Canto do Vladimir


Aumenta que isso aí é ROQUENROU!



Com todo Rock in Rio, vem junto o mimimi sobre os tipos de som que merecem ou não estar num festival de “rock”. Acho tolice, importante é a diversão. E a própria palavra rock’n’roll já virou carne de vaca há tempos, né? Aqui no Brasil, por exemplo, temos sucessos um tanto embaraçosos que mencionam o ritmo de Chuck Berry, como Show de Rock’n’Roll, do Roupa Nova ou Quero Rock’n’Roll (versão de Rock’n’Roll All Nite do Kiss), dos The Fevers que, acreditem, tem em sua letra:

Você me disse pra cuidar do gato / Pra dar só  leite que é mais barato / Ele grita: miau! E xixi no tapete.(...) 
Ah! Quero rock’n’roll, e mais / Quero dançar com você!

Ou ainda a Festa do Amor, da Patrícia Marx, que manda:

Convite pra dançar rock’n’roll com você / Chiclete, coca-cola, um bom matinê / Ouou... Ouou

Pesquisando, tive a decepção que o aportuguesamento roquenrou, que acho bem legal (de tão tosco), não é comum nas canções, nem está dicionarizado: no Houaiss há somente a duvidosa versão roque. A canção que deu título a este post, do Celso Blues Boy, na verdade se chama Aumenta que isso aí é Rock’n’Roll mesmo. E até o clássico da Rita Lee, que propositadamente aportuguesa a palavra, o faz de outra forma: Esse tal de Roque Enrow. A única menção que achei, foi da recente banda Baranga e seu som Estrada e Roquenrou. Onde eu tinha lido isso antes, então?

Nas formas originais, rock e rock’n’roll, há menções em centenas de músicas pelo mundo, desde os pioneiros Rock Around the Clock, com o Bill Haley e a Rock and Roll Music do Chuck Berry (mais famosa com os Beatles), até clássicos como It’s only rock’nroll (but i like it) dos Rolling Stones, ou Jailhouse Rock do Elvis Presley ou simplesmente Rock and Roll, do Led Zeppelin.

Algumas bandas adoram usar a expressão, como os Ramones, em Rock’n’Roll High School e em Do You Remember Rock'n'Roll Radio, mas principalmente AC/DC, que tem uma longa lista de títulos, como RocknRoll Train, ou You Can't Stop Rock’nRoll ou a minha favorita For Those About to Rock (We Salute You), com seus canhões saudando o bom e velho rock. Ah, há, ainda do AC/DC, o longo título It's a long way to the top (if you wanna rocknroll), que me remete ao final do ótimo filme A Escola do Rock

Também Kiss tem sua lista de menções, além da já mencionada Rockn’Roll All Nite, há outra boa, com uma pegada de hino: God gave RocknRoll to you.

Falando em hinos do rock, não posso deixar de mencionar as empolgantes I Wanna Rock do Twisted Sister; ou RocknRoll is King da Electric Light Orchestra (com seu refrão trava-língua: “She says wamalama bamalama Rock’n'Roll is king!”) e, é claro, talvez a primeira que as pessoas lembram: I Love RocknRoll, imortalizada por Joan Jett:

I love Rock’n’Roll / Put another dime in the jukebox, baby!

Pena que esse som já teve as manhas de ter ganhado covers de nada menos que Britney SpearsMiley Cyrus e até Alvin e os Esquilos. Mais carne de vaca que isso, impossível. Talvez só a melosa Rock and Roll Lullaby, de B.J. Thomas, que nem é um rock, foi trilha romântica de novela, e ainda teve o seu “na-na-na” reproduzido no axé Dia dos Namorados do Asa de Águia, assim: 

Xalálálá lálálá lálálá ou mi ou mai / Xalálálá lálá...lá no farol

Aliás, entre os brasucas, não achei tantas músicas com rock no título, além das mencionadas. Raul Seixas tem seus impagáveis Rock do Diabo e Rock das Aranhas e eu particularmente gosto muito dos sons da Mallu MagalhãesTown of Rock’n’Roll e You know you've got, que menciona: 

You know you've got, babe,
You know you've got the rock’n’roll

Há outras citações notáveis, como Chico Buarque, que é o único que tem o direito de rimar futebol com rock’n’roll, no clássico Caro Amigo:

Aqui na terra tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock’n’roll

Pra terminar, uma das menções mais famosas surge falada no início do petardo Puteiro em João Pessoa, dos Raimundos. Parece um recado respaldando os mimimis de todo Rock in Rio

Oh, menino, qué isso? Vocês beberam, foi?
Eu quero é rock. Isso não é rock não!
Hum o quê, menino? Para com isso, logo. Eu quero é ROCK!!

Com a palavra, o príncipe das trevas: http://youtu.be/eKvlP0nBJlI


Escrito por Vladimir às 20h17
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Um conto meu...

Afinidade
(Vladimir Batista)

Visto de fora, estava sendo um almoço morno, para não dizer constrangedor, naquele restaurante chique. Mas dentro daquelas almas, algo acontecia. Valentim havia planejado com afinco, afinal estava revendo Vicky, por quem foi gamado na época da faculdade doze anos antes, e que o descobrira recentemente na internet. Ele havia escrito em seu blog sobre a ambiguidade da palavra paixão (paixão de Cristo versus paixão romântica). Ela deixou um comentário melancólico desencadeando trocas afetuosas de emails que culminaram nesse almoço. Um magnetismo os aproximava, como se cãezinhos arrastassem com a coleira um para o outro. Ajudou o fato que os dois tinham recém vividos desilusões amorosas, o que fez seus contatos terem um espírito de apoio e esperança mútuos. Ao mesmo tempo que procuravam racionalizar esse novo sol que raiava em suas vidas tentando ser cautelosos, um sol é sempre um sol, alastra-se dominando toda as peles e olhos, espargindo um calor inevitável às almas.

Quando os dois se encontraram, gostaram do que viram. Valentim enxergou ainda do carro que ela vestia um macacãozinho simples e charmoso. Ela escolhera vestir como gostava de estar no dia-a-dia, tinha caprichado somente no cabelo feito naquele dia depois de um bom tempo sem ir ao cabeleireiro. Ela também pôde ver que ele estava com uma camisa polo novinha, calça cáqui e, logo que entrou no carro percebeu que ele usava muito perfume, talvez um pouco exagerado. Ele nem gostava de camisa polo e raramente usava perfume, mas queria deixar boa impressão. Ambos pensaram o mesmo, o outro não havia mudado nada, o mesmo ar charmoso, mesma beleza, o sorriso agradável, os anos caíram bem. Seus pensamentos, em busca de racionalizações, tiveram bons prognósticos, e suas almas mais ainda, foram inundadas por uma melodia meio onírica, etérea. Mas algo começou a dar errado. Seus emails eram eloquentes, longos e profundos, filosofando sobre a desilusão da vida e a vontade de se reerguer. Todavia ao vivo, enquanto se dirigiam ao restaurante, não havia clima para abordarem os mesmos temas, falavam sobre banalidades, como o tempo e o trânsito, ou trocavam silêncios. Valentim sentiu um frio na barriga, achava que já tinha deixado esse lado tímido para trás em sua vida, mas agora se lembrava das várias vezes na sua história em que não conseguia encaixar uma conversa com o sexo oposto. Vicky tentava fazer render o papo na medida do possível, mas também notou que faltava um clique. Não se preocupou muito, na verdade, há tempos, após chorar muito, decretara para si mesma que estava numa fase zen e achou que aquilo estava até indo bem.

Pior foi o plano de Valentim. Ele havia reservado o almoço num dos melhores e mais elegantes restaurantes da cidade, especializado em frutos do mar e que se orgulhava de ter a moqueca mais nobre e saborosa do país. Mas Vicky era vegetariana, de não comer nem peixe. E ela não contou nada, intimidada por toda a preparação. A postura dos recepcionistas e garçons, das pessoas ricas e esnobes, dos carros importados, nada disso fazia a cabeça dela. Na verdade nem dele, mas Valentim queria um almoço especial e preparou algo dispendioso achando que assim garantiria a satisfação. Obviamente, nenhum dos dois estava à vontade ali, mas Valentim se esforçava para parecer que era um ambiente ao qual estava acostumado. Vicky achou meio esquisito e nada empolgante mas no início acreditou e ficou lembrando daquele garoto esforçado e meio desengonçado na faculdade que sempre chegava com sua mochila tentando jogar alguma conversa. A nostalgia em suas cabeças e aquela música em suas almas seguravam uma harmonia entre os dois. Enfim, somente quando veio o cardápio, Vicky revelou, meio vacilante, que era vegetariana. Valentim entrou em pânico e até mesmo os graduados garçons ficaram sem saber o que fazer. No final, ela pinçou umas tapiocas no menu, que eram somente aperitivo, mas eram a única opção sobrando. Valentim a acompanhou, engasgado pela gafe. “Valentim, seu idiota, por que não a chamou para um suco, algo mais trivial?” Vicky também não ficou nada confortável, até cogitara comer o peixe para agradar o amigo, mas a última vez que sem querer ingerira carne, ela tinha passado mal a noite inteira, melhor não. Ela começou a pensar que aquilo não estava bem, mas sem Valentim perceber, usou seus exercícios de respiração até chegar na sua expressão favorita: “tudo bem!”.

Depois disso, à mesa, a conversa não melhorou. Ainda escolhiam palavras, tentando esconder sotaques ou erros de português. Valentim tentou abordar coisas que gostava, como séries de TV ou cinema, mas Vicky nada conhecia, aparentemente os últimos filmes que tinha visto havia sido nos anos 80, definitivamente não era sua praia. Valentim começou a pensar que aquela química de seus emails era uma ilusão, que os dois não tinham afinidade como ele imaginava. Será que seu entusiasmo por aquela beldade tão doce e encantadora não encontraria respaldo da realidade, da convivência do dia-a-dia, dos interesses? Mas então o que era aquele sentimento dentro de si, que o emocionava até o nível de transbordar e ao mesmo tempo lhe dava um equilíbrio inexplicável em sua mente? Vicky por outro lado continuava mais serena. A luz harmônica de um sentimento novo a envolvia como uma lareira em um chalé e mesmo em sua racionalização, já gostava do amigo. Percebia que seus interesses eram culturais, coisas que ela estava meio desconectada, meio que por influência de seu longo namoro com aquele boçal, recentemente terminado. Também foi perspicaz em perceber que o mundo de Valentim não era o daqueles frequentadores daquele restaurante esnobe, que ele era bem mais singelo e agradável do que tentava inventar ali. Mirou em seus olhos e calculou que poderia entrar no mundo daquela cabecinha interessante e daqueles olhos charmosos. Enquanto isso, no coração de Valentim o jardim florido crescia sem limites, chegando a seus pensamentos. Assim, ao mesmo tempo que pensava no carma daquele carnívoro contumaz se envolver com uma vegetariana começou a se divertir com aquela gafe toda. Era como se tivesse se projetado para daqui a alguns anos, com ambos juntinhos e mais velhos, se divertindo lembrando o quanto aquele encontro fora um desastre, mas que ao mesmo tempo os unira em um desafio divertido de vida.

Como se a coisa não pudesse piorar, antes mesmo de chegarem os pratos, Vicky recebeu um telefonema. Ela ficou agoniada e até colocou a mão no coração. Valentim também ficou aflito, pensando que era alguma notícia ruim de família, mas não. Uma amiga de Vicky, voluntária de ONG de proteção animal, estava em um ônibus e vira um cachorrinho atropelado porém vivo na beira de uma auto-estrada ali perto. Vicky era engajada em movimentos pró-animais carentes e a voluntária perguntou se ela poderia ajudar pois ligara antes para a concessionária da auto-estrada e eles não podiam “alocar recursos em tempo hábil”. Por uma fração de segundo, Vicky se lembrou as situações horrorosas que já havia presenciado, de gente que jogava cães no meio da estrada movimentada, ou os amarrava em lugar ermo, até em cima de formigueiros que devoravam os pobres. Vicky, que até aquele momento estava passiva se deixando levar pelo papo de seu amigo, mudou a postura. Levantou-se, era hora de agir:

- Valentim, posso te pedir uma coisa? Olha, me perdoe, mas não vejo outro jeito...
- Fala, querida, pode dizer!
- A gente pode sair agora e ir para aquela auto-estrada aqui perto? Tem um au-au atropelado que precisa de nossa ajuda!
- Nossa.. É pra já!

Eles se levantaram imediatamente. Aquele diálogo ficaria na mente dos dois para sempre. A coragem de Vicky, a prontidão de Valentim, os jeitinhos dele falar “querida” e dela falar “au-au”, como se já fossem íntimos. Suas almas já entoavam em uníssono um improviso celestial e milagroso. E suas cabecinhas enfim encontraram uma afinidade profunda. Se Vicky já era engajada na causa animal, Valentim também amava os bichos e sempre ter quis fazer a diferença para os animais carentes, sem nunca porém ter tomado iniciativa. 

Apesar do espírito heróico e de uma união predestinada permeando os dois naquele momento, a tarefa não foi fácil. O cachorrinho, um pequeno vira-lata malhado estava bem mal na beira da auto-estrada, com bicheira na orelha, feridas pelo corpo, muito sangue, ganindo, respiração em difíceis arfadas. Nem parecia que seres humanos haviam perpetrado aquela barbaridade. Não havia tempo para comiseração e o esforço dos dois foi grande para deslocar o pobre cão machucado. O cãozinho no início tinha medo dos dois, em um esforço rosnava e mostrava os dentes a qualquer aproximação. Porém, quando eles o aninharam em seus braços, não reagiu e até, sem saber porquê, lambeu as mãos daquele dois seres daquela espécie que é capaz de tanta crueldade. O bicho soube distinguir que aqueles dois tinham um espírito diferente, algo como uma música ou um sol. A roupa nova e o carro de Valentim arruinaram-se mas ele não se importou nem um pouco. Finalmente conseguiram levar o bichinho para uma veterinária de confiança de Vicky. Ele piorava um pouco e até perdeu os sentidos, mas as mãos rápidas habilidosas daquela santa profissional começavam a salvar o bichinho. Ele acordava, arfava, e, nesses momentos, Valentim notou o olhar do totó encarando-o com um amor como nunca havia recebido. O cãozinho gania baixinho com os procedimentos mas não deixava de manifestar amor por aquele moço. Valentim percebeu que aquele animalzinho o havia escolhido e secretamente também lhe prometia amor e morada para o resto de sua vida. O cão também olhava para Vicky. A cada vez que a veterinária tentava movê-lo, ele meio que pedia permissão com o olhar para a Vicky, como se ela houvesse sido sua mãe por toda a vida desde que era filhote. Vicky agora não mais controlava sua emoção, embargava seus olhos. O cãozinho agia como um maestro, como se percebesse a aura musical e ensolarada que envolvia o novo casal e que agora forrava ele também. Era uma sinfonia com notas e escalas perfeitas, envolventes, maviosas, que entrava nos poros de seus corpos e os faziam arrepiar de emoção. 

O cachorrinho percebeu que ia se curar, bocejou, deu mais uma olhada cheia de significados para o casal e adormeceu feliz. Com lágrimas nos olhos, Vicky que já estava pertinho de Valentim, recostou-se e colocou seus braços entre os dele. Suas peles encostaram soando uma derradeira nota mágica que uniu perfeitamente seus lados racionais e emocionais. Vicky cheirou o perfume de Valentim agora misturado com o odor deixado pelo cãozinho ferido e sorriu feliz.



Escrito por Vladimir às 09h26
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Meu Top50 Cinema de todos os tempos

A revista Sight and Sound faz de dez em dez anos a lista dos melhores filmes de todos os tempos, baseada em críticos, o que significa que há muitos filmes de arte e uns 90% eu não assisti. Já fiquei satisfeito de, no Top10, ter assistido quatro: Um Corpo que Cai (#1), Cidadão Kane (#2), 2001 – Uma Odisseia no Espaço (#6) e Fellini 8 ½ (#10). Achei graça o comentário do site Omelete, no qual eles se sentiram ignorantes por também não terem assistido a maior parte, eu me senti até um pouco mais consolado.

Eu vivo fazendo meus rankings de Top10 de cinema nos últimos anos, está na hora de atualizar meu Top50 de todos os tempos, né? E não é que tive algumas coincidências com a Sight and Sound? Um Corpo que Cai, a campeã deles está até no meu Top10, em sexto, adoro! Se eu pegar o Top50 deles e comparar com o meu, além de Vertigo, bateram os seguintes: Cantando na Chuva (20 na S&S, 43 no meu), Amor à flor da pele (24 na S&S, 30 no meu), Psicose (35 na S&S, 39 no meu), A General (34 na S&S, 47 no meu) e Luzes na Cidade (50 na lista deles, 4 no meu).

Acho que minha lista está bem eclética, mistura filmes que vão de 1926 (A General) a 2011 (A Separação), incluindo alguns clássicos, dois filmes mudos, petardos de ação, aventuras dos anos 70/80, kung-fu chinês, western spaghetti, cinema-catástrofe, comédias românticas, suspenses, musicais (sendo dois com Fred Astaire & Ginger Rogers), indies alternativos, blockbusters, paródias cult, filmes em diversas línguas (3 chineses, 1 italiano, 1 coreano, 1 iraniano, 1 japonês, 2 brasileiros, 3 em castelhano (1 argentino, 1 mexicano e 1 espanhol), 1 em francês) e nada menos que 5 animações da Pixar, que eu me amarro! Vamos à lista?

1. Pulp Fiction – Tempo de Violência (1994, de Quentin Tarantino)

2. Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças (2004, de Michel Gondry, roteiro de Charlie Kaufman)

3. Ratatouille (2007, de Brad Bird, da Pixar)

4. Luzes da Cidade (1931, de Charles Chaplin)

5. O Picolino (Top Hat, 1935, com Fred Astaire e Ginger Rogers)

6. Um Corpo que Cai (Vertigo, 1958, de Alfred Hitchcock)

7. The Killer (1989, Hong-Kong , de John Woo)

8. De Volta para o Futuro (1985, de Robert Zemeckis)

9. Noites de Cabíria (1957, Itália, de Federico Fellini)

10. Simplesmente Amor (Love Actually, 2003, de Richard Curtis)

11. A Rosa Púrpura do Cairo (1985, de Woody Allen)

12. Exterminador do Futuro 2 (1991, de James Cameron)

13. Três Homens em Conflito (The Good, The Bad and The Ugly, 1966, de Sergio Leone) 

14. Dogville (2003, de Lars Von Trier)

15. Guerra nas Estrelas (Star Wars Episode IV - A New Hope, 1977, de George Lucas)

16. O Homem que Copiava (2003, de Jorge Furtado)

17. Fale com Ela (2002, Espanha, de Pedro Almodóvar)

18. Herói (2002, China, de Zhang Yimou)

19. Felicidade (Happiness, 1998, de Todd Solondz)

20. Titanic (1997, de James Cameron)

21. Old Boy (2003, Coreia do Sul, de Park Chon-Wook)

22. Os Sete Suspeitos (Clue, 1985, paródia baseada no jogo “Detetive”)

23. Procurando Nemo (2003, de Andrew Stanton, da Pixar)

24. The Commitments (1991, de Alan Parker)

25. King Kong (2005, de Peter Jackson)

26. O Segredo dos Seus Olhos (2009, Argentina, com Ricardo Darín)

27. A Outra Face (Face-Off, 1997, de John Woo)

28. Toy Story 3 (2010, de Lee Unkrich, da Pixar)

29. Duro de Matar (1988, com Bruce Willis)

30. Amor à Flor da Pele (In the Mood for Love, 2000, Hong-Kong, de Wong Kar-wai)

31. Cidade de Deus (2002, de Fernando Meirelles)

32. Batman – O Cavaleiro das Trevas (2008, de Christopher Nolan)

33. Swing Time – Ritmo Louco (1936, com Fred Astaire e Ginger Rogers)

34. Harry e Sally, feitos um para o outro (1989, com Billy Cristal e Meg Ryan)

35. Up  - Altas Aventuras (2009, de Pete Docter, da Pixar)

36. Feitiço do Tempo (Groundhog Day, 1993, com Bill Murray e Andie MacDowell)

37. 2012 (2009, de Roland Emerich)

38. Wall-E (2008, de Andrew Stanton, da Pixar)

39. Psicose (1960, de Alfred Hitchcock)

40. Casablanca (1942, com Humphrey Bogart e Ingrid Bergman)

41. Amnésia (Memento, 2000, de Christopher Nolan)

42. Dança Comigo? (Shall We Dance, 1996, Japão)

43. Cantando na Chuva (1952, com Gene Kelly)

44. Do que as Mulheres Gostam (2000, com Mel Gibson)

45. Seven – Os Sete Pecados Capitais (1995, de David Fincher)

46. Amores Brutos (Amores Perros, 2000, México, de Alejandro Iñarritu)

47. A General (1926, com Buster Keaton)

48. A Separação (2011, Irã)

49. Apertem os Cintos, O Piloto Sumiu (Airplane!, 1980, com Leslie Nielsen)

50. O Fabuloso Mundo de Amélie Poulain (2001, França, com Audrey Tautou)



Escrito por Vladimir às 10h36
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Conchinha



Escrito por Vladimir às 08h29
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Um poema de 2004

Colibri
(Vladimir)

Colibri
Vivia lá na Coreia
A beijar sua violeta,
Mas achou boa ideia
Migrar meio planeta
Por um afeto azaleia
Ou uma paixão malagueta.

Colibri
Chegou com tanto temor,
Mas viu um peito florido
No passarim sofredor;
E encantou-o com a libido
De sua beleza beija-flor;
Polinizando os sentidos.

Colibri
Trocou beijos de biquinquim
Com o periquito azulão,
Colibri
Bicou o néctar carmesim
Do seu coração.

Colibri
Deixou um luar tristonho
Ao partir do seu jardim;
Mas também legou-o um sonho
De esperança alecrim,
Em forma de cores de outono
Em forma de um amor sem fim.

Colibri
Trocou beijos de biquinquim
Com o periquito azulão,
Colibri
Bicou o néctar carmesim
Do seu coração.



Escrito por Vladimir às 08h27
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Todavia

Taí uma palavra bonita, todavia, gostosa de falar, rimando com a shakespeariana cotovia.. Tenho uma amiga que adora, usa sempre em seus escritos, e de fato é a mais bela conjunção adversativa, conforme enumeradas pela Rita Lee em Saúde: “Apesar, contudo, todavia, mas, porém....” (eu sempre mudava a música, trocando “apesar”, que não é conjunção adversativa, por “entretanto”; sou chato?)

Fuçando no Houaiss, descobri que a origem é mais simples que eu imaginava, é uma contração de  toda + via, com o sentido de  "em todo o caminho, constantemente". Lembrei dos niteroienses que, quando perguntamos onde é tal lugar, eles respondem: “ah, segue por essa rua ‘toda vida’...”.

Essa origem de todavia me faz imaginar por que em português e em espanhol o verbete tem significados diferentes. Enquanto aqui ela tem a acepção de “porém” na língua de Cervantes significa “ainda”. 

Se pensarmos em sua etimologia, quando dizemos:

Estou com fome, todavia não quero almoçar.

Etimologicamente, imagino que estaríamos proferindo:

Mesmo seguindo pelo caminho de estar com fome, não quero almoçar.

Da mesma forma se colocamos em espanhol:

Tengo hambre. No he cenado todavía. (Tenho fome, ainda não almocei.)

Julgo estarmos querendo dizer algo assim:

Tenho fome pois sigo o caminho de não ter almoçado.

Ou seja, a coisa me parece mais lógica na língua espanhola, pois penso que toda+via dá uma ideia de ação contínua que é confirmada com o “ainda” deles e colocada em oposição com o “porém” nosso. Só que a acepção de "ainda" só acontece em espanhol, pois em italiano (tuttavia) e em francês (toutefois, na verdade nesse caso é todo+tempo) também significam “porém”.  

Não achei quase nenhuma menção de todavia no cancioneiro brasileiro, exceto em músicas gospel ou em poesias mais clássicas. Quem sabe eu mesmo não consigo escrevinhar algo com essa palavrinha tão bela? 

Em matéria de poesia, curiosamente, uma famosa do Pablo Neruda teve a tradução para o português mantendo todavia, mesmo com significados diferentes. No original, os últimos versos de “Amor” da obra “Crepusculário” são assim:

Morir y todavia amarte más.
Y todavia amarte más y más.

Então a tradução correta deveria ser:

Morrer e ainda amar-te mais.
E ainda amar-te mais e mais. 

Todavia (não resisti), os versos foram traduzidos simplesmente para:

Morrer e todavia amar-te mais.
E todavia amar-te mais e mais. 

Não é que deu certo, e ficou ainda mais formosa? Ou diríamos  “se hizo todavia más hermosa”?...



Escrito por Vladimir às 21h57
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Shakespeare Exagerado

Na juventude, eu tive um amigo tímido que um dia resolveu que não tinha mais vergonha de falar coisas românticas, metáforas galanteadoras e exageradas para as garotas que acabava de conhecer. Por exemplo, chegou para uma menina numa festa e a chamou para ver a lua lá fora. Então dizia que olhos dela brilhavam como as estrelas do céu, que a lua de prata estava cheia em homenagem à sua beleza, que ela tinha o perfume de todas as flores do campo, coisas do tipo. Imagine uma garota adolescente ouvindo isso. Não sei se alguma delas chegou a rir da cara dele, pode até ser que sim, mas teve seus sucessos e o fato é que esse aparente canastrão passou de zerado a um discreto conquistador. Usei isso num roteiro que estou tentando escrever, só que o rapaz tímido em vez de recitar loas, dança à Fred Astaire no meio da rua, tentando conquistar a mocinha ao estilo dos musicais de antigamente.


Mas eu estava lembrando de Shakespeare. Os personagens do bardo também não tinham o menor pudor de fazer mesuras poéticas exuberantes para todas as situações, ainda mais para escancarar o seu amor. Em Romeu e Julieta, há vários exemplos disso:

ROMEU

Que luz é essa, que brilha através da janela? Vem do leste, é o sol, é Julieta! (...) E se o olhar dela estivesse no céu, e as estrelas, em seu rosto? O brilho de sua face deixaria as estrelas coradas de vergonha, assim como a luz do dia deixa envergonhada qualquer lamparina. No céu, o olhar de minha amada flutuaria no éter tão brilhante, mas tão brilhante, que os pássaros começariam a cantar, pensando que era dia.

Ou neste trecho:

JULIETA

De eles te virem, vão matar-te.

ROMEU

Ai de mim! Teu olhar é mais poderoso que vinte das espadas de teus parentes.

Julieta também sabe falar bonito:

ROMEU

Como assim? Queres poder retirar tua promessa de amor já feita? Para quê, minha querida?

JULIETA

Para prometer-te meu amor uma vez mais. Como o mar, meu amor é profundo e minha entrega desconhece fronteiras. Quanto mais me doo a ti, mais eu tenho, pois tanto meu amor quanto minha entrega são infinitos.

Ou, finalmente, no momento sublime de união do casal:

ROMEU

Ah, Julieta, se a medida da tua alegria estiver transbordando como a minha, e se tens a habilidade necessária para proclamá-la, então adoça com teu hálito o ar que nos cerca e deixa que a língua riquíssima da música revele a felicidade imaginada que recebemos um do outro com este encontro de ternura.

Que exagero, heim, Bill, menas! Exagero nada, gênio! Aprendi com ele (e também com meu colega), a saber expressar os meus sentimentos e percepções na forma excessiva que eu quiser, através do que sei usar razoavelmente, as palavrinhas, e sem medo de parecer ridículo. Por que não, né?



Escrito por Vladimir às 08h10
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Impressionantes impressionistas

No ano passado, visitei pela primeira vez o Musée D’Orsay em Paris, cujo forte é o impressionismo. Hoje, fui ao CCBB em São Paulo, que trouxe algumas peças de seu acervo. Sempre ouvira dessa escola, mas nunca conseguia entender muito bem suas características comuns. Era impressionista porque te deixa... impressionado? (risadas moderadas)

Bem, o que me chamava a atenção era a pincelada meio borrada, esfumaçada, mas a exposição foi bem didática e me ensinou que também tinha a ver com a luz que revela imperfeições e menos linhas divisórias certinhas em ambientes fora dos ateliers. Também tem a ver com retratar pessoas comuns, ângulos e ambientes inusitados. Ao mostrar a realidade de acordo com uma impressão particular (daí o nome), o impressionismo abriu o caminho para o modernismo, e Van Gogh (tido como pós-impressionista, e que tinha uma única tela na exposição), toma proveito disso de forma brilhante. Além disso, até mesmo o grupo que criou o impressionismo não se entendia com essas regras conforme vi num documentário que passou no CCBB.

Mas essa pincelada meio enevoada é realmente o que mais chama a atenção. Algo que desconfiei é que algumas vezes o artista buscava temas que eram naturalmente assim, com pouca visibilidade, para aproveitar o estilo. Assim, Monet vai direto à fonte e retrata uma estação com toda a fumaça do trem:

 

No Monet mais típico, o clássico Lago das Ninfeias, ele toma proveito da riqueza de detalhes da flora e da água, que acaba criando naturalmente uma fusão fascinante:

 

Olha o uso do fogo e do gelo na tela Geada do Camille Pisarro:

 

Também a única mulher do grupo, Berthe Morisot, coloca esse mosquiteiro no berço:

 

Da exposição de hoje, o quadro que minha esposa Viviane mais gostou foi um retrato de Notre Dame, do não tão famoso Maximilien Luce, que ensaia o uso de uma das técnicas para “embaçar” introduzidas pelo impressionismo, o pontilhismo. Veja que bonita ficou a catedral, não parece feita de pixels?

 

Já eu, estou cada vez mais fã de Auguste Renoir. Já tinha babado para algumas obras clássicas que vi no Musée Dorsay, que trazem expressividade para a amálgama impressionista de um baile em Moulin de la Galette e para o corpo da mulher em Dança na Cidade:

  

Agora reparei no enevoado impressionista nas curvas de tecido e na feição das Moças ao Piano, e também nos olhares e fisionomias enfumaçadas porém expressivas dos retratos, como vemos no olhar de Fernand Halphen (com fundo vermelho que eu adoro) e no sorriso sem jeito da  babá com o filho de Auguste, Jean (o futuro cineasta) na tela Gabriele e Jean.

     

Aproveitei e comprei umas telinhas de Renoir. Para ficar “impressionado” mais um pouco em casa.

 



Escrito por Vladimir às 22h17
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Um belo livro sobre adolescentes

O melhor de Cidade de Deus, tanto o livro como o filme, é a capacidade de mostrar um mosaico de um mundo tão distinto do nosso, o de bandidos e favelados, porém com uma visão da vida não tão excludente, com personagens curtindo a cultura pop do momento, com dificuldades para arranjar namorada, seus ciúmes e invejas infantis, e suas morais próprias tratadas com naturalidade. Isso é o mais fascinante, fica ainda mais perturbador perceber as barbaridades quando nos identificamos com suas cabeças, suas motivações primárias. Lembrei muito dessa obra, lendo a novela Momentos dos Delírios, da escritora jundiaiense Melissa Souza

Conheci a Melissa em um curso de roteiro na cidade, nos tornamos amigos e parceiros. Ao mesmo tempo em que usei sua experiência com a vida e escrita adolescente para avaliar meus roteiros infanto-juvenis, eu revisei e opinei em um ótimo romance gótico que ela está terminando. Agora ela me convidou para publicarmos um livro de contos em conjunto, tomara que dê certo! Ela também me deu de presente sua primeira obra, publicada quando ela tinha apenas de 15 a 16 anos.

Momentos dos Delírios é uma imersão no mundo adolescente de classe média baixa e aborda vários temas polêmicos para essa idade, como sexo, gravidez e drogas. Dito assim, confesso que torci o nariz esperando um sermão panfletário e personagens estereotipados, inclusive os protagonistas são uma piriguete e um virgem CDF. Mas eu me surpreendi pelas nuances. Duda, o virgem, não é um santo: por exemplo, ele simplesmente não entende porque o amigo foi preso tirando rachas, prática que ele também é aficcionado. E a piriguete Verônica tem seu lado careta, a ponto de ser defensora intransigente da fidelidade.

E, embora tenha no plot central uma aventura romântica clássica num estilo próximo ao meu, não é uma fábula moralista. Os personagens aprendem com os erros mas nunca deixam de ser adolescentes, ou seja, egocêntricos, se sentindo superiores aos pais e professores, com hormônios à flor da pele, politicamente incorretos, fofoqueiros e desbocados. Mas também ninguém é vitimizado, aqui não cabe aquelas discussões de bullying, de super proteger os rejeitados. A piriguete com má-fama, a grávida ou a lésbica são xingadas ou discriminadas na cara, mas seguem em frente. Mesmo porque parece que elas no fundo sabem que os jovens são inconsequentes e falastrões mesmo e, assim como elas, também carregam toda a surpresa infantil das constantes descobertas e do amadurecimento. E é aí que eu achei que Melissa se aproximou do clássico moderno de Paulo Lins, pois dentro de si os personagens de CDD também eram umas crianças que tinham suas próprias morais para agir como agiam. Do mesmo modo, o retrato da adolescência de MDD (combinou!) é tão diferente da que eu vivi, mas o vínculo está lá, no espírito primário da aprendizagem. 

Outras obras para as quais o livro me remeteu: o filme brasileiro As Melhores Coisas do Mundo, esse pela geração da perda de privacidade, embora o longa da Laís Bodanski focasse na classe média alta, e o cult Kids, de Larry Clark, aí um pouco mais parecido, pois também fala da amoralidade dos jovens.

Para terminar, os detalhes, especialmente os mais picantes, são notáveis para quem na verdade não havia vivido as situações em sua própria pele, como me disse Melissa. Sua capacidade de se transpor para a pele de personagens diferentes entre si e dela mesma é impressionante para a idade, inclusive com admiráveis descrições na primeira pessoa masculina.

Enfim, a única coisa que não gostei do livro foi o título, difícil até de pronunciar, e achei que não tem a ver com o conteúdo. Que a Melissa não me ouça, pois ela cria seus títulos com carinho, rs. Mas adorei o livro, recomendo! Segue aqui o link para o blog da Melissa.



Escrito por Vladimir às 09h31
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Londres 2012 - Serenity Now!

Sempre acontece de atletas brasileiros nas Olimpíadas sentirem o peso do evento. Quantas vezes vemos, mesmo agora em Londres, o esportista chegar com credenciais e perderem de forma boba, ou pelo menos aquém de suas ditas possibilidades.

Isso não aconteceu com a piauiense Sarah Menezes. Tive o prazer de acordar de madrugada e ver ao vivo todas as cinco lutas que a levaram ao seu sensacional ouro. Depois eu assistiria a outras participações brasileiras no judô e, mesmo não entendendo do esporte, pude ver que não foi por acaso que ela chegou onde ninguém mais chegou. Ela tinha diferenciais, percebia-se que tinha estudado com inteligência os pontos fracos do adversário, procurou sempre a luta, evitando punições, mas principalmente, fiquei impressionado como ela entrou sempre serena e concentrada. Serena, sem se deixar abalar com o peso do evento, mas também concentrada, o tempo todo ligada em cada detalhe da luta e do adversário. Isso fica mais claro no final da luta, quando ela se descabelava e colocava toda a emoção para fora, em suas catarses nervosas não menos que emocionantes. Veja na foto a seguir a diferença entre a expressão de Sarah durante e após a luta.

 

Na primeira entrevista que deu após ganhar o ouro, Sarah agradeceu à psicóloga que lhe ajudou a atingir esse espírito durante as lutas. Sei que isso também é mérito da própria Sarah, garota inteligente, diferenciada, lutadora, que construiu sozinha junto com seu treinador um centro de treinamentos num dos estados mais pobres da federação. Mas, gente, que psicóloga é essa? Contrata essa para dar um “Serenity Now!” (como dizia George Constanza de Seinfeld) nos Diegos, Fabianas, seleções femininas e outros atletas da nossa delegação.



Escrito por Vladimir às 11h32
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Valente e as obras com alcance universal

Um dos meus sonhos como roteirista é escrever um filme direcionado à criança mas que agradasse a todas as idades: do jovem descolado à mocinha romântica, passando pelo adulto intelectual e o velhinho nostálgico. Mas também que fosse denso e original, não só uma comédia paródica (como Shrek). Difícil, né, mas a Pixar conseguiu por vários anos, com suas obras-primas Procurando Nemo, Ratatouille, Up - Altas Aventuras, Wall-E e, é claro, a trilogia Toy Story. Seus maiores concorrentes chegaram perto em algumas preciosidades, como a Blue Sky com A Era do Gelo, a Dreamworks com Monstros x Alienígenas e Como Treinar Seu Dragão e a Aardman com A Fuga das Galinhas. Ano passado, ficamos sem uma obra com alcance universal assim. A animação da Pixar, Carros 2, foi considerada um equívoco. Eu concordei e achei que um subestimado filme com atores reais supriu essa lacuna em 2011: Super 8, um longa encantador sobre adolescentes e um mistério de um acidente de trem tinha elementos para agradar todas as idades e até hoje não entendo por que não foi um sucesso.


Ao ver Valente (Brave), a mais recente obra da Pixar, eu me perguntei se suas antigas obras realmente tinham agradado a todos, inclusive as meninas ou as jovens mulheres, pois os principais personagens sempre eram masculinos. E foi isso um dos fatores que fez Carros 2, ter sido considerado um fracasso: muito "homenzinho".

Em Valente, a mocinha é uma adolescente otimamente caracterizada, com todas as suas qualidades e defeitos. Tem a inteligência que lhe faz querer ser independente unida a uma inconsequência que lhe faz repetir várias vezes "não foi minha culpa!" quando comete algo pelo qual obviamente ela tinha sim total culpa.

Eu gostei bastante do filme. Eu me amarro em filmes com heroínas mulheres, e esse tem uma virada interessante, boas caracterizações, imagens com textura perfeita. Só achei que a estória foi direta demais, sem as idas e vindas que me arrebataram, por exemplo, em Toy Story 3. E me descobri "homenzinho" por ter gostado mais esse ano, em termos de animação, de As Aventuras de Tintim, por exemplo. Será que tenho uma visão muito masculina? Não esperava isso de mim! rs

Bom, acho que não. Adorei algumas animações não-Pixar com protagonistas femininas, como Monstros x Alienígenas com a adorável Mulher de 15 metros e a divertida Rapunzel, de Enrolados, para citar recentes. E a Merida de Valente também mandou muito bem! Só que eu acho que a Pixar posicionou a barra muito alta e agora a gente espera sempre algo mais genial. Valente já foi um upgrade e tanto em relação a Carros 2 e vou continuar esperando que voltem a sua velha forma arrebatadora. Para todas as idades e gêneros.

 



Escrito por Vladimir às 08h22
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O Homem e seu cão



Escrito por Vladimir às 17h23
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Efeito Tostines



Voltaram a passar aquela irritante propaganda de bateria de carro, com a bela Maria Fernanda Cândido e o fera Emerson Fittipaldi. Começa que somos apresentados à inverossímil situação em que a atriz vai comprar uma bateria e resolve consultar o ex-piloto. Ela mesmo compra essas coisas? De onde ela o conhece? Vai incomodar o ocupado empresário com issso? Enfim, depois de engolirmos essa, aí é que vem o mais bizarro: ela comenta que a “bateria dura mais porque é inteligente”. E ele, no alto de sua soberba experiência no ramo, a corrige: “Não, não: a bateria é inteligente porque dura mais”.

Ele de fato é um grande campeão e entende de automóveis, mas quem fez o texto do comercial lhe passou algo bem errado, na minha opinião. A clara relação de causa-efeito é: causa = inteligente, efeito = durar mais. Então o correto tem de ser sempre como a bela diz: “dura mais porque é inteligente”. A outra, “é inteligente porque dura mais”, só faz sentido aos nossos ouvidos porque na verdade é uma redução de: “É considerada inteligente porque dura mais”. Na minha opinião, ser inteligente está intrínseco e vem primeiro sempre.

A verdade é que a propaganda é uma imitação da antiga peça dos biscoitos Tostines. Esse sim, tinha um belo paradoxo. “Vende mais porque é fresquinho” versus “é fresquinho porque vende mais”. Ou seja, a qualidade de fresquinho faz com que os clientes comprem mais e com maior frequência o biscoito. Com isso, ele nunca fica velho nas prateleiras, permanecendo sempre fresquinho, fazendo as pessoas comprarem mais, assim por diante. Esse comercial sim era genial, clássico e fez pegar até a expressão “efeito Tostines” para dilemas semelhantes.

E os publicitários da fábrica de baterias poderiam ter nos poupado dessa imitação tosca, que ainda por cima permanece repetida por anos, né?



Escrito por Vladimir às 09h02
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Filmes não-americanos

Maio está chegando, junto com os filmes do verão americano. Confesso que não estou muito empolgado, ainda vou ver Alice, apesar das críticas negativas, Homem de Ferro II, com o Robert Downey Jr que tem mandado muito bem, e Toy Story 3, que afinal é da Pixar. Mas o que mais vem? Meu filme favorito de 2010 ainda é O Segredo Dos Seus Olhos, suspense argentino que ganhou o Oscar de Melhor Estrangeiro. Aliás, as películas que mais me agradaram nos lançamentos das últimas semanas eram de fora dos EUA, como o brasileiro Chico Xavier que já comentei aqui, e o imperdível coreano Mother, sobre uma mãe que procura provas para inocentar o filho da acusação de um crime, que na verdade vi no Festival do Rio.

Algumas grandes produções de Hollywood como Ilha do Medo e Zona Verde me agradraram como bom cinema, pela trilha, a direção sofisticada cheia de climas e a atuação (de Leonardo di Caprio e Matt Damon, respectivamente), mas torci o nariz com as histórias em si. E roteiro fraco, pra mim, é imperdoável. Gostei mais da animação Como Treinar seu Dragão, boa história e excelentes cenas em 3D de voos em dragões. Mesmo assim, da Dreamworks, eu achei mais criativo e cativante o subestimado Monstros x Alienígenas do ano passado.



Mas, como disse, foi olhando para fora dos EUA que achei belas obras. Adorei, por exemplo, o sueco Deixa Ela Entrar, sobre um menino solitário que cria uma sensível (e peculiar) amizade com uma menina misteriosa. É um filme de vampiro que dá uma surra na saga Crepúsculo e congêneres. A menina me lembrou a Kirsten Dunst em Entrevista com Vampiro, adorei!



Também sobre amizades de solitários, na semana passada vi o australiano Mary and Max, animação de massinha sobre a relação a distância de uma menina e um senhor, ambos problemáticos. Lembrei de Nunca te vi sempre te amei: amizade por cartas é um tema que nunca fica velho, né, ainda mais agora com a internet. Mary and Max é marcante, embora eu tenha achado um pouco deprê, me remetendo, até pela temática infantil-para-adultos, ao também bom Onde Nascem os Monstros.



Mais colorido foi As Melhores Coisas do Mundo, filme brasileiro sobre o cotidiano de adolescentes de classe média alta paulistanos. Esse também trata de amizade, talvez essa seria a grande chave para realizar bons filmes sem orçamentos hollywoodianos, né? Nesse caso, fiquei impressionado com como a diretora Laís Bodanzki retratou bem o jovem desse início (fim?) de década, com todas as conexões virtuais, a velocidade da informação (e da invasão de privacidade), as formações de comunidades (para o bem e para o mal) e, principalmente, a busca de identidade. Eu, que estou escrevendo um roteiro com uma protagonista adolescente, fiquei até com inveja e com a impressão que estou longe de retratar bem o jovem atual. Esse filme já valeu a pena, até por isso.



Escrito por Vladimir às 08h53
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Carne Moída ou Granuli di Manzo?



Entre os meus pratos prediletos, lasanha e feijoada se acham pra todo lado, embora quando mal feitos sejam piores que jiló. Aqui no Rio mesmo, são raros os restaurantes em que eles são caprichados; lembro do Dois em Cena (feijuca) e do Tiramisú (lasanha). Mas há um prato que elenco entre os meus favoritos e que é teoricamente simples mas, puxa, como é difícil de achar: a carne moída. Do jeitinho que eu gosto, então, é ainda mais raro, parece que só minha mãe faz: carne moída preparada com batata cozida. Com purê até se acha, de vez em quando pinço no próprio Dois em Cena, ali da margem do menu, na ala dos pratos caseiros. Além de difícil de achar, ainda é humilhado.

Aliás, tenho a teoria que o problema seja o nome. Carne moída é feio, pobre, né? Tive uma colega metida a chique, que dizia que não gostava de almôndega. Só que de polpetones, polpetines, ela gostava. É, talvez a carne moída esteja precisando de um upgrade no nome, vamos tentar? Jogando no Google Tradutor, descubro que em inglês é minced meat, em francês viande hachée, péssimos. Em italiano (salvador da almôndega) é carne macinata. Hum, pode melhorar. Tentando carne granulada em italiano, obtive granuli di manzo. Ei, é isso aí, se eu tivesse um restaurante criaria a elegantíssima iguaria Granuli di Manzo con Patate, e ainda cobraria caro!



Lembrei desse prato ao ver a ótima propaganda do novo Escondidinho da Sadia. O casal sente o aroma de carne moída com purê gratinado e supõe que tem uma vovozinha na casa ao lado, e no fim eram uns tatuados toscos preparando o congelado. A peça é tão convincente que quase dá pra sentir o cheirinho. Não resisti e provei hoje, hummm, até gostei, vou comprar outras vezes...

Mas certamente o suculento Granuli di Manzo da minha mãe ainda é bem mais saboroso. E não só no nome!



Escrito por Vladimir às 00h14
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Top20 Musas de Desenho Animado e Quadrinhos

Falando em desenhos animados, acabei comprando o recém-lançado Animaq - Almanaque dos Desenhos Animados. É uma diversão relembrar a quantidade de desenhos que já vi na vida. Resolvi então fazer outro ranking, dessa vez um Top20 (com direito a wallpapers) das musas animadas, incluindo desenhos, animações em longa-metragem e revistas em quadrinhos. Aqui não incluí heroínas de mangás e animês; nada contra, até há muitas gatinhas, mas não conheço nenhuma personagem por nome. Segue o ranking:



1.    Tina (do Maurício de Sousa)
2.    Jessica Rabbit (de Uma Cilada para Roger Rabbit)
3.    Willa (líder das Donzelas Guerreiras do desenho Thundercats)
4.    Rosinha (namorada do Zé Carioca)
5.    Mulher Hulk
6.    Esmeralda (de O Corcunda de Notre Dame)
7.    Mulher Maravilha
8.    Helena Pera (ou Sra Incrível ou Mulher Elástica, de Os Incríveis)
9.    Lori (assistente do Grande Polegar, Detetive Particular)


10.    Susan Murphy (Mulher de 15 metros de Monstros x Alienígenas)
11.    Sininho (ou Tinker Bell)
12.    Super Girl
13.    Betty Boop
14.    Penélope Charmosa
15.    Tiana (de A Princesa e o Sapo)
16.    Jana das Selvas
17.    Belle (de A Bela e a Fera)
18.    Mulher Gato
19.    Jeannie (de Jeannie é um Gênio)
20.    Batgirl



Escrito por Vladimir às 14h01
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Chico Xavier e a oração de Pai Nosso



Impressionante como o filme do Chico Xavier agrada tanto os seguidores do espiritismo quanto os que não acreditam, como eu. A história dele é contada com uma eficiência difícil de ser alcançada em cinebiografias: sem eudeusar mas sem deixar de celebrar esse homem notável. O melhor foi o toque de emoção da trama secundária vivida por Tony Ramos e Christiane Torloni, que deixa os espíritos do público (mesmo os de ateus como eu) elevados. Um ponto curioso: foi o primeiro filme que vi em que absolutamente ninguém da plateia arredou pé até as últimas letrinhas do crédito final. É que nesse momento aparecem cenas reais de Chico Xavier no mesmo programa de TV que permeia o filme. Aplausos para o diretor Daniel Filho.

Mas eu queria mesmo era comentar sobre a oração do Pai Nosso, que ouvimos umas três vezes durante o filme. Estava lembrando que quando eu era adolescente rezando quase toda noite antes de dormir, eu fazia questão em prestar atenção no que estava proferindo. Incomodava-me ver os “devotos” orando o rosário mil vezes de forma automática, sem ao menos se dar conta das sentenças balbuciadas. No meu empenho de reparar em cada palavrinha, acabei notando algumas curiosidades.

Por exemplo, achava chato dizer “o pão nosso de cada dia nos dai hoje” ao rezar à noite, já que o dia havia terminado e, ora essa, chega de pão por hoje. Talvez fosse melhor, pensava, “nos dai todos os dias” ou mover a oração para a manhã. Outra coisa que me interessava é o fato de terem trocado “perdoai as nossas dívidas” (como aliás está no filme) por “nossas ofensas”. Entendo que queiram dar uma dimensão mais abrangente para dívida, não só financeira mas emocional. Mas será que era esse o intuito inicial da oração? E por falar em mudanças, por que o trecho final: “Pois vosso é o reino, o poder e a glória para sempre” teria sido abolido?

Mas o mais intrigante para mim era a frase: “não nos deixei cair em tentação, mas livrai-nos do mal”. Qual o sentido desse “mas”? Pra mim, proteger da tentação e livrar do mal não são opostos, pelo contrário, são complementares. Não estaria errado isso? Juro que quando eu rezava, eu mudava a letra recitando simplesmente: “não nos deixei cair em tentação e livrai-nos do mal. Amém.” Ou, como diz Chico Xavier no filme: “Assim seja”.



Escrito por Vladimir às 12h11
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Top10 Os melhores desenhos animados de todos os tempos

A revista MONET fez a lista dos 100 melhores desenhos animados de todos os tempos; veja o Top10 deles, com meus comentários:



1.    Scooby-Doo, cadê você?
Eu até gostava do Scooby-Doo, mas me amarrei mesmo foi na versão baby dos anos 90, O Pequeno Scooby-Doo. Os personagens tinham características mais marcantes (Daphne, patricinha; Velma, hacker; Fred, burro) e as histórias eram mais dinâmicas. O melhor era no final quando Fred sempre culpava o Ruivo Herring, um garoto valentão, pelo delito e ele nunca era o culpado. Aliás, achei na wikipedia que Red Herring é uma expressão em inglês para “bode expiatório”.
2.    Os Simpsons
Os Simpsons sempre me agradaram, mas ultimamente tenho gostado muito mais. Acho que hoje entendo melhor as referências pop e o roteiro dinâmico. O bom é que como não assistia muito antigamente, a maioria das reprises são inéditas pra mim.
3.    Pernalonga
Sinceramente, nunca fui fã. Até gosto dos temas de abertura, e reconheço a aura ao redor do desenho e do personagem mas... não me cativava nem quando eu era peti.
4.    Bob Esponja
Já é de uma época que eu não assistia mais desenho com frequência, infelizmente. Mas assisto de vez em quando alguns episódios do Bob Esponja e gosto do espírito viajandão. Fiquei até com vontade de ver o longa, será que eu vou gostar?
5.    Corrida Maluca
Sempre adorei! Quando eu era pequeno, cada um da família tinha um concorrente pelo qual torcia. Lembro só que eu era fã do micado Peter Perfeito, que sempre quebrava, e meu irmão do Cupê Mal Assombrado (ou seria o carro tronco do Rufus Lenhador?). Mas hoje em dia eu não tenho dúvidas dos meus favoritos: Dick Vigarista e Muttley. O vilão-mor dos desenhos e o cachorrinho de risada inimitável foram um marco e o spin-off Máquinas Voadoras é o meu desenho favorito. Outros personagens da Corrida, a Penélope Charmosa e a Quadrilha de Morte, geraram outro desenho que eu adoro, Os Perigos de Penélope.
6.    Tom & Jerry
Curioso, quando pequeno não curtia muito, pois torcia frustrado para o Tom. Mas hoje, sempre que vejo, não deixo de torcer para o Jerry trucidar o pobre do gato. Fico reparando como não é tão diferente da paródia Comichão e Coçadinha dos Simpsons.
7.    Ducktales, os Caçadores de Aventuras
Poxa, de tanto desenhos geniais de Disney, justamente esse veio parar no Top10? Lembro que eu era até fã dos quadrinhos em que o Tio Patinhas procurava tesouros e tinha grande expectativa para o Ducktales. Mas decepcionei, não me lembro bem porquê. Não gostei de excluírem o Donald, não fui com a cara do Capitão Boeing... Mas talvez merecesse uma revisita.
8.    Pica-pau
Eu adorava quando criança, mas hoje acho chato. Não me agrada o desenho mal feito, e acho sem criatividade. Mas esse diagnóstico é devido mais a minha velhice que pelo desenho em si, né?
9.    Os Flintstones
Ótimo, uma das melhores sitcoms de família, que inspirou não só os também muito bons Jetsons, Mussarelas e até Os Simpsons, mas também os seriados de carne e osso, como Married with Children e King of Queens.
10.    South Park
Acho que em matéria de sarcasmo, Os Simpsons dá de dez a zero. Mesmo assim, essa série sem sutilezas teve momentos impagáveis.

Reconheço que é uma tarefa difícil esse ranking, dada a infinidade de desenhos. Folheei na livraria uma enciclopédia de desenhos que lançaram e fiquei impressionado com a quantidade. Por isso, vou arriscar meu ranking, mas tenho certeza que estarei esquecendo de alguns. Já deixei de fora uns que eu me amarrava, como Thundercats, Jackson 5, Snoopy, Smurfs e os mencionados acima Flintstones, Os Perigos de Penélope e O Pequeno Scooby-Doo.

Ranking Top10 Desenhos Preferidos do Vladimir de Todos os Tempos:

1.    Máquinas Voadoras (Não está no ranking da Monet)
Acho que a Monet colocou a Corrida Maluca e considerou que esse spin-off estava devidamente coberto. Eu prefiro essa aventura com aviões que tem além de Dick Vigarista e Muttley voando com a sua cauda-hélice e pedindo “medalha, medalha”, os malucos Zilly ("oh, não, que horror!"), Klunk ("baaaaa-buuu-baaaa-pombo!"), o General que rosna ao telefone e o próprio pombo Doodle com sua cornetinha. Muito bom!
2.    Mickey e Donald (25º no ranking da Monet)
Aqui me refiro aos desenhos antigos, principalmente aqueles que exploram as piadas físicas, como quando Pluto se enroscava com uma foca, tatu ou siri; ou Donald e Pateta levavam bordoadas de geringonças, e da natureza em geral. Genial!
3.    Os Simpsons (Número 2 na Monet)
Além do que comentei acima, é impressionante como consegue permanecer atual em sua 21ª temporada!
4.    Caverna do Dragão (19 na Monet)
Esse desenho, sobre jovens que vão parar em um mundo de magia e dragões, com certeza é uma daquelas séries animadas que fez muito mais sucesso no Brasil que fora. Uma pena, pois fizeram poucos episódios. Mesmo assim, a gente continua assistindo as reprises com prazer, né?
5.    Liga da Justiça (51 na Monet)
Dos desenhos mais modernos, o que mais me agradaram foram as chamadas Animated Series, começando pelo Batman, Superman, mas acho que a Liga da Justiça tinha eles, adicionavam uma charmosa Mulher Maravilha, representou bem todos e ainda dá uma nostalgia dos velhos Super Amigos.
6.    Beavis and Butthead (não presente na Monet)
Em matéria de nonsense, ninguém ganha desses dois nerds que assistiam a TV e falavam: “Ãããhh, this sucks!”
7.    Papa Léguas e Coyote (67 na Monet)
Nunca entendi como o Coyote tinha dinheiro para comprar tudo quanto é parafernália da Acme e não adquiria comida pronta. Mas esse era um dos charmes desse hilário desenho.
8.    Manda Chuva (18 na Monet)
Diz a Monet que esse desenho também fez mais sucesso no Brasil do que fora, e credita isso ao excepcional trabalho da dublagem nacional. De fato, as vozes de Manda-Chuva, do Batatinha e dos outros ficaram na nossa cabeça. Mas também o jeitão do gato não lembra o tradicional malandro brazuca?
9.    Thundarr, o Bárbaro (não presente na Monet)
Poucos lembram desse desenho de um bárbaro futurista meio burro e seus fiéis companheiros Ookla (uma espécie de Chewbacca) e a Feiticeira Ariel. Apesar de ter sido de segunda linha, achava original um bárbaro ingênuo e ao mesmo tempo heróico, como seria depois um dos meus quadrinhos favoritos: Groo, o Errante, que infelizmente não virou desenho. Ainda carrego na memória Thundarr e seu grito tradicional: “Ariel! Ookla! Vaaaaamos!”
10.    Os Herculóides (65 na Monet)
Assim como eu e meus irmãos “assumíamos” as identidades dos competidores da Corrida Maluca, também tínhamos nossos preferidos dos Herculóides. Meu irmão Vinícius se amarrava no gorila Igor, a Valquíria no dragão Zok, a Ingrid no rinoceronte Tundro e eu, bem, fui escolher logo o mais fraquinho deles, o Gleep, o menorzinho das bolas disformes e elásticas. Era muito bom, até estava pensando que com o sucesso do planeta selvagem de Avatar, bem que poderiam pegar a onda e fazerem um filme com Zandor e Tara e companhia, né?

Esqueci de algum?



Escrito por Vladimir às 16h13
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As irmãs Emily Deschanel (do seriado Bones) e Zooey Deschanel (da banda She and Him e do filme 500 Dias Sem Ela)



Escrito por Vladimir às 21h47
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Oscar 2010: Subvertendo Clichês



O Oscar de Melhor Filme de 2010 já está embalado e destinado provavelmente a Guerra ao Terror (The Hurt Locker), num ano em que dez filmes foram indicados. Infelizmente, faltaram estrear dois deles aqui no Rio: Um Sonho Possível (The Blind Side), que deverá render Melhor Atriz para Sandra Bullock, e Um Homem Sério, dos Irmãos Coen (de Queime Depois de Ler). Por incompetência das distribuidoras, ou exibidoras, sei lá, fiquei sem os ver. Depois reclamam do povo baixar na internet, da pirataria,...

Enfim, sobre os outros oito, o meu predileto, apesar das chances nulas, continua sendo Up - Altas Aventuras, original animação sobre velhinho que usa balões para cumprir uma missão para o amor da sua vida. Tomara que dessa indicação venham outras para a Pixar e, quem sabe um dia, John Lasseter e cia ganhem um merecido e inédito Oscar de Melhor Filme para uma de suas obras-primas. Também original é Distrito 9, sobre extraterrestres sitiados numa favela. Bela união de boa sacada com pungente realização. Até merece algum Oscar técnico, quem sabe? Aliás, também torço para algum Oscar técnico para Star Trek, que eu gostei muito, mas não apareceu nas categorias principais.

Outro que eu gostei muito foi o sucesso Avatar. Eu sei, seu roteiro é um clichê de aventura, bla-bla-bla, mas e daí? James Cameron mais uma vez recuperou o prazer de ver a magia do cinema em toda a sua plenitude. Quem faz isso hoje em dia? Preciosa, que também é um clichê de dramalhão, até tem algumas ousadias - como os sonhos de glamour da menina violentada - mas não o suficiente para subverter o gênero. Esse problema acontece também com Educação, sobre mocinha certinha que conhece um dândi, nos anos 60. Até gostei da realização, com ótima ambientação, mas achei a mensagem tão convencional, moralista...

A subversão, no bom sentido, está presente em outros indicados. Amor sem Escalas (Up in the air) é um misto de gêneros de comédias: humor negro, comédia romântica, dramática, corporativa, de costumes... A gente acha que vai caminhar para um clichê, mas o roteiro se desvia inteligentemente para algo mais realista e diferente. Já Bastardos Inglórios, como petardo tarantinesco, não surpreende mas também não decepciona. Quentin Tarantino cria seus melhores climas, mas o que foge do clichê mesmo é uma surreal catarse na parte final.

Também Guerra ao Terror quase cai no clichê. Distribua várias cenas clássicas de bomba-sendo-desarmada por um longa-metragem e temos a fórmula da empolgante tensão do filme. Mas Kathryn Bigelow o faz dando aos personagens densidade, obsessões, códigos de amizades, atitudes inesperadas, assim como ela já havia realizado no antigo Caçadores de Emoção (Point Break), quem se lembra? O Oscar, se confirmar o favoritismo, não vai para mãos desqualificadas, pelo contrário.

Por fim, queria comentar os dois indicados a Melhor em Idioma Estrangeiro. O diretor austríaco Mike Haneke recuperou comigo sua imagem, depois da decepção que me foi o seu superestimado Caché. Em A Fita Branca, favorito ao prêmio, sobre crimes em aldeia alemã dos anos 10, o autor também adora deixar lacunas que tanto me incomodaram em Caché. Mas agora, os personagens e ambiente estão tão bem traçados, que essas omissões são bem vindas.

Melhor é o argentino O Segredo de seus Olhos. A rigor parece um episódio de Cold Case, sobre um homem que revisita um crime antigo que marcou sua vida. Mas tem um roteiro tão bem montado, os personagens e diálogos tão carismáticos, uma história de amor platônico tão cativante, e um plano-sequência num estádio de futebol tão fascinante, que não tenho dúvidas: já é meu filme favorito de 2010 até agora. Aliás, é uma lição aos cineastas brasileiros que só alternam filmes populares, violentos e alternativos, raramente obras simples e universais. Tenho de dizer: tomara que dê Argentina no Oscar amanhã!



Escrito por Vladimir às 20h46
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Top10’s Títulos de canções com a palavra Amor



Top10 Títulos de canções com a palavra Amor
1.    Como é grande o meu amor por você (Roberto Carlos)
2.    Balada do amor inabalável (Skank)
3.    Meu amor, minha flor, minha menina (Zeca Baleiro)
4.    Amor I love you (Marisa Monte)
5.    Todo amor que houver nessa vida (Cazuza)
6.    Cuide bem do seu amor (Paralamas do Sucesso)
7.    O nosso amor a gente inventa (Cazuza)
8.    Para viver um grande amor (Vinícius de Moraes)
9.    Amor, meu grande amor (Ângela Ro Ro e Barão Vermelho)
10.    Com muito amor e carinho (Roberto Carlos)

Outros Top5 com títulos com a palavra Amor:

Top5 Bregas
1.    Haja amor (Luiz Caldas)
2.    É o amor (Zezé di Camargo e Luciano)
3.    O amor e o poder (Rosana)
4.    Nosso amor é lindo (Placa Luminosa)
5.    Mordida de amor (Yahoo)
6.    Que se chama amor (SPC)

Top5 Vinícius de Moraes
1.    Canção do amor demais
2.    Soneto do amor total
3.    Canção para o grande amor
4.    Soneto do amor como um rio
5.    Cala, meu amor

Top5 Roberto Carlos
1.    O grande amor da minha vida
2.    Amar pra viver ou morrer de amor
3.    Canção do amor nenhum
4.    Oh, meu imenso amor
5.    Amor antigo

Top5 MPB e Pop
1.    A fórmula do amor (Léo Jaime e Kid Abelha)
2.    Samba de Amor e Ódio (Roberta Sá)
3.    Apenas mais uma de amor (Lulu Santos)
4.    Amor perfeito (Roberto Carlos)
5.    Toda forma de amor (Lulu Santos)

Top5 Títulos Curiosos
1.    Amor de ping pong (Bruno e Marrone)
2.    Amor só de mãe (Detentos do Rap)
3.    Amor de rapariga (Cheiro de Amor)
4.    Pinturas de um amor (Fernando e Sorocaba)
5.    Meus amores da televisão (Roberto Carlos)



Escrito por Vladimir às 12h26
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Araucárias



Escrito por Vladimir às 16h54
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O Olhar e o Chambinho



Em junho de 2008, fiz um Top10 dos mais belos nomes de canções. Estava reparando que duas das canções escolhidas possuem olhos no título: Pela Luz Dos Olhos Teus (Número 1), e Morena dos Olhos d’Água (Número 10). Realmente, nada mais romântico e profundo do que os olhos, o olhar, né? Eu mesmo fiz uma canção para a minha esposa Viviane chamada Menina dos Olhos Sorridentes.

Que outras músicas tem olhos ou olhar no título? Dei uma fuçada na web e achei de tudo:

Sejam referências à cor dos olhos: Olhos Vermelhos (Capital Inicial), Olhos de Mel (Rastapé), Dois Olhos Negros (Lenine), Olhos Coloridos (Sandra de Sá).

Referências a expressões: Olho Grande (Os Morenos), Amigo Fura Olho (Latino), cruzes, O Olho do Furacão (Engenheiros do Havaí), Olhar 43 (RPM), crássica!

Bem mais interessantes são os olhos comparados com coisinhas insuspeitas: Olhos de Blue Jeans (Bebeto), que gostoso, Olhos de Jabuticaba (Lulu Santos), hummm, Olhos Azuis de Bebê (Zé Rodrix), fofo, Olhos de Paisagem (Adeildo Vieira), O Homem dos Olhos de Raio X (Lenine), Lenine tem uma coleção de músicas com olhos, heim, Olhar de Mangá (Erasmo Carlos), bonitinho e criativo, Olhos de Nunca Mais (Jorge Vercílio).

Outras referências bacanas: Luz dos Olhos (Nando Reis), O Mistério Do Fundo Do Olho (Lula Queiroga), Tá No Jeito De Olhar (Bruno e Marrone), nem gosto do estilo mas até comecei a cantar agora, Guarde nos Olhos (Ivan Lins), Olhos de Luar (Chrystian & Ralf), aqui unindo dois elementos românticos.

De clássicos, além dos belíssimos já mencionados Pela Luz Dos Olhos Teus (Vinícius de Moraes) e Morena dos Olhos d’Água (Chico Buarque), há também, do Chico, Olhos nos Olhos, que eu adoro, e, do Vinícius, Poema Dos Olhos Da Amada. Esse poetinha...

Curiosamente, não achei nenhuma referência direta aos clássicos olhos de ressaca de Capitu. Merece, né? Quem sabe eu não escrevo algo?

Por último, lembrei de algumas citações a olhos que não estão no título da canção, mas que marcam a música. Falando de marchinhas, lembrei da “Linda Loirinha, dos olhos claros de cristal” de Linda Loirinha (Braguinha). Também lembrei da frase “onde brilham os olhos seus” de Seja o Meu Céu, do Robertinho do Recife. O verso é tão belo que deu nome ao CD da Fernanda Takai. Recordei ainda do verso de Tempo Perdido, da Legião Urbana, que marcou minha juventude:  "A tempestade que chega é da cor dos teus olhos... castanhos..." Bons tempos... Outro verso da mesma época, que era o favorito do meu amigo Herbert (Fuscão) era "Olhos negros, olhos negros", da música Pedra, Flor e Espinho, do Barão Vermelho.

Por fim, falando em reminiscências, um versinho que marcou a minha infância foi um de Carinhoso (Pixinguinha/ João de Barro) que tocava na propaganda do Chambinho, o queijinho do coração. A menininha desembaçava a janela, revelava seus olhos claros radiantes e cantava: “...e os meus olhos ficam sorrindo”. Veja clicando aqui.

Quando miro hoje os olhos sorridentes da minha Viviane, não tem como não lembrar dessa imagem...



Escrito por Vladimir às 15h37
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Marchinhas de carnaval



O sucesso é um mistério, né? Nesse fim de semana, fui pular pré-carnaval nos blocos, e começaram a cantar “Taí, eu fiz tudo pra você gostar de mim”, primeiro sucesso da Carmen Miranda. Vendo as crianças acompanhando, pensei: como pode uma canção de 1930 fazer sucesso até hoje? Qual o segredo das marchinhas de carnaval?

Talvez seja pelas letras maliciosas e inocentes ao mesmo tempo. Elas colam na mente sem incomodar: “Mamãe, eu quero mamar”, “Quem não chora não mama segura meu bem a chupeta”, ou “Olha a cabeleira do Zezé, será que ele é?”. São sempre um sucesso!

Mas há outros estilos, igualmente cativantes. As minhas favoritas são aquelas com toques melancólicos (ou macabros, como brinquei no twitter). “Foi a camélia que caiu do galho, deu dois suspiros, e depois morreu” (de Jardineira), ou a semelhante: “Eu vou lhe contar um caso, eu quebrei o vaso, e matei a flor” (de Jarro da Saudade). Ou como em Máscara Negra, que começa triste: “Arlequim está chorando pelo amor da Colombina” e termina empolgante: “Vou beijar-te agora, não me leve a mal, hoje é carnaval.”

Qual o segredo? Não sei. Só sei que por mais que surjam frevos, axés e sambas-enredos, as marchinhas sempre voltam ao carnaval, todo mundo gosta e canta junto. O que me leva à segunda questão: Por que não se tocam marchinhas novas de sucesso?

Essa é difícil. Não sou do tempo do auge das marchinhas, quando eram uma mania nacional e todo ano se elegia a marchinha do verão. Em 2006, uma casa de shows aqui do Rio (a Fundição Progresso) voltou a promover um concurso anual de marchinhas; um que passa no Fantástico.

Tem umas muito boas. Como Bloco do Penico, finalista do primeiro ano (que aliás está super atual diante da campanha louvável para não fazerem xixi na rua): “Sr. Prefeito, o caso é clínico. Cadê o banheiro químico?”. Ano passado, ganhou Bendita Baderna, do Edu Krieger, compositor que eu adoro: “Um dia Deus estava entediado (...) Num momento de rara inspiração. Criou planetas, cometas e animais. Pra finalizar a criação, fez o ser humano e nunca mais dormiu em paz.”

A campeã de 2010, chamada Bom dia, tem um refrão com um divertido trocadilho: “Se o Conde D’Eu, se o Rei de Bagdá, se os negos do Sudão, por que eu não posso dar?”

Esse ano, o concurso recebeu 1.160 inscrições. Ou seja, não faltam composições. Também não falta espaço nos blocos para tocar marchinhas. Então... por que nunca tocam novas marchinhas no carnaval?

Mistério... Tomara que isso mude, né? E vamos pular!



Escrito por Vladimir às 10h33
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Os avôs de Friends e de Lost

Época de correr atrás do Oscar (já vi seis dos dez indicados a melhor filme). Mas, enquanto isso, continuo abusando da minha TV a cabo com capacidade de gravar programas e, assim, tive o prazer de vislumbrar alguns clássicos do cinema que não conhecia: Levada da Breca, 39 degraus e Núpcias Reais.

Levada da Breca (Bringing up Baby) é uma comédia romântica antiga sobre uma garota meio maluca (Katherine Hepburn) que invade a vida de um cara certinho (Cary Grant) e vira a cabeça dele. Eu já havia assistido a filmes assim, e agora vi que pelo menos dois deles foram inspirados justamente nesse clássico de 1938: Quem é Essa Garota (1988), com a Madonna, e Essa Garota é uma Parada (What’s Up Doc, 1972), com a Barbra Streisand. Lembro de ter adorado esses longas quando adolescente. Talvez eu mesmo fosse um rapaz certinho torcendo pra ser “abduzido” por uma garota que fosse “uma parada”.  De qualquer maneira, fiquei impressionado com a modernidade do clássico original. Diálogos rápidos e espirituosos, toques de nonsense, mulheres independentes, características que só se tornariam um padrão nos anos 90 e 2000, caracterizando também recentes séries de TV, como Friends, Seinfeld e Gilmore Girls. De cara, Levada da Breca se tornou uma das melhores comédias românticas que já vi.

E se Levada da Breca foi um marco das comédias, o filme 39 Degraus (1935), da fase inglesa de Alfred Hitchcock, foi pioneiro na teoria da conspiração, tema esse depois popularizado em obras como Três Dias de Condor, Dossiê Pelicano e até Código da Vinci. 39 degraus é sobre um cara comum em cujos braços morre uma espiã. Ele foge pelo país para provar a sua inocência e desvendar uma trama envolvendo uma sociedade secreta de espiões. Hitchcock tem aqui também um de seus primeiros filmes sobre o inocente que se mete numa situação perigosa, tema que ele retomaria em vários outras obras, como Intriga Internacional.

Curioso que, se o estilo afiado de Levada da Breca influenciou as séries de comédia modernas, as sociedade secretas e espiões estão presentes nas melhores séries de ação atuais como 24 horas, Lost, Alias, entre outras.

    

O terceiro clássico que me agradou muitos nos últimos dias foi o musical Núpcias Reais, de 1951. Tem duas das mais famosas sequências de dança de Fred Astaire, a com o cabideiro (homenageada por Mel Gibson em Do que as Mulheres Gostam) e a que ele dança no teto e nas paredes. O truque dessa cena - um cenário que gira junto com a câmera - depois é repetido em filmes como 2001 e em clipes como Fly, de Sugar Ray.

E se Levada da Breca e 39 degraus influenciaram obras atuais, é uma pena que não fazem musicais como esse Royal Wedding de Fred Astaire, ou seja, comédias bobinhas com virtuoses de dança e sapateado. Os musicais de hoje em dia são tão complexos e grandiosos, sempre ao estilo Broadway, né? Quem sabe algo mais pueril, divertido e com dança de verdade não poderia agradar ao público atual? A mim, me encantaria!



Escrito por Vladimir às 14h52
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Quatro filmes de 2010

Rapidinhas sobre cinema. Esse ano começou bem, logo de cara, assisti quatro filmes que me agradaram. Sherlock Holmes, a despeito da minha grande expectativa, não negou fogo. Divertida ação de cortes rápidos típica do diretor Guy Ritchie (de Snatch – Porcos e Diamantes e Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes), enigmas espertos e bem solucionados, boa atuação do cativante Robert Downey Jr. E, ao contrário do que comentam, achei os personagens bem fiéis aos originais. Eu li recentemente alguns contos e Sherlock não era paradão e contemplativo como se convencionou; era ativo, se metia nos buracos londrinos em perseguições, era mestre nos disfarces. E me amarrei em ver ícones dos livros, principalmente a Irene Adler, a única personagem que conseguiu balançar a cabeça do detetive e enganá-lo. Que venha a parte 2!

Gostei ainda mais do oscarizável Amor sem Escalas (inadequado título brasileiro para Up in the Air), sobre o cara cujo emprego é viajar pelo país demitindo funcionários. Bem o retrato da época de crise atual. George Clooney e as atrizes com quem contracena (a sedutora desencanada de Vera Farmiga e a CDF iniciante de Anna Kendrick) estão ótimos, mas o destaque mesmo é o diretor e roteirista Jason Reitman. Em Obrigado por Fumar, ele já tinha criado diálogos impagáveis defendendo o indefensável, humanizando um lobista do fumo. Dessa vez, quando vemos um funcionário completamente perdido por ter sido cortado, e achamos impossível animá-lo, Clooney inverte a situação em algumas falas e faz parecer ao pobre que foi a melhor coisa que lhe aconteceu. Também adorei a habilidade do cineasta de misturar elementos, passeando por comédia romântica, comédia corporativa, humor negro e comédia dramática, sem perder a linha. Além é claro de tratar sobre um tema que muito me agrada, a solidão. Imperdível.

Também sobre solidão, gostei de Onde vivem os Monstros, fantasia sobre garoto deslocado que vai parar numa ilha cheia de monstros e se torna rei do local. Gostei muito dos efeitos quase artesanais do Spike Jonze e da ótima construção dos personagens. Os monstros tem personalidades mais humanas do que na maioria dos filmes. O filme passa a valiosa lição que tentar agradar todo mundo não dá certo, podendo ser assistido também, assim como Amor sem Escalas, como metáfora dos mundos afetivo e corporativo: neles, os nossos planos, por mais bem intencionados, sempre esbarram no fator humano, imprevisível. Isso acabou por tornar o filme um pouco melancólico demais para o meu gosto, sendo esse seu principal defeito. Não seja desavisado a ponto de levar crianças pequenas ao filme.

Ao contrário, Zumbilândia é a maior diversão. Quem entra num filme desse sabe o que vai encontrar: zumbis babando sangue de ketchup e muitos tiros para abatê-los. Então não pode reclamar, porque essa quase-paródia não decepciona e proporciona muitas risadas. Adorei!



Escrito por Vladimir às 09h23
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Uma pequena cantiga de roda pra celebrar 1 ano de casados!



Seu Pulgão
(Vladimir Batista – 23/Jan/2010)

Pulguinha, hei!
Pulguinha, hei!
Pulguinha, Pulguinha, Pulguinha, hei!
Pega a Pulguinha, Seu Pulgão
Pega a Pulguinha, Seu Pulgão


Seu Pulgão
Pula, corre e cata
Busca, arremata
A Pulga que arrebata
Seu coração
Seu Pulgão
Não perca essa Pulguinha
Cerca, avizinha
Aperta a campainha
Do seu portão
Seu Pulgão
Se ela foge, caça
Se ela corre, laça
Toma posse, amassa
Com afeição
Seu Pulgão
Pega esse seu par
Carrega pro altar
Que ela é pra casar
Sem hesitação
Seu Pulgão

Pulguinha, hei!
Pulguinha, hei!
Pulguinha, Pulguinha, Pulguinha, hei!
Pega a Pulguinha, Seu Pulgão
Pega a Pulguinha, Seu Pulgão


  Feliz 24 de Janeiro, amor da minha vida!



Escrito por Vladimir às 11h55
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Um pequeno conto meu

Um bordado chamado crivo

Justamente quando Carlos mais se aproximava de sua avó Branca, a velhinha morreu serenamente. Naquele mês, todos os dias, ele saía de seu trabalho de executivo em uma multinacional e passava na casa dela, aprendendo um tipo de bordado chamado crivo, feito no linho. Poucos conhecem no Brasil o crivo genuíno, uma tradição da terra natal de Dona Branca, o Arquipélago dos Açores. Não se trata apenas de bordar tipo peneira, o artesanato original consiste de pinçar o linho fio por fio, contá-los para não se perder, e depois trabalhá-los em labirinto, garantindo a continuidade do tecido com desenhos em suas sofisticadas transparências.  Dona Branca estava especialmente surpresa que seu neto homem (entre dez netas) havia sido o único a querer aprender essa arte, que normalmente passava de mãe para filha.
 
O que aconteceu foi que Carlos estava deprimido, após terminar um relacionamento, e seu médico lhe recomendou uma atividade para desanuviar o espírito. Numa visita ocasional, interessou-se pelo artesanato da avó. Ela contou estórias curiosas da tradição e as noções básicas da técnica, e os dois ficaram conversando até bem tarde. Era a primeira vez que avó e neto se falavam mais do que os dois pares de frases dos encontros da família. Durante aquele mês, além do crivo, conversaram muito sobre tudo. Ela dizia que viver era como bordar um tecido: às vezes temos que desmanchar o que parece pronto e trabalhar com carinho e labor para melhorá-lo. Mesmo sendo uma tarefa morosa e labiríntica, e a impressão de lacuna que vai ficando aqui e ali, os resultados são claras evoluções, sofisticadas, com a trama redundando em uma beleza rara. Vó Branca proferia: “Como se diz na minha terra: rompe-se o pano mas fica o bordado".

Pois é, avó e neto ficaram unha e carne naquele mês, e dizem até que ela morreu mais feliz por isso. Mas Carlos não ficou satisfeito, ficou arrasado. Tinha encontrado sua melhor amiga tardiamente. Sequer pôde terminar o pequeno curso de crivo que ela lhe ensinava. Por várias semanas, o executivo mal trabalhou no escritório, ficou mais deprimido que antes, observando todos os dias seus bordados inacabados, pensando no tempo perdido por todos esses anos sem aproveitar a companhia de sua avó.

Até que ele recebeu um inesperado email de Cecília, uma loquaz rapariga dos Açores. Ela ficara emocionada com a estória de Carlos e sua avó que ficou sabendo pelo blog de amigos de amigos dele (coisas da web), e o convidou para passar um mês no Arquipélago, para ela mesma concluir a lição interrompida de crivo.

Carlos receou ter que deixar o trabalho - ele nunca tirava férias - mas sacou trinta dias e foi. Foi e ficou. Cecília, uma artesã portuguesinha, sorridente e ligeira, revelou-se também um amor de pessoa. Ele lembrou das sábias palavras de sua avó, e descobriu novas tramas e pontos para os fios de sua vida.

Juntos, Carlos e Cecília construíram, devagarzinho e com esmero, muito mais do que lindos tecidos bordados.



Escrito por Vladimir às 18h25
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Brocotó, Borogodó, Borocoxô



Chega de rankings e voltemos a brincar de dicionário. Eu às vezes entrego a minha idade com expressões do arco-da-velha, como por exemplo “arco-da-velha”. Outro dia, disse ao meu amigo Sandro que sou um cara prafrentex, provando irrefutavelmente o contrário. Pior é que verifiquei e, sim, existe prafrentex no Houaiss, assim mesmo, tudo junto, com o significado de muito avançado, moderno. Pelo menos, esse tal de Houaiss sim, é meu contemporâneo!

Ontem, estava dando pau no computador do Sandro e comentei sorumbático: “iiihhh, brocotó!” Pra quem não era nascido, isso era uma fala de um personagem do Chico Anysio, o Urubulino, que a tudo diagnosticava o pior: “Hummm, isso é mau! Brocotó!”. Isso existe, brocotó, ou borocotó, mas não é uma doença, e sim um buraco em um terreno, ou fenda cavada por enxurradas. Não deixa de ser um mal, né, como vemos nesse verão.

No Houaiss, ao lado de borocotó, vi o famoso borogodó. Curioso que tem um significado positivo, “atrativo pessoal irresistível”, com o seguinte exemplo: “com todo aquele borogodó, ele está sempre rodeado de mulheres”. Uai, por que será que sua derradeira letrinha, o ó, ganhou um sentido negativo? Pior é que as novas gerações só conhecem a redução , com o artigo o transformando em u, para dar sonoridade. É uó!

Também ali, próximo, no livrão, há borocoxô, mais uma palavra bonitinha parente de uma das minhas preferidas da língua: melancolia. Acho que criam palavras fofas pra gente ter dó, né? Daí vem borocoxô, jururu, macambúzio, casmurro, cururu. Infelizmente, o Houaiss foi preguiçoso em descobrir de onde veio esses verbetes, só menciona que têm origem expressiva ou controversa ou obscura.  Mas também há sinônimos feios, como prostrado, lúgubre, merencório e pesaroso. E um intrigante: só agora percebi que ensimesmado veio de em+si+mesmo. E nem fui ajudado pelo Houaiss, que não deixa isso claro.

É, dá brincar de dicionário mesmo sem ele.



Escrito por Vladimir às 08h58
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Top20 Década de 00 no Cinema



Finalmente, haja adjetivos para o meu Top20 de cinema dos anos 00:

1.    Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças (genial no roteiro, realização, atuações e, sobretudo, na emoção)
2.    Ratatouille (na melhor década das animações, o rato chef da Pixar foi o que mais me arrebatou)
3.    Simplesmente Amor (várias comédias românticas e inteligentes em uma)
4.    King Kong (o monstro é virtual, mas emociona e enche os olhos mais do que muito marmanjo)
5.    Fale com ela (o melhor Almodóvar, com imagens inesquecíveis e roteiro perfeito)
6.    O Homem que Copiava (o retrato da década em que tudo é fragmentado)
7.    Herói (kung fu também pode ser uma obra de arte)
8.    Old Boy (bizarro e brilhante)
9.    Dogville (na década onde os EUA foram mais questionados, a obra mais questionadora e catártica)
10.    Batman – O Cavaleiro das Trevas (filme de super-herói também pode ser realista e engenhoso)
11.    Amor à flor da pele (um amor irrealizado e uma montagem fascinante)
12.    Procurando Nemo (exemplo de animação impecável para pais e filhos)
13.    Ultimato Bourne (novo paradigma para filmes de ação)
14.    Avatar (impossível não se deslumbrar)
15.    O Fabuloso Mundo de Amélie Poulain (fantasias podem ser excêntricas e cativantes)
16.    Cidade de Deus (saga violenta, divertida e bem construída)
17.    Amnésia (um quebra-cabeças admirável)
18.    Star Wars - Episódio III – A Vingança dos Sith (fecho com chave de ouro)
19.    Amores Brutos (angustiante e surpreendente)
20.    Planeta Terror (hilariante homenagem aos filmes de zumbi trash)

E a década de 10 começa com Sherlock Holmes! Vou ver amanhã!



Escrito por Vladimir às 10h15
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Últimos Top10 da década de 00 no cinema antes do meu ranking final

Gostei desse trem de fazer Top10 da década, sô. Tenho procurado criar critérios que normalmente me fazem gostar de um filme. Adoro, por exemplo, histórias que primam pelo forte romantismo no casal principal, como no meu predileto Brilho Eterno; ou pelo amor platônico, como no chinês Amor à Flor da Pele. Também curto grandes produções que, quando bem feitas, enchem nossos olhos, como King Kong e o último Batman.

Em contrapartida, gosto de ver filmes de enredos ou finais tristes de machucar o coração, como Dançando no Escuro, do Lars Von Trier, onde a Bjork come o pão que o diabo amassou, ou o melancólico Casa de Areia e Névoa, com a Jennifer Connely. Afinal, cinema foi criado para emocionar também, né? Mas também pode ser feito para raciocinar, por isso curto muito obras que são verdadeiros quebra-cabeças, como o próprio Brilho Eterno e boas sacadas como Amnésia e Efeito Borboleta.

Claro que nunca dispenso o espetáculo, como o cinema catástrofe de 2012 e Guerra dos Mundos; as sagas espaciais de Avatar e o último Star Wars; e os shows de tiros, gângsteres ou crimes a serem resolvidos, como nos policiais Cidade de Deus, Snatch, Insônia e Match Point.

Por fim, destaquei aqui comédias mais indies que, se não fazem rir às gargalhadas, são um sopro de inteligência nesse gênero tão maltratado. Destaquei aqui Rebobine, Por Favor e a gracinha da Amelie Poulain (que aliás revi nesse feriado, pra mostrar à minha esposa que também adorou).

Vamos aos rankings!

Década de 00 - Top10 Pares Românticos de Doer

1.    Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças (Joel (Jim Carrey) e Clementine (Kate Winslet))
2.    Amor à Flor da Pele (Chow (Tony Leung) e Li-Chun (Maggie Cheung))
3.    Simplesmente Amor (Jamie e Aurélia (escritor e criada), Sam e Joanna (garoto e garota cantora), Juliet e Mark (recém-casada e padrinho com amor platônico))
4.    O Homem que Copiava (André (Lázaro Ramos) e Sílvia (Leandra Leal))
5.    King Kong (Kong e Ann Darrow (Naomi Watts))
6.    Antes do Pôr do Sol (Jesse (Ethan Hawke) e Celine (Julie Delpy))
7.    O Curioso Caso de Benjamim Button (Benjamim (Brad Pitt) e Daisy (Cate Blanchett))
8.    Apenas Uma Vez (Once) (rapaz artista de rua e moça florista)
9.    Wall-E (WALL.E e EVA)
10.    Moulin Rouge (Christian (Ewan McGregor) e Satine (Nicole Kidman))

Década de 00 - Top10 Super Produções

1.    King Kong
2.    Batman – O Cavaleiro das Trevas
3.    Homem Aranha 2
4.    Avatar
5.    Superman – O Retorno
6.    O Ultimato Bourne
7.    Star Wars - Episódio III – A Vingança dos Sith
8.    2012
9.    Missão Impossível II
10.    Trilogia O Senhor dos Anéis

Década de 00 – Top10 Tristezas Angustiantes

1.    Dançando no Escuro
2.    Casa de Areia e Névoa
(foto)
3.    Resgate Abaixo de Zero
4.    O Labirinto do Fauno
5.    O Nevoeiro
6.    Meninos Não Choram
7.    Sempre ao seu lado
8.    21 gramas
9.    Ensaio sobre a cegueira
10.    Moulin Rouge

Década de 00 - Top10 Catástrofes

1.    2012
2.    O Núcleo
3.    Guerra dos Mundos
4.    Voo United 93
5.    O Dia Depois de Amanhã
6.    Poseidon
7.    Cloverfield – O Monstro
8.    Pearl Harbour
9.    Transformers
10.    Ataque de Pânico (curta uruguaio)

Década de 00 - Top10 Quebra-Cabeças

1.    Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças
2.    Amnésia
(foto)
3.    Efeito Borboleta
4.    Mais Estranho que a Ficção
5.    Sinédoque – Nova York
6.    Kill Bill
7.    Amores Brutos
8.    Jogos Mortais
9.    Alta Frequência
10.    O Pagamento

Década de 00 - Top10 Espaciais

1.    Avatar
2.    Star Wars - Episódio III – A Vingança dos Sith
3.    Sunshine – O Alerta Solar
4.    Sinais
5.    Wall-E
6.    Monstros vs Alienígenas
7.    Guerra dos Mundos
8.    Star Trek
9.    Planeta 51
10.    Zhatura – Uma Aventura Espacial

Década de 00 - Top10 Comédias Alternativas

1.    O Fabuloso Mundo de Amélie Poulain
2.    Rebobine, Por Favor
3.    Vicky Christina Barcelona
4.    Nove Rainhas
5.    Pequena Miss Sunshine
6.    Domésticas
7.    Beijos e Tiros
8.    Scoop – O Grande furo
9.    Sideways – Entre umas e outras
10.    Quero ser John Malkovich

Década de 00 - Top10 Policiais

1.    Cidade de Deus
2.    Snatch – Porcos e Diamantes
3.    Tropa de Elite
4.    Amnésia
5.    Match Point – O Ponto final
6.    Insônia
7.    Nicotina
8.    Busca Implacável
9.    Minority Report
10.    A Verdade Nua


Nos próximos posts meu ranking final dos anos 00.



Escrito por Vladimir às 15h20
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Cidade de Bruges, na Bélgica



Escrito por Vladimir às 15h43
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Mais rankings da década no cinema

Agora alguns dos meus gêneros favoritos, como ação, animação, kung fu e filmes, como diria... perturbadores.

Não foi uma década especialmente criativa com relação a cenas de ação (como Duro de Matar foi para os 80 e Exterminador do Futuro II para os 90).  Algumas das melhores sequências foram virtuais, como as lutas de King Kong e dos seres de Avatar. Mas se teve uma série que trouxe algo de novo para o gênero, foi a trilogia Bourne. As cenas ficaram mais viscerais, e até 007 aprendeu direitinho.

Para a animação, por outro lado, certamente foi a melhor década desde o seu surgimento com Branca de Neve nos anos 30. A Pixar fez escola com seu padrão de longas animados impecavelmente roteirizados para crianças e adultos. Ratatouille foi o ápice, mas tivemos tantos filmes excelentes, como Procurando Nemo e A Fuga das Galinhas, que a lista ficou curta.

E se O Tigre e o Dragão também trouxe um padrão para filmes de kung fu, ninguém bateu Herói, com seu visual insuperável. Também veio do oriente o melhor filme perturbador, o ótimo Old Boy. Mas a década foi prolífica nesses filmes que causam aflição, como os de Lars Von Trier, Dogville e Anticristo.

Por último, o meu Top10 de filmes nacionais, vencido pelo retrato da década O Homem que Copiava; o ranking de filmes baseados em fatos reais, com a emocionante vida de Frida no topo e o ranking de filmes que eu considerei superestimados. Mas tanta gente gosta de Harry Potter e Shrek, por exemplo, que sou eu que devo estar errado, né?

Década de 00 - Top10 Ação Vertiginosa

1.    O Ultimato Bourne
2.    Avatar
3.    King Kong
4.    Star Wars - Episódio III – A Vingança dos Sith
5.    Homem Aranha 2
6.    007 – Quantum of Solace
7.    Os Invencíveis (O Bom, o Mau e o Bizarro)
8.    Duro de Matar 4.0
9.    As Panteras Detonando
10.    Carga Explosiva

Década de 00 - Top10 Animação

1.    Ratatouille
2.    Procurando Nemo
3.    A Fuga das Galinhas
4.    Up – Altas Aventuras
5.    A Era do Gelo
6.    Wall-E
7.    As Bicicletas de Belleville
8.    Monstros Vs Alienígenas
9.    Lilo & Stitch
10.    Planeta 51

11.    Bolt - O Supercão


Década de 00 - Top10 Kung Fu

1.    Herói
2.    O Tigre e o Dragão
3.    O Clã das Adagas Voadoras
4.    As Panteras
5.    Kill Bill – Volume 1
6.    Bater ou Correr
7.    A Promessa
8.    Kung Fu Panda
9.    Matrix Reloaded
10.    Kung-Fusão

Década de 00 - Top10 Perturbadores

1.    Old Boy
2.    Dogville
3.    Maldito Coração
4.    O Lenhador
5.    Secretária
6.    Amores Brutos
7.    Rumba
8.    Histórias Proibidas
9.    Sr. Vingança
10.    Anticristo

Década de 00 - Top10 Nacionais

1.    O Homem que Copiava
2.    Cidade de Deus
3.    Estômago
4.    Apenas o fim
5.    Tropa de Elite
6.    O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias
7.    Domésticas
8.    O Auto da Compadecida
9.    Odiquê
10.    Se eu fosse você 2

Década de 00 - Top10 Baseado em fatos reais

1.    Frida
2.    Erin Brockovich, uma Mulher de Talento
3.    Prenda-me se for capaz
4.    Voo United 93
5.    Diamantes de Sangue
6.    O Último Rei da Escócia
7.    Munique
8.    Círculo de Fogo
9.    Meninos Não Choram
10.    Alpha Dog

Década de 00 – Top10 Muita gente boa adorou, mas eu torci o nariz

1.    Harry Potter (série)
2.    Shrek (série)
3.    Caché
4.    Gladiador
5.    Onde os Fracos Não Tem Vez
6.    Carandiru
7.    Boa Noite e Boa Sorte
8.    A Lula e a Baleia
9.    Gomorra
10.    Senhor dos Anéis (série)
(até gostei, mas não fiquei fã)

Mais rankings adiante... Agora empolguei!



Escrito por Vladimir às 14h34
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Primeiros Top10 Década de 00 no Cimema

Vou começar os meus rankings da década com o tópico predileto: Roteiro. Ganhou até um upgrade para Top15. Esse já é uma pista para o Top final da década, uma vez que o script é um dos elementos que mais valorizo em um filme. Por isso, meu campeão é o mesmo Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças, um primor de trama bem escrita por Charles Kaufman. No ranking há também as páginas mais geniais de Pedro Almodóvar (Fale com Ela), do Lars Von Trier (Dogville), do Guillermo Arriaga (Amores Brutos e Babel), da Pixar (Ratatouille e Procurando Nemo) e até dos brasileiros Jorge Furtado (O Homem que Copiava), Bráulio Mantovani (Cidade de Deus) e Marcos Jorge (Estômago).

Os outros rankings de hoje são: Comédias Românticas, onde Simplesmente Amor, com suas várias estórias em uma, arrasou. Richard Curtis também entrou no meu ranking de Roteiros. Seguida de perto por Como se Fosse a Primeira Vez, eita comédia boa. Tem também os filmes trash, com pérolas como Planeta Terror e Serpentes a bordo e os Independentes-com-referências-da-cultura-pop, como Alta Fidelidade, A Escola do Rock e Rebobine Por Favor - por coincidência os três com o Jack Black.

Por fim, as 10 maiores Decepções da década, onde as malfadadas sequências de Matrix “brilham”, além de outras continuações infelizes, como Homem Aranha 3 e o último X-Men.

Vamos aos rankings!

Década de 00 - Top15 Roteiros

1. Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças
2. Fale com Ela
3. Amnésia
4. O Homem que Copiava
5. Ratatouille
6. Cidade de Deus
7. Amores Brutos
8. Procurando Nemo
9. Babel
10. Simplesmente Amor
11. Dogville
12. O Curioso Caso de Benjamim Button
13. Match Point
14. Estômago
15. Crash – No Limite


Década de 00 - Top10 Comédias Românticas

1. Simplesmente Amor
2. Como se Fosse a Primeira Vez
3. Do que as Mulheres Gostam
4. Antes do Pôr do Sol
5. Apenas o Fim
6. Vicky Christina Barcelona
7. Como Perder um Homem em Dez Dias
8. Legalmente Loira
9. (500) Dias com Ela
10. O Amor não Tira Férias

Década de 00 - Top10 Trash

1. Planeta Terror
2. Serpentes a bordo
3. Old Boy
4. O Hospedeiro
5. Jogos Mortais
6. Borat
7. Poseidon
8. Sr. Vingança
9. O Albergue
10. Anticristo

Década de 00 – Top10 Indie / Pop Culture

1. Alta Fidelidade
2. A Escola do Rock
3. Rebobine, Por Favor
4. Apenas o Fim
5. (500) Dias com Ela
6. Corpo Fechado
7. Uma Madrugada Muito Louca
8. Apenas Uma Vez (Once)
9. Anti-Herói Americano
10. Juno

Década de 00 – Top10 Decepções

1. Matrix Reloaded e Revolutions
2. Má Educação
3. Star Wars Episódio 2 – Ataque dos Clones
4. Homem Aranha 3
5. X-Men O Conflito Final
6. Dália Negra
7. As Torres Gêmeas
8. 300
9. Caché
10. Speed Racer

Vem aí mais rankings. E no final o Top10 final da Década!



Escrito por Vladimir às 14h36
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Up - Altas Aventuras vence meu Top10 Cinema 2009!



2009 foi um dos melhores para animações, e o velhinho de Up - Altas Aventuras me surpreendeu e me emocionou levando como meu filme preferido do ano. Bateu o também ótimo Avatar (que é quase uma animação também, né, considerando que grande parte das cenas só envolvem personagens virtuais). Mas também foi um bom ano para o cinema nacional popular, com ótimas comédias, como o independente Apenas o Fim e o sucesso Se eu Fosse Você 2.

Seguem então alguns rankings secundários dos meus favoritos de 2009 e o meu tradicional Top10 final.

Top5 Cinema 2009 – Animação
1. Up – Altas Aventuras
2. Monstros vs. Alienígenas
3. Planeta 51
4. Bolt – O Supercão
5. A Era do Gelo 3

Top5 Cinema 2009 - Nacional
1. Apenas o fim
2. A Era do Gelo 3
3. Se eu fosse você 2
4. A Mulher Invisível
5. É Proibido Proibir

Top5 Cinema 2009 – Oscars (2009 e 2010)
1. O Curioso Caso de Benjamin Button
2. Abraços Partidos
3. Bastardos Inglórios
4. Guerra ao Terror
5. O Leitor
6. Quem quer ser Milionário

Top5 Cinema 2009 - Desconhecidos
1. Apenas o fim
2. Rumba
3. Sinédoque – Nova York
4. Distrito 9
5. Os Invencíveis (O Bom, o Mau e o Bizarro)


E finalmente:

Top10 Cinema 2009 Final
1. Up – Altas Aventuras
(A Pixar conseguiu de novo)
2. Avatar  (Magnífico)
3. Monstros vs. Alienígenas (Finalmente a Dreamworks chegou ao nível da Pixar)
4. Apenas o fim (como fazer uma comédia romântica pop nacional com R$10 mil)
5. Rumba (Humor negro e colorido ao mesmo tempo)
6. O Curioso Caso de Benjamin Button (boas sacadas ainda dão bons filmes)
7. Sinédoque – Nova York (labirinto do eu)
8. Star Trek (o melhor filme-pipoca do verão americano)
9. 2012 (cinema catástrofe pra quem gosta de cinema catástrofe)
10. (500) dias com ela (como fazer uma comédia romântica pop e indie)

A partir do próximo post, vou para os meus Top10 dos anos 00.



Escrito por Vladimir às 15h01
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Meus últimos filmes da década

Pois bem, terminei de assistir os últimos filmes com possibilidade de entrar nos meus rankings de favoritos da década de 00 (segundo a convenção popular). Vamos aos comentários:

A Princesa e o Sapo
Essa versão para o conto de fadas tem um bom roteiro, para crianças e adultos. Há muita música, é praticamente um musical com o melodioso estilo de New Orleans, só que aí é melhor pegar a sessão legendada, pois as músicas dubladas nunca terão a mesma qualidade. Gostei, mas confesso que não chegou a me surpreender. Acho que, pra compensar o fato de ser 2D, poderia caprichar mais nas imagens, dar um aspecto de obra de arte mesmo. Espero que Rapunzel, do ano que vem, traga essa magnificência.

Avatar
Já Avatar, a mega ficção científica sobre um planeta com seres azuis e natureza luminescente, cumpre e até surpreeende na promessa de trazer essa beleza suntuosa. Tudo bem que o roteiro é um clichezão de Sessão da Tarde (do estilo de Dança com Lobos, ou Spirit – O Corcel Indomável). Mas é um clichê bem contado, com romance, aventura, ação, seres bizarros, para agradar a família toda. O ator principal Sam Worthington está muito bem, mas o destaque vai para o coronel vilão (Stephen Lang, que dá muito ódio) e principalmente a mocinha nativa, cuja imagem digital foi capturada de Zoe Saldaña. Ela é apaixonante.

E as imagens em 3D (e ainda por cima vi no IMAX), caramba, são...  Magníficas, é a palavra. Filmes como esse que me fazem compreender a tal magia de se ver cinema. Quero ver de novo!

Guerra ao Terror
Esse filme, que se tornou um dos favoritos ao Oscar, e lamentavelmente saiu direto em DVD no Brasil, é sobre um esquadrão anti-bombas no Iraque. Pensem assim: cenas de especialistas desarmando bombas, quando bem feitas, sempre são carregadas de suspense. Agora imaginem um filme inteiro com várias cenas de desarmes de bombas. A gente fica tenso o tempo todo! Soma-se a isso bons personagens e ambientação e temos um belo thriller de guerra. Merece todo o auê que estão fazendo nessa fase pré-Oscar.

Bom, com isso eu encerro os meus filmes do ano e, a partir do próximo post, vou elencar meus vários rankings do ano de 2009 e da década de 00. No final, postarei o meu esperado Top10 dos anos 00. Já adianto o campeão da década, ninguém tasca: Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças.



Escrito por Vladimir às 08h57
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Amigo X

Acho Amigo Secreto uma bela invenção do Natal, diverte, integra e ainda saímos com um presente. Tudo bem que já vi amigos ganharem 1 (um) sabonete ou o CD da Simone, mas continuo achando que o que vale é o evento. Aqui no Rio, chamam de Amigo Oculto... meio esotérico, não acham? No Fantástico, ontem, falaram que em alguns lugares do Brasil (onde?) se diz Amigo X. Gostei mais desse, lembra Arquivo X, dando um ar de ficção científica (ou um ar nerd mesmo).

É impressão minha, ou esse costume está menos comum? Na empresa em que eu trabalho não fazem há anos! Será que as pessoas estão ficando mais isoladas ou será que andam evitando para não rolar a famosa saia justa das descrições “criativas” para adivinharem quem é o amigo? De fato, sempre tinha um sem-noção que, em nome do “bom humor”, desancava o pobre colega de trabalho. Sem contar que ninguém mais escondia quem tirou quem, ao ponto de uma pessoa (geralmente um coitado de um estagiário) ficar designado para comprar presente para vários amigos secretos; até para si mesmo!

Vi na Wikipédia que nos países de idioma espanhol também se diz Amigo Secreto ou, mais comum, Amigo Invisible. Outros adeptos da ficção cientítica...

Já nos EUA e Reino Unido chama-se Secret Santa ("Papai Noel Secreto"). Poderíamos dizer que enquanto os ibéricos remetem à amizade, os anglo-saxões vão logo ao símbolo comercial do Natal. Mas aí vemos que, em inglês também há Kris Kringle ou Chris Kindle, que vem do alemão Christ Kindl, "Cristo Menino". Ao menos, lembram de onde vem o Natal!

Porém, na própria Alemanha o termo para Amigo Secreto é Wichteln, derivado da palavra para “duende”. Mais uma alusão exotérica ou estão se referindo aos ajudantes do Papai Noel? Por fim, na Filadélfia, nos EUA, chamam o presente de amigo secreto de Pollyanna, isso mesmo, homenagem àquela personagem felizinha da literatura. Fofo.

Tudo isso é pra dizer que nesse ano, devo participar de dois Amigos X, um dos voluntários do abrigo de cães carentes e outro do grupo de leitura de roteiros. Legal! Só espero que o CD da Simone esteja em falta nas prateleiras.



Escrito por Vladimir às 15h52
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Meu primeiro presépio

Já falei aqui que me amarro em presépios. Outro dia, comentei isso com meu colega Sandro, que estranhou como pode um ateu gostar da cena do nascimento de Jesus. Respondi: "da mesma maneira que um católico admiraria as Mesquitas de Istambul ou os templos budistas do Tibet, pode ser?"

Mas tenho dois motivos adicionais. Primeiro é que é, mesmo que tenha sido inventada, é uma bela cena, com a criança abençoada nascendo em um lugar precário, em meio aos animais do estábulo, com pastores e os Reis Magos. Carrega um espírito plácido, zen, e tem sido preterido pelos símbolos mais modernos e divertidos, como a Árvore de Natal, os presentes e o Papai Noel. Até acho que pode haver os dois lados, mas não só o lado comercial, né? O segundo motivo é afetivo, é que era sagrado para a minha avó Nice sempre fazer seu presépio no final do ano. Chegou a fazer montagens ricas, ocupando metade da sala de estar, mas no final da vida, tadinha, fazia um modestinho no canto mesmo.

Fuçando na web, descobri que a primeira representação do nascimento do menino Jesus é creditada a São Francisco de Assis, sempre ele, bom garoto. A palavra vem do verbete para "curral" em latim. Ainda bem que arranjaram o termo presépio, porque se chamasse curral, seria péssimo, né? Curiosas são as traduções para outros idiomas. Enquanto que em italiano é o análogo Presepe, em inglês é o insípido Nativity Scene (Cena da Natividade). Em Francês é melhor, Crèche de Noël. Creche? Isso! É que "crèche" originalmente significa "manjedoura". Seria então Manjedoura de Natal. Já em espanhol, segundo a wikipedia, dependendo do país tem vários nomes. O mais comum é Belén, mas também há Nacimiento, Pesebre, Portal ou Pasitos. Pasitos? Será que é em referência aos primeiros passos do menino Jesus? Enfim, puxando sardinha, acho que o melhor mesmo é o nosso Presépio.

Tudo isso foi pra dizer que ganhei de presente da minha esposinha Viviane, belas imagens de presépio, com figuras fofinhas, adorei! Comprei um pequeno estábulo e, nesse fim de semana, montamos na nossa sala de estar. Veja a foto a seguir, como ficou. Vovó Nice ficaria orgulhosa?



Escrito por Vladimir às 09h25
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Reta final do cinema 2009

Ainda não dá pra fechar meu Top10 de 2009 no cinema, na verdade nem arrisco o ranking da Década de 00. Afinal, a megaprodução Avatar, do James Cameron (de Titanic) vem aí (18-Dez) criando tanta expectativa que já estou até com um pé atrás. Além disso, em dezembro, há A Princesa e o Sapo, da Disney, em um belo ano para as animações. Uma pena que escorregaram para 2010: Sherlock Holmes (8-Jan), Alice no País das Maravilhas (5-Mar) e Um Olhar no Paraíso (The Lovely Bones, drama do Peter Jackson, 22-Jan). Segundo os meus rígidos critérios, vão ter de concorrer, lá em 2019, aos meus favoritos da Década de 10!

Por enquanto, seguem os melhores filmes que vi nos últimos meses, que certamente estarão presentes no Top10 de 2009:

(500) dias com ela
Quando parecia impossível fazer comédias românticas originais, cometeram essa, divertida, romântica e sem final esperado. O título é auto-explicativo: são 500 dias de um romance indo e voltando no tempo, de forma criativa. Com direito a menções à cultura pop, lembrando um pouco Alta Fidelidade ou o recente Apenas o Fim.
2012
Ao contrário da maioria, eu me amarrei nesse petardo sobre o fim do mundo. Tirando a decepção da cena do Rio ser só um flash, achei o filme de tirar o fôlego. Muita gente reclamou das mentiradas, do roteiro, da inverossimilhança... ah, gente, como eu disse no twitter, é cinema catástrofe pra quem gosta de cinema catástrofe. Deixei o cérebro em casa e fui ao cinema me divertir.
A Criada
Infelizmente, essa excelente comédia chilena de humor negro, sobre uma empregada que se sente da família, não tem previsão de estreia no Brasil. Vai escorregar também no meu ranking. Pra mim, foi o melhor filme do Festival do Rio. É incrível como em menos de duas horas a atriz, vencedora de Sundance, inspira de ódio a simpatia.

Fora isso, vi e gostei de À procura de Eric, comédia dramática sobre fã do time de Manchester, que passa a ter visões do ídolo Eric Cantona lhe dando conselhos. Tem um clima parecido com Ou Tudo Ou Nada. Com relação a Bastardos Inglórios, sobre assassinos de nazistas, achei a história meio previsível, não gostei tanto quanto a maioria. Mas Tarantino ainda cria ótimos climas com longos diálogos, e sequências de encher os olhos, como o clímax explosivo. E há um vilão nazista (o ator é um tal de Christoph Waltz) cuja atuação vale o filme. Vale a menção também de dois filmes eletrizantes: Distrito 9, ficção científica sul-africana violenta e original sobre extra-terrestres que vivem num gueto e O Caçador, sobre um serial-killer, uma espécie de Seven coreano, muito bom. Por fim, ontem vi mais uma animação impecável: Planeta 51, sobre terráqueo que pousa em outro planeta. Certamente, foi a mais engraçada do ano, ri muito.

Outros do Festival do Rio, que ainda não estrearam por aqui e que valeram a pena: Mother é mais um da Coréia do Sul, sobre uma mãe que tenta provar a inocência do filho de um crime. Esse seria um... CSI coreano, pode ser? Muito bem urdido. Hachiko, a dog´s story, (que vai se chamar Sempre ao seu lado)  sobre um cão fiel ao dono até o fim. Quando estrear, levem o lenço!

E para Abraços Partidos, do Almodóvar, tenho um comentário quase idêntico ao de Bastardos Inglórios: para um autor que prima por roteiros ótimos, achei esse, sobre o envolvimento de um cineasta com uma atriz (Penélope Cruz), meio manjado. Mas o espanhol também cria grandes climas, hitchcokianos até, e cenas memoráveis, como a da leitora de lábios contratada para espionar a atriz.

Finalmente, algumas decepções. Besouro, filme de artes marciais sobre um capoeirista, tem cenas demais de paisagens e pouca ação. Ao menos abriu um filão, espero que venham produções mais empolgantes. E Anticristo, filme bizarríssimo feito pra chocar, mas que achei chato. Se bem que agora, dando distanciamento, até passei a gostar mais.

Ufa, teve mais, mas chega por hoje. Isso é que dá ficar sem postar por muito tempo, né?



Escrito por Vladimir às 08h43
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Década de 00

Está chegando a hora de eu me juntar às revistas com pautas “criativas” e escrever meus próprios rankings Top10 de 2009. Tenho tido trabalho, afinal se em cinema eu sempre estive razoavelmente por dentro, o mesmo não posso dizer da música. Foi-se o tempo que eu assinava a Bizz e sacava todas as tendências. Agora, acontece como nesse ano: eu descobri músicas muito legais, como Gronlandic Edit da banda indie Of Montreal  e Don’t Wait Too Long, de Madeleine Peyroux. Queria colocá-las no Top10 de 2009, mas aí soube que a primeira é de 2007 e a da cantora de jazz é de, pasmem, 2004. Tô por fora mesmo. O jeito é eu ir direto para o Top10 da Década, que também já estou preparando.

Aliás, estou me acostumando a falar Década de 10 para os anos que vêm aí. Temos que mudar nossa cabeça para, ao mencionar isso, não nos remeter ao início do século passado, né? Lembrei que outro dia eu estava lendo algum conto antigo que mencionava “década de 80”. Eu estranhei, pensei: "nossa, esse texto é moderno?", até me dar conta que ele se referia aos anos de 1880. É isso, a cada século temos de mudar nossas referências.

O mais engraçado é falar da década que está acabando agora. Se aprendemos a abreviar as décadas pela dezena, essa seria a Década de 00? Bom, o pessoal tem usado Década de 2000, mas até que Década de 00 ficou surreal, né, uma coisa meio carro-do-dick-vigarista-&-mutley, vou adotar!

Por falar em referências, se o Papa Gregório XIII nos prestou um imenso favor em organizar o calendário como o conhecemos hoje, ele criou uma convenção impopular: as que as décadas, os séculos e os milênios começam no ano xxx1 e não no ano xxx0. Ou seja, muita gente comemorou o final do milênio entre 1999 e 2000, mas na verdade ele virou entre 2000 e 2001. O mesmo acontece com a década de 00, que só termina no início de 2011. Podiam mudar isso, né? Hey, Bento XVI, taí uma medida que aumentaria sua popularidade, heim? #ficadica

Enquanto isso, pra todos os efeitos, esse blog já adotou as duas convenções: vem aí, para os favoritos entre 2000 e 2009, os meus Rankings Top10 da Década de 00!



Escrito por Vladimir às 09h16
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A melhor coxinha do mundo

Há mais de vinte anos, estávamos a família toda indo a Fortaleza em um pequeno avião e pousamos para abastecer em Juazeiro-BA. Ou seria Petrolina-PE? Não me lembro, mas duas coisas nunca me esqueci: a magnífica vista da hidrelétrica de Sobradinho e a coxinha desse pequeno aeroporto. Isso mesmo, sem medo de ser feliz, devorei duas belas coxinhas que, além de serem carnudas e saborosas, tinham uma camada a mais, algo como uma casquinha crocante, uma delícia! Até hoje digo que foi a melhor coxinha da minha vida.

Pois no Dicionário Hoauiss encontrei tudo quanto é salgadinho, especialmente se o nome veio do exterior: croquete (do francês croquette), empada (do português antigo empanada), pastel (do francês antigo pastel), esfirra (de um dialeto árabe sírio-libanês, algo como sfiha),  rissole (e não risoles, como eu achava, do francês rissole). Além disso, achei o enroladinho, de origem óbvia (cuja versão enroladinho de queijo de Goiás eu e a Viviane temos saudades). No entanto, não há a brasileira coxinha no Houaiss! Por que será, né? Na wikipedia diz que existe coxinha até em Portugal, então não tem a desculpa de ser regional demais. É até notório fora do Brasil, lembro que conheci um gringo na Alemanha que, quando eu disse que era do Brasil, ele suspirou com sotaque: “Humm, côuxina!” Houaaiss, heloooo!

Tudo isso foi pra dizer que após vinte anos, achei um forte concorrente para a coxinha de Petrolina (ou será de Juazeiro?). Trata-se da coxinha do Pedro’s Bar, no Mercadão em frente à casa da minha sogra em Jundiaí. Delícia! Gosto tanto que, pra me agradar, a Viviane às vezes traz de avião aqui para o Rio quando vem de lá. Amanhã, acho que tem! E o melhor: é o único que faz uma versão só com catupiry, sem frango, que atende à minha esposa vegetariana! Perfeito, como ninguém mais pensa nisso, né?



Escrito por Vladimir às 17h10
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Olhos de Mel

Sabe aquela ideia que você tem, não faz nada com ela e quando vê, alguém tem a mesma sacada e ganha uma grana? Já aconteceu comigo, principalmente com estórias ou roteiros. Na verdade, nem ligo muito, minhas ideias são meio clichês mesmo, e até fico satisfeito em saber que era algo viável.

É que está estreando na TV a nova série americana Lie to me, na qual o personagem principal tem o poder de sempre detectar quando uma pessoa está mentindo, e ajuda nas investigações policiais. Exatamente como a adolescente Mel, a protagonista de um pequeno romance que eu comecei a escrever há alguns anos e parei no meio. Ela usava esse poder para descobrir um mistério de um serial killer e também aproveitava no dia-a-dia. A diferença é que, na série o cientista detecta através de micro-expressões e gestos, enquanto que a minha Mel lia nos olhos da pessoa, de uma forma mais paranornal.

E olha essa: na prévia que li de Lie to me, o cientista pergunta ao vendedor de hot-dog se "a salsicha é de hoje", mas quando este responde que sim, o herói percebe que é uma mentira. No meu projeto, chamado Olhos de Mel, a babá da menina sempre a leva à feira para detectar quando o vendedor pode dar mais descontos.

Outras ideias que tive: a menina, ainda bem criança nos anos 70, vê o ministro dizendo na TV que a inflação vai baixar mas já detecta que ele está deliberadamente mentindo. Ou quando vê, na telenovela, a personagem de Glória Pires dizendo ao de Fábio Júnior que o ama, Mel comenta que curiosamente aquilo era uma verdade. Depois revelar-se ia que os dois atores estavam tendo um romance na vida real.

Num momento dramático do meu romance, um homem acusado de ser o serial killer é linchado e morre aos berros de que é inocente. Depois, Mel vê o corpo ainda de olhos abertos e detecta, mesmo após a sua morte, que a última coisa que o homem falou vivo era uma verdade. Ou seja, ele era realmente inocente.

Por ver todas as mentiras das pessoas, inclusive as dos próprios pais, a minha heroína desde cedo se desilude da humanidade e se isola. Aí que eu introduzo outro personagem fantástico, um garoto que nunca mente (uma espécie de Super-Sincero, aquele personagem do Luiz Fernando Guimarães no Fantástico, taí outra ideia "copiada"). Mel então vive um conflito interno, pois ao mesmo tempo que se encanta com a única pessoa do mundo de quem não vê mentiras, ela se choca com a extrema franqueza dele, que vive a ofendendo.

No final, eu engano o leitor. Durante a investigação, Mel chega a perguntar a um outro suspeito se ele era o assassino procurado e, como ela detecta uma verdade em sua negativa, levo o leitor a descartá-lo. O problema é que ele tinha um distúrbio de dupla personalidade e realmente acreditava que o serial killer era seu irmão, falecido, quando que na verdade era ele mesmo.

A minha ideia era criar uma série. Agora não precisa mais, já "plagiaram" em Lie To me, cujo primeiro capítulo verei nesse domingo, na Fox. Vamos ver, ao menos, se essa "cópia" presta!



Escrito por Vladimir às 08h52
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Palavras nas quais eu me amarro - Gamar

Mandei hoje o cartão virtual acima para a Viviane por conta dos nossos oito meses de casados. Parabéns para nós! Lembrei-lhe, no texto, que a última frase que proferi na apática Era A.P. (Antes da Pulguinha) da minha vida foi parecida. Foi quando nos reencontramos em 2006 no bar Bon Rini, depois de quase quinze anos e, lá pelas dez da noite, eu comentei galanteador:  “Sabia que eu era gamadinho por você na época da faculdade?” Ela se desarmou e o beijo aconteceu. A partir daí, como escrevi hoje no cartão, “minha vida floresceu e a felicidade pousou indelével na minha alma.”

O que eu queria falar aqui é que eu me amaro nas palavras gamado ou gamada, do verbo gamar, segundo o Houaiss: “ficar encantado, apaixonar-se, vidrar”. Decepcionei-me ao ver que o livrão considera a origem obscura. Googlando, achei umas teorias: gama seria uma denominação para ladrão no Iêmen. Será que, daí, teria passado a surrupiador de coração? Isso bate com uma outra acepção para gamar no Houaiss: “furtar sem ser percebido, com sutileza”. Acho que a gamação tem sim a ver com isso, quando a gente percebe, tá gamadinho!

Outra alternativa aventada na minha googlada é que o verbete viria da letra gama, do alfabeto grego, símbolo do campo magnético terrestre. Ou seja, teria a ver com atração magnética... Humm, boa! Fui voltar ao Houaiss, e me deparei com outra acepção para gama: é a fêmea do gamo, um “cervídeo com chifres em forma de galhada!” Ops! Espero que não tenha vindo daí!.

Mas posso eu também criar a minha teoria? Gamar poderia vir de gomar, ou seja, “colar com goma”. É que, após oito meses de casado, eu continuo gamadão pela minha esposinha, o que, para mim, é o mesmo que estar o tempo todo com vontade de ficar coladinho a ela! Feliz Oito Meses, Iaiá!



Escrito por Vladimir às 10h16
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Up, e as altas aventuras de uma vida a dois

Muitas vezes, fico preocupado de não estar programando muitas coisas novas pra fazer com a minha esposinha Viviane. Mas será que a gente precisa inventar modas para a nossa vida a dois ser uma aventura inesquecível? Obtive essa resposta no cinema, nesse fim de semana, com um filme do qual não esperava muito.

Já comentei aqui que as animações têm roubado a cena do cinema em 2009. Achei Bolt, Monstros vs Alienígenas e Era do Gelo 3 bem melhores que, por exemplo, X-Men - Wolverine, Watchmen e Exterminador do Futuro 4. E, na minha opinião, o melhor filme do ano até agora é justamente a animação Up – Altas Aventuras.

Que obras cinematográficas hoje em dia desenvolvem personagens tão bem que já nos emocionam às lágrimas nos primeiros cinco minutos? E, dentre estes, quais conseguem fazer isso sem que o personagem principal diga uma fala sequer nesse tempo? A Pixar já tinha perpetrado, com Wall-E, a ousadia de quarenta minutos iniciais sem um só diálogo. E agora eles contam, em cinco minutos e sem texto, setenta emocionantes anos da vida de um casal. Quem conta essa estória são a casa, as mãos cobertas de tintas se unindo, a expressividade dos personagens e até as nuvens do céu. É genial e, se o filme acabasse ali, já teria valido a pena.

Mas as aventuras do velhinho ranzinza que resolve viajar com balões são um deleite só. O roteiro bem montado (que brinca de transformar heróis em vilões e vice-versa), as cenas de ação tomando proveito de toda a morfologia dos cenários e recursos, as boas piadas, as belas paisagens e a química entre o velhinho e um escoteiro japinha têm, como sempre, um padrão de qualidade que só a Pixar tem conseguido imprimir. Só torci o nariz para invencionices, como aviões pilotados por cachorros e coleiras falantes. Mas só o fato da Pixar se arriscar em soluções menos manjadas, me fez relevar e até admirá-la.

No final, as lágrimas voltaram à minha face com a surpreendente mensagem. A de que as aventuras de nossas vidas dependem mais do nosso coração do que de mirabolâncias. Olhei para a minha esposinha que também se debulhava em prantos, e agradeci silenciosamente pelo prazer que está sendo viver com ela, inventando ou não "altas aventuras" para os nossos dias.



Escrito por Vladimir às 10h35
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Mr. Pixar, cineasta autoral

Muito se fala da expressão “cinema autoral”, mas não achei muitas definições satisfatórias na web. A mais aceita se refere a quando o cineasta produz, escreve e dirige os seus próprios filmes, como faziam François Truffaut, Federico Fellini e Charles Chaplin. Isso em oposição àqueles filmes “encomendados”, com roteiristas e diretores contratados, como Transformers, etc. Mas essa definição não é unânime: Alfred Hitchcock, por exemplo, é considerado autoral mas não escrevia os roteiros de seus filmes. No entanto, ele cuidava de suas obras com muito carinho, para que tivessem sua marca, fossem absolutamente “suas”.

Outra característica dos cineastas autorais é a originalidade. Poucas vezes um auteur (como Truffaut convencionou em chamá-los) ancora-se em continuações ou adaptações de obras ou personagens consagrados. Isso os torna uma raridade, mas também um risco aos estúdios de hoje em dia, que preferem apostar em referências conhecidas.

Na minha opinião, há poucos cineastas autorais em atividade que estão mantendo a qualidade dos suas melhores obras: Pedro Almodóvar nunca mais fez um Fale com Ela (a ver Abraços Partidos, no Festival do Rio); Wong Kar Wai não igualou Amor à flor da pele; Lars Von Trier parou em Dogville (Anticristo foi chocante, que é diferente de surpreendente), Quentin Tarantino fez o seu melhor em Pulp Fiction (também no Festival, verei Bastardos Inglórios, quem sabe?) e os últimos surtos de originalidade de M. Night Shyamalan não sobrevivem à comparação com O Sexto Sentido. Um diretor mais recente, o coreano Park Chan-wook, considero “sob vigilância”, pois a sua obra recente (I’m a cyborg, but that’s OK) até tem qualidade, mas não a do excelente Oldboy. Espero que seu Sede de Sangue esteja também no Festival do Rio, pra eu matar essa dúvida.

Pensei em três cineastas que têm mantido uma qualidade compatível com seus melhores filmes. Woody Allen impressiona pela sua prolificidade, todo ano tem filme dele que, se não é sempre genial, é bem melhor que a média de mercado. Fernando Meirelles é outro que continua sendo um prazer ver, mesmo não tendo feito um novo Cidade de Deus. E o último do mexicano Alejandro Iñárritu, Babel, eu adorei ainda mais que Amores Brutos. Vamos ver como ele se sairá  sem o seu roteirista tradicional, Guillermo Arriaga. Poderia citar também a dupla Michel Gondry (diretor) e Charles Kaufman (roteirista), que cometeram o melhor filme da década, Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças e, depois, partiram em carreiras solo autorais interessantes, mas sem o mesmo... brilho.

Tudo isso foi pra dizer que o cinema de auteur da atualidade que mais se destaca pela originalidade e qualidade que se superam a cada filme é o feito pelo estúdio de animação Pixar da Disney. Eu sei que não se trata de um cineasta, mas até parece que existe um Mr. Pixar: seus fundadores, em especial o chefão John Lasseter, esmeram-se com carinho para que todos os filmes tenham um roteiro bem urdido, um mundo novo, um encantamento especial. Enfim, uma marca autoral. Além disso, não se baseiam em personagens ou obras conhecidas, tiram todas aquelas preciosidades da cartola. Como eles conseguem? Quando achamos que Toy Story foi ótimo, vem a obra-prima Procurando Nemo. Se consideramos Nemo o ápice, vêm Ratatouille (uau!), Wall-E (uôu!)...  E esse ano, juro que não botava fé no tal velhinho voando com balões de Up – Altas Aventuras. Mas a Pixar conseguiu de novo! Fez outra obra-prima, criativa e encantadora, que nos emociona do início ao fim.

Como esse texto ficou longo, vou comentar o filme propriamente dito em outro post. Mas não esperem, vão logo ver mais essa jóia do melhor cineasta autoral da atualidade... Grande Mr. Pixar!



Escrito por Vladimir às 15h03
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Um pequeno conto meu

Dupla Invencível

Naquela cidadela do interior, o garoto Azulão e sua colega Marina não se desgrudavam na sala de aula. Estudavam juntos, jogavam xadrez, duelavam naquele jogo de tabuleiros Scotland Yard, faziam planos de se tornarem agentes do Arquivo X do FBI quando crescessem...

Numa tarde, a turma de meninos “Gangue da Moagem” - uma espécie de Clube do Bolinha da cidade - decidiu por executar a tal invasão investigativa ao famoso casarão abandonado da Rua de Baixo, que todos sabiam ser mal-assombrado. Os meninos já tinham uns onze, doze anos, e essa missão era considerada a última da Gangue, pois muitos iam estudar na capital no ano seguinte. Azulão, Stanislau e os outros quatro, olhavam com interesse para o casarão. Não era só uma construção monstruosa condenada e invadida pelo mato; era um símbolo, talvez um epílogo de todas as aventuras que aquele honorável clube de meninos fizera até ali. Subir na enorme caixa-d’água da cidade, roubar jambo do Seu Juca, atravessar o cemitério à meia-noite; tudo isso era planejado e realizado sempre com aquele gostinho de “um dia a gente vai é entrar no Castelo Mal-Assombrado da Rua de Baixo”. O casarão era realmente imenso, um labirinto provavelmente cheio de passagens secretas, e era conhecido por reunir os fantasmas e bruxas de toda a região, numa espécie de convenção de almas penadas. Os meninos olhavam excitados.

De repente, Azulão sugeriu distraído:

- Vou chamar a Marina pra participar da missão, eu posso, né?

Foi como um pequeno choque. A despeito da tarde calmíssima, sem ventos, aos poucos cobrindo a mansão gigante de penumbra, um rebuliço invadiu a cabeça dos garotos. Fecharam a cara para a singela sugestão. Azulão está louco? Qual é a dele? Era uma quebra de tradição grave incluir uma garota nas aventuras. Um teve vontade de cancelar toda a empreitada ali mesmo. Outro pensou em abrir votação para a expulsão de Azulão da Gangue. Um até chegou a suar e fechar a mão instintivamente. Só ele, Azulão, encarava a sua sugestão como a mais natural do mundo. Não era de hoje que ele estava mais afastado da turma. Quer dizer, a turma toda andava meio ausente, mas Azulão estava realmente diferente.

No entanto, talvez pela petulante naturalidade de Azulão, um minuto passava, dois, e nenhum dos outros tomava coragem de negar o pedido explicitamente. A questão começou a chocar ainda mais justamente por não causar estranhamento. Os garotos reconheciam que as habilidades investigativas de Marina seriam excelentes para a aventura. Mas eles se assustaram foi com uma certa consciência coletiva pairando sobre as alminhas de que a imagem do final da infância não era um clímax emocionante da invasão da mansão, e sim o anticlímax de uma sugestão inocente. Aquela frase antecipou-se à mansão em pôr termo à turma, à infância deles. Azulão era o primeiro que já estava traçando um futuro, arranjando uma namoradinha, uma pessoa que combinava tanto com ele... Que inveja, que admiração, que vontade de ter um caminho também, de formar uma dupla unida e invencível como a de Azulão e Marina... Uma melancolia começou a se derramar pelos meninos, um até se segurou para não chorar; fungou fingindo um resfriado. Azulão continuou tranquilo, brincando com um graveto. O silêncio imperou pelos longos minutos do crepúsculo.

Mas logo essa tristeza se fragmentou. É que Stanislau, um dos garotos, ganhou forças, levantou a cabeça e, com a complacência de todos, anuiu:

- Pode chamar sim, Azulão. Ela é legal...



Escrito por Vladimir às 09h32
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São Vladimir

 

Meu pai me contou de uma catedral em Kiev, Ucrânia, em homenagem a um certo São Vladimir, vejam acima as imagens dela, que bonita. Fuçando, vi que esse santo ortodoxo na verdade foi o Príncipe Vladimir, o Grande (ou ainda, Vladimir I, de Kiev), que comandou o Reino de Kiev (que abrangia partes da Ucrânia, Rússia e Bielorússia de hoje) há exatos mil anos atrás (do ano 980 a 1015). Foi quem cristianizou a região, se tornando uma figura muito querida, conhecido pelo codinome de Sol Justo. Recentemente, fizeram até um longa de animação com a história dele, vejam o poster abaixo:

Há controvérsias sobre o significado do nome. Diz-se que vladi é “reger, governar” e mir “fama, glória”, então seria algo como “Governar com Glória”. Porém a palavra mir tem outros significados nas línguas eslavas: “paz”, “povo” e “mundo”, então há quem diga que seria “Governar com Paz” ou “Governar o Mundo”, ou ainda, como popularmente mencionado na Rússia, “Mestre do Universo”. Humm, menas, né?

Enfim, é por causa desse nobre de Kiev que Vladimir se tornou popular no mundo eslavo, de lá para o resto do mundo, sendo, portanto, por sua causa que eu mesmo tenho esse nome. Tirando o fato de ter sempre sido um dos últimos na chamada na escola, o nome sempre me agradou, por ter ares elegantes e não ser tão repetido.

Sendo um dos nomes mais comuns entre os eslavos, a história traz bastantes exemplos: do revolucionário Lenin ao Conde Vlad, o Impalador (da Transilvânia), do poeta Maiakovski ao político Putim, do escritor Nabokov (de Lolita) ao pianista Horowitz. No Brasil também temos o político Vladimir Palmeira; o jornalista morto pela ditadura Vladimir Herzog; o ator Vladimir Brichta e até um popular lateral esquerdo do Corinthians nos anos 70, Wladimir. Na ficção, além do Conde Drácula, inspirado pelo Conde Vlad, só me lembrei do também vampiro Vladimir Polanski, da novela Vamp, e do  bombeiro garanhão Vladimir, da novela Celebridade. Putz, encerrei bem a lista, heim?

Outras curiosidades são as variações dependendo da língua. Se o mais comum é se escrever como no original, Vladimir, vejam as outras formas:

Em Latim: Vladimirus
Em alemão: Wladimir
Em italiano: Vladimiro
Em ucraniano: Volodymyr
Em bielorruso: Uladzimier
Em polonês: Wlodzimierz

E se na minha vida sempre fui chamado de Vlad (exceto por meus irmãos, a quem sou simplesmente Vla), vejam só essas reduções em outras línguas: Vova, Volodya (essas duas, as mais comuns na Rússia), Vovochka (esse é um personagem infantil de piadas na Rússia, como o Joãozinho no Brasil), Vladim, Vladan, Vlado, Volya, Vovusha (ui!), Vovka (hahaha, parece Vodka!), Vovanych, Vovyan (me amarrei, poderia formar a dupla Vovyan & Vivian com a minha Pulguinha, né?), Vovansky,... Isso porque a web não menciona as formas pelas quais já fui chamado por pessoas mais simples, coisas do tipo: Fladimir, Vradimir, Claudemir, Fradimir, Fredmir, Craudimir, Valdeir, Vardermir (acreditem!)...

Por fim, pra minha surpresa, descobri na web que há também versões no feminino: Vladimira, Vlada, Vladimirka, Vladislava, Vladanka....

Vixe, meu São Vladimir, quanta variação saiu de teu nobre nome, heim?



Escrito por Vladimir às 11h36
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Lullaby

Eu e a Viviane gostamos de dormir com música. Qualquer uma que nos agrade: instrumentais, Disco, MPB e até hard rock. Mas outro dia comprei um CD chamado Canções de Ninar, do grupo Palavra Cantada. Foi engraçado, achamos numa feirinha da Praça São Salvador e o vendedor falava: “É ótimo pra crianças!” “As crianças adoram.” “Bom principalmente para menores de 3 anos”. A gente ria, mas não dissemos que era pra nós mesmos.

Adoramos! Tem até uma musiquinha que conta carneirinhos, que eu me amarro. A Viviane só reclamou que nunca consegue ouvir mais de uma música, pois antes da segunda... cataploft! já caiu no sono.

Um dos sinônimos para cantiga de ninar é a no. 2 do meu ranking de palavras favoritas em português: acalanto (só perdendo pra saudade). Em inglês, canção de ninar é lullaby, outra palavrinha linda, né? A origem mais aceita para lullaby é que veio do cantarolar la-la-la, com bye no sentido de boa noite. Há outra teoria que veio de Lilith-bye, ou seja, uma maneira das crianças dizerem adeus a Lilith, um certo anjo do mal.

A propósito, acho estranho que muitas cantigas de ninar mencionam monstros, né? As mais populares do Brasil falam do “Boi da cara preta” e da “Cuca” que “vem pegar”. Aliás, fui fuçar a palavra Cuca e descobri outra curiosidade. Seu nome evoluiu de Coca, que por sua vez seria o feminino de Coco, um dos nomes originais para o Bicho Papão. O curioso é que o nome do fruto do coqueiro veio desse Coco folclórico. É que as mães usavam o coco para reperesentar o bicho, como fazem com a abóbora no halloween, e assustar as crianças. E o fruto acabou assumindo o nome do monstro imaginário.

Que maldade, né, prefiro lullabyes que só contem carneirinhos, pode ser?



Escrito por Vladimir às 09h11
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Bigorna

Achei o filme Arrasta-me para o inferno menos criativo que o clássico trash Uma Noite Alucinante (Evil Dead II) dos anos 80, do mesmo diretor Sam Raimi. Mesmo assim, tem momentos hilariantes, como quando a mocinha está sendo atacada por um ser horripilante e nota que há uma bigorna pendurada no alto, por uma corda. Claro que ela corta a corda e a bigorna tomba na cabeça da besta, fazendo seus olhos saltarem, muito legal. Mas eu me perguntei, o que fazia uma bigorna pendurada? Ou melhor: quem tem uma bigorna em casa? Para que esse bloco de ferro serve a não ser para abalroar o Coiote, no desenho do Papa-léguas?

Pra não dizer que nunca vi esse troço, a gente teve de fabricar umas minibigornas nas aulas de torno do SENAI, no curso de engenharia. Realmente, isso foi muito importante para a minha carreira... Fuçando, vi que a bigorna serve de apoio para forjar metais, mas que caiu em desuso pois hoje há maneiras mais práticas. A palavra vem de bi (dois) + cornu (corno, chifre), por causa das duas pontas. E que é o nome de um dos menores ossos do corpo humano, compondo com o martelo e estribo os ossículos do tímpano. Essa quem se lembrou foi minha esposinha médica.

A Wikipedia menciona as diversas referências de bigorna em desenhos animados. Um deles, Animaniacs, tem até uma Anvilannia (algo como Bigornolândia), uma cidade cuja única atividade econômica é a fabricação de bigornas. Muito útil no mundo dos cartoons, né? Mas a melhor referência é um dos deliciosos diálogos da saudosa série Gilmore Girls, quando Lorelai comenta que, pelas frequentes citações, as bigornas deviam ser comuns antigamente e, como não são mais vistas, conjectura: para onde foram todas as bigornas? Se elas eram feitas justamente para não se derreterem no trabalho de forjar, então, afinal, em que armazém secreto do governo estão todas as bigornas escondidas?

Bom, só espero que nenhuma delas esteja de bobeira acima da minha cabeça, né?



Escrito por Vladimir às 21h53
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Som & Fúria e Decamerão

Com minha TV a cabo com possibilidade de gravação de programas, finalmente este dorminhoco que vos escreve pode acompanhar com afinco séries e minisséries depois das 23hs. Assisti inteiro Som & Fúria, sobre uma companhia de teatro, adorei! Além da raridade de ver Shakespeare na TV, ainda teve performances impagáveis, como a da Andréa Beltrão, do Dan Stulbach e, principalmente, do Felipe Camargo, de quem eu nunca gostei muito, mas que parece ter encontrado o papel perfeito como um maluco beleza. O diretor Fernando Meirelles mandou bem, tomara que vire série regular!

Falando em Shakespeare, agora tenho me amarrado em Decamerão, A Comédia do Sexo. Assim como nas peças do bardo, o diálogo é todo rimado, o que faz com que o texto dê dois prazeres: entender os vaivéns das hilárias intrigas de traição e ficar tentando adivinhar como as rimas serão resolvidas. As tramas lembram os melhores momentos dos autores, o Guel Arraes e o Jorge Furtado, como em O Auto da Compadecida e Caramuru. E os atores, como a Drica Moraes e Matheus Nachtergale, estão como sempre ótimos. E o Lázaro Ramos dando uma de voyeur com a Leandra Leal no último episódio me remeteu a um dos meus filmes favoritos, O Homem que copiava, também do Jorge Furtado.

Tomara que mantenham o padrão, pois o meu gravador de programas não vai deixar eu perder nenhum episódio!



Escrito por Vladimir às 11h26
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Canto do Vladimir

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Nome: Vladimir Batista
Nasceu: Goiás
Mora: Jundiaí-SP
email: vladimir.batista@gmail.com
twitter: @vladbat

Conteúdo
Blog de Vladimir Batista, sobre cinema, curiosidades (etimologia (origem das palavras), dicionário, cultura inútil, rankings (top10, top5,...)), música, TV, literatura, minhas criações (letras, poemas, contos, romances, novelas, roteiros de cinema, argumentos), atualidades, minha vida, etc...


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