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Mr. Lonely
Gosto daquele hip-hop de um artista chamado Akon que sampleou Mr. Lonely, uma canção antiga de Bobby Vinton, que diz assim:
Lonely I’m Mr. Lonely I have nobody For my own
Vi umas traduções como Sr.Solitário, que feio, né? Solitário lembra solitária, tanto a prisão como aquele verme, a tênia, lembram-se da aula de biologia? Mas Só é bonitinho. Sou o Doutor Só... Ou então: Sou o João Sozinho (lembrei do roteiro de curta que escrevi "O último sonho de João Sozinho"...)

Lembrei que uma vez, folheando o dicionário (nessa época, era o Aurelião), reparei que várias palavras bonitas começam com "so", como sol, sonho, sobressalto, soturno, sorrateiro, sorrate, sorriso, sobiar (variação de assobiar), soirée (o contrário de matiné, "reunião noturna"), solário (antigas varandas), solfejar (entoar notas musicais), sonido, soneto, sonoite...
E, além de Só, há algumas aparentadas. Sodade, a bela variação cabo-verdiana de saudade, que também tem outra versão antiquada: soidade. Por extensão, tem-se soidoso, parente de saudoso e ainda soidão, de solidão. Também são gostosas variações de só: solito, solitude, sozinho, soledade ("tristeza característica de quem está só ou abandonado").
É, pelo menos no dicionário, Doutor Só está bem acompanhado...
Escrito por Vladimir às 08h33
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Cobras e Lagartos

Antigamente eu era bem mais noveleiro, mas já tem muitos anos que tenho achado a maioria das novelas muito chatas, com somente algumas situações me agradando. Mas Cobras e Lagartos, de João Emanuel Carneiro, está bem divertida. Um dos destaques são os diálogos, que têm um vocabulário excepcionalmente rico. Prestem atenção nas frases ditas pela ótima personagem de Marília Pera, por exemplo, estão sempre cheias de palavras mais elegantes que o normal. Mas não é só ela, volta e meia algum personagem usa alguma conceito mais complexo em suas falas, fugindo dos cansativos clichês que populam em outras novelas.
O melhor são os personagens. São tantos destaques: a interesseira Ellen de Taís de Araújo, o atrapalhado Foguinho de Lázaro Ramos, a maldosa Leona de Carolina Dieckman, a perua Milu da já citada Marília Pera. Mas tem mais: Eliane Giardini, Totia Meirelles... Até o Francisco Cuoco, que nunca me agradou, estava tão bem que lamentei seu personagem ter morrido. Claro que tem algumas coisas um tanto chatas, como o exagerado bom-mocismo dos protagonistas Daniel de Oliveira e Mariana Ximenes, mas os atores estão bem e sempre tem de haver esse tipo de personagem né?
Além disso tudo, o autor até criou um personagem quase shakespeareano: o atormentado Martim interpretado eficientemente por Carmo Dalla Vecchia, um ator que eu não conhecia. Eu só colocaria um pouco mais de humor, talvez sarcástico, no personagem para ele se aproximar mais de um Hamlet da vida. Martim vive o drama de achar ter tido um incesto com a Letícia da Cléo Pires, que aliás também continua ótima e linda.
Uma pena que não consigo assistir todos os dias. Outra novela que me agrade tanto sei lá quando vai rolar de novo.
Escrito por Vladimir às 07h36
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Não vi e gostei (ou Uma lua chamada Rosalinda)
Todos têm uma lista de coisas do tipo “não vi e gostei”. Os filmes de François Truffaut, por exemplo. Fui assistir ao primeiro só há dois anos, mas sempre achei todos eles um charme. Nesse fim de semana vi na livraria o romance original e o roteiro de Jules e Jim, de Truffaut, reunidos na mesma obra. Decidi que vou comprar e ler mesmo antes de ver o filme, ao contrário provavelmente de todos os outros que o adquirirem. É que tenho certeza que será de meu agrado, além de estar levando de quebra uma aula de um mestre sobre roteirização de romances.

Outra obra que sempre tive certeza que vou gostar é a peça Como Gostais de Shakespeare. Não sei quase nada, só que tem uma personagem, Rosalinda, que se fantasia de homem (o que me faz lembrar Grande Sertão: Veredas). Comecei a me interessar num livro sobre o bardo do crítico Harold Bloom, em que ele destaca Rosalinda como uma das melhores personagens femininas do dramaturgo.
E agora li no livro do Jorge Furtado, Trabalhos de Amor Perdidos (já estou quase terminando, yes!), uma personagem professora fanática por Shakespeare que se diz apaixonada por Rosalinda. Ela comenta fascinada que algumas luas de Urano têm nomes de personagens de Shakespeare, sendo uma delas justamente Rosalinda. Ela deseja então ter nascido sob o “signo” dessa lua. A professora ainda arremata dizendo que não é lésbica mas que, ah, com Rosalinda ela se deitaria. Humm, seria Rosalinda uma espécie de Angelina Jolie shakespeareana? rs
Definitivamente, essa obra, Como Gostais (As you like it), está na minha lista de “não li e gostei”. Quero ler, claro, mas o problema é que não achei traduções para português em lugar nenhum. Eu estou quase enfrentando de cara a versão original com o belo inglês de Shakespeare, será que consigo?
Escrito por Vladimir às 08h04
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Transamérica
 Gostei do filme em que a desperate housewife Lynnete (a atriz Felicity Huffman) faz papel de um homem transexual. Não é um longa sobre transexualismo, e sim um road movie muito parecido, por exemplo, com Central do Brasil, pois a personagem viaja junto com um adolescente que ela acabou de descobrir ser seu filho e, aos poucos, vão ocorrendo choques de culturas, demonstrações de respeito, insultos e ternura.
O filme tem bastante humor e um roteiro que aproveita bem as possibilidades da trama. Os momentos em que os vários segredos de cada um são revelados, por exemplo, são sempre cenas impactantes, que não apelam nem decepcionam. Bem melhor que eu esperava. E ao fazer uma personagem contida e até pudica apesar de sua condição (castigo?), a atriz Felicity Huffman está super carismática e merecia no Oscar o prêmio de Melhor Atriz que ela ganhou no Globo de Ouro.
Escrito por Vladimir às 07h30
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A atriz brasileira Leandra Leal

Escrito por Vladimir às 07h08
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Melancolia x Doce Infelicidade
Em Tristão e Isolda tem-se uma situação de amor impossível típica até hoje, o casal apaixonado um pelo outro, mas sendo um dos dois casado, não podendo ou não tendo sucesso em se separar. Se pensarmos bem, foi exatamente a mesma trama de Johnny e June, Brokeback Mountain e Match Point, só pra citar candidatos a Oscar deste ano. Eu sou fascinado pelo tema do amor impossível. Assim o é a paixão platônica, a maior inspiradora de meus modestos escritos, embora nesse caso o afeto esteja somente em um dos lados. Mas o sentimento é o mesmo, simultaneamente de felicidade pelo coração acelerado e de infelicidade pela impotência angustiante.

Eu costumava rotular esse tal sentimento de melancolia, cuja noção que eu tinha era de um descontentamento leve, uma dorzinha tristonha no peito. Mas diz o meu livrão Houaiss, que a origem da palavra melancolia é do grego mélas (negro) + kholé (bile), por causa da bile negra injetada no organismo na situação de “tristeza e prostração”. Por isso, no início, melancolia tinha o significado de um “estado mórbido de abatimento”, “depressão”. Só depois é que ganhou a acepção mais light de “vaga” tristeza que “favorece o devaneio”.
Tudo isso é pra dizer que o livro do Jorge Furtado, quando fala de Tristão e Isolda, abre aspas para definir o tal Amor Impossível como a “fonte da doce infelicidade”. Foi um achado, doce infelicidade é exatamente a melhor expressão para o que eu costumava chamar de melancolia. É uma tristeza sim, mas tem o sabor de mel das sensações de amar, de ter em quem pensar, em quem se inspirar, um sentido para a sua vida, mesmo que vago e inalcançável.
“Doce infelicidade”... Por que Furtado abriu aspas? Quem criou essa expressão? Seja quem for, acertou, é isso mesmo...
Escrito por Vladimir às 07h29
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Uma estorieta que escrevi 15 anos antes de Lost (mas dez anos depois de A Lagoa Azul)
pra se cantar como um repente nordestino...
A Canção da Ilha (Vladimir)

O homem é quem chega primeiro, A menina vem logo depois; Quando vêem, somente os dois Três dias, a missão e a ilha. Ele, um famoso engenheiro Imagina projetos como sonhos: "Prazer, eu sou Doutor Antônio" Ao seu lado sorria Cecília.
No primeiro dia o engenheiro Tem ajuda da moça servil De semblante alegre, infantil, Registram tudo que há na ilha. Contam árvores, morros e terreiros, Traçam mapas, mas sem nada feito, Descobrem à noite que nem o leito Se lembraram de construir no dia
O segundo dia é de planos, E Antônio engenhosamente, Com Cecília até inteligente, Projetam veredas, cais e trilhas; Calculam madeira pra cabanas. Mas o dia passa tão de repente Que os planos nunca saem da mente, Cai mais uma noite lá na ilha.
No terceiro dia vem a preguiça, Que inunda como maré mansa, E Cecília não é mais criança, E Antônio não se levantou. Os dois já não rezam a mesma missa Dos projetos e missões impossíveis, Mas de sensações irresistíveis, É o amor que os dominou.
E se beijam com felicidade, Nas mãos, nos lábios e nos seios, Com os corpos colados de desejo, E assim vai o último dia. Quando os dois acordam na cidade, Ela traz a boa nova contente, Que depositar uma semente É que era a missão naquela ilha...
Escrito por Vladimir às 08h22
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O meu vôo e o vôo do Superman

Com Superman, voar parece uma coisa fácil. Quanto tenho aquele meu sonho super-recorrente que estou voando, é tudo a maior dificuldade: eu tenho que tampar a minha respiração e assim mesmo eu flutuo rente aos objetos, quase esbarrando neles. Mas o vôo do Superman é uma pluma de dar inveja. Até quando ele tem uma longa queda do espaço, a bela cena tem uma leveza poética.
Acho até que isso é um resumo do filme. É um longa de super-herói atípico: leve, terno, engraçado e até romântico, mas sem decepcionar nas cenas de heroísmos e salvamentos. Percebe-se uma reverência gostosa ao primeiro Superman com situações se repetindo, como a perua assistente de Lex Luthor com consciência e, é claro, o inesquecível vôo romântico do herói com Lois Lane (“Eu tinha me esquecido como você é quentinho” diz Lois abraçado a Superman nessa cena, que fofo). Tanto ali, como no resto do filme o visual (com um certo toque retrô) e também os atores estão muito bonitos e enchem os olhos.
O filme flui tão bem que apesar de ter mais de duas horas e meia eu senti falta de que ele fosse mais longo. Algumas tramas poderiam ter sido mais desenvolvidas, como Martha Kent se enrabichando com o vizinho. Mas gostei demais do que vi. Espero que no meu próximo sonho, meu vôo tenha a leveza e poesia desse filme, um dos melhores do ano até agora.
Escrito por Vladimir às 08h27
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Carros
 Eu tinha tudo para não gostar da animação Carros. Quem me conhece, sabe que eu não dou a mínima para a cultura automobilística. Até entrei numa comunidade do orkut “Odeio quem só fala de carros”.
Mas a Pixar acertou de novo. Carros tem uma estória clichê de um personagem que chega a uma cidade decadente e muda a vida dela e sua própria. Já tivemos essa trama em vários filmes, de cabeça me lembro de Cine Majestic, Tieta e ela já foi até brilhantemente subvertida em Dogville. Mas na animação da Pixar está tudo muito bem contado e eles são originais ao novamente criar um mundo próprio com maestria, o dos carros personalizados, com lanchonetes-postos, tratores vacas e outras coisinhas legais. Também não puderam faltar cenas computadorizadas de paisagens, impressionantes de tão bem feitas. Além disso, temos doses certas de aventura, amizade, comédia e romance, embora seja talvez longo demais, o que incomodou a garotada que estava na minha sessão. Aliás, acho que essa é uma daquelas animações que vai agradar mais aos adultos que às crianças.
Enfim, achei Carros melhor que Os Incríveis, ainda que inferior a Procurando Nemo. Mas também a saga dos peixinhos foi genial, né, e está difícil superá-la. Certamente, Carros é por enquanto a melhor animação do ano e - sinto dizer ao brasileiro Carlos Saldanha de A Era do Gelo II - é o mais forte candidato ao Oscar.
Escrito por Vladimir às 08h31
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Uma lista das 10 maiores cantoras de todos os tempos
O livro do Jorge Furtado cita en-passant uma lista (mais uma) feita por críticos norte-americanos das 10 melhores cantoras populares de todos os tempos. Não sei se ele inventou ou se a lista existe mesmo, mas como eu adoro um Top10, aí vai (em ordem alfabética, não de preferência):
Aretha Franklin / Billie Holliday / Cleo Laine / Elis Regina / Ella Fitzgerald / Janis Joplin / Joan Baez / Karen Carpenter / Nina Simone / Tina Turner
Respeito o fato de não incluir grandes vozes femininas modernas, como Joss Stone, Macy Gray e Norah Jones, afinal o tempo ainda tem de prová-las como clássicas. Mas não concordo com algumas citadas, como a Janis Joplin ou a Karen Carpenter, importantes mas que não gosto muito. E essa Cleo Laine, eu não conheço, desculpem a ignorância. E se é para ter o folk de Joan Baez, eu prefiro, no mesmo estilo, a minha ídola maior, a Suzanne Vega.

De qualquer maneira a lista tem a Aretha Franklin e a Ella Fitzgerald (fotos acima) que considero as melhores cantoras de todos os tempos. Ella cantando Dream a little dream of me e Aretha cantando Say a little prayer são duas obras-primas.
Achei curioso um Top10 americano conter a Elis Regina, se é que a lista é verdadeira. Se formos pensar no Brasil, de fato não se erra muito em se considerar a Pimentinha a melhor de todos os tempos, né? Me amarro em Como nossos pais, Tiro ao Álvaro... Assim como acontece com Suzanne Vega, entre as nacionais eu gosto mais da Nara Leão, mas reconheço que é uma preferência mais afetiva que científica. Outros poderiam citar cantoras mais tradicionais como Maysa, Elizeth Cardoso, Ângela Maria, ou mais contemporâneas como a Maria Bethânia, a Gal Costa ou a Marisa Monte. Mas acho que a Elis é mais versátil que todas essas e até considerei justo.
Escrito por Vladimir às 08h37
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Tristão + Isolda

Por coincidência, há duas semanas eu estava pensando se ia ou não ia conferir o filme Tristão + Isolda no cinema, quando li no livro do Jorge Furtado, Trabalhos de Amor Perdidos, uma longa menção sobre essa lenda medieval. Diz que é a primeira grande estória sobre amor impossível da história, e que teria inspirado inclusive a mais famosa Romeu e Julieta.
Considerando o que se conta no livro, o filme foi ainda mais engenhoso que a lenda original e a versão mais famosa (a ópera de Wagner) ao desenhar o impasse de Tristão, que após uma série de situações se encontra apaixonado por Isolda esposa do rei que já salvara sua vida, o criou e a quem é devotado.
Rola uma situação em que a gente se sente realmente sem saída, me lembrando inusitadamente o filme com esse nome mesmo “Sem Saída”, aquele em que Kevin Costner se vê acuado no Pentágono acusado de ser um espião russo, alguém se lembra? A trama não tem nada a ver, mas a sensação de “agora ferrou, não tem saída” é a mesma. E, como no outro filme, o final foi um tanto decepcionante. Mas não o suficiente para eu deixar de gostar muito desse filme, que não nega fogo como aventura medieval romântica como há muito não via na telona.
Escrito por Vladimir às 08h25
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Urna eletrônica

Fico impressionado com essas polêmicas em apurações de eleições e suspeitas de fraudes em outros países, como o que está ocorrendo no México, e que já houve recentemente na Ucrânia, no Equador e até nos Estados Unidos. Há mais de meia-década que o Brasil possui urnas eletrônicas, que reduzem ao máximo a possibilidade de fraude, além de garantirem uma apuração a jato. Por que outros países não adotam essa técnica? Será ela tão cara a ponto de não compensar os prejuízos financeiros, econômicos, morais e históricos de uma eleição mal-resolvida que deixará marcas para o resto da História? Se for isso, como conseguimos aprovar essa “fortuna” para adotá-la aqui no Brasil? Um dos lados está muito errado. E se não for esse o problema, qual a justificativa?
Para mim, não tem desculpa! Se o Brasil usufrui dessa tecnologia há dez anos (!), levando a urna para os confins da Amazônia, nada impede que países do mesmo porte ou melhores a tenham também e evitem essas crises burras.
Escrito por Vladimir às 08h35
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Ê ou É? Ô ou Ó?

Uma discussão recorrente entre os paulistas e cariocas do meu escritório onde trabalho é como se pronuncia E e O quando se soletra uma palavra. Os cariocas (e também os goianos como eu) pronunciam essas vogais abertas e os paulistas fechadas. Por exemplo, nós pronunciamos a palavra CEDO assim: “c - é - d - ó" e os paulistas “c - ê - d - ô".
De tanto ouvir a discussão, resolvi consultar o Houaiss. E não é que ele tem a resposta? Diz que as duas formas estão corretas: no verbete E está lá: “pronunciado na tradição portuguesa como ê ou é”, e no vocábulo O, igualmente, tem-se a pronúncia “como ó ou ô”.
Mas meu livrão também explica o porquê disso. É que o alfabeto latim, lá na origem, foi criado baseando-se no alfabeto grego, com algumas adaptações. As vogais E e O acumularam cada uma a função de duas letras gregas. A letra E entrou no lugar do ÉPSILON (que tem som aberto) e também do ETA (com som fechado). Já o O substituiu as funções do OMÍCRON (com som aberto) e do ÔMEGA (fechado). Por isso, ambos modos de pronunciar estão certos.
Expliquei isso para o pessoal do escritório, mas obviamente que, em agradecimento, só ganhei olhares enviesados de “caraca, que nerd do caramba!”.
Escrito por Vladimir às 08h26
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Curiosidades sobre Shakespeare

O Jorge Furtado é o mestre em mesclar ficção com fatos reais. No filme A Invenção do Brasil, por exemplo, a lenda de Caramuru é entremeada com curiosidades documentais sobre o Descobrimento. Da mesma forma Trabalhos de Amor Perdidos, que estou lendo, é recheado de curiosidades sobre Shakespeare. Por exemplo:
- São expressões comumente usadas no dia-a-dia, mas que pouca gente sabe que vieram de obras de Shakespeare: “isso para mim é grego”, “o amor é cego”, “nem tudo que reluz é ouro”, “a experiência se adquire na prática”, “meu reino por um cavalo”, “há algo de podre no Reino da Dinamarca”, “há mais coisas entre o céu e a terra do que reza a nossa vã filosofia” e, é claro, “ser ou não ser, eis a questão”. Bem, essa última todo mundo sabe de onde veio, mas pouca gente sabe que, ao contrário do senso comum, a frase não é citada no momento que o príncipe Hamlet segura uma caveira. A cena da caveira é no ato V e o do “ser ou não ser” é no Ato III.
- Shakespeare usou em suas obras mais de 20 mil palavras diferentes, um recorde. Se você pensar que o dicionário Mini-Aurélio tem 30 mil verbetes, é como se ele usasse quase um Aurelinho inteiro. Além disso, o Bardo criou mais de 1.700 palavras, ao transformar substantivos em verbos, verbos em adjetivos ou adicionando prefixos e sufixos novos (me lembrei de Guimarães Rosa). Algumas palavras que apareceram pela primeira vez em obras de Shakespeare depois se tornaram comuns na língua inglesa, como champion (“campeão”, citado em Macbeth), lonely ("solitário", em Coriolano) e obscene ("obsceno", da peça original Trabalhos de Amor Perdidos).
Como dizia a Rádio Relógio: Você sabia?
Escrito por Vladimir às 08h15
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Canto do Vladimir
Perfil
Nome: Vladimir Batista
Idade: 37
Nasceu: Goiás
Mora: Rio de Janeiro
email: vladimir.batista@gmail.com
Conteúdo
Blog de Vladimir Batista, 37, sobre cinema, curiosidades (etimologia (origem das palavras), dicionário, cultura inútil, rankings (top10, top5,...)), música, TV, literatura, minhas criações (letras, poemas, contos, romances, novelas, roteiros de cinema, argumentos), atualidades, minha vida, etc...
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Histórico
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