, Ficar com ela um instante não dá. Cá da janela, num rompante, pular? Ou a cancela dos amantes fechar?
Qual! Eu só deito na hora da saudade, E um tal peito-que-chora me invade. E não tem jeito? Ir embora não há-de?
Até que o canto de meu choro se encerra, Quando a meu pranto ora um coro supera: É um certo acalanto a que acorro, que impera...
Escrito por Vladimir às 07h28
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A professora Beth e as causas indefensáveis
Acho bobagem dizer que um curso de inglês é melhor ou pior que outro. Tudo depende do instrutor. Quando eu fiz inglês no curso New Frontier, em Goiânia, eu tive uma professora sensacional, de nome Beth. Ela tinha um exercício que ajudava muito a aprendizagem: de vez em quando promovia debates em inglês entre os alunos. Formada em sociologia, ela sempre escolhia temas polêmicos, como pena de morte e reforma agrária, e separava a turma: “essa metade é contra; e essa é a favor”. Isso significava que não importava a sua opinião, você tinha que defender o lado que a Beth te colocava. Um dia, por exemplo, algumas aguerridas alunas foram obrigadas a defender a afirmação: “a mulher é uma raça inferior”. Nunca aprendi tanto inglês. Infelizmente, de um ano para outro, a Beth resolveu parar de lecionar para se dedicar à sua casa e a seu marido. Chegamos até a tentar fazer uma campanha “Fica Beth!”, em vão.
Lembrei das aulas de Beth no último sábado, quando vi o filme de ficção Obrigado por Fumar. Nele, acompanhamos um lobbista, cujo trabalho é falar (e convencer as pessoas) a favor das indústrias do fumo. O cara é impressionante, logo na cena oficial ele está num programa do tipo Superpop ao lado de ferrenhos antitabagistas e de um adolescente careca, com câncer por causa do fumo precoce. Em um minuto ele reverte a hostilidade da platéia com argumentos impagáveis do tipo: “para a indústria do fumo não interessa que esse garoto tenha câncer, queremos é que ele fume a vida toda! Isso interessa é aos outros aqui, pois quanto mais gente nessa situação, melhor as estatísticas que eles, vampiros, usam.”

O cara é demais. De vez em quando ele encontra em bares seus dois únicos amigos: os lobbistas da bebida e das armas, e entram em discussões como o que mata mais por ano. Mais difícil para ele é explicar para o filho, aliás nas melhores cenas da película, por que ele tem esse trabalho aparentemente execrável e se há algum motivo para o garoto se orgulhar dele.
Apesar da solução final fraca, é divertido, politicamente incorreto, e, de quebra, veio com uma boa aula de retórica do tipo “como ganhar uma discussão mesmo não tendo razão”. Ou “como defender o indefensável”. Vale bem o ingresso. E a professora Beth, onde quer que esteja, é uma que não pode perder esse filme.
Escrito por Vladimir às 07h44
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Eu me amarro em séries de TV

Na semana passada, acabou-se a quarta temporada de 24 Hs, e hoje acaba a segunda de Lost. Eram duas das poucas séries que estavam me agradando ultimamente. Nessa temporada, tive uma impressão inversa: enquanto 24 Hs começou cheia de impactos sensacionais e as últimas “horas” foram mais fracas; Lost iniciou quase risível, mas melhorou muito no final, com surpresas e personagens bem construídos.
E agora, o que assistir? Horário político? No way. Tá bom, ainda não acabou a temporada do sarcástico médico House e daqui a pouco voltam novos episódios do obsessivo compulsivo detetive Monk. Mas outras séries entre minhas favoritas, como a divertida Las Vegas, sobre o dia-a-dia de um cassino; a série policial com uma legista porreta Crossing Jordan e a única comédia decente, o nonsense médico Scrubs, todas essas tiveram finais de temporada há semanas.
Bem, entre as opções à vista, vamos ter a volta de Prison Break, sobre um plano de fuga de uma prisão, cuja primeira temporada foi bem legal. E o terceiro ano de Nip-Tuck, sobre dois cirurgiões plásticos, radical, sexy e interessante.
E há alguma série nova? A única premissa que me atraiu foi uma chamada Psych, do Universal Channel, que ainda não estreou. Nela um rapaz tem um verdadeiro dom de Sherlock Holmes, mas como ninguém da polícia dá crédito a suas deduções geniais, ele resolve fingir que é um médium. Só assim passam a levá-lo em conta. Não sei se a realização vai ser boa mas achei essa idéia ótima, em algumas situações hoje em dia há mais crença em estórias fantásticas do que na lógica pura, né?
Escrito por Vladimir às 07h34
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Solidão ou Solitude?

O livrão do Houaiss não diz a diferença entre as palavras em português solitude e solidão. Então eu "me permito" especular que solidão tem ão, como se fosse um aumentativo, por ser algo forte, amplo, devastador. Rima com ilusão, desilusão, depressão. A pessoa não apenas está só, mas tudo dentro de si e ao seu redor é deserto. Por outro lado, lembra algo temporário, como um arroubo ou um surto, que um dia vai embora de sua vida como um... furacão.
Solitude já parece algo mais maduro, concreto, como se fosse uma opção de vida. Rima com atitude, e até com virtude e juventude. A pessoa está só, mas não está infeliz, está no máximo conformada, resignada. Por outro lado, lembra algo mais definitivo, um fado, como se a pessoa tivesse nascido para ter a solitude como um estigma para sua existência.
Acho que poderia haver uma palavra diferente para aquela solidão mais branda, mais poética, a que faz a gente chorar um chorinho baixo à noite, como uma prece. Não uma coisa intrínseca como solitude, nem tão arrasadora como solidão. Para essa palavra acho que poderia haver uma variação no diminituivo como solidinha, ou solidinho... Hum, não soou bem...
Mais uma vez vou ao livrão, onde descubro que ambos verbetes solidão e solitude vêm do latim solitudine... Solitudine!... Essa sim uma palavra gostosa e num diminutivo elegante, italiano. Pois sugiro que fique recuperada essa palavra para o português, solitudine, significando essa dorzinha incômoda que sentimos quando estamos solitos, mas que até cultivamos como um bicho-de-pé. Combinados?
Escrito por Vladimir às 07h47
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O dia em que sonhei junto com Cabíria
Há anos, quando cheguei atrasado no cinema para ver Speed – Velocidade Máxima, acabei sentando na primeira fila. Foi a melhor coisa, o filme é praticamente uma montanha russa e me agradou mais do que merecia. Às vezes a gente gosta mais ou menos de um filme dependendo do espírito ou situação com que o vê, né? Lembro que vi Simplesmente Amor (Love Actually) numa época que eu estava bem sensível e chorei muito. Melhor foi a experiência que tive quando vi Noites de Cabíria, filme que eu mencionei aqui outro dia.

A obra de Fellini é sobre uma ingênua mulher das ruas, Cabíria, quase uma versão feminina do Carlitos de Chaplin vivida soberbamente por Giuletta Masini, que sonha encontrar um homem que a ame de verdade e a tire da vida. Peguei o DVD e comecei a vê-lo à noite, quase dormitando. Não que o filme seja sonolento, eu estava com sono mesmo.
Num certo momento, a personagem de Giuletta vai assistir a um show mambembe de um hipnotizador que faz um grupo de rapazes achar que são remadores. Depois ele chama Cabíria ao palco e também a hipnotiza, convencendo-a que ela acaba de encontrar o amor da sua vida. Ela, hipnotizada, fica feliz, muito feliz, achando que é verdade, que está diante do amor que tanto procurou. Ela dança com o ar e fala de sua alegria. Nesse momento eu estava me esforçando para não dormir num estado quase alfa. Eu via o filme e as palavras de Cabíria se confundiam como um sonho para mim. Ela desabafa, dizendo que esperou a vida toda para achar um homem que não se aproveite dela, que não a magoe, que a ame de verdade, DE VERDADE. De repente, duas coisas acontecem: o hipnotizador se dá conta da maldade que está fazendo com aquela mulher e eu também acordo do meu ressonar num pequeno susto. Foi como se eu despertasse junto com Cabíria da irrealidade daquelas palavras de sonho. Como se eu percebesse que eu também estava fadado a só encontrar o amor da minha vida em sonho. Foi incrível, identifiquei-me àquela personagem como uma mosca na teia.
O longa ainda continuou por mais de uma hora, mas eu não senti mais sono. Vi e senti o filme em toda sua plenitude até o melancólico e lúdico final. Na verdade eu sinto Cabíria em mim até hoje.
Escrito por Vladimir às 07h10
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Florescendo da "Última Flor"
Para nós do Brasil, onde quase 100% das pessoas falam e escrevem português, é difícil nos situar em países que têm mais de uma língua de uso ou oficial. Achei curiosíssimo quando fui a Barcelona e vi que o espanhol e o catalão são ambos idiomas oficiais. Até as placas e as propagandas na TV estão nas duas línguas. Mais estranho ainda é a Suíça que é um país pequenino e consegue ter quatro línguas oficiais (francês, italiano, alemão e suiço); sem contar que o inglês é falado por boa parte da população.
Por isso, quando sei de um país que tem dois idiomas, um oficial e o outro comumente falado nas ruas, já acho curioso. Quando esses dois idiomas são aportuguesados, então me é ainda mais interessante. É o caso de Cabo Verde, e acho que da Guiné também, onde a língua oficial é o Português, mas a falada são idiomas derivados chamados de Criolos.

O criolo de cada um desses países possui várias palavras familiares, mas com diferenças marcantes. Me lembra até aquele idioma criado para promoção do parque Hopi Hari, sabem? Às vezes comem palavras, em outras as enfeitam com toques nitidamente africanas, ou ainda parecem voltar-se para tons arcaicos ou onomatopaicos. Vejam esse trecho de uma música interpretada pela cantora caboverdiana Cesária Évora, quem aliás eu aprecio muito:
Si bô 'screvê' me / 'M ta 'screvê be Si bô 'squecê me / 'M ta 'squecê be Até dia / Qui bô voltà
Sodade, Sodade, Sodade Dess nha terra Sao Nicolau
trecho de “Sodade” (Luis Morais - Amandio Cabral)
É, Olavo Bilac dizia que a língua portuguesa é “a última flor do lácio”, pois seria a fronteira mais erma entre os idiomas derivados do latim. Nesse caso, dessa flor ainda brotaram outras florescências, né, esses idiomas criolos, com todos os seus coloridos africanos, belos e fascinantes.
Escrito por Vladimir às 07h40
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Caravanas
Quem me conhece sabe que gosto do Jornal Nacional. Eu me divirto quando o casal de apresentadores conta suas sutis piadas internas, como o indefectível “Onde está você, Fátima Bernardes?” da época da Copa. Já até pensei em criar um outro blog só para comentar as edições.
Estou apreciando essa cobertura das Eleições, com o espaço cronometrado para cada candidato, bem útil para conhecermos os jeitos e as idéias de cada um. As entrevistas da semana passada também foram boas, apesar do tempo limitado ter obrigado a constrangedoras interrupções de lado a lado. Mas só de ver a Heloísa Helena chamando o William Bonner de “meu amor”, já valeu.
Apesar de gostar do noticiário, ou talvez por isso mesmo, não deixo de de criticá-lo quando algo sai errado. Estou achando essa caravana do Pedro Bial, chamada Desejos do Brasil, por exemplo, decepcionante. Quando anunciada, achei que, de maneira revolucionária, iriam ser investigadas detalhadamente as promessas dos governantes atuais para melhorar a vida das pessoas, o que foi ou não cumprido, porquê, e idéias factíveis para cumpri-las no futuro. Do jeito que está, virou mais uma viagem de curiosidades dos lugares brasileiros, a exemplo de muitas outras já feitas.
Nesse mesmo espírito, estou curtindo muito mais a caravana do Globo Rural que repete as viagens dos tropeiros que levavam mulas do Rio Grande do Sul à Sorocaba há mais de um século.

Nessa chamada Tropeada, que vem sendo mostrada em série de reportagens há três semanas, não há como não nos afeiçoarmos pelas figuras raras que os viajantes vão encontrando, pela história revelada aos poucos, pelos causos e até pelas mulinhas trotando arduamente pela paisagem sulista. Imagens muito mais saborosas e edificantes que a inócua caravana do JN.
Escrito por Vladimir às 07h29
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Filmes de 2006

Já estamos em agosto e até agora o cinema de 2006 anda meio decepcionante. Os melhores, na minha modesta opinião, foram um Woody Allen (Match Point), um thriller sobre dois comediantes dos anos 50 metidos na morte de uma adolescente (Verdade Nua), um independente quase de terror sobre um menino que sofre maus tratos de uma mãe malucona (Maldito Coração) e, é claro, Superman.
Segue um resumo das minhas impressões até agora:
Decepções: X-Men - O Confronto Final Boa noite e boa sorte Marcas da Violência Caché
Meia-Boca: Missão Impossível III Código Da Vinci Piratas do Caribe II Capote A Lula e a Baleia Brokeback Mountain Munique
Bons mas sem surpreender: 2046 (vi no ano passado no Festival do Rio, mas estreou em circuito esse ano) Manderlay (idem) A Era do Gelo II Zuzu Angel Manual do Amor Johnny e June Marcha dos Pinguins Se Eu Fosse Você V de Vingança
Bem legais: Poseidon Instinto Selvagem II Carros Transamérica Crime Ferpeito A Festa de Margarete
Ótimas surpresas: Resgate Abaixo de Zero Tristão + Isolda A Garota da Vitrine ABC do Amor Crash - No Limite (vi no ano passado no Festival do Rio) Beijos e Tiros (também vi no ano passado)
Os melhores até agora: Superman - O Retorno Maldito Coração Match Point – O Ponto Final Verdade Nua (estreou em São Paulo e não no Rio, mas vi no Festival do Rio no ano passado.)
Filmes de 2006 ainda a estrear, com os quais tenho a maior expectativa: - Vôo 93 (United 93) (sobre o avião que caiu antes, em 11 de Setembro) - As Torres Gêmeas (sobre o atentado no World Trade Center) - A Dama da Água (novo de M. Night Shyamalan, de O Sexto Sentido, Sinais e A Vila) - Serpentes a bordo (filme trash que virou cult antes mesmo de estrear) - A Dália Negra (novo thriller de Brian de Palma) - Volver (novo de Pedro Almodóvar) - Maria Antonieta (novo da Sofia Coppola) - Cassino Royale (novo 007) - A Promessa (novo chinês de artes marciais, do Chen Kaige, nem tenho certeza se estréia esse ano) - Festival do Rio 2006 (espero que traga bastantes surpresas!)
Escrito por Vladimir às 07h20
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Criar com alguém
Gostei bastante do livro Trabalhos de Amor Perdidos. Não é uma obra de arte, em alguns momentos é quase um manual de curiosidades de Shakespeare. Mas achei um charme a estória de um romance entre dois bolsistas num curso sobre o Bardo. Eles têm de criar uma peça de teatro cada e, em um belo momento, eles acabam dando excelentes palpites um para o outro. Esse diálogo é muito bem feito, dá pra sentir as idéias geniais surgindo como se fosse naturalmente, e a química dos dois fica muito saborosa. O autor então diz uma frase que me encantou: “Criar com alguém é uma enorme intimidade, um equivalente mental do sexo.” Eu penso isso também, não é fácil criar em conjunto, tem de haver uma linha de idéias muito em comum, uma química que só encontra analogia no amor verdadeiro.

Fiquei com inveja dos dois personagens pois, afora algumas oficinas em grupo, tive poucos casos de criar em conjunto. Uma parceria em duas ou três músicas com o Orlando, amigo da faculdade; um conto e uma letra complementados por pessoas que conheci na internet. E só. Tenho comigo, por exemplo, dezenas de letrinhas órfãs, sem uma melodia para as acalentar, e outros tantos roteiros começados-mas-não-terminados, carentes por toques e retoques de mãos carinhosas de outrem.
Um dos meus livros favoritos é O Livro de Letras de Vinícius de Moraes, com todos os seus poemas musicados. Os capítulos estão divididos pelas parcerias que correspondiam mais ou menos a um período com início, meio e fim. Primeiro Tom Jobim, depois Baden Powel, Carlos Lyra e finalmente Toquinho, com outros entremeados, como Edu Lobo e até Chico Buarque. Diz-se que o Poetinha possuía uma relação com seus parceiros parecida com a com as com suas diversas esposas: com amor infinito enquanto durava. Curiosamente, ele teve poucas parcerias musicais com mulheres, sendo Marília Medalha sua maior parceira.
Eu sempre imaginei se seria possível um dia eu achar alguém, quem sabe uma mulher, que combinasse com a minha linha de criação, a complementasse, a enriquecesse e que, principalmente, estivesse disponível para criar junto comigo. Acho que isso é ainda mais difícil do que encontrar - e conseguir ter nos seus braços - o amor da sua vida, né?
Escrito por Vladimir às 07h34
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Zuzu Angel e A Festa de Margarete
Mais um ano vai passando sem um filme nacional muito interessante no cinema. Bons foram os anos de 2002 e 2003, de Cidade de Deus e O Homem que Copiava. A comédia Se eu fosse você foi bem razoável, mas eu queria comentar aqui o diferente A Festa de Margarete, que passou despercebidamente pelo cinema há alguns meses e Zuzu Angel, um filme muito bem interpretado mas sem surpresas.

A interessante comédia dramática gaúcha A Festa de Margarete é um filme preto-e-branco e mudo (!) passado nos tempos atuais, sobre um pobretão chefe de família que de repente vive momentos de fantasia com um dinheiro que aparece como mágica. Seus delírios sempre se alternam entre o glamoroso e a realidade cruel, dando uma aura de estranhamento que me lembrou Fellini (Noites de Cabíria?). É um experimentalismo que pode não agradar a todos, mas eu gostei.

Já Zuzu Angel vai por um caminho inverso, ou seja, sem nenhuma experiência. Não quer dizer que o filme seja ruim, ele até consegue nos envolver na trama e a interpretação de Patrícia Pillar está impecável. É bem melhor do que Olga, só pra mencionar algo na mesma linha. Mas a história real da elegante mãe que luta para saber sobre a morte do filho na ditadura não tem muitas viradas cinematográficas e somente um tratamento muito criativo a transformaria num filme de primeira. Não foi o caso, fiquei com um bom filme, porém convencional.
Escrito por Vladimir às 07h24
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Fazer “sim” e “não” com a cabeça
Quando morei na China, constatei que aquele gesto característico de assinar no ar, usado em todos os países que já estive (pelo menos na América e na Europa), não funciona entre os chineses para pedir a conta no restaurante. Talvez eles não usem cheque lá, sei lá. Sempre fui curioso com relação à linguagem dos gestos, quando e por que alguns se tornaram universais, como o polegar em riste de “legal!” e o “sim” / “não” com a cabeça. Ouvi dizer que há uma tribo na África onde o gesto para sim e não é o inverso do que a gente conhece, mas acho que isso é lenda.
No filme Stargate, o personagem de James Spader chega a um planeta com um povo com um idioma totalmente estranho que depois ele reconhece como tendo a mesma origem do egípcio arcaico, pois esse povo teria sido “exportado” para o outro lado do universo nessa época antiga. O fato é que fiquei prestando atenção no gestual e, lá pelas tantas, quando ele aproxima de uma nativa, ela faz “não” com a cabeça. Eu fiquei pensando: Aha! Será um furo no roteiro ou esse gesto remonta o Egito antigo?

Bom, sei que existe uma palavra em português para o gesto de “sim” com a cabeça, que é anuir (em inglês é “nod”). E para “não”, existe? Talvez menear, sim, acho que é isso...
Fui ao Houaiss, sempre ele, que diz que anuir vem do latim adnuere: “fazer sinal afirmativo com a cabeça, lançando-a para frente”. Humm, então o gesto já existia no latim, será que no Egito também? Vou ficar sem saber essa. Curiosamente, o livrão conta que havia duas palavras (e dois gestos) para a negativa: abnuere “voltar a cabeça de um lado para o outro em sinal de desaprovação”, igual a gente, e renuere “lançar a cabeça para trás em sinal de não consentimento”. Olha só que curioso, o ato de jogar a cabeça para trás era também sinal de “não” em latim. Puxa, deviam confundir com o “sim”; decerto por causa disso o outro gesto, o de um lado para o outro, pegou mais.
Não achei nenhum filho em português para abnuere mas existe renuir, de renuere, que perdeu o sentido de lançar a cabeça para trás, se tornando simplesmente sinônimo de recusar. Já menear significa oscilar, e teoricamente pode ser em sinal afirmativo ou negativo, embora seja quase só usado para o segundo.
Cheguei a conclusão, então, que não existe palavra específica para fazer o gesto de “não”, com a cabeça balançando para um lado e para o outro.
Uma pena né, tsc tsc - digo eu, abnuindo...
Escrito por Vladimir às 07h32
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Piratas do Caribe II

Piratas do Caribe – O Baú da Morte tem bons momentos, mas a trama é confusa. A gente nunca entende o que diabos todo mundo quer com o conteúdo do tal baú, enfraquecendo a linha principal. Será que essas motivações dos personagens são melhor explicadas na Parte III?
Os bons momentos são: A fuga da ilha dos canibais e o duelo em cima da roda de moinho, impagáveis cenas, quase de desenho animado. E, é claro, Johnny Depp que está à vontade com sua malemolência de sempre. É sempre um prazer assistir ao carisma desse ator, né?
Escrito por Vladimir às 07h54
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Canto do Vladimir
Perfil
Nome: Vladimir Batista
Idade: 37
Nasceu: Goiás
Mora: Rio de Janeiro
email: vladimir.batista@gmail.com
Conteúdo
Blog de Vladimir Batista, 37, sobre cinema, curiosidades (etimologia (origem das palavras), dicionário, cultura inútil, rankings (top10, top5,...)), música, TV, literatura, minhas criações (letras, poemas, contos, romances, novelas, roteiros de cinema, argumentos), atualidades, minha vida, etc...
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Histórico
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