Canto do Vladimir


Um mini-conto meu

Beijo no Coração


Iuri perguntou a Cláudia se podia dar um beijo em seu coração. Ela sorriu e abriu dois botões de sua blusinha branca, o suficiente para revelar um belo decote. Ele abaixou-se, como que reverenciando sua princesa, e deu um beijinho delicado no colo dela, bem na região do coração. A distância entre a sua boca e o músculo cardíaco no interior de sua amada reduziu-se a alguns centímetros.

O beijo durou menos de um segundo, mas Iuri jura que sentiu o tum-tum-tum do coração dela em seus lábios. Acelerado.



 Escrito por Vladimir às 15h19
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Lasanha

É curioso que, a exemplo do personagem de Alta Fidelidade, eu goste de fazer listas "Top10" de filmes, de músicas, mas tenha uma enorme dificuldade de fazer listas de pratos prediletos. Fico imaginando eu e a Cláudia indo para uma daquelas gincanas de casais em programas de auditório e a pergunta para ela: “Qual é o prato predileto do seu namorado?”. Haveria grandes chances de não acertarmos na mesma resposta, inclusive acabo de me dar conta que também não sei qual é o prato favorita dela... Céus! Qual é, heim, amore?


Houve um tempo que eu não titubeava e a minha resposta era sempre a mesma: lasanha. Mas eu tenho com essa massa o mesmo dilema que tenho com outros favoritos meus (ex: feijoada, ou bobó de camarão, ou bife ancho (contra-filet argentino)), ou seja, o prato tem de ser muito bem feito para eu gostar. Senão, eu não só deixo de colocar no topo da minha preferência, como costumo rejeitar soberbamente.


Até hoje, poucas lasanhas que eu comi foram realmente de tirar o chapéu. As da minha mãe, claro, as da minha ex... Curiosamente, quase nunca gostei de lasanhas de restaurantes, por mais tradicionais que eles fossem. No Bixiga, em Sampa, experimentei várias, mas as cantinas tipicamente italianas sempre prezam aquele molho de tomate aguado, e eu gosto é dela mais sequinha, bem gratinada, com bastante carne e bastante queijo.

Mas houve algumas exceções. A lasanha do Pizza Hut salvou os meus dias que estive em Budapeste em 1993 e não achava mais nada de bom para comer na rua. Apimentada, sequinha, bem servida. Até hoje, no Brasil, ainda a considero melhor que a média.


Mas houve só um restaurante que fez uma lasanha que costumo considerar uma das melhores que já comi. Trata-se da Cantina Posillipo em São Paulo, que era próximo ao Bixiga e, a última vez que soube, estava no Itaim. Normalmente, você tem de escolher se quer lasanha verde à bolonhesa ou lasanha branca ao molho branco com presunto. Lá na Posillipo não tinha essa frescura, eles tinham a opção“mix” com os dois estilos juntos. Havia no mesmo prato, lasanha de todas as cores, com bastante carne moída, presunto, molho branco, molho vermelho, um verdadeiro banquete que dava até pra três pessoas.

Humm, me deu água na boca agora... Pensando bem, acho que ainda considero lasanha o meu prato predileto, viu, amore mio?...



 Escrito por Vladimir às 17h00
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Na sua piscina, tem Ácido Marinho Deflogístico?

Continuo lendo "A aventura das línguas no ocidente", de Henriette Walter, sobre as origens dos idiomas europeus. Estou no capítulo sobre o francês, e me deparei com uma curiosidade.

Vocês sabiam que os compostos químicos como são conhecidos hoje, como sulfato de não-sei-o-quê, óxido de blablablá, nem sempre tiveram esse tipo de nomenclatura? Esses nomes foram criados no fim do século XVIII, com o nascimento da química moderna. Mas o mais curioso foi saber que antes disso, os cientistas (ou alquimistas) haviam sim criado nomes para alguns desses compostos, invariavelmente com uma certa “evocação poética”. Por exemplo:

O Nitrato de Cobre era conhecido como Cristais de Vênus;
O Acetato de Cálcio era chamado de Sal de Olhos de Caranguejo;
O Cloro era o Ácido Marinho Deflogístico;
O Óxido de Estanho eram as Flores de Júpiter;
O Nitrato de Prata, a Pedra Infernal;
O Hidróxido de Potássio, o Óleo de Tártaro para Desfalecimento;
O Acetato de Chumbo, o Açúcar de Saturno.

Puxa, parece até receita de poção mágica de bruxas, né?



 Escrito por Vladimir às 12h54
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Um poema meu...

Inatingível
(Vladimir)

Que mulher...
Oh meu Deus, que mulher veio aportar na minha vista.
Me deixando sem norte,
Me deixando sem pista.

Invadiu...
Minha pele, meus órgãos, como um vinho, um veneno,
Como o ardor do sol,
Ou o frio do sereno.

Ela é grande...
Tão linda, tão imensa que não posso alcançá-la,
Me sinto tão pequeno,
Me sinto sem fala.

Por seus olhos...
Eu sofro, mas também eu sorrio, como um aprendiz,
Pois penar de amor
É um jeito de ser feliz.

Entre bilhões...
Deus, por que me escolhestes para poder vê-la um dia,
E ser mais um dos pobres
Que têm a ousadia

De amá-la...
De sonhar em tocar o seu corpo, a sua carne,
Que nunca vão conhecer-me,
Nunca vão chamar-me.



 Escrito por Vladimir às 16h05
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Uma idéia para um programa infantil

No filme Quero Ser Grande, Tom Hanks faz um menino que de repente torna-se adulto. Ele vai trabalhar numa loja de brinquedos e acaba fazendo sucesso integrando a equipe de criação, pois tem uma vantagem: a visão genuinamente infantil do que agrada e o que não agrada.

Lembro-me que eu era moleque quando vi a fita e fiquei pensando por que os adultos do filme tinham se esquecido do que gostavam quando eram crianças. Eu pensei que nunca haveria de esquecer o que realmente me encantava, e poderia integrar a equipe de um fabricante de brinquedos ou de um programa de TV infantil.


Well, logo percebi que a coisa não é tão simples, porque o gosto das crianças muda muito. Na minha época, havia poucos mangás, RPGs e coisas da moda de hoje, e os desenhos animados eram bem mais pueris. Mas há algo que me lembro daquela época que acho que seria uma boa idéia para um programa infantil.

Nas atrações de criança da época, como Balão Mágico e Xou da Xuxa, nunca havia coordenação entre a apresentação e os desenhos animados. Lembro-me da Simony apresentando: “Agora vocês vão ver o nossos amiguinhos Popeye e Olívia!", e qual era a minha surpresa que a Olívia não aparecia no desenho. Também, após o final de um episódio sensacional de Caverna do Dragão a Xuxa aparecia sem comentar nada, e eu sentia falta. Eu comecei a desconfiar, decepcionado, que os apresentadores na verdade não viam os desenhos lá no estúdio como a gente de casa. Não sei se hoje essa falta de sintonia ainda acontece,  pois quase não assisto os novos programas, mas acredito que sim.

Outra coisa que as crianças adoravam na minha época era imitar um desenho. Depois da Corrida Maluca eu gritava “eu sou o Peter Perfeito!”, minha irmã “Penélope Charmosa!”, meu irmão queria ser o cara do Cupê Mal Assombrado. Ou, nos Herculóides, eu queria ser aquele ser amorfo Glick, meu irmão o macacão Igor, assim por diante.


Pois bem, a minha idéia seria um programa mais integrado com os desenhos. Os apresentadores poderiam comentar os capítulos anteriores antes do atual, e no final poderia comentar o episódio que acabamos de ver, repassando alguns trechos melhores, ou contando curiosidades. Poderiam mostrar as reações de algumas crianças ao ver o desenho. E por fim, poderiam fazer teatrinhos com as crianças no palco, imitando as ações do desenho. Elas vestiriam fantasias e combateriam o bandido da mesma forma que ocorreu no desenho.

Será que já existe algo assim?



 Escrito por Vladimir às 15h35
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Anotações para um futuro Top10 do Cinema de 2005

Já estamos no meio de abril e, na minha opinião, a safra de filmes até agora está muito fraca. Os candidatos ao Oscar foram decepcionantes. OK, Menina de Ouro não é ruim, os atores na verdade estão ótimos, mas achei que do meio para o final há uma apelação que realmente me decepcionou. As únicas películas excepcionais do ano, Herói e Clã das Adagas Voadoras, eu já havia assistido no último Festival do Rio, então para mim realmente não há nada de extraordinário em 2005. Mesmo assim, vou listar os primeiros candidatos a entrar no futuro Top10 do ano:


Herói. Obra-prima de artes marciais sobre um herói que tem audiência com um rei na China Medieval, e trocam diversas versões do que aconteceu até ali. O Bonequinho d'O Globo disse tudo, é simplesmente “um filmaço”. As coreografias cheias de cores do filme são tão impressionantes que me tornaram mais exigente, ou seja, não consigo ver outro filme de lutas sem pensar “não chega nem aos pés de Herói”. Alguns criticam que, pelo fato de serem apresentadas várias versões, os personagens não têm profundidade, outros reclamam da mensagem pró-totalitarismo, mas... quem se importa? Trata-se de um imperdível espetáculo para os olhos. Ou “talvez o mais belo filme já feito” como disse apropriadamente uma crítica da IstoÉ Gente.


Clã das Adagas Voadoras. Sobre um triângulo amoroso entre uma rebelde e dois oficiais na China antiga. Acho que para compensar a falta de uma estória mais coesa e politicamente correta em HeróiZhang Yimou fez essa outra película de artes marciais com um fundo romântico. As cenas de luta têm o mesmo padrão, se bem que eu ainda acho que as de Herói são absolutamente fora de série. Mas é um filme tão espetacular quanto, e também imperdível.


O Lenhador. Sobre um pedófilo que sai da cadeia e tenta reconstruir sua vida. Talvez seja o filme que mais me surpreendeu até agora. É o tipo de roteiro que nos sacaneia: quando a gente está começando a se identificar com o personagem, ele fala ou faz algo que afasta a nossa compreensão.   Ficamos na dúvida se torcemos ou não por ele, se nos apiedamos ou não. Um filme corajoso e genial.


Mar Adentro. Sobre um tetraplégico na Espanha que entrou na justiça para poder se matar. Eu confesso que esse tipo de tema não é o meu favorito. Mas o filme é tão bonito, as interpretações tão brilhantes, que é impossível não gostar dele. Não é deprimente, tem um triângulo amoroso original e uma cena inesquecível, na qual o personagem sonha que levanta vôo para encontrar a sua amada na praia. Me identifiquei, pois voar é um sonho recorrente meu. Só por essa cena já valeu o filme.


Sideways - Entre umas e outras. Comédia sobre dois amigos que viajam pelos vinhedos da Califórnia. Da safra do Oscar, o que mais gostei foi esse. Teve momentos em que ri tanto a ponto de incomodar o resto do público do cinema. E o tema de vinhos é muuuuito chique, né?


Closer - Perto Demais. Sobre dois casais que se unem, traem e separam, tudo entre eles. Filme injustiçado no Oscar. Diálogos perfeitos, e interpretações idem.


Jogos Mortais. Suspense psicológico, ao estilo de Seven - Os Sete Pecados Capitais, sobre dois caras que acordam amarrados num banheiro e um serial killer oculto que os faz travar jogos mortais. Bendito BonequinhoO Globo que, ao aplaudir de pé, me fez ir assistir a esse filme para o qual eu não dava nada. E é o melhor desse estilo desde Seven, sem dúvida.



 Escrito por Vladimir às 13h14
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Grande Sertão: Veredas

Depois de mais de um ano, finalmente terminei de ler Grande Sertão: Veredas. Adorei, tornou-se um dos melhores livros que já li. Não foi fácil, pela primeira vez me deparei com um livro de 624 páginas sem divisão em capítulos, um verdadeiro tijolão, mas valeu a pena. Trata-se da estória de Riobaldo, um jagunço que perambula pelo sertão do norte de Minas fazendo guerras para vingar a morte de um líder. Há um episódio no qual aparentemente ele faz um pacto com o diabo e há um outro jagunço chamado Diadorim, por quem Riobaldo tem uma paixão reprimida. Basicamente é isso, mas é muito mais.

Guimarães Rosa reinventa o português com uma linguagem que mistura o linguajar puro do capiau (que me lembrou o saudoso sotaque da minha avó em Goiás), com a sofisticação da fala truncada de nossos pensamentos, às vezes em frases sem sujeitos ou sem objetos, à maneira de James Joyce. Adiciona-se a isso a invenção de novas palavras, unindo vocábulos, suprimindo pedaços de outros, usando fragmentos e radicais do nosso idioma à vontade. É uma reinvenção mas também a maior homenagem que já vi à língua portuguesa, à sua musicalidade, às suas nuances e às suas possibilidades. O meu maior prazer era justamente ir saboreando frase por frase, bem devagarinho para não perder nenhuma palavra nova, nenhuma expressão inventada.

Li algumas críticas, que falam muito do fato do “sertão” ser um personagem ou do papel do “diabo” no livro. Mas ouvi falar pouco do conflito interno pelo qual Riobaldo passa por se apaixonar por um homem. O homossexualismo naquele meio era tão mal visto que em nenhum momento o narrador-personagem admite que seja gay. Mas também não consegue deixar de amar seu companheiro de jagunçagem, o corajoso e sensível Diadorim. Nesses momentos, Guimarães Rosa comete um difícil lirismo, pois ao mesmo tempo que quer confessar a sua admiração e a paixão platônica e recíproca (uma combinação improvável) com o rapaz,  não consegue admitir que consiga um dia chegar a ser carnal. Para ele é um amor destinado a ficar só na vontade dos dois até o fim. Nesse sentido, me lembrou muito filmes orientais de amor irrealizado, como Amor à flor da pele, o qual aliás tem uma linguagem fragmental também.

Só achei uma pena que não embarquei na mágica  viagem dessa obra como um “neófito” completo. É que o fato de me lembrar vagamente da minissérie que passou na Globo nos anos 80, me fez saber desde o início de uma surpresa que só é revelada no final do livro. Fiquei o tempo todo me imaginando a ler o livro como se eu não soubesse do fato, mas não é a mesma coisa. Se vocês quiserem ler o livro com maior prazer, procurem não saber absolutamente nada da minissérie, combinado?

Enfim, depois que acabei o livro, juro que me senti um pouco órfão. Acho que vou viajar sobre alguma coisa da Clarice Lispector agora, de quem li pouco mas sempre gostei muito. Mas garanto que nunca mais vou  me esquecer de Grande Sertão: Veredas, as palavras mais fascinantes que já li.



 Escrito por Vladimir às 12h14
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Neófito

Ao contrário da maioria dos críticos, eu adorei quando eu assisti a Arquivo X – O Filme no cinema. É que eu tinha uma diferença com relação a quase todo mundo: eu nunca tinha visto nenhum episódio da série antes. A maioria das críticas comparava muito, frustrava-se ao procurar soluções e referências, mas eu simplesmente saboreei aquela nova mistura de ficção científica, teorias da conspiração, enigmas, suspense e romance reprimido que se descortinava na telona. Achei o máximo. Na semana passada, depois de finalmente ter assistido a vários episódios da série, revi o filme e, de certa forma, entendi as críticas.

Uma crônica do Arthur Dapieve de outro dia falava justamente disso, da vantagem de ser neófito (segundo o Houaiss, “novato”, “aprendiz”). Ele dizia que, ao contrário de alguns críticos, tinha adorado o novo show da Maria Bethânia. Achei curioso porque, assim como ele, eu não gostava da Bethânia nos anos 70 e 80, achava muito melosa, mas hoje eu fico não menos que fascinado com suas geniais interpretações. 

Na minha opinião, os dois últimos álbuns dela pela Biscoito Fino, Brasileirinho e Que Falta Você me Faz, são verdadeiras obras de arte. Outro dia, eu ouvi ela declamando deliciosamente o Monólogo de Orfeu de Vinícius de Moraes, presente no novo CD, e me arrepiei de verdade. Sua voz recitando palavras como as que reproduzo a seguir era uma experiência única, juro que tinha algo de transcendental. Experimente!

Ah, minha Eurídice... Meu verso, meu silêncio, minha música! (...) A existência sem ti é como olhar para um relógio só com o ponteiro dos minutos. Tu és a hora, és o que dá sentido e direção ao tempo, minha amiga mais querida! Qual mãe, qual pai, qual nada! A beleza da vida és tu, amada milhões amada!

de Orfeu da Conceição, Vinicius de Moraes



 Escrito por Vladimir às 13h43
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Músicas de mulherzinha?

Sempre admirei compositores homens que conseguem escrever canções na primeira pessoa feminina. Chico Buarque, por exemplo, é um especialista (vide a perfeita Olhos nos Olhos). Eu mesmo já rabisquei uma ou duas letrinhas com voz feminina, qualquer dia mostro aqui.

Mas o que eu queria falar é sobre um fato semelhante que ocorreu com duas belas canções "de mulher" feitas por homens. Caetano Veloso diz em seu livro Letras Só que escreveu a bela letra Esse cara e deu para Jards Macalé colocar melodia. A música é aquela que começa com:

Ah! Que esse cara tem me consumido

... e acaba com os conhecidos versos:

Ele é o homem
Eu sou apenas uma mulher

Jards enrolou, enrolou e nada de melodia. Até que chamou Caê de lado e confessou que preferia não trabalhar na música, porque seus amigos diriam que aquilo era “coisa de viado”. Caetano acabou criando ele mesmo a música desse clássico da MPB.
 
No outro caso, vi na TV a Cássia Eller dizendo que Cazuza tinha composto Malandragem para Ângela Rô Rô cantar. Pois Rô Rô teria recusado cantá-la, pois aquele papo de...

Quem sabe eu ainda sou uma garotinha
Esperando o ônibus da escola sozinha

...era muito "mulherzinha" para ela. Resultado: Cássia Eller gravou e foi o maior sucesso dela.

Santas tolices, né?...



 Escrito por Vladimir às 16h01
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Diferenças culturais inúteis

Dou um doce para quem descobrir por que razão...

1) ...aqui no Brasil os gatos têm sete vidas e nos EUA eles têm nove vidas?

2) ...aqui no Brasil se diz que conhece um lugar "como a palma da minha mão" e nos EUA se diz "como as costas da minha mão"?

Eu, por exemplo, não tenho a mínima idéia...



 Escrito por Vladimir às 12h45
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Presidentes heróicos

Há anos, quando vi o filme Air Force One, no qual o presidente dos EUA vivido por Harrison Ford luta sozinho contra terroristas a bordo do seu avião, eu imaginei o nosso então presidente FHC trocando sopapos com terroristas e passando do Sucatão em chamas para outro aeroplano em pleno ar. Agora imagina o Lula nesse papel; a cena seria ainda mais hilária.

Lembrei disso porque no último episódio da série 24hs da Fox, foi a vez do Secretário de Defesa dos EUA pegar nas armas e - ao lado do protagonista Jack Bauer - matar uns bandidos para se libertar de um sequestro. Abstendo-me de qualquer ideologia (requisito obrigatório), eu me divirto muito com essa série. E também não pude deixar de imaginar o nosso Ministro da Defesa, o ativo José Alencar, empunhando uma metralhadora e "bang! bang!", abatendo terroristas com as próprias mãos. rs

Já tive algumas idéias de roteiros com um Presidente do Brasil fictício com seus problemas pessoais, conflitos com a família, Ministros, inimigos políticos, etc, até pensei num Presidente com dons heróicos como os dessas produções americanas. Não sei por que, apesar de já terem surgido vários senadores e deputados na ficção das novelas brasileiras, nunca criaram uma estória de um Presidente da República fictício, né?



 Escrito por Vladimir às 14h24
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Um mini-conto meu

Desfazendo as malas


Iuri terminou de desfazer as malas no seu apê novo. Ao contrário da maioria dos homens, agradava-lhe fazer e desfazer suas malas, e não gostava que o fizessem por ele.

Pensou que ia querer experimentar, pelo menos uma vez na sua vida, fazer ou desfazer as malas de sua adorada Cláudia para provar da sensação que normalmente só as mulheres têm: de escolher, conduzir e aninhar com carinho as roupas de seu amor.



 Escrito por Vladimir às 15h48
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Um poeminha meu...

Ao teu lado
(Vladimir)

Se for para eu viver
Que eu viva mergulhado em risos
Ao teu lado, sem juízo
Embriagados de paixão

Se for para eu morrer
Há só um pedido que eu faço
Que eu morra nos teus braços
Ouvindo teu coração



 Escrito por Vladimir às 15h28
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Um pequeno conto meu

Dentro de quatro paredes

Dona Alva não era má pessoa, de jeito nenhum. O problema é que ela era muito conservadora, só conhecia sexo por aqueles filmes antigos, nos quais, quando a cena esquentava, a câmera subia para uma lareira ou uma cortina e havia o fade-out.

Por isso a beata tentava ser rígida com Cláudia, sua sobrinha de 16 anos a quem criava desde que os pais da menina morreram num incêndio. Cláudia tinha um amigo de infância, Iuri, também com 16, e Dona Alva não conseguia aceitar dos dois se trancarem no quarto, às vezes ele passando a noite toda lá.

- Nós somos A-MI-GOS, muuuuito amigos, será que a senhora não confia em mim, heim? - berrava a adolescente.

Em vez de continuar as brigas, Dona Alva radicalizou: encomendou de seu primo detetive uma câmera escondida com microfone e colocou no quarto da sobrinha. Dona Alva podia controlar a câmera para focalizar o quarto todo e o banheiro, e assistia, numa pequena TV, ao vivo ou depois gravado, a tudo o que se passava dentro das quatro paredes. Quando começou a ver, percebeu, surpresa, que Cláudia falava a verdade. As cenas que testemunhou foram brincadeiras inocentes, guerra de travesseiros, cócegas, algumas piadas sujas e, quando ele dormia ali, ficavam sempre separados. Mas também ouviu compartilhamento das frustrações de adolescentes, namoros, dúvidas sobre o corpo. Eram como irmãos, mais que isso, ajudavam-se e eram os pais que nenhum dos dois tinha. Iuri, apesar de inexperiente, era inteligente e era uma "mãe" dialogadora que Dona Alva não sabia ser.

Uma vez, Cláudia chegou dizendo a Iuri que tinha tido a primeira transa com um namorado e não conseguira assimilar se tinha sido bom ou ruim. Dona Alva ouviu tudo mas nada faria sobre a notícia, pois afinal poderia denunciar o seu truque. Além disso, em tese, seu objetivo era evitar que Cláudia transasse com Iuri em sua casa. Mas, a essa altura, estaria a própria beata questionando sua atitude? Iuri, ao saber da transa da amiga, a apoiou com atenção, mas teria Dona Alva visto em sua TV um ar melancólico no rapaz?

Passaram-se meses e, por mais vezes, Iuri continuava surpreendendo com seus sábios conselhos e até algumas broncas, sempre cuidadoso, como quando Cláudia chegou desesperada contando que o namorado a magoara e terminara tudo. Nessa noite, Iuri foi um anjo, conseguiu acalmar a amiga e os dois dormiram abraçadinhos. Será que Dona Alva notara um clima, pela primeira vez? Pior, estaria a beata, no fundo, torcendo pelos dois?

No dia seguinte, houve um incêndio na escola e Cláudia havia ficado para trás. Ficou paralisada, sem reação, por causa do trauma com a morte dos pais, mas um bombeiro conseguiu retirá-la da escola. Ela não havia se ferido mas engoliu alguma fumaça e estava meio tonta. Iuri chegou no local, carregou-a para a casa da tia, direto para o banheiro do quarto e fechou a porta. Dona Alva correu para a TV e assistiu a Iuri, com delicadeza, encher a banheira, despir Cláudia; depois ensaboá-la, ambos naquele silêncio bonito da descoberta, da tentativa de auto-compreensão. Depois a ajudou a vestir um pijama, conduziu-a até a cama e deitou-se ao seu lado. Ambos ficaram se fitando por longos minutos. A sensação era indescritível, parecia que o sangue que corria em suas veias era totalmente novo. Até que veio um ou dois fôlegos mútuos mais fortes e um beijo. O primeiro beijo, chorado, gostoso, com todo o carinho do mundo. Dona Alva, tocada, dirigiu a câmera para a cortina do quarto e lhe deu um fade-out. Para sempre.



 Escrito por Vladimir às 13h05
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Voltando (em caráter provisório)

Pessoal, obrigado pela torcida e pelos pedidos para que eu voltasse a postar. Acreditem, eu morro de vontade de voltar a escrever como antes, e a visitar o meus amigos blogueiros.

O fato é que ainda não estou empregado, embora eu ache que esteja quase lá (torçam por mim!). De qualquer forma, resolvi publicar aqui no blog mais contos e poesias meus inéditos nesse blog, assim não gasto muito tempo conectado, e mato um pouco da saudade daqui. Infelizmente, porém, não poderei visitar blogs de meus amigos com frequência diária, espero que compreendam.

Espero que gostem das minhas pequenas obras...



 Escrito por Vladimir às 13h01
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Canto do Vladimir

Perfil
Nome: Vladimir Batista
Idade: 37
Nasceu: Goiás
Mora: Rio de Janeiro
email: vladimir.batista@gmail.com

Conteúdo
Blog de Vladimir Batista, 37, sobre cinema, curiosidades (etimologia (origem das palavras), dicionário, cultura inútil, rankings (top10, top5,...)), música, TV, literatura, minhas criações (letras, poemas, contos, romances, novelas, roteiros de cinema, argumentos), atualidades, minha vida, etc...


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