Canto do Vladimir


Metalinguagem

Segundo os dicionários, “metalinguagem” é quando uma linguagem fala de outra, ou até da mesma. Na prática, é quando temos um filme dentro de outro ou uma peça dentro de outra, ou quando há uma mistura de linguagens como essas.

********************************************

No cinema, Woody Allen utiliza muito esse recurso. Em A Rosa Púrpura do Cairo, por exemplo, o ator sai de um filme na tela de cinema para interagir com uma fã, e o filme dentro do filme fica perdidão. Em Tiros na Broadway, um capanga de um gangster se revela um ótimo dramaturgo e vai melhorando uma peça durante os ensaios.

Outro filme que utiliza bem a metalinguagem é Tootsie, quando o personagem de Dustin Hoffman faz sucesso numa novela, interpretando uma mulher. A cena final, em que ele inventa um final para a novela para justificar o fato de ser homem, é genial.

********************************************

No Brasil, temos também nossos craques em metalinguagem, por exemplo, Guel Arraes e Jorge Furtado, sempre misturando linguagens, como a documental e a ficção, em suas obras.

Aliás, hoje está estreando um filme nacional metalingüístico até no nome: Como fazer um filme de amor, de José Roberto Torero, com a ótima Denise Fraga, cujos programas no Fantástico também usam e abusam da metalinguagem. Eu, como fã desse recurso, já me arrisquei e fiz uma vez um roteiro de um longa-metragem sobre a produção de uma telenovela ao vivo.

********************************************

Mas um grande mestre da metalinguagem é Shakespeare. Em várias de suas obras, há peças dentro da peça, sempre de maneira impecável. Em Hamlet, por exemplo, o angustiado príncipe homônimo apresenta para sua mãe e seu padrastro uma peça que mostra, quase que explicitamente, o mesmo que ocorreu na sua vida: o assassinato do pai e a união dos assassinos. O significado dessa peça dentro da peça é fundamental para a caracterização de Hamlet: ali vemos claramente sua personalidade angustiada, obsessiva mas também sarcástica e carismática. Além disso tem uma função no roteiro, pois a sutileza irônica da peça dentro da peça é o primeiro passo de Hamlet para responder sua famosa pergunta “ser ou não ser”, ou seja, “enfrentar a situação” ou “abandonar sua vida”.



 Escrito por Vladimir às 07h51
[   ] [ envie esta mensagem ]




Eu ando pelo mundo prestando atenção em cores que eu não sei o nome...

...cores de Almodóvar...


...cores de Frida Kahlo...

...cores.

(Esquadros – Adriana Calcanhoto)



 Escrito por Vladimir às 07h06
[   ] [ envie esta mensagem ]




Métrica

Uma das partes mais difíceis de se fazer poemas ou letras de músicas é encaixar na métrica. Às vezes a gente substitui palavras que seriam perfeitas para a poesia por outras nem tanto, só para o verso caber na métrica.

Mas percebo que esse dilema não ocorre só com amadores como eu. Algumas letras de canções nos dão a impressão que deram um trabalhão para se encaixar na métrica.

É comum, por exemplo, unir sílabas nas chamadas “sílabas poéticas”. As sílabas poéticas são a forma em que são “ouvidos” os versos, havendo uniões de vogais e eliminações de algumas sílabas átonas.

Lembrei disso porque ouvi ontem a música Firmamento do Cidade Negra, que tem um trecho assim:

No céu de estrelas multicoloridas / Existe uma que eu não colori.

Ao ouvir a canção, percebe-se que o final do primeiro verso atropela o início do segundo. Separando as sílabas poéticas, os versos ficam assim:

No / céu / d’es / tre / las / mu / ti / co / lo / ri / d’xis / te’u / ma / qu’eu / não / co / lo / ri.

As sílabas “das” / “E” / “xis” ficaram espremidas numa sílaba poética só “d’xis”. Ficou estranho, né?



 Escrito por Vladimir às 07h19
[   ] [ envie esta mensagem ]




Uma traduçãozinha

 

Pela lua, leva-me a voar

Bart Howard – Tradução: Vladimir

 

Pela lua, leva-me a voar

Pelas estrelas, canto minha arte

Vamos ver como é a primavera

Em Júpiter ou em Marte

 

Em outras palavras, dá-me tua mão

Em outras palavras, amor, beija-me...

 

Transborda meu coração

Com nossos cantos, tão eternos

Tu és tudo que eu desejo

Que eu adoro, que eu venero

 

Em outras palavras, eu não me engano

Em outras palavras, eu te amo

 

Fly me to the moon

Bart Howard

 

Fly me to the moon

Let me sing among those stars

Let me see what spring is like

On Jupiter and Mars

 

In other words, hold my hand

In other words, baby kiss me

 

Fill my heart with song

Let me sing forever more

You are all I long for

All I worship and adore

 

In other words, please be true

In other words, I love you

 

 



 Escrito por Vladimir às 07h10
[   ] [ envie esta mensagem ]




Pinups



 Escrito por Vladimir às 07h20
[   ] [ envie esta mensagem ]




Especial da casa

Para quem não sabe cozinhar nadica como eu, fazer algo na minha casa que - mérde - não tem microondas, é praticamente um acontecimento histórico. Domingo, eu “preparei” o “Especial da Casa”:

Passos
1) Coloquei a bandeja de Nhoque Congelado da Perdigão num pirex e mandei para o forno convencional, com fogo quase alto.
2) Após 30 minutos, pequei 10 Almôndegas Congeladas Sadia e coloquei numa panela. Despejei o vidro inteiro de Molho de Tomate “Mexicano” da Uncle Ben’s, aquele com pimentão e pimenta vermelha. Ontem eu estava inspirado e acrescentei um pouco de: creme de leite, mostarda, orégano, manjericão e pimenta calabresa. Coloquei a panela no fogo. Mexi de dois em dois minutos.
4) Quinze minutos depois (45 minutos após o início) desliguei tudo e coloquei na mesa.
5) Comi em duas viagens, cada prato com cinco almôndegas e metade do nhoque.

Hummmm!



 Escrito por Vladimir às 07h43
[   ] [ envie esta mensagem ]




Caligrafia à flor da pele

Fui a museus em Xangai e Nanquim, e sempre havia uma ala só para expor a escrita da China através dos tempos. Os orientais consideram arte a própria caligrafia e, realmente, às vezes aqueles rabiscos incompreensíveis parecem certos quadros de arte moderna, né? Aliás, um dos vários charmes do filme épico Hero, do diretor chinês Zhang Yimou, é quando há um interessante comentário comparando-se a caligrafia com artes marciais; o ato da escrita com o manejo da espada.

********************************************

O ato da escrita me faz lembrar várias coisas. Em 1988, numa república de amigas em Goiânia, havia uma parede branca, na qual as moradoras não tiveram dó: liberaram a escrita para amigos, uma espécie de livro de visitas do apê.

E a escrita na pele? Uma vez na faculdade, escrevi uma cola de uma prova na palma da minha mão e o professor descobriu (e me mandou lavar a mão antes da prova, mico total!).

Também acho gostoso o lance do “telefone da paquera escrito de maneira improvisada na palma da mão”. Quem nunca olhou, com todo o zelo do mundo, para a própria mão rabiscada com aquele numerozinho? Um símbolo codificado da amada impregnado com tintas borradas em área tão essencial de nosso corpo, na nossa ferramenta de trabalhar, de acariciar, de viver...

********************************************

Mais filmes: Em Amnésia (Memento), o protagonista tatua em seu corpo vários recados para que se lembre de seu objetivo de vida (vingar a morte da mulher). Eu mesmo já pensei num conto em que dois amantes escrevem pequenas mensagens na pele um do outro, tentando adivinhar os escritozinhos pelo tato, ao sentir a canetinha deslizar na pele.

Eu acredito que a película que melhor representa essa interessante arte da escrita na pele é uma das que está na minha extensa lista de “filmes-que-nunca-vi-mas-que-já-li-tanto-a-respeito-que-é-como-se-tivesse-assistido”: O Livro de Cabeceira (The Pillow Book), do diretor Peter Greenaway.

********************************************

O Livro de Cabeceira, filme dito cheio de imagens lindas, é sobre Nagiko, uma japonesa (tinha de ser oriental, né?) que tem o fetiche da escrita na pele. Quando criança, o único contato físico que tem com seu pai (por quem é apaixonada, em seu “complexo de Elektra”) é no dia do aniversário dela. A cada ano, seu pai escreve de forma ritualística uma saudação em seu rosto e nuca, esse é o momento em que são mais próximos. Ela tem prazer físico do contato com o pai através da escrita. Com o tempo, passa a aguardar ansiosamente o momento de sentir o contato do pincel com a pele, o gosto da tinta na boca. Quando adulta, Nagiko passa grande parte do tempo descobrindo novos amantes que possam escrever em todo o seu corpo. Seu prazer tem a ver com a escrita, não com o conteúdo mas com a forma. Seja um calígrafo hábil, que apenas copie páginas do seu livro de cabeceira, ou mesmo um matemático, que encha seu corpo com equações, o que lhe importa é a caligrafia. Troca sexo por longas sessões de escrita...

Gente, preciso ver esse filme!



 Escrito por Vladimir às 07h06
[   ] [ envie esta mensagem ]




Uma idéia para um curta

O JN de uns dias atrás falou de um daqueles andarilhos que leva cinema para cidadelas, e achei curioso o apelido dele: “Zé Sozinho”. Eu estava nesse dia justamente fazendo um “dever de casa” para uma Oficina de Roteiro que estou frequentando; estava bolando uma Sinopse de Curta-Metragem no qual o personagem principal é um músico solitário. Não resisti e me apropriei do apelido, só modificando-o para “João Sozinho”.

A trama, no entanto, não tem nada a ver com a do do simpático projecionista nordestino. Trata-se de uma fantasia trágica, na qual o músico de chorinho exige seus direitos perante um anjo... Bem, leiam a Sinopse:

********************************************

O Último Sonho de João Sozinho
Pré-Sinopse para um Curta-Metragem

JOÃO SOZINHO, 45, está num bar com amigos. João tem esse apelido por seus tristes números solos de chorinho e por ser um solteirão. Mas João explica que ainda quer encontrar uma certa mulher que habita seus sonhos. Em outra mesa, CLÁUDIA, 40, professora de línguas, comenta com amigas que não acredita em amor à primeira vista, mas que ela já viveu vários amores “à última vista”, caso em que ela só reconhece o homem de sua vida quando o está perdendo. Sem que ninguém perceba, um ANJO passa perto de João e Cláudia no bar. Ambos estão de saída no mesmo momento, vêem uma van chegar e entram nela.

Dentro da van, os dois se observam e, como mágica, se encantam um pelo outro. O Anjo aparece dentro da van mas novamente ninguém o enxerga. Cláudia e João trocam palavras, enquanto a van passa ao lado de uma favela. Cláudia acha interessante João ser músico e ele diz que ela também é “música”, mas no sentido de “melodia”, com sua “beleza harmônica”, de “arrebatar os cinco sentidos”. Cláudia cora, mas seus olhos brilham.

De repente, há um tiroteio por perto entre traficantes. A van encosta e todos se protegem, mas João é atingido por uma bala perdida. Cláudia tira o músico da van e ele agoniza nos braços dela.

A alma de João sai de seu corpo e vê o Anjo. Cláudia não enxerga nada disso e continua abraçando João vivo, mas delirante. O Anjo, tagarela e impaciente, diz que chegou a hora de João e tenta conduzir a alma dele para um “portal celeste” que se abre na frente deles. Mas a alma do músico reclama que ainda não morreu e mostra a si próprio ainda vivo com Cláudia. O Anjo percebe o seu erro, consulta uma ampulheta, parece atrapalhado. Finalmente, empertiga-se e declara com desdém que João estará morto em apenas um minuto e que não há de acontecer mais nada na sua vida, a não ser delirar moribundo. Mas a alma de João não cede e exige o direito de viver esses derradeiros segundos de delírio nem que seja para sonhar pela última vez na sua vida; um sonho de apenas um minuto. O Anjo titubeia mas aceita e a alma volta para o corpo de João que começa a sonhar em delírio.

Dentro desse último sonho, o tiroteio se aproxima perigosamente de João e de Cláudia, que parecem não ter por onde escapar. Cláudia, então, pede para João prender a respiração. Ele obedece e ambos seguram o fôlego. De repente, eles começam a levitar. João se assusta, solta o ar e vai cair, mas novamente prende o ar e volta a flutuar abraçado com Cláudia. Ela vai guiando João entre prender e soltar o fôlego de maneira que conseguem levantar vôo acima da favela. Começam a ouvir pelo ar um alegre chorinho cujo volume vai aumentando aos poucos. Finalmente, eles aprendem a controlar a levitação e fazem um inesquecível vôo nos braços um do outro, como se fosse uma valsa, sobre a bela paisagem do Rio de Janeiro. O som do chorinho vai aumentando até que, após um minuto, tudo se apaga.



 Escrito por Vladimir às 07h04
[   ] [ envie esta mensagem ]




Mais um poema antigo meu

Continuando a cronologia de meus singelos poeminhas, segue um ao estilo “bossa-nova-espanta-tristeza” que escrevinhei em 1995.

O Meu Samba
(Vladimir - 1995)

O meu samba vai falar de alegria
Que eu tenho alergia
A tristeza e dor
E a saudade hoje não me alcança
Pois só com a esperança
É que ela tem valor

Não venha me falar de choro
Não se junte a esse coro
Deixe de maldade
Pois, meu amor, eu vou cantar sorrindo
Não vê que eu tô tinindo
De felicidade

Hoje eu vou falar de flor
Vou falar de amor
De mar e paixão
E a palavra melancolia
Não entra na poesia
Desta canção

Minha garota está aqui comigo
E sou correspondido
no amor que lhe dou
Nunca teve distância, nem teve vintém
Nem nada, nem ninguém
Que nos separou

E o que canto não é nem dez por cento
De todo sentimento
Que me invade agora
É que aqui em casa é só alegria pura
E toda armagura
Fica de fora

Hoje eu vou falar de flor
Vou falar de amor
De mar e paixão
E a palavra melancolia
Não entra na poesia
Desta canção

Hoje eu vou olhar pro céu
Vou falar de mel
E do coração
E a palavra melancolia
Não entra na poesia
Desta canção



 Escrito por Vladimir às 07h04
[   ] [ envie esta mensagem ]




Ursão



 Escrito por Vladimir às 07h10
[   ] [ envie esta mensagem ]




Uma cena de perseguição

Sempre tive vontade de bolar uma cena de perseguição de skate, do tipo “dois caras trocando tiros descendo de skate uma pista sinuosa de carrinho de rolimã”, por exemplo.

Finalmente, no roteiro de aventura que estou escrevendo, Samba - O Super-Herói, consegui encaixar essa idéia de uma forma, modéstia à parte, criativa. Samba, como já disse, é pequenino, do tamanho de um playmobil e me lembrei do finger skate; aqueles skates em miniaturas com os quais há praticantes (muitos, acreditem!) do “skate de dedo”.

Daí, tive a idéia de fazer Samba descendo nesse finger skate um toboágua desativado, daqueles cheios de curvas. É uma pista perfeita e, para ficar mais emocionante, completei com uma “avalanche” de bolinhas de tênis sendo jogada em cima do herói.

Vejam como ficou a cena:

********************************************

Samba – O Super Herói
Sequência do Toboágua

                      

Samba segue os bandidos até a uma sala, sobe em uma prateleira, mas derruba um vaso e é descoberto por Li (um dos vilões). Eles prendem o pequenino e alguém dá a idéia de levá-lo para a “prancha”.

Os bandidos levam Samba para fora e Bubi (o cãozinho) segue o bando. O Parque está fechado e não há ninguém além deles. Os bandidos passam por uma quadra de tênis e pegam uma sacola com dezenas de bolinhas. Eles, então, levam Samba para cima de um trampolim muito alto, para saltos ornamentais. Fazem o pequenino caminhar no trampolim, como se fosse uma “prancha” de pirata, e começam a jogar bolas de tênis nele. Eles interrogam se o pequeno herói contou ou não para alguém sobre o bando. Samba desvia das bolas, quase cai do trampolim mas não responde.

Samba parece não ter saída mas, de repente, dá um grande salto por cima dos bandidos. Do outro lado do trampolim, na mesma plataforma, há a entrada de um gigantesco tobogã aquático, cheio de curvas em serpentina, que está seco. O pequeno herói monta em seu finger skateboard e começa a descer pelo toboágua. Os bandidos jogam dezenas de bolinhas de tênis no tubo. Samba desvia espetacularmente das bolinhas de tênis caindo sobre si, fazendo loops e outras manobras impossíveis com seu skate e usando suas esferas energéticas como escudo.

Quando Samba está no meio do toboágua, uma última bolinha o atinge e ele cai atordoado. Lá de cima, um Bandido se arma com dois revólveres e começa a escorregar pelo tobogã. O pequenino levanta-se, sobe novamente no skateboard e vai acelerando pelo toboágua. O Bandido se aproxima dele atirando com as duas armas. Samba, no seu skate, desvia dos tiros e acelera mais ainda para fugir do vilão. A perseguição é emocionante, o Bandido se aproxima ameaçadoramente e vai acertar um tiro, mas finalmente chega a piscina. Samba cai em cima de uma bóia e consegue saltar para fora da piscina e o Bandido cai no meio da bóia de cabeça para baixo, quase afogando. O resto do bando ainda desce as escadas e vê Samba montando em Bubi que foge em disparada.



 Escrito por Vladimir às 07h18
[   ] [ envie esta mensagem ]




Feriado na TV

Quem disse que não se pode ser chique assistindo TV em casa?

Anteontem, no feriado, por exemplo, eu acordei bem cedo para assistir mais um capítulo do belíssimo especial da GNT sobre as origens do Jazz. Esse episódio falou da expansão do ritmo no início dos anos 30, com a era do rádio, quando nasceram as Big Bands e o Swing. É uma aula de como se fazer um documentário musical, com várias fotografias e imagens da época, gravações originais quase integrais, curiosidades, músicos atuais explicando didaticamente como músicos como Fletcher Henderson e Duke Ellington revolucionaram o ritmo, como Benny Goodman espalhou o jazz para a América (e o mundo), mas principalmente por que Louis Armstrong é considerado um gênio da música, o que ele criou de novíssimo e genial. Uma delícia, quase dá vontade de fechar os olhos para se ter a experiência de assistir o documentário só com os ouvidos.

Depois do almoço, assisti a um bom filme no Telecine Classic do diretor François Truffaut, chamado “O Homem que Amava as Mulheres”. É sobre um sedutor inveterado que resolve escrever um livro sobre suas conquistas. Muito bom, com vários personagens interessantes. Achei com um estilo parecido com Fellini, meio episódico; no caso de Truffaut, cada mulher cruzando a vida do alter-ego era um episódio. Enfim, assim matei uma vontade de muitos anos de assistir ao famoso diretor francês. Não tem aqueles filmes que você morre de vontade de assistir de tanto ouvir comentários a respeito? Esse era Truffaut para mim, sempre comentado como o principal inspirador da comédia romântica moderna, mas que nunca tinha visto. Agora que abriu a porteira, espero poder assistir a mais obras dele...



 Escrito por Vladimir às 07h14
[   ] [ envie esta mensagem ]




Um encontro que me marcou

Fiquei sentido com a morte do escritor Fernando Sabino, ele é um dos autores que mais li e a sua obra marcou minha adolescência.

No seu livro “O Menino no Espelho”, o garoto cria um personagem que é ele mesmo no espelho. Lembro-me que me identifiquei pois quando eu era criança - acho que por ser tímido e quase não ter amigos - eu criei um personagem, um fantasminha chamado, acreditem, "Bilinho", com quem eu conversava longamente todos os dias.

Eu também adorava outro livro dele “O Grande Mentecapto”, não me esqueço do debate de candidatos em uma cidade que na verdade era um concurso de adivinhações do tipo “o que é, o que é”. Além de contos daquela coleção “Para gostar de ler”, como “O Homem Nu”.

Mas o livro que mais me marcou foi “O Encontro Marcado”. Lembro que eu pesquei desse livro uma frase que assumi como um “lema de vida” (embora nunca a tenha seguido): “Prefiro me arrepender das coisas que fiz do que das coisas que não fiz.”

Num outro momento desse livro, os personagens, ao terminar uma fase no colégio, combinam um encontro na mesma hora e local exatamente daí a 10 anos. Li essa obra no segundo ano colegial em Goiás em 1988 e, no ano seguinte, eu estaria me mudando para Campinas, São Paulo. E justamente nesse ano, eu havia criado a primeira turma de amigos de minha vida, ou “quase amigos”, pois quando eu estava começando a pegar mais intimidade com eles, o ano acabou. Por isso tive a idéia de fazermos combinação semelhante, de nos encontrarmos na frente do colégio daí a cinco anos, na mesma hora. Chegamos a trocar correspondências nas quais sempre colocávamos no P.S. “Não se esqueça de 12 de dezembro de 1993, ao meio-dia, em frente ao Objetivo do Setor Universitário”

Mas, como ocorre no livro, a minha vida e a dos meus ex-quase-amigos tomaram rumos muito diversos (embora na vida real, Sabino tenha mantido suas amizades até o fim). Enfim, na hora marcada, eu estava em Campinas e pedi para meus irmãos comparecerem ao "Encontro". Além deles, só foi um amigo, com quem ainda mantenho um parco contato.

É, o tempo passa. Mas, com certeza, obras como a do Fernando Sabino ficam.

P.S. O que achei mais curioso nas notícias televisivas sobre a morte do escritor, foi a total ausência de referência à obra “Zélia, Uma paixão”, livro (?) encomendado pela malfadada ex-ministra que o grande escritor se sujeitou a realizar. Isso é que eu chamo de queimação de filme das brabas, melhor não falar nada mesmo, né?



 Escrito por Vladimir às 07h46
[   ] [ envie esta mensagem ]




Letrinhas...

Mais um poeminha que escrevi, na forma de letra de música. Aquele meu colega de faculdade, Orlando, musicou-a, ligeiramente modificada. Curioso que escrevi para uma ex, como presente de aniversário, mas justamente no mesmo dia ela me deu um fora, antes mesmo dela saber da poesia. Well, ficou sem conhecê-la...

Minha menina
(Vladimir / Orlando, 1993)

Minha menina é lasciva,
Muito viva,
Ativa
O meu desejo
De poder ter o seu beijo.

Seu corpo é uma escultura,
Linha dura,
Perfura
O meu olhar,
Só pra me provocar.

Ela sorri sensual,
“Eu sou a tal”,
Igual
A uma sex-simbol,
Pra depois me jogar no limbo.

O seu cabelo encaracola
Que nem mola,
Enrola
Em meu pescoço,
Me perco nesse alvoroço.

Ela me deixa louco,
Quero o troco
Do pouco
Do carinho
Que lhe faço com jeitinho.

Eu quero um amor decente,
Indecente,
Presente
Na menina,
Um amor que desatina.

Ela atingiu direto
Um tiro certo
De afeto
E de paixão
Que me derruba ao chão.

Amo o seu jeito infantil
Que é um ardil,
Uma vil
Armadilha
Pra eu sair da trilha



 Escrito por Vladimir às 07h37
[   ] [ envie esta mensagem ]




A volta da feia

Uma vez, um amigo me perguntou: “Como é que você lê Shakespeare e assiste Betty, a Feia???”

Pois é, estou no (incrivelmente amplo) time que está comemorando a volta da produção (?) "Betty a feia", conforme anunciado pela Rede TV!. Ouvi também que vão refilmar a novela nos EUA com a bela Salma Hayek, imperdível!

A Patrícia Kogut, d'O Globo, achou curiosa a quantidade de emails de fãs dessa novela que recebeu, mas eu não acho tão estranho. A novela colombiana “Yo soy Betty, la fea” tinha um humor eficiente de gags e bordões repetitivos (e olha que dificilmente esse tipo de humor "pega"), personagens caricatos divertidos (a loira burra e metida (talvez a melhor personagem), o estilista afetado, o trapalhão pé-rapado à "Jerry Lewis"), uma produção trash (que conseguia ser cativante), roteiro com formato original (que valorizava pequenos acontecimentos, havia encontros que duravam às vezes vários capítulos, incrível como isso dava certo) e temas super-hiper-clichês (a moça pobre e feia que conquista galã rico, a ditadura da beleza x cérebro, o diário "sonhador" da Betty, os trambiques no ambiente de uma empresa...). Ou seja, conquistou vários públicos, da adolescente a procura da auto-afirmação à dona de casa lacrimosa, passando, por que não?, por trashmaníacos (como eu). Na época, cheguei a entrar numa lista de discussão de expectadores da novela, e era impressionante o fanatismos das fãs, que riam, choravam, torciam; se emocionavam de verdade com a heroína Betty.

Infelizmente, na primeira vez, só descobri essa pequena “jóia feia” do meio para o final, pretendo agora assistir desde o começo. Estão todos convidados!



 Escrito por Vladimir às 07h06
[   ] [ envie esta mensagem ]




Festival do Rio 2004

Como eu disse antes, realizei um sonho neste ano, o de correr atrás das concorridas sessões de um festival de cinema. O Festival do Rio acaba hoje, não consegui ver todos os filmes aos quais me propus, mas vi muitos. De alguns (Kill Bill 2, A Má Educação, Zatoishi, Casa de Areia e Névoa, Hora de Voltar) resolvi abrir mão pois devem estrear em breve no circuito. Eis os que vi:

Heroi (Hero) e Clã das Adagas Voadoras (House of Flying Daggers) de Zhang Yimou, não negaram fogo como espetáculos visuais, com balés mágicos de lutas nunca vistos antes, maravilhosos! Eu fico admirando o carinho (e a frequência) com que os orientais fazem filmes sobre suas artes marciais. Uma das idéias que tenho é de um roteiro também recheado com cenas mágicas de ação, quem sabe também um épico, mas com... a brasileiríssima capoeira. Por que não, né?

Santa Menina (La Niña Santa) filme argentino muito bom sobre um médico que se aproxima da dona do hotel onde está hospedado. O problema é que antes ele havia dado na rua uma bela encoxada (ou sarrada, para os cariocas) na filha adolescente dela (que gostcha muitcho). O final dá raiva mas é interessante justamente por isso...

Ódiquê é o único filme nacional que consegui ver, muito bom! Eu diria que é uma mistura de Kids (com a adolescência sem noção) com Pulp Fiction (com as conversas e a violência de espírito). Aliás, invejei os diálogos de adolescentes cariocas que o diretor Felipe Joffily teceu, sempre mantendo o frenético clima de tensão (meu fraco são justamente os diálogos). Talvez poderia ser dado um pequeno tapa no roteiro (a “parada” na qual os personagens resolvem se meter é confusa demais, talvez até propositadamente, mas acho que poderia ser melhor urdida). Mas o filme é ótimo mesmo, vale a pena!

Por uns Dólares a Mais, clássico western-spaguetti de Sérgio Leone, com a perfeita dupla Clint Eastwood e Lee Van Cleef. Uma delícia de se ver na telona! Filmes em Cinemascope deviam ser proibidos de passar na estreita telinha de TV! Pena que não pude assistir aos outros filmes dele, aliás poderiam relançar TODOS no circuito, né? Mas só esse já valeu e muito!

Outros filmes: Maria Cheia de Graça, sobre colombiana que transporta cocaína no estômago, interessante mas não surpreendeu; Helena Meirelles, A Dama da Viola, o documentário é razoável, mas o destaque mesmo é a própria violeira pantaneira (presente na minha sessão), que rouba a cena o tempo todo com seus causos e principalmente sua música hipnotizante. Cadê meu irmão, infantil alemão sobre menina que transforma o irmão mais novo num cachorro. Adorei (as crianças da minha sessão também), me lembrou os clássicos de Benji. Suíte Havana, uma boa surpresa, eu esperava um documentário sobre a música cubana e acabei vendo um dia na vida de vários personagens reais, gente comum de Cuba, e todos os sons e ruídos do cotidiano que os abraça. Muito criativo e até emocionante. Por fim, ontem vi A Espada na Lua, mais um filme de artes marciais, dessa vez coreano, razoável.

É isso, adorei a experiência, e ano que vem estarei de volta!!



 Escrito por Vladimir às 07h07
[   ] [ envie esta mensagem ]




A atriz brasileira Dira Paes



 Escrito por Vladimir às 07h23
[   ] [ envie esta mensagem ]




Letra e Música - I

Sei que na maioria das parcerias letrista-melodista, os processos de criação de canções ocorre na ordem música-letra. Por exemplo, primeiro Tom Jobim fazia a melodia, deixava com Vinícius de Moraes que encaixava uma letra. Numa das curiosas estórias dessa célebre parceria, aconteceu de Vinícius enviar para Tom, por engano, a letra de Garota de Ipanema para a melodia de Chega de Saudade e Tom quebrou a cabeça tentando encaixar.

Lembrei disso porque na única parceria que tive, o processo foi inverso, eu fiz as letras e mandei pro Orlando, um amigo meu da faculdade tocador de violão, que as musicou. Somente dois poemas meus foram musicados por ele. Será que um dia hei de achar melodistas para as outras várias letrinhas que escrevi?



 Escrito por Vladimir às 07h28
[   ] [ envie esta mensagem ]




Letra e Música - II

Continuando o post acima, dessa minha curta parceria letrista-melodista com Orlando, meu colega da faculdade, a música que a gente mais gostava era essa singela cançãozinha a seguir, que escrevi para uma paixão platônica:

Ô Baixinha
(Vladimir / Orlando – 1992)

Ô baixinha
Tem dó do meu coração,
Tenho a alma a água e pão
E uma ternura sem fim.

Ô baixinha
Você me enche de melancolia,
Vou pendurar uma melancia
Pra você olhar pra mim.

Ô baixinha
Te levo aonde quer que você queira,
Show de rock’n roll ou gafieira,
Não importa qual lugar.

Ô baixinha
Se um dia você deixa
Vou apertar suas bochechas
E depois vou te beijar.

Refrão:
Ô baixinha, ô baixinha, ô baixinha...

Não aguento mais esse seu gelo,
Eu já deixei crescer o meu cabelo,
Mas agora eu vou cortar.

Nossa relação
Você faz parecer um jogo,
Ai menina, você é fogo,
Não posso me controlar.

O que mata
Em você, na realidade,
É a sua personalidade,
Tão forte, não sei por quê.

Ô Baixinha
Vê se pára de brincar comigo
E por favor me dê abrigo
Aí dentro de você.

Refrão:
Ô baixinha, ô baixinha, ô baixinha...



 Escrito por Vladimir às 07h25
[   ] [ envie esta mensagem ]




Linguagem Antiquada

 

A minissérie Presença de Anita dependia muito da personagem-título, interpretada por Mel Lisboa, para que desse certo. Anita tinha que ter algum aspecto unique, para que tivesse força. Além disso, a personagem principal da minissérie não podia aparecer com uma linguagem à Malhação. Manoel Carlos teve então uma ótima idéia: como a personagem Anita havia vivido os últimos anos com um amante de 60 anos, ela acabava por pegar a linguagem dele (além de seus objetos, seus gostos). Ficou bem curioso, uma garota ouvindo Ne me quitte pas mas, principalmente, usando palavras antiquadas (além de, imagino, ter facilitado o trabalho do Maneco nos diálogos, né? hehe).

 

Lembrei desse fato, pois me dei conta que tive uma idéia parecida para o meu roteiro juvenil Samba – O Super-Herói. Eu tinha que criar algum aspecto unique para o pequenino extra-terreno e, ao mesmo tempo, precisava resolver o fato dele falar português. Pois bem, na minha idéia, Samba aparece falando um português empolado, rebuscado, algo como: “Perdão, não tencionava ter atemorizado vosmecê!” Mais tarde, vem a explicação: na última expedição que seus ancestrais alienígenas fizeram no Planeta Terra, há trezentos anos, eles recolheram informações de diversos idiomas, inclusive o português. Samba, antes de partir para a sua missão, absorveu o conhecimento desses idiomas. Ele aprendeu, então, o português do século XVIII!

 

Tomara que essa idéia dê certo; vou tentar criar boas situações cômicas da comunicação entre os personagens Samba e sua amiga Cláudia, será que consigo?

 Escrito por Vladimir às 08h25
[   ] [ envie esta mensagem ]




Rankings do Vladimir - A mais bela e a mais feia palavra da Língua Portuguesa

Para mim, a palavra mais bela da língua portuguesa é:

Saudade. Palavra que começa com o assobio de um “esse” musical, desliza pelo ditongo “au”, de surpresa ou de dorezinhas gostosas, parte suavemente para a vogal aberta da tônica “da”, cheia de frescor e cor, fechando-se com um “dade” meio infantil, dengoso, pidão, deixando aquele gostinho melancólico de quero-mais. Saudade,  palavra sublime, celestial, cheia de significados. Aliás, amo todas as variações, como soidade, soledade, sodade (forma essa entoada maravilhosamente pela cantora cabo-verdeana Cesária Évora).

O sentido dessa palavra única então nem se fala. Olhem só essas definições.

Do Houaiss:

subst. feminino. sentimento mais ou menos melancólico de incompletude, (...)

E do Aurélio:

 S.f. Lembrança nostálgica e, ao mesmo tempo, suave, de pessoas ou coisas distantes ou extintas, acompanhada do desejo de tornar a vê-las ou possuí-las, (...)

 

E a mais feia?

Fico com Inescrupuloso. Palavra polissílaba, poluída, que começa com a negativa “In” passa por um feio encontro consonantal “cr” e seu tom quase amaldiçoado, continua sem alívio só com vogais lúgubres, “u” e “o”; segue vomitando por obstáculos fonéticos “crupulo” ditos com a boca cheia e arrogante, terminando com um “oso” adoecido, pessimista. O sentido, então, engloba tudo de mais odioso no caráter humano: a falsidade, o calculismo, a falta de consciência e de amor... Cruzes...

 

Puxa, Saudade, e toda a sua maviosa melancolia, é bem melhor, né não?



 Escrito por Vladimir às 10h02
[   ] [ envie esta mensagem ]


[ ver mensagens anteriores ]




 
Canto do Vladimir

Perfil
Nome: Vladimir Batista
Idade: 37
Nasceu: Goiás
Mora: Rio de Janeiro
email: vladimir.batista@gmail.com

Conteúdo
Blog de Vladimir Batista, 37, sobre cinema, curiosidades (etimologia (origem das palavras), dicionário, cultura inútil, rankings (top10, top5,...)), música, TV, literatura, minhas criações (letras, poemas, contos, romances, novelas, roteiros de cinema, argumentos), atualidades, minha vida, etc...


Histórico
  01/11/2009 a 30/11/2009
  01/10/2009 a 31/10/2009
  01/09/2009 a 30/09/2009
  01/08/2009 a 31/08/2009
  01/07/2009 a 31/07/2009
  01/06/2009 a 30/06/2009
  01/05/2009 a 31/05/2009
  01/04/2009 a 30/04/2009
  01/03/2009 a 31/03/2009
  01/02/2009 a 28/02/2009
  01/01/2009 a 31/01/2009
  01/12/2008 a 31/12/2008
  01/11/2008 a 30/11/2008
  01/10/2008 a 31/10/2008
  01/09/2008 a 30/09/2008
  01/08/2008 a 31/08/2008
  01/07/2008 a 31/07/2008
  01/06/2008 a 30/06/2008
  01/05/2008 a 31/05/2008
  01/04/2008 a 30/04/2008
  01/03/2008 a 31/03/2008
  01/02/2008 a 29/02/2008
  01/01/2008 a 31/01/2008
  01/12/2007 a 31/12/2007
  01/08/2007 a 31/08/2007
  01/05/2007 a 31/05/2007
  01/04/2007 a 30/04/2007
  01/03/2007 a 31/03/2007
  01/02/2007 a 28/02/2007
  01/01/2007 a 31/01/2007
  01/12/2006 a 31/12/2006
  01/11/2006 a 30/11/2006
  01/10/2006 a 31/10/2006
  01/09/2006 a 30/09/2006
  01/08/2006 a 31/08/2006
  01/07/2006 a 31/07/2006
  01/06/2006 a 30/06/2006
  01/05/2006 a 31/05/2006
  01/04/2006 a 30/04/2006
  01/03/2006 a 31/03/2006
  01/02/2006 a 28/02/2006
  01/01/2006 a 31/01/2006
  01/12/2005 a 31/12/2005
  01/11/2005 a 30/11/2005
  01/10/2005 a 31/10/2005
  01/09/2005 a 30/09/2005
  01/08/2005 a 31/08/2005
  01/07/2005 a 31/07/2005
  01/06/2005 a 30/06/2005
  01/05/2005 a 31/05/2005
  01/04/2005 a 30/04/2005
  01/01/2005 a 31/01/2005
  01/12/2004 a 31/12/2004
  01/11/2004 a 30/11/2004
  01/10/2004 a 31/10/2004
  01/09/2004 a 30/09/2004
  01/08/2004 a 31/08/2004
  01/07/2004 a 31/07/2004