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Músicas Lentas dos Anos 80
Um ex-colega de faculdade Orlando me mandou um email saudosista, lembrando das tradicionais festinhas dos anos 80, da hora da música lenta, do ritual do "- quer dançar?" "- estou cansada... ". Era isso mesmo!

Ele mesmo fez um ranking de clássicos da música lenta, lembrando inclusive a novela cuja trilha incluía a canção. Olha a lista:
Classic e Empty Garden (Sétimo Sentido) Making Love e Time After Time (Champagne) Almost Paradise (Transas e Caretas) Crazy for You, Forever by Your Side e Heaven (de A Gata Comeu Internacional - a melhor trilha melosa de todos os tempos) What About Me? e Make no Mistake, He's Mine (Corpo a Corpo) We've Got Tonight (do Kenny Rogers, não sei de qual novela)
Orlando também lembrou de Total Eclipse of the Heart, que não entrou em trilha. Segundo ele, “era de uma m... de disco chamado Video Hits 2 que, por sinal, só tinha esta música de boa.” rs.
Confesso que não tenho boa memória como o Orlando para as músicas lentas dos anos 80. Dessas, certamente as que mais gosto são Making Love e Total Eclipse of the Heart, que têm um crescendo pomposo, muito legal.
Mas me lembrei de mais uma: Say You, Say Me do Lionel Ritchie. Tinha uma parte mais rápida que quebrava o clima da dança, quem se lembra? Quando você estava ficando mais coladinho e com mais esperanças de emendar a dança com um ansiado beijo, entrava a parte rapidinha e babau. Acho que por causa disso, essa canção é bem mais representativa daquela minha época de muita paquera, muito platonismo e, na verdade, pouca atitude.
Valeu a lembrança, Orlando!
Escrito por Vladimir às 20h13
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A ginasta brasileira Laís Souza - I
Pouca gente percebeu mas, nas Olimpíadas de Atenas, a ginasta Laís Souza, então com 15 anos, na primeira fase da prova de Salto (ex-Salto Sobre o Cavalo), tirou uma nota suficiente para ir para a final entre as oito melhores do mundo no aparelho, o que seria um feito inédito. Mas ela não foi. Intrigado, mandei um email para a Confederação Brasileira de Ginástica perguntando porquê. Eles me responderam que para ter ido à final ela tinha de ter saltado duas vezes. Saltando uma vez só, ela somente contribuiu para a nota da equipe brasileira como um todo que lutava para ficar entre as oito do mundo (acabou ficando em nono). Isto é, ela tomou a decisão de não saltar mais uma vez, pois poderia baixar a média geral e contribuir menos para a equipe.

Isso me deixou boquiaberto, porque se há uma oportunidade única na vida de todo atleta, é a de participar de uma final da Olimpíada. Ela deixou de tentar a chance de sua vida pela equipe.
Comecei a reparar mais nessa paulista de Ribeirão Preto. Nas entrevistas, ela não tem o calor da Daniele Hypólito e da Daiane dos Santos, sempre avalia com certa auto-crítica e um grande perfeccionismo sua performance, seus treinos e até suas vitórias. Mesmo feliz ela tem certa frieza. Um ou outro sorriso tímido debaixo de suas sobrancelhas severas.
Um dos problemas dos atletas brasileiros é o efeito psicológico. Quando se está chegando no topo, sente o peso e qualquer pequeno obstáculo o faz morrer na praia. Nas últimas olimpíadas, vimos no vôlei feminino um exemplo. Uma atleta experiente como a Fernanda Venturini e um exemplo de frieza como a Mary simplesmente desmoronaram na semi-final contra a Rússia. Por outro lado, o Baloubet du Roet, que é um cavalo, não se deixou abater pela refugada histórica e humilhante na Olimpíada anterior, foi lá e faturou o ouro sob as rédeas do Rodrigo Pessoa. Acho que os atletas brasileiros de vez em quando tem de ter um pouco da ausência de emoção do Baloubet e manter a luta até o fim.
Pois eu acho que com a Laís Souza esses desmoronamentos não vão acontecer. Versátil, apesar do Salto ser seu forte, ela manda muito bem no Solo e, na Trave, foi a 18ª em Atenas! Sei que esse perfeccionismo tem o dedo do técnico Oleg Ostapenko, mas o que tenho sentido é que a Laís tem um espírito com um bravura única, de quem não vai se deixar abater pelos contratempos e vai chegar ao topo.
Por exemplo, ela acabou de sair de uma fratura no pé e levou, na Etapa Mundial da Alemanha, o ouro no Salto e um excelente (e pouco divulgado) quarto lugar no Solo. E ainda saiu apontando onde pode melhorar. “Isso tudo não é sorte, é treino, muito treino!” - disse.
Sei não, mas acho que estamos diante de uma campeã do mundo. Acredito sinceramente que Laís Souza será a grande estrela brasileira nas Olimpíadas de Pequim-2008.
Escrito por Vladimir às 07h28
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Anotações para o Top5 de Melhores Músicas Nacionais em 2005
Outra música nacional boa desse ano é uma do Lenine, chamada Todas elas juntas num só ser. É uma enumeração de dezenas (centenas?) de musas de compositores brasileiros e mundiais. Achei muito legal, me lembrou músicas como Festa de Arromba, do Roberto e Erasmo da época da Jovem Guarda, ou Festa da Música Tupiniquim do Gabriel o Pensador, que também citam vários músicos vivos e mortos, com a vantagem de homenagear um dos mais belos elementos da arte musical: a musa. Olha um trecho:
Todas elas juntas num só ser (Lenine /Carlos Rennó)

Já não homenajeio Januária, Joana, Ana, Bárbara, de Chico; Nem Yoko, a nipônica de Lennon; Nem a cabocla, de Tinoco, de Tonico;
Nem a tigreza, nem a vera gata Nem a branquinha, de Caetano; Nem mesmo a linda flor de Luiz Gonzaga, Rosinha, do sertão pernambucano;
Nem Risoflora, a flor de Chico Science - Nenhuma continua nos meus planos. Nem Kátia Flávia, de Fausto Fawcett; Nem Anna Júlia, do Los Hermanos.
Só você, Hoje eu canto só você; Só você, Que eu quero porque quero, por querer. (...)
Escrito por Vladimir às 07h03
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Cinema
Nesse fim de semana vi a melhor animação e o melhor filme de ação de 2005 até agora (na minha opinião), o que não chega a ser um elogio, pois foi um ano fraco para esses quesitos. De ação, o melhorzinho até agora tinha sido Batman Begins e de animação fora Robôs. Vamos aos que conseguiram superá-los, segundo os meus particulares critérios:
A Noiva Cadáver

Adorei a animação do Tim Burton, o diretor de vários filmes dark legais como A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça, Edward Mãos de Tesoura, entre outros. Um pacato rapaz fica dividido entre uma noiva viva e outra morta. A estória de amor é até simples mas muito cativante. O humor macabro light é o melhor desde A Família Addams. E o design gótico dos personagens são uma atração à parte, me lembrando o excelente As Bicicletas de Belleville. O grande destaque é o personagem da própria Noiva Cadáver com sua inocência melancólica dentro de um corpo desfigurado que não deixa de ter sua beleza.
Carga Explosiva II

Um entregador aficcionado por regras luta contra um grupo de terroristas que sequestram um garoto. Já que o John Woo não dirige mais filmes com cenas legais de tiroteio coreografado e Jackie Chan também dá sinais de cansaço de suas lutas impagáveis, o francês Luc Besson, diretor que cometeu os ótimos O Quinto Elemento e O Profissional, manda (como produtor) esse petardo de ação ininterrupta e mentirosa que diverte do início ao fim. Particularmente, uma cena de luta com uma mangueira de incêndio já entra para a minha lista de uma das melhores dos últimos tempos.
Escrito por Vladimir às 08h33
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Goiás, São Paulo e Rio de Janeiro
Entre as diferenças de expressões entre os locais que eu morei, Goiás, São Paulo e Rio, algumas são conhecidas. Por exemplo, eu estou ainda me acostumando a não chamar o semáforo de farol (como em São Paulo), e sim de sinal, como aqui no Rio. Pelo menos, ambos são melhores que sinaleira, que eu ouvia em Goiás. Aliás, no trânsito, o charme de Goiás é chamar as rotatórias de queijinho, o que de vez em quando ainda deixo escapar, divertindo os meus interlocutores.

Em São Paulo, a minha maior surpresa logo que mudei para lá, foi que os alunos e professores chamam de lousa o que em Goiás e no Rio é simplesmente o quadro-negro. A primeira vez que ouvi isso de um professor, achei que era uma espécie de piada, que ele estava imitando um falar antigo. Depois de um tempo, percebi que as pessoas realmente diziam lousa.
No Rio, talvez o que mais me chamou a atenção foi que eles chamam encanador de bombeiro, que em São Paulo e em Goiás, é só o Oficial do Corpo de Bombeiros mesmo. Também aqui no Rio chamam Amigo Secreto (como em Goiás e em São Paulo) de Amigo Oculto. Depois descobri que em Minas, e em algum lugar do Nordeste também é Oculto. Eu me divirto com a Globo no final do ano alternando as duas expressões nos seus programas, ora dizendo Amigo Secreto, talvez para agradar os paulistas (o maior público), ora deixando escapar sua inequívoca origem carioca com Amigo Oculto.
Em Goiás, uma expressão exclusiva é chamar aqueles trailers de hambúrgueres de Pit-Dog. Em nenhum outro lugar, que eu saiba, eles têm esse nome. Tenho curiosidade de saber a origem do nome. Bem, deve ter sido derivado de pit-stop, claro, mas gostaria de saber quem primeiro falou e porque a expressão se espalhou tanto lá.
Falando em estabelecimentos alimentícios, uma diferença curiosa entre os três lugares é como são nomeados as boas e velhas padarias. Enquanto que aqui no Rio elas chamam Padaria mesmo, ou Padaria e Confeitaria, lá em Goiás só existem Panificadoras, e em São Paulo os nomes são seguidos por Pães e Doces.
Aliás, lembrei de uma estória de um conhecido meu paulista que, querendo se integrar, entrou numa padoca aqui no Rio, e, puxando os erres e esses à carioca, disse:
- Poar favoar, uma roshca! - O quê? - Uma roSHca, poarr favoarr! - Não entendi.
Aflito e frustrado, o paulista apontou para o vidro. O atendente, riu-se:
- Ah! Um pão-doce!
Escrito por Vladimir às 07h49
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Cinema
Jardineiro Fiel
 Um pacato diplomata inglês no Quênia não acredita na versão oficial do assassinato brutal de sua esposa e resolve investigar por conta própria, mergulhando numa conspiração internacional. Lembra aquela fita (melhor) chamada O Informante, com o Russel Crowe.
O primeiro filme gringo do Fernando Meirelles é muito bem filmado, com tomadas muito belas e bom suspense, mas não tem a genialidade de Cidade de Deus, nem a divertida criatividade de Domésticas. Aliás, talvez foi com o fato de não haver nem um pingo de humor em Jardineiro Fiel, nem ao menos a ironia na qual Meirelles é expert, que ele tenha deixado de ter feito “a” diferença.
Mas o filme é bom, as atuações do casal protagonista estão ótimas, aliás me surpreendi com a Rachel Weisz (de A Múmia e O Juri), que ainda por cima está linda aqui, até quando aparece grávida e nua (que maquiagem boa, pareceu mesmo que ela estava grávida!). Vale a pena ver, só não dá pra esperar o impacto de CDD.
Senhor Vingança e Lady Vingança

Do Festival do Rio, faltou eu comentar os dois filmes do coreano Park Shon Wook, o mesmo de Old Boy. Como este, ambos são cheios de sangue - a ponto de exigir estômago de aço - e humor negríssimo. Em resumo gostei do primeiro, Senhor Vingança, quase caseiro mas com boas idéias, me lembrando o primeiro filme do Robert Rodriguez, El Mariachi. Já do segundo, Lady Vingança, muito mais bem acabado, com capricho nas cores e nas cenas, eu não gostei. Um roteiro que promete no início se mostra sem surpresas e o humor negro, o maior forte do cineasta, aqui ficou forçado, literalmente ritualizado. Tem algumas cenas boas, no entanto. Mas nenhum dos dois supera Old Boy, que tem um dos melhores roteiros dos últimos tempos.
Escrito por Vladimir às 07h33
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O som das vogais e consoantes

No meu livrão Houaiss, descobri que existe uma descrição para o som de todas as letras dos idiomas. Por exemplo, o som de A (como em arara) é: vogal aberta, central, não arredondada. Hum, realmente, a gente abre a boca e não a arredonda (faz bico) para falar, mas por que central? Em contraposição, o som Ô (de avô), é descrito como: vogal semi-fechada, posterior, arredondada. Também faz sentido, mas o mistério da diferença entre central, posterior, anterior permanece.
O som das consoantes tem definições ainda mais bizarras, como o do J (de jeito), que é: consoante fricativa pós aveolar sonora, vixe! Já o som de NH (como em banho) tem a descrição de consoante nasal palatal. Seria bom explicar isso para os gringos que chamam o Ronaldinho Gaúcho de Ronaldino. Falando nisso, o som do R do Galvão Bueno quando ele diz “Rrrrronaldinho” (que eu infelizmente não sei pronunciar), também tem uma descrição: consoante vibrante alveolar. Vibrante, mesmo, né?
Olha os sons das minhas consoantes e vogais:
V – consoante ficrativa lábiodental sonora L – consoante aproximante lateral alveolar A – vogal aberta, central, não arredondada D – consoante africada pós-aveolar sonora I – vogal fechada, anterior, não arredondada M – consoante nasal bilabial I – vogal fechada, anterior, não arredondada R – consoante aproximante alveolar
E as letras de Cláudia:
C – consoante oclusiva velar surda L – consoante aproximante lateral alveolar Á – vogal aberta, central, não arredondada U – semi-vogal fechada, posterior, arredondada D – consoante africada pós-aveolar sonora I – semi-vogal fechada, anterior, não arredondada A – vogal aberta, central, não arredondada
Escrito por Vladimir às 07h01
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Um poeminha meu para a Cláudia chamado "Nicole Kidman"
Nicole Kidman (Vladimir - 17/Out/2005)
Entreabro a porta e meu semblante Sorri ao te ver, Cláudia, deslumbrante Como um raio de estrela pela abertura Apaga-se tudo mais na sala escura
Minha paixão por ti é a sétima arte Pois a imagem e o som de encontrar-te Arrebatam meu peito e minhas retinas Como a película que mais me fascina
Querida, tu és a minha Nicole Kidman Poderosa, rainha, Nicole Kidman És para as minhas sensações Como a estrela ídola de milhões
Contigo a realidade desafia-me Quando te beijo na boca como um filme Não sei se estou vivendo aquela cena Ou se é somente um sonho de cinema
Seja drama, comédia ou mistério Nossa vida juntos é nosso império Do maior romance que se lembre De um filme que vai durar pra sempre
Querida, tu és a minha Nicole Kidman Poderosa, Rainha, Nicole Kidman És para as minhas sensações Como a estrela ídola de milhões
Ai, vida, tu és a minha Nicole Kidman Esplendorosa, tão linda Nicole Kidman Uma musa encantadora assim Que eu tenho todinha para mim

Escrito por Vladimir às 07h28
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Anotações - Top5 Melhores Músicas Nacionais em 2005
O final de 2005 está chegando, já tem até panetones no supermercado, então já começo a consolidar anotações para os meus Top5 do ano.

Para o ranking das melhores músicas nacionais, destaco aqui a nova boa sacada do Zeca Baleiro, chamada Alma Nova. Nela, o criativo compositor “conversa” com sua alma, que está ansiosa a ponto de querer sair pela boca ou experimentar o amor. Olha a letra que gostosa:
Alma nova (Zeca Baleiro e Fernando Abreu)
Sempre que te vejo assim Linda, nua E um pouco nervosa Minha velha alma Cria alma nova
Quer voar pela boca Quer sair por aí E eu digo calma alma minha Calminha, Ainda não é hora de partir
Então ficamos Minh'alma e eu Olhando o corpo teu, sem entender Como é que a alma entra nessa história Afinal, o amor é tão carnal Eu bem que tento (tento), tento entender Mais a minha alma não quer nem saber Só quer entrar em você Como tantas vezes já me viu fazer
E eu digo calma, alma minha Calminha, Você tem muito que aprender
Escrito por Vladimir às 22h12
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Títulos de chorinhos

Eu me amarro nos títulos que os compositores arranjam para as músicas de chorinho. Cada nome mais gracioso que o outro. Até imagino os autores bolando a palavra, sempre imaginando qual sensação cheia de ternura aquele chorinho desperta.
Alguns escolhem diminutivos auto-descritivos:
Modinha Toadinha Brasileirinho Carioquinha
Outros pincelam adjetivos o mais fofos possíveis:
Carinhoso Sensível Delicado Amoroso Ingênuo Encabulado
Ou apelidos carinhosos:
Benzinho Doce de Coco
Mas há quem prefira palavras com toques mais maliciosos:
Assanhado Brejeiro Malandrinho Atraente Feitiço Beliscando
Ou ainda com ares de mistério:
Enigmático Escurinho De Mansinho
Há uns mais atrevidos:
Implicante Cabuloso Desvairada
Outros mais melancólicos:
Lamentos Choramingando
Dá até vontade de compor um chorinho, só para escolher um título bem encantador desse, né?
Escrito por Vladimir às 08h01
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2046
Quando eu era criança pequena lá em Anápolis, meus pais eram unânimes em dizer que o melhor cineasta do mundo de então era o Federico Fellini, dos clássicos Amarcord e A Doce Vida. Taí uma pergunta difícil para os dias de hoje. Entre os candidatos, eu poderia citar o espanhol Pedro Almodóvar (das obras-primas Carne Trêmula e Fale com Ela) e o dinamarquês Lars Von Trier (de Dançando no Escuro e Dogville). Mas acho que o chinês Wong Kar Wai está correndo por fora com uma obra maravilhosa, e talvez seja uma alternativa com força.

Seu último filme, 2046, é uma espécie de continuação de seu anterior Amor à Flor da Pele (In the mood for love), um cult dos nossos anos. Depois de viver a intensidade de uma paixão muito insinuada mas pouco concretizada, o novo filme mostra os anos seguintes do homem do casal (Tony Leung, ótimo) e as diversas mulheres que cruzam seu caminho. Inclui um tórrido romance com a cortesã Zhang Ziyi (aquela chinesinha de O Tigre e o Dragão, linda nesse filme), em cenas maravilhosas, e uma relação de cumplicidade com outra moça que o ajuda a escrever um romance. Esses vários amores frustrados, bem como seu livro de ficção científica cheio de simbolismos, só fazem reforçar a idéia que o personagem simplesmente não consegue viver mais um amor como o que viveu no primeiro filme. Essa sensação é labiríntica e a gente se perde dentro dela.
O forte novamente são as imagens, a música, a montagem. Eu e a Cláudia deixamos o clima de Wong Kar Wai colar na nossas veias. Talvez um ponto fraco seja a duração. Às vezes, parece que o cineasta não sabe quando e como acabar o filme. Mas até isso tem a ver com a sensação de frustração do amor romântico que permeia toda a obra. Vale a pena ir preparado para entrar nesse labirinto, e curtir mais uma obra inesquecível desse que é, na minha opinião, um sério candidato a melhor cineasta do mundo atual.
Escrito por Vladimir às 20h52
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Palavra-ônibus

Numa das primeiras vezes que folheei o Houaiss descobri uma curiosa designação semântica chamada palavra-ônibus. Ao consultar o vocábulo LEGAL, por exemplo, está lá: “adj.palavra-ônibus que qualifica pessoas ou coisas com atributos positivos: belo, bom, amável, compreensivo, interessante, curioso, justo, etc.”. Ou seja, quando a acepção é obrigada a incluir um “etc”, essa é uma palavra-ônibus, pois engloba um monte de significados. O próprio vocábulo “Palavra-ônibus” explica melhor:
Palavra-ônibus s.f. ling. palavra, quase sempre de uso coloquial, cujas acepções são tantas que não comportam delimitação semântica formal (p.ex.: troço, legal, bacana)
Aliás, é bacana procurar palavras-ônibus no dicionário. Fui direto a COISAR, pois não deve haver palavra mais ônibus que essa, né? E voilá: “v.t.d. e int. palavra-ônibus usada para suprir um verbo que, por lapso ou ignorância, não ocorre a quem fala; são inúmeros os seus significados.” Inúmeros? Não sei se concordo, pois o charme de COISAR é justamente não significar nada fingindo que quer dizer algo...
Não entendi por que, segundo o dicionário, TROÇO é palavra-ônibus mas TRECO não. Será que TROÇO é mais abrangente, talvez por ser mais abstrato? Procurei por BREGUETE: “s.m. mesmo que bregueço”, hã? OK, Houaiss, vou então até BREGUEÇO: “quinquilharia, pertence, qualquer objeto”, e nada de palavra-ônibus. Também não encontrei em PARADA, mas também não há a acepção usada amplamente na gíria carioca, como “evento, oportunidade, encontro, desentendimento, entendimento, relação sexual, etc”, claramente uma palavra-ônibus.
Por fim, procurei, meio pessimista, por TREM, na acepção mineira ou goiana. E não é que está lá? “reg: MG, GO, TO. palavra-ônibus usada em lugar de algo concreto”. Gostei. Aliás, proponho mudar o termo: ao invés de palavra-ônibus, por que não palavra-trem? Já define e dá um exemplo numa tacada só... A parada acaba coisando um treco muito mais legal, né?
Escrito por Vladimir às 09h51
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Festival do Rio - a maratona está chegando ao final
Beijos e Tiros (Kiss Kiss Bang Bang) Comédia de erros sobre trio em Hollywood que investiga por conta própria uma série de mortes. Na linha de O Nome do Jogo (Get Shorty), com situações inusitadas, humor negro e atuações impagáveis, principalmente de Robert Downey Jr e Val Kilmer. Com cenas de rachar o bico. A Cláudia não viu, mas tenho certeza que vai amar!
Reis de Dogtown Sobre garotos americanos que revolucionaram o skate nos anos 70. A história real é interessante e as cenas rasantes de skate são muito legais.
Seven Swords Boa aventura chinesa com artes marciais, sobre sete espadachins que vão defender uma pequena cidade. O roteiro é meio confuso, com muitas tramas paralelas que vão surgindo e fechando sem avisar, e as primeiras cenas não entusiasmam muito. Mas algumas das estórias, como a boa química de um casal de coreanos, e as cenas finais de lutas – arrebatadoras - valem o filme.
Manderlay A continuação de Dogville, também encenado num grande galpão, e dessa vez abordando a relação entre negros e brancos numa outra pequena cidade como metáfora dos EUA, é até melhor que eu esperava, pois tem um roteiro que acaba se fechando com inteligência. Mas o filme anterior - que ainda por cima tinha a Nicole Kidman - é muito superior. Lars Von Trier me lembra o Almodóvar, outro gênio do cinema atual que vinha fazendo um filme melhor que o outro, mas que no último derrapou. Mas Manderlay, ao contrário do decepcionante Má Educação, ainda mantém muito da genialidade de um dos melhores diretores da atualidade. Um detalhe interessante na minha sessão no Odeon foi a presença do Danny Glover (aquele da série Máquina Mortífera), que aliás está muito bem no filme.
Crime Delicado Marco Rica se apaixona por uma mulher com uma perna amputada. A minha maior decepção do Festival foi esse novo filme do Beto Brant. Já tinha visto e gostado de todos anteriores dele (Os Matadores, Ação entre Amigos e O Invasor), sempre com uma boa trama policial, belas atuações e um jeito de filmar com qualidade. Dessa vez, a despeito do título enganador, não há uma trama policial, chega a ensaiar um fiapo de drama de tribunal, mas o filme é especificamente conceitual. Cabeça mesmo; demais para o meu gosto.
Cinema Aspirinas e Urubus Por outro lado, esse road movie nacional sobre um alemão e um nordestino viajando pelo sertão nos idos de 1943 me surpreendeu positivamente. Assim como, só para citar alguns exemplos brazucas, Central do Brasil e Diários de Motocicleta, a química da dupla viajante é perfeita e não há como não nos afeiçoarmos a eles. Divertido e emocionante, muito bom mesmo.
Where the Truth Lies Uma dupla de comediantes dos anos 60 (Colin Firth e Kevin Bacon, ótimos) se encontra envolvida na morte de uma adolescente e alguns anos depois uma jovem jornalista começa a investigar e a se envolver com eles. Filme excelente, um dos melhores do Festival, à moda dos bons thrillers hitchcockianos, eróticos e psicológicos de Brian de Palma (Dublê de Corpo, Vestida para Matar, Femme Fatale), com toques de modernidade do diretor Aton Egoyan. E as cenas eróticas são muuuito sensuais. Vi junto com a Cláudia e adoramos!
O Festival acaba hoje, snifes. Outro dia eu comento 2046, talvez o que mais gostei, que vi ontem com a Cláudia e os dois filmes coreanos de Park Shon Wook (Senhor Vingança e Lady Vingança) que verei hoje.
Escrito por Vladimir às 08h47
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Festival do Rio – O Encouraçado Potemkin

Minha experiência cinematográfica única do ano - quiçá da década. Essa foi a primeira vez que vi um filme mudo no cinema, e foi logo com essa obra russa de 1925, que está em todos os grandes Top10 de Melhores de Todos os Tempos. Se não bastasse, acompanhado da Orquestra Sinfônica Brasileira tocando a trilha sonora original. Coisa para se contar para os meus netos. Fiquei hipnotizado, maravilhado pelas sensações das cenas revolucionárias de Sergei Eisenstein envolvidas pelas cordas e percussões da orquestra.
Eu já tinha visto esse filme no VHS, mas dessa vez pude prestar mais atenção. Sem contar que a trilha sonora agora foi a original, com uma integração primorosa entre o som e a rápida edição, incluindo certas sonoplastias, muito legal.
A história não é lá muito atraente com toda aquela intenção de glorificar a revolução comunista, ficou datado demais. Também senti falta de personagens mais profundos. Mas as sequências (e principalmente as montagens) são memoráveis. A rigor são quatro longas cenas (a revolta no navio, a mobilização das pessoas em terra, o massacre na escadaria de Odessa e a expectativa de uma batalha naval), às vezes longas demais para o nosso gosto atual. Eisenstein eleva a expectativa ao máximo adiando o clímax de cada cena através de cortes rápidos para inúmeros detalhes e expressões faciais. A orquestra ajuda, realizando um crescendo interminável. Acredito que o diretor, com esse filme, criou a arte do suspense. Não o suspense como gênero, e sim como o definitivo truque para prender e envolver o espectador na telona. Inesquecível.
Escrito por Vladimir às 09h05
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Canto do Vladimir
Perfil
Nome: Vladimir Batista
Idade: 37
Nasceu: Goiás
Mora: Rio de Janeiro
email: vladimir.batista@gmail.com
Conteúdo
Blog de Vladimir Batista, 37, sobre cinema, curiosidades (etimologia (origem das palavras), dicionário, cultura inútil, rankings (top10, top5,...)), música, TV, literatura, minhas criações (letras, poemas, contos, romances, novelas, roteiros de cinema, argumentos), atualidades, minha vida, etc...
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Histórico
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