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Helena Meirelles

Uma das fatores que fazem que eu, um cara tímido, consiga me integrar aos colegas de trabalho é a minha mania de ouvir música no laptop. Eu ligo a seleção aleatória do meu player e uma incrível salada musical vai se alternando. Começa com pagode das antigas do Raça Negra, passa por Frank Sinatra, desliza por um rock pesado do Sepultura, passeia por Racionais MCs e chega a um forró do Matruz com Leite. Eu realmente gosto de ouvir assim e meu ecletismo acaba virando motivo de curiosidade, involuntariamente me ajudando a me integrar.
Alguns artistas que costumo ouvir são sempre citados como exemplo pelos meus amigos de quão radical é meu ecletismo. Latino é um deles, Aracy de Almeida é outra, mas também Helena Meirelles, a Dama da Viola. Eu adoro ouvir a violeira pantaneira com sua música instrumental, que lembra um misto de toques caipiras paraguaios com melodias de natal. Sempre foi um “sucesso”, pelo menos de polêmica. Uma ex-colega minha sempre dizia: “Lá vem Vlad de novo ouvindo a ‘Velhinha do Banjo’!”
No Festival do Rio do ano passado, eu fui ao Cine Odeon ver um documentário sobre Helena Meirelles e ela própria apareceu lá sentando-se bem atrás de mim. Era divertido ouví-la comentando as cenas, dizendo onde e quando haviam filmado tal sequência. Achei bonito quando ela disse que, com oitenta e tantos anos de vida, era a primeira vez que ela ia ao cinema, pode? Ela era uma figura e estava realmente amando muito tudo aquilo. O filme foi razoável, mas confesso que as partes que eu mais gostava era quando ela pegava a viola e dedilhava suas melodias cativantes. Ela era uma virtuose na palheta e eu fechava os olhos e procurava sentir a música nas veias.
Fiquei sentido de saber sua morte ontem. Considerada uma das 100 maiores violonistas (ou guitarristas) do século passado pela conceituada revista americana Guitar Player, mas ainda pouco conhecida no Brasil, espero que ela tenha pelo menos agora o prestígio que merece. E meus colegas que aguentem uma overdose da “Velhinha do Banjo” no meu laptop hoje.
Escrito por Vladimir às 09h18
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Revista Língua

Conheci essa semana uma nova publicação, a Revista Língua Portuguesa, ou apenas Revista Língua (que eu acho mais legal). Repleta de curiosidades sobre a última flor do lácio, como etimologia (origem das palavras, que eu me amarro), entrevistas, crônicas, algumas “aulinhas” e testes de gramática, links na internet e até notícias... Por exemplo, vocês sabiam que está vindo aí mais um acordo ortográfico dos países lusófonos que deve, entre outras coisas, extinguir (finalmente!) o trema e eliminar acentos como em enjôo (que passará a ser enjoo) e em pára (do verbo parar, cujo acento hoje é usado como diferencial)?
Nesse número 1, há também uma matéria sobre o famoso gerundismo das centrais de atendimento (“vou estar resolvendo seu problema!”); uma curiosíssima carta escrita por Graciliano Ramos quando foi prefeito (que fez seu talento para as palavrinhas ser descoberto); matérias sobre influências entre idiomas, como a dos bantos (africanos) no português, e também, curiosamente, o inverso, ou seja, a influência do português na língua tupi. Adorei a estrofe de um poema famoso de Edgar Allan Poe (O Corvo) apresentada no original em inglês com quatro exemplos de traduções (entre elas, uma de Machado de Assis e outra de Fernando Pessoa). Achei bem interessante como cada tradutor resolveu as escolhas das palavras, das métricas e das rimas em sua respectiva versão.
Há alguns defeitos. Alguns temas são abordados de forma muito superficial, outros se dispersam demais, também senti uma falta de unidade entre as matérias. Mas são problemas facilmente corrigíveis e a média geral é muito positiva, preenchendo uma lacuna que faltava na banca de revistas.
O que mais me cativou foram - aqui e ali - as gostosas definições apaixonadas da nossa língua. Num certo ponto é dito que o português “se adapta diante dos contratempos sem deixar de ser categórico, afirmativo”, sendo portanto “sonso e maleável” mas também “com certo tom de funda melancolia”. Os depoimentos sempre falam de uma língua complexa, porém muito musical e sobretudo querida; acho que é isso mesmo, né... Gostei da revista, já estou com vontade de ler o número 2.
Escrito por Vladimir às 16h14
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Festival do Rio

Well, não estou conseguindo cumprir metade da minha meta de filmes no Festival do Rio, vou tentar recuperar na segunda semana. Entre os filmes que assisti até agora, destaco:
Eros Podem chegar bem atrasados ao cinema: são três episódios, mas os dois primeiros são muito fracos. Eu e a Cláudia fomos recompensados no final, com o episódio chamado Hands do Wong Kar Wai (simplesmente o diretor que fez o “nosso” filme: Amor à Flor da Pele). Este Hands é uma espécie de Dama das Camélias chinês, sobre um jovem alfaiate que passa a vida servindo e cultivando uma paixão devotada por uma cortesã (a ótima Gong Li), na Hong Kong dos anos 60. Belissimamente filmado, há cenas memoráveis, como quando ele tira as medidas dela com suas mãos tocando seu corpo. E a química é absurdamente perfeita.
Crash – No Limite Raro filme independente com elenco estelar (tem até a Sandra Bullock!). Vários personagens entrelaçam histórias em LA (como em Short Cuts, do Robert Altman), todas elas envolvendo preconceitos e conflitos das raças. Vê-se asiático com preconceito de hispânico, branco com preconceito de preto, preto com preconceito de asiático, todos com preconceito de iraniano, entre outras variantes. Aqui acontece aquelas coincidências meio inverossímeis com personagens se encontrando em cada esquina (como nas novelas), mas eu gosto disso. Ademais o roteiro tem a virtude de que nenhum personagem é totalmente bom ou ruim, e você nunca sabe para quem torcer, lembrando outro ótimo filme sobre o mesmo tema: Casa de Areia e Névoa. Por fim, há cenas de tirar o fôlego; gostei muito.
Querida Wendy Um grupo de garotos loosers de uma pequena cidade resolvem montar um grupo de admiradores de armas para aumentar suas respectivas auto-estimas. No começo dá certo, e o grupo é mostrado com todas as suas idiossincrasias, como códigos, linguagens, rituais. Mas, como se espera desde o início, a coisa começa a dar errado com a introdução de um novo membro. O roteiro é do Lars Von Trier (de Dogville), então fui esperando uma boa porrada e não me decepcionei. A estrutura lembra a do ótimo Almas Gêmeas (Heavenly Creatures), aquele do Peter Jackson sobre duas garotas que vivem um detalhado mundo de fantasia que termina em tragédia. Gostei desse também.
Escrito por Vladimir às 16h59
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Gatinhas kitty
para Cláudia

Escrito por Vladimir às 08h37
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As Melhores Novelas das Sete

Não há uma novela das sete do meu agrado desde Kubanakan. Da Cor do Pecado tinha algumas cenas legais, mas também tinha muita coisa chata. Começar de Novo foi uma tortura do começo ao fim e A Lua me Disse prometeu muito e nada cumpriu.
Desde o marco Guerra dos Sexos, em 1983, de Sílvio de Abreu, novela das sete boa tem de ser caprichada no humor. Carlos Lombardi aprendeu a lição e, depois de dividir com Sílvio a ótima Vereda Tropical, nos deu uma bem realizada sequência de novelas que parecem ser a mesma de tão parecidas (ou seja, todas com muitas trocas de casais e diálogos rápidos, irônicos cheios de metáforas de sexo e futebol): Bebê a bordo, Quatro por quatro, Uga-Uga e Kubanakan, entre outras. Cassiano Gabus Mendes também nos premiou com as obras primas Ti-ti-ti e Brega e Chique. O próprio Sílvio de Abreu nos deu, no horário das sete, as geniais comédias Cambalacho e Sassaricando, pena que depois escorregou em Deus nos Acuda e Filhas da Mãe. Ultimamente ele tem se dado melhor no horário das oito, onde fez outro marco: A Próxima Vítima, entre outras muito boas (aliás vem aí, Belíssima).
Quando eu chego em casa todos os dias, a novela das sete está na metade final do capítulo. Eu quero ver cenas divertidas, mesmo se não consigo acompanhar a estória. Nesse ponto, Kubanakan era um primor: havia cenas de ação e comédia em todos os capítulos mas eram absolutamente impossíveis de acompanhar as reviravoltas mirabolantes. E ela era ótima!
Por isso, estou com boas expectativas com relação a Bang-Bang. Não me lembro de Estúpido Cupido, última novela do Mário Prata (lembro só do LP da trilha, que tinha lá em casa), mas já li alguma coisa do autor e acredito em sua capacidade de criar tipos divertidos. E a premissa da novela - velho oeste como metáfora de coisas atuais - é uma excelente idéia. O perigo é que, na teledramaturgia, idéias originais costumam ser um tiro no escuro: ou dão muito certo ou afundam. Espero que esse seja o primeiro caso, né?
Escrito por Vladimir às 08h32
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Festival do Rio

Saiu o guia do Festival do Rio, e já tratei de fazer a minha tentativa de programação para a maratona. Como eu trabalho, só pude contar com sessões à noite ou no findi. Mesmo assim, incluí até quatro filmes num dia, será que consigo? Infelizmente não pude encaixar O Jardineiro Fiel e A Noiva Cadáver, mas esses vão estrear no circuito em breve. Segue a minha idéia para a primeira semana:
Dia 23, Sexta 21:30 - Eros. Três episódios de amor e sexo, por Michelangelo Antonioni, Steven Soderbergh (de Sexo, Mentira e Videotape) e Wong Kar Wai (de Amor à Flor da Pele). Parece imperdível, né?
Dia 24, Sábado, 4 filmes! 10:00 - Wallace & Grommit: Animação dos mesmos autores de A Fuga das Galinhas. 14:00 - Crash – No Limite: Drama racial com elenco estelar (Matt Dilon e Sandra Bullock). 16:30 - Querida Wendy: Sobre a mania de armas, com roteiro de Lars Von Trier (de Dogville). Mais um imperdível! 19:00 – Achados e Perdidos: adaptação nacional de um livro policial do bom Luiz Alfredo García-Roza (só que sem o Delegado Espinoza), será que ficou bom?
Dia 25, Domingo 14:30 – Caché: sucesso em Cannes, thriller dito “impactante” com a Juliette Binoche. 16:30 – Beijos e Tiros (“Kiss, kiss, bang, bang”): sobre um ladrão em Hollywood, com Robert Downey Jr e Val Kilmmer (a Cláudia adora esses atores...).
Dia 26, Segunda 19:00 – Proof: sobre uma Gwyneth Paltrow perturbada, filha de um gênio da matemática. 22:00 – Election: filme policial de Hong-Kong, que passou em Cannes. Espero que tenha bastantes tiroteios estilizados, à John Woo...
Dia 27, 28 e 29 Terça, Quarta e Quinta, nada muito interessante, talvez: Terça, 19:00 - Amor Idiota, comédia espanhola. Quarta, 19:00 - ABC do Amor, sobre garoto de 10 anos que se apaixona por garota mais velha. Quarta, 21:30 – Olhar Estrangeiro, documentário da visão em filmes estrangeiros do Brasil. Quinta, 19:00 – Bonecas Russas, continuação de Albergue Espanhol.
Dia 30, Sexta-feira 20:00 – O Encouraçado Potenkim, clássico russo, com direito a acompanhamento da Orquestra Sinfônica Brasileira! Que chique. 24:00 – Garganta Profunda: se der, vou assistir a esse também clássico... só que pornô...
Dia 01, Sábado 16:30 – Seven Swords, artes marciais do bom Tsui Hark. 19:00 – Cinema, Aspirinas e Urubus, nacional sobre sessões de cinema no sertão, passou em Cannes. 21:15 – Manderlay, continuação de Dogville, de Lars Von Trier, com o mesmo cenário-galpão, sobre escravidão.
Dia 02, Domingo, estou na dúvida no primeiro horário, entre dois “crimes”: 12:00 - Crimen Ferpecto, filme espanhol sobre um vendedor que mata acidentalmente um concorrente, ou então: 12:00 – Crime Delicado, o novo filme do Beto Brant (de O Invasor). 15:00 – Um Dia na Europa, sobre o dia da final da Liga Européia de Futebol.
Dia 03, Segunda 19:30 – Where the truth lies, do Atom Egoyan (de O Doce Amanhã), sobre uma jornalista que se envolve com dupla de apresentadores, com cenas picantes. Parece muitcho bom!
Dia 04, Terça 22:00 – Todas As Crianças Invisíveis – Episódios sobre crianças carentes. Dirigidos por John Woo, Katia Lund (co-diretora de Cidade de Deus), entre outros.
Dia 05, Quarta 20:00 – 2046 – Espécie de continuação de Amor à Flor da Pele, de Wong Kar Wai. Simplesmente imperdível.
Dia 06, Quinta, jornada dupla do coreano Park Shon Wook 19:00 – Senhor Vingança, primeiro filme da trilogia da vingança, depois seguido por Old Boy e finalizado por: 21:30 – Lady Vingança. Se for como Old Boy, é estômago e ótimas idéias.
Escrito por Vladimir às 20h31
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Perspectivas do Cinema 2005
Pois é, o pior do fato da safra desse ano continuar fraca é que não há muitas perspectivas de melhorar. Espero que o Festival do Rio, que está vindo aí, traga coisa boa, porque no circuito, eu estava pensando nos próximos filmes que estou com muita vontade de assistir, e só lembrei de três:
O Jardineiro Fiel
 O filme inglês dirigido por Fernando Meirelles (de Cidade de Deus) tem colhido boas críticas, embora não seja unanimidade. É sobre um diplomata inglês no Quênia aficcionado por jardinagem (Ralph Fiennes) que passa a investigar a morte de sua mulher (Rachel Weisz) numa trama complicada. Meirelles é criativo e moderno no seu filmar, né, então podemos esperar um filme diferenciado, embora eu esteja meio cético. Espero pelo menos que ele se saia melhor que outros diretores brasileiros que cometeram filmes no máximo regulares no estrangeiro (a ver o recente meia boca Água Negra, do Waltinho Salles e aquela bomba Voando Alto do Bruno Barreto). O Jardineiro Fiel estréia em outubro, mas antes vai haver uma prévia de gala no Festival do Rio, com direito à presença do casal de protagonistas. Será que consigo entrar nessa boquinha?
King Kong

Já comentei aqui da refilmagem que Peter Jackson (de O Senhor dos Anéis) está fazendo de King Kong, esse sim promete ser um filmão. Chega em dezembro para concorrer com Crônicas de Narnia, uma saga baseada num best-seller que se passa num mundo fantástico, etc, ou seja, uma idéia na cola do próprio Senhor dos Anéis. Sou mais o filme do gorilão que, pelo trailer, parece estar bem caprichado.
A Marcha do Imperador
 Gente, esse é um documentário francês sobre pinguins (da espécie “imperador”, por isso o título) que se tornou um sucesso inesperado. Começou em quatro salas nos EUA, foi crescendo no boca a boca, faturando mais de 66 milhões de doletas lá até agora, se tornando, pasmem, no filme francês de maior bilheteria de todos os tempos no fechado mercado americano! Dizem que é divertido e emocionante, mas nem sei o que esperar, acho que um belo Globo Repórter, mais caprichado. Well, eu me amarro em pinguins e o trailer é realmente uma graça, então fiquei muuuuito curioso! Estréia em outubro.
Escrito por Vladimir às 22h07
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O Incrível Hulk

Escrito por Vladimir às 21h46
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O som dos anos 2000?
Por volta de 1991, eu era um curioso do rock`n roll: assinava a Bizz, vivia discutindo com meus colegas qual banda era a melhor, etc. Especialmente eu tentava adivinhar qual seria “O som dos anos 90”, em matéria de rock pesado. Eu tinha quase certeza que ia ser algo como o Faith No More, que misturava rap com heavy metal. Em especial uma banda, a Rage Against the Machine, fazia essa mistura com a adição de uma guitarra setentista maravilhosa de Tom Morello e ainda muita atitude, e eu dizia: esse sim é “O” som mais emblemático dos anos 90. Mas aí - dos Pixies - veio o Nirvana, que acabou definir as duas linhas que realmente foram mais seguidas na década: o punk pop, como o do Green Day e Offspring e principalmente o grunge barulhento - um tanto melancólico - e elaborado de Pearl Jam, Smashing Pumpkins, Soundgarden e Foo Fighters.
Pois é, a despeito do regular sucesso de bandas como Red Hot Chili Peppers e Beastie Boys, a mistura de funk-rap com rock não foi a tônica dos anos 90 como eu imaginava mas, curiosamente, tem tido um razoável sucesso nos anos 2000, como vemos com o Limp Bizkit, Blink 182, entre outros.
Falando em anos 2000, não há dúvida que a volta ao rock mais puro dos anos 70 tem sido a tônica dessa década, iniciada com Strokes e White Stripes, e seguida por Franz Ferdinand, Hives, entre outros. Mas achei curiosa mesmo foi a união de dois dos protagonistas dos anos 90: o vocalista do Soundgarden com os intrumentistas do Rage Against the Machine, que formaram a banda Audioslave.

Formada em 2002, o Audioslave já está no segundo CD e estou apaixonado por um novo som deles, chamado “Be Yourself”. Do primeiro CD, também deixaram um inesquecível hit, “Like a Stone”. Tom Morello está trazendo de volta o bom e velho solo de guitarra, sempre criativo, lembrando o Black Sabbath dos anos 70, mas com uma pegada funky, herdada do Rage. E trouxe mais vida para os lamentos de Chris Cornell, que é puro anos 90. Muito bom.
E quem sabe dessa vez eu acerto e essa mistura será “O” som emblemático dos anos 2000, né?
Escrito por Vladimir às 08h28
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A Alma de Drummond na praia

Não há melhor maneira de ir de busão para o trabalho do que a minha: passando pela orla do Rio de Janeiro da Barra ao Rio Sul. O mar, as pedras, o céu... Eu não me canso de amar muito tudo isso, todos os dias.
Gosto de reparar em alguns detalhes, como a altura das ondas ou o azul do céu contrastando com os penedos ou ainda os castelos e esculturas de areia. Mas eu me amarro em ver a estátua de Carlos Drummond de Andrade sentado sobre um banquinho do Praia do Forte.
Na maior parte das vezes Drummond está solitário, observando, interessado, o caminhar das pessoas. Mas volta e meia ele divide o banco com pessoas. Algumas olham o companheiro de assento de soslaio, meio sem jeito, como que sem graça por não terem pedido licença. Outras, mais à vontade, descansam escorando-se nas costas de Drummond, como se estivessem recarregando o organismo de poesia após um exaustivo exercício matutino. Outros colocam bonés na cabeça do escritor, para protegê-lo de um sol mais forte. Uma vez vi um menino tristonho abraçado ao poeta, com os braços enlaçando seu ombro e seu corpinho solto, pendurado, como que pedindo colo. Achei terno e melancólico.
Mas já vi um senhor conversando com Carlos Drummond. Fiquei imaginando qual o assunto, talvez doiduras cuspidas sem sentido, como frases de Gentileza. Ou talvez angústias de amores perdidos, de solidão. Seja o que for, tenho certeza que o sereno e sábio semblante do poeta deu conforto ao pobre homem, pois, por experiência própria de todos os dias, sei que a presença de Drummond tem sempre as palavrinhas certas para os nossos corações, mesmo proferí-las. Pois foi ele quem nos ensinou a “amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita”...
Escrito por Vladimir às 08h58
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Canto do Vladimir
Perfil
Nome: Vladimir Batista
Idade: 37
Nasceu: Goiás
Mora: Rio de Janeiro
email: vladimir.batista@gmail.com
Conteúdo
Blog de Vladimir Batista, 37, sobre cinema, curiosidades (etimologia (origem das palavras), dicionário, cultura inútil, rankings (top10, top5,...)), música, TV, literatura, minhas criações (letras, poemas, contos, romances, novelas, roteiros de cinema, argumentos), atualidades, minha vida, etc...
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